Leão apresenta o novo camisa 10

O Remo apresentou oficialmente nesta quinta-feira, 28, o meia-armador Albano. Ele declarou estar pronto para assumir o papel de novo camisa 10 do time. Ex-jogador do Goiás, ele disse que está bem fisicamente e pode estrear já contra o Confiança, domingo. “Me sinto bem. Acho que eu estou bem fisicamente, venho treinando. Eu estou pronto para aproveitar essa oportunidade. Espero que eu consiga corresponder”.

Albano surgiu na Aparecidense e foi contratado pelo Goiás. Esteve na campanha do acesso do clube goiano à Série A, mas disputou poucos jogos na Série B e não conseguiu fazer gols com a camisa do clube esmeraldino.

“Tive dificuldade no começo da temporada, eu tive covid. Precisei tirar dois sisos. Fiquei 30 dias parado, isso dificultou. Por conta disso, eu fiquei um pouco fora de forma, mas não estou dando desculpas, sei que preciso melhorar e trabalhar mais. Vou aproveitar a oportunidade que o Remo está dando”, explicou.

O técnico Paulo Bonamigo ganha a opção de um jogador de criação que gosta de atuar perto do gol. Albano pode jogar no meio ou pelos lados do ataque. “Sou um meio-campista. Jogo com ponta, mas prefiro como meio-campista. Gosto de jogar perto da área, de jogar com a bola no pé e entrando na área, assim consigo deixar meus companheiros de frente para o gol”.

Ataque deve ser prioridade

POR GERSON NOGUEIRA

Marlon vem se destacando no PSC neste começo de Campeonato Brasileiro. Com tarefas e responsabilidades amplificadas depois que Ricardinho deixou o time por contusão, ele participa da elaboração das jogadas ao lado de José Aldo e ainda encontra tempo para ir ao ataque fazer gol.

Foi assim contra o Mirassol, na segunda-feira à noite. Depois de uma atuação quase perfeita ao longo do primeiro tempo, ajudando a recompor e a armar as manobras ofensivas, ele teve a visão necessária para aparecer na área e receber o cruzamento de Robinho. Pegou de primeira e estufou as redes.

A visão privilegiada dentro e às proximidades da área é uma das grandes qualidades de Marlon. A outra é a técnica para definir jogadas. No começo, assim que chegou há três anos, entrava como flecha nas defesas adversárias. Qualquer cochilo dos zagueiros, lá estava ele para matar.

Pelo estilo rápido, lembrava muito Tiago Potiguar, atacante que marcou época na Curuzu. Aos poucos, porém, Marlon foi recuado para o meio-campo, e perdeu muito com isso. Passou a ser olhado como um armador, talvez pela habilidade, drible fácil e passes perfeitos.

É um erro. Marlon deve ser aproveitado essencialmente como jogador de ataque, o mais avançado possível, alargando a linha ofensiva e abrindo defesas. Quando recebe a bola e parte em diagonal em direção à área para finalizar ou tabelar é, de longe, o melhor atacante do Papão.

Poucos jogadores no futebol paraense batem na bola da intermediária com tanta qualidade e pontaria. Mesmo na Série C do ano passado, no horroroso time de Vinícius Eutrópio/Roberto Fonseca, ele conseguiu se destacar com gols bonitos, consignados a partir de manobras individuais.

Com Márcio Fernandes, Marlon tem sido usado como um meia de articulação, mas é liberado para chegar até a área adversária pelo lado esquerdo. A questão é que, como apoiador, ele perde tempo demais com as ações longe da área – e do gol.

Esse papel deve ficar com outros jogadores, José Aldo, Vieira (que nem estreou ainda) e Serginho (quando estiver recuperado). Eles que cuidem da elaboração das jogadas. Marlon deve ser posicionado lá na frente, sem precisar ir e voltar o tempo todo. Com isso, terá fôlego e condições plenas de explorar sua capacidade de definir.

Direto do blog campeão

“O Remo passou a temporada passada com vários jogadores meias-bocas no elenco. Jogadores que aguentavam jogar só meio tempo de jogo, no máximo. Outros faziam de conta que jogavam. Assim foram levando a vida até que a casa caiu com a queda para a Série C de maneira patética. Gedoz era um desses. Com a sua saída, é hora de observar outros do mesmo naipe, chegados a calçar um chinelinho, e mandá-los cantar em outra freguesia. Acorda, Leão”.

Miguel Silva, um azulino cabreiro

Um futebol de outra galáxia, bonito e intenso

Quem dedicou duas horas de seu tempo para apreciar – o termo é exatamente este – o jogo Manchester City x Real Madrid, pela Liga dos Campeões, ainda deve estar enlevado com a incrível dinâmica e a excelência do espetáculo ali encenado.

A partida redesenhou o significado da palavra intensidade no futebol. Os times atuaram em alta velocidade, sem linhas de marcação e recursos sujos, como o rodízio de faltas. Os técnicos brasileiros, todos, incluindo os portugueses que aqui aportaram, deveriam sentir vergonha.

O que se pratica aqui é algo mais ou menos parecido com o futebol europeu cintura-dura dos anos 1960 e 1970. Como sempre defendi, a Europa veio buscar talento e inventividade aqui na América do Sul, e no Brasil, em particular. Pagou caro por isso, mas hoje lucra com a experiência.

O começo foi vertiginoso. Um gol antes de 1 minuto, com De Bruyne; outro aos 10’, com Gabriel Jesus. Os ataques pareciam bombardeios. O City era mais desenvolto, distribuindo bolas de lado a lado. Bernardo, Fernandinho (sim, ele mesmo), Phil Folden e De Bruyne desfilavam.

Atordoado, o Real custou a entrar no jogo. Só aos 33’, quando Benzema finalizou para as redes, deu para perceber que a mística merengue estava viva e presente. O primeiro tempo passou voando, tal a rapidez dos lances e a sucessão incrível de chances de gol.

Veio a etapa final e os dois gigantes não se acomodaram. O jogo ficou ainda mais emocionante. Logo aos 2 minutos, o City invadiu a área e botou uma bola na trave. No rebote, Carbajal salvou junto à linha.

Mas, aos 7’ não teve jeito. Fernandinho (sim, ele mesmo) surgiu como ponta direita e cruzou na medida para Foden cumprimentar para as redes. Não deu tempo de comemorar porque nova reviravolta estava vindo.

Em lance sensacional, Vinícius Jr. aplica um drible de corpo em Fernandinho junto à linha lateral e arranca do meio-campo até a área do City para tocar na saída de Ederson. Uma pintura de gol. Delirante, o jornal Ás fez ilustração comparando Vini a Pelé. Menos, menos – por ora.

O City fez o quarto gol aos 22’, com Bernardo Silva. Tudo parecia enfim definido. Não estava. Aos 35’, Tony Kroos levanta na área, o zagueiro desvia de cabeça e com o braço. Para os analistas de arbitragem do Brasil seria lance legal, mas o pênalti foi marcado e Benzema fez o 3º do Real. Até nisso houve arte. O francês deu a cavadinha e enganou Ederson.

No final, para não deixar a peteca cair, as caixas de som explodem com o clássico “Wonderwall”, do Oasis. E tudo fica em aberto para a decisão em Madri. Promessa de nova catarse.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 28)