Ataque deve ser prioridade

POR GERSON NOGUEIRA

Marlon vem se destacando no PSC neste começo de Campeonato Brasileiro. Com tarefas e responsabilidades amplificadas depois que Ricardinho deixou o time por contusão, ele participa da elaboração das jogadas ao lado de José Aldo e ainda encontra tempo para ir ao ataque fazer gol.

Foi assim contra o Mirassol, na segunda-feira à noite. Depois de uma atuação quase perfeita ao longo do primeiro tempo, ajudando a recompor e a armar as manobras ofensivas, ele teve a visão necessária para aparecer na área e receber o cruzamento de Robinho. Pegou de primeira e estufou as redes.

A visão privilegiada dentro e às proximidades da área é uma das grandes qualidades de Marlon. A outra é a técnica para definir jogadas. No começo, assim que chegou há três anos, entrava como flecha nas defesas adversárias. Qualquer cochilo dos zagueiros, lá estava ele para matar.

Pelo estilo rápido, lembrava muito Tiago Potiguar, atacante que marcou época na Curuzu. Aos poucos, porém, Marlon foi recuado para o meio-campo, e perdeu muito com isso. Passou a ser olhado como um armador, talvez pela habilidade, drible fácil e passes perfeitos.

É um erro. Marlon deve ser aproveitado essencialmente como jogador de ataque, o mais avançado possível, alargando a linha ofensiva e abrindo defesas. Quando recebe a bola e parte em diagonal em direção à área para finalizar ou tabelar é, de longe, o melhor atacante do Papão.

Poucos jogadores no futebol paraense batem na bola da intermediária com tanta qualidade e pontaria. Mesmo na Série C do ano passado, no horroroso time de Vinícius Eutrópio/Roberto Fonseca, ele conseguiu se destacar com gols bonitos, consignados a partir de manobras individuais.

Com Márcio Fernandes, Marlon tem sido usado como um meia de articulação, mas é liberado para chegar até a área adversária pelo lado esquerdo. A questão é que, como apoiador, ele perde tempo demais com as ações longe da área – e do gol.

Esse papel deve ficar com outros jogadores, José Aldo, Vieira (que nem estreou ainda) e Serginho (quando estiver recuperado). Eles que cuidem da elaboração das jogadas. Marlon deve ser posicionado lá na frente, sem precisar ir e voltar o tempo todo. Com isso, terá fôlego e condições plenas de explorar sua capacidade de definir.

Direto do blog campeão

“O Remo passou a temporada passada com vários jogadores meias-bocas no elenco. Jogadores que aguentavam jogar só meio tempo de jogo, no máximo. Outros faziam de conta que jogavam. Assim foram levando a vida até que a casa caiu com a queda para a Série C de maneira patética. Gedoz era um desses. Com a sua saída, é hora de observar outros do mesmo naipe, chegados a calçar um chinelinho, e mandá-los cantar em outra freguesia. Acorda, Leão”.

Miguel Silva, um azulino cabreiro

Um futebol de outra galáxia, bonito e intenso

Quem dedicou duas horas de seu tempo para apreciar – o termo é exatamente este – o jogo Manchester City x Real Madrid, pela Liga dos Campeões, ainda deve estar enlevado com a incrível dinâmica e a excelência do espetáculo ali encenado.

A partida redesenhou o significado da palavra intensidade no futebol. Os times atuaram em alta velocidade, sem linhas de marcação e recursos sujos, como o rodízio de faltas. Os técnicos brasileiros, todos, incluindo os portugueses que aqui aportaram, deveriam sentir vergonha.

O que se pratica aqui é algo mais ou menos parecido com o futebol europeu cintura-dura dos anos 1960 e 1970. Como sempre defendi, a Europa veio buscar talento e inventividade aqui na América do Sul, e no Brasil, em particular. Pagou caro por isso, mas hoje lucra com a experiência.

O começo foi vertiginoso. Um gol antes de 1 minuto, com De Bruyne; outro aos 10’, com Gabriel Jesus. Os ataques pareciam bombardeios. O City era mais desenvolto, distribuindo bolas de lado a lado. Bernardo, Fernandinho (sim, ele mesmo), Phil Folden e De Bruyne desfilavam.

Atordoado, o Real custou a entrar no jogo. Só aos 33’, quando Benzema finalizou para as redes, deu para perceber que a mística merengue estava viva e presente. O primeiro tempo passou voando, tal a rapidez dos lances e a sucessão incrível de chances de gol.

Veio a etapa final e os dois gigantes não se acomodaram. O jogo ficou ainda mais emocionante. Logo aos 2 minutos, o City invadiu a área e botou uma bola na trave. No rebote, Carbajal salvou junto à linha.

Mas, aos 7’ não teve jeito. Fernandinho (sim, ele mesmo) surgiu como ponta direita e cruzou na medida para Foden cumprimentar para as redes. Não deu tempo de comemorar porque nova reviravolta estava vindo.

Em lance sensacional, Vinícius Jr. aplica um drible de corpo em Fernandinho junto à linha lateral e arranca do meio-campo até a área do City para tocar na saída de Ederson. Uma pintura de gol. Delirante, o jornal Ás fez ilustração comparando Vini a Pelé. Menos, menos – por ora.

O City fez o quarto gol aos 22’, com Bernardo Silva. Tudo parecia enfim definido. Não estava. Aos 35’, Tony Kroos levanta na área, o zagueiro desvia de cabeça e com o braço. Para os analistas de arbitragem do Brasil seria lance legal, mas o pênalti foi marcado e Benzema fez o 3º do Real. Até nisso houve arte. O francês deu a cavadinha e enganou Ederson.

No final, para não deixar a peteca cair, as caixas de som explodem com o clássico “Wonderwall”, do Oasis. E tudo fica em aberto para a decisão em Madri. Promessa de nova catarse.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 28)

3 comentários em “Ataque deve ser prioridade

  1. O jogo da Champions leva-nos a refletir sobre aonde queremos levar o futebol brasileiro. Fico pê da vida quando analistas e torcedores clamam para que peladeiros festeiros, em momentos de dificuldades, saiam do banco para resolver a falta de método, criatividade, de treino e de vontade do time dele. Quase nunca dá certo. Assim era Vinícius Júnior, sem ser festeiro, mas peladeiro nos tempos de Flamengo. O Real, time mais vencedor do planeta, acreditou nele e o adquiriu por uma fortuna. Mas, antes de fazê-lo titular, colocou-o na forma, contando ainda com os puxões de orelhas (para o bem) do seu parceiro de clube, o francês Benzema. O talentoso Vinícius, agora Vini, não só trocou de nome, mas de maneira de jogar. É outro jogador, diferenciado não só pelo talento inerente em tratar a redonda, mas por ter se tornado um jogador moderno, com disciplina tática e grande preparo físico. A arrancada sensacional que deu para marcar o seu gol é melhor entendida no desespero do Guardiola à beira do gramado, registrado pela câmara de um celular de um torcedor. O técnico do City anteviu ali o desfecho daquela jogada.

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  2. Seria bom perguntar ao Sandro Meira Ricci se ele marcaria ou não o pênalti a favor do Real, cobrado com cavadinha pelo Benzema. No jogo entre Botafogo e Atlético Goianiense, em lance semelhante, a favor do Botafogo, o juiz simplesmente achou que o zagueiro do time goiano não cometeu falta, com pronta concordância de Ricci, para o qual não existe autopênalti. Ricci, para quem não sabe, faz parte da Central do Apito (ou do Amigo), da TV Globo.

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  3. E isso também faz parte do futebol de outra galáxia, anos-luz distantes desse indigente futebol, que um dia já foi orgulho de todo brasileiro.
    Não se vê ninguém peitando o árbitro, nem contestações, nem espera pela decisão (também humana) do VAR… Nada. O árbitro é seguro, preciso, respeitado. Acrescento o lance do gol de Bernardo, para o City, em que a maioria dos sopradores de apito daqui não daria a vantagem.

    Ontem, vendo o primeiro tempo do jogo entre U. Católica e Flamengo, me chamou a atenção quando o árbitro (por sinal, uma pessoa negra) deu cartão amarelo a W. Arão. Este reagiu dando risada, sorrisos sarcásticos… Isso também contribui para aumentar a distância entre aqui e lá.

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