A um passo do paraíso

POR GERSON NOGUEIRA

O jogo foi eletrizante em vários momentos. Ataques de parte a parte, bolas lançadas em velocidade e atacantes sempre levando perigo nas aproximações. Futebol ofensivo e intenso. E, em meio a isso, uma atuação bem encaixada do PSC, principalmente no 1º tempo. Começou a partida com uma estratégia que deu bons frutos: marcação adiantada forçou erros seguidos do Mirassol na saída de bola.

A Série C não costuma apresentar jogos tão ricos em alternativas e vistosos na distribuição das equipes em campo. O confronto de ontem fugiu à mesmice. Qualquer um podia vencer, o empate final acabou sendo positivo para o PSC, pois a arbitragem deixou de marcar um gol legítimo para o Mirassol – a bola ultrapassou a linha fatal em quase meio metro.

Nos minutos finais, depois de ter perdido várias chances para marcar, um cruzamento de Robinho encontrou Marlon no segundo pau. Ele bateu firme no canto direito de Darley, abrindo o placar. Resultado até ali inteiramente merecido. O PSC fazia tudo o que um visitante esperto deve fazer.

Apertava a marcação, não deixava o Mirassol crescer pelos lados, contra-atacava com rapidez e resistia bem quando era atacado. O gol veio coroar o trabalho desenvolvido durante toda a primeira etapa.

O Mirassol teve lampejos. Andou inquietando o goleiro Thiago Coelho, ainda nervoso em momentos de perigo, mas foi inferior ao PSC em movimento e volume. O time de Márcio Fernandes aprofundava as investidas às proximidades da área explorando o dinamismo do trio José Aldo, Marcelo Toscano e Marlon, o melhor em campo.

Um aspecto diferenciava as equipes. O PSC era quase sempre vertical nas saídas rumo ao ataque. O Mirassol era perigoso, mas custava a se decidir quando entrava no campo do Papão. Camilo, meia-armador do time, sempre tinha um arabesco a fazer, prendendo a bola e perdendo tempo.

Como era previsível, o Mirassol fez mudanças para tentar empatar o jogo no segundo tempo. Alterou principalmente a forma de atuar pelos lados, colocando na esquerda o ágil Anderson Pará. De maneira geral, o time paulista passou a controlar as ações, com passes mais rápidos e objetivos.

Em consequência da melhor presença do Mirassol na 2ª etapa, o empate veio aos 28 minutos. Léo Duarte cabeceou para as redes escorando um cruzamento na área. Thiago Coelho foi bastante exigido e a partida terminaria com um lance inusitado.

Logo em seguida, Márcio Fernandes trocou o dinâmico Toscano pelo lento Henan e mudou a defesa, lançando Igor no lugar de Lucas. O Mirassol continuou apertando e chegou ao desempate, mas o gol não foi confirmado.

Aos 34’, em meio a uma blitz do Mirassol na área alviceleste, a bola transpôs a linha fatal após tocar no zagueiro Genilson, mas o assistente 2 não viu. Melhor para o Papão, que segue invicto na competição.  

Remo despacha Gedoz e contrata novo meia

Foi preciso que Felipe Gedoz chutasse o pau da barraca, faltasse a treino e desafiasse a autoridade do técnico Paulo Bonamigo para que o Remo finalmente agilizasse a contratação de um meia-armador. O escolhido foi Albano, que era alvo do interesse azulino desde o ano passado. 

Chega com a imensa responsabilidade de dar criatividade e imaginação a um setor extremamente carente do time remista. Gedoz foi trazido de volta para esta temporada em função da necessidade premente de sanar os problemas que assolavam a meiúca.

Quando esteve em condições de jogar, o camisa 10 entregou pouco. No Parazão, entrou em campo a partir da terceira rodada, mas saiu de cena ao sentir um incômodo muscular no Re-Pa da primeira fase, na Curuzu.  

Voltou a jogar somente nos minutos finais da partida que encerrou o campeonato, a tempo de aparecer na foto do time campeão. Muito pouco para as necessidades da equipe, que viveu de improvisos com Marco Antonio e Marciel.

No Brasileiro da Série C, Gedoz participou de rabichos de jogos. Entrou no final contra o Vitória e o Manaus, sem dizer a que veio. A gota d’água foi perder a hora do treino apronto para o jogo com o São José.

O acordo de rescisão firmado ontem é a confirmação de que o camisa 10 que motivou até uma campanha da torcida (Pix do Leão) já não estava nos planos. O Remo, de certa forma, se sentiu aliviado em ver partir o mais caro jogador do elenco. O destino é incerto e não sabido, por ora.

Quanto a Albano terá que mostrar no Leão bem mais do que apresentou com a camisa do Goiás em pouco mais de 20 partidas. E não terá muito tempo para se ambientar. Será logo convocado a entrar em campo, ante a urgência que a Série C impõe.

Vitimado por Gotinha, Emerson abre vaga para Josué

O bom trabalho de Josué Teixeira no Caeté rendeu frutos. O time caiu nas quartas de final do Campeonato Paraense, mas o técnico readquiriu prestígio e mercado. Foi anunciado ontem como substituto de Emerson Almeida na Tuna para o prosseguimento do Brasileiro da Série D.

A derrota de 3 a 0 para o Juventude Samas (MA), domingo, no Souza, com três gols do atacante Gotinha, derrubou o jovem técnico tunante, que assumiu a em setembro de 2021 e ficou no comando por 17 partidas, conquistando sete vitórias e o terceiro lugar no Parazão.

Emerson cai não apenas por seus erros, mas pelo momento vivido pela Tuna a partir das mudanças no elenco, com troca de seis atletas dias antes do início da Série D. Josué, casca grossa, terá a missão de fazer a Águia Ferreira reencontrar o caminho das vitórias. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 26)

Remo dispensa Gedoz e contrata meia que defendia o Goiás

Depois de confirmar a dispensa do meia Felipe Gedoz, após acordo entre as partes, o Remo não perdeu tempo e anunciou na manhã desta segunda-feira (25) a contratação de Albano, meia-armador que há muito tempo era cobiçado pelo clube. O jogador, que pertence ao Goiás, foi cedido por empréstimo até o fim da Série C.

O presidente do Remo, Fábio Bentes, confirmou a transação, que já havia sido revelada pelo vice-presidente e ex-goleiro do Goiás, Harley. Albano confirmou o acerto com o Leão e avisou que chega a Belém na noite desta segunda-feira (25). “Acertamos até o final do Brasileiro da Série C. Feliz demais em poder ajudar. Chego hoje à noite”, revelou.

O meia de 23 anos chegou ao Goiás em 2021, mas não conseguiu se firmar. Fez 26 jogos, mas não se destacou. O jogador possui contrato com o time goiano até 2023.

DESLIGAMENTO

A reunião que definiu a situação de Gedoz no Remo foi rápida. Ficou acertado que o clube irá pagar o que deve ao jogador pelos dias trabalhados em abril. O atleta foi dispensado do pagamento da multa rescisória. Aos dirigentes, o meia negou que tenha se oferecido ao PSC. Segundo boatos surgidos nas redes sociais, o destino de Gedoz deve ser o Vila Nova-GO.

O que vem fácil, vai fácil

POR GERSON NOGUEIRA

O Remo teve a vitória nas mãos por sete minutos. Fez o primeiro gol aos 4’ e o segundo aos 10’ do segundo tempo. Gols nascidos de belos cruzamentos, melhores jogadas do time em toda a partida. A comemoração da torcida no Baenão deu a dimensão das dificuldades do jogo. Pena que a alegria durou pouco. Em dois minutos, aos 24’ e aos 25’, o São José empatou. Aliás, quase virou minutos depois.

Impossível não pensar na eterna lei das ruas. Coisas que vêm fácil costumam ir fácil também, diz o adágio popular. O Remo sentiu o peso dessa verdade. Os gols não resultaram de uma atuação consistente e superior. Longe disso. O desempenho dos azulinos foi impactado pelos erros – nos passes, nos desarmes e nas finalizações.

Com um meio-campo limitado a dois jogadores, Anderson Uchoa e Paulinho Curuá, o Remo não tinha ninguém cuidando da armação das jogadas. O futebol não permite esse tipo de desatino. Foi por ali, na parte central, o São José se organizou e criou dificuldades durante quase toda a partida.

O primeiro tempo transcorreu quase sem emoções porque os times se esmeraram tanto nos erros que não conseguiam criar chances reais de gol. As melhores investidas do Remo foram através de Bruno Alves, deslocado pela esquerda. Fez dois cruzamentos perigosos, mas ficou nisso.

Depois do intervalo, Paulo Bonamigo manteve a mesma formação e, de repente, em duas arrancadas pelos lados, o time chegou ao gol. Leonan cruzou da esquerda e Brenner testou para as redes, logo aos 4 minutos. Aos 10’, atacando pela direita, Rony cruzou sob medida para Rodrigo Pimpão marcar seu primeiro gol com a camisa azulina.

Parecia que, contrariando todas as previsões, o Remo estava construindo uma vitória importante, mesmo sem armador no meio e utilizando quatro atacantes isolados e improdutivos na frente. Por alguns minutos, o time surfou no placar favorável e teve ímpetos de ampliar.

De repente, porém, a casa caiu. Em duas jogadas rápidas iniciadas pelo lado esquerdo, o São José chegou ao empate. Fácil, extremamente fácil. Aos 24’, Marcelo cruzou uma bola alta, a zaga ficou olhando e Cristiano testou para as redes. O Remo deu a saída, perdeu a bola e o São José armou um ataque rápido. Maradona recebeu dentro da área e chutou no canto direito do gol de Vinícius, que nem foi na bola.

O efeito foi terrível para o time azulino. Atarantado, o Remo tentava sair de seu campo em busca do terceiro gol, mas se atrapalhava, precipitava jogadas e não chegava à área. Bonamigo trocou Rony e Paulinho Curuá e colocou Ronald e Vanilson. Marciel entrou e foi jogar na frente. Em meio a isso, o setor central continuou fragilizado.  

Com o São José recuado e com 10 jogadores (Tiago Pedra foi expulso aos 35’), os ataques se sucediam. Na base da valentia, o Remo tentava diminuir o prejuízo. Vanilson até acertou um chute perigoso. Na reta final, após confusão na área, Marciel quase fez o gol da vitória, com um chute que passou tirando tinta da trave de Fábio Rampi.  

Gedoz não joga, mas aquece os bastidores

Desfalque de última hora no Remo, afastado da partida contra o São José por ter faltado ao treino de sexta-feira, o meia Felipe Gedoz acabou tendo o nome badalado como se tivesse jogado. O problema é que, antes mesmo da notícia de que não estaria em campo, já circulavam boatos sobre uma possível saída em direção ao maior rival.

Ao longo do domingo a história foi ganhando nuances ainda mais esquisitas. Gedoz tem contrato com o Remo e só poderá sair caso pague a multa rescisória de R$ 500 mil. Para o futebol que o camisa 10 vem jogando e os seguidos problemas de contusão – está voltando aos gramados após longa ausência –, é difícil imaginar uma transferência do tipo.

Como a diretoria do Remo não se pronunciou e o jogador se manteve em silêncio, restaram as especulações. Há quem garanta, sem comprovação, que o empresário de Gedoz teria sido o porta-voz de uma oferta ao PSC, que não teria levado a sério a proposta.

De toda sorte, o ato de indisciplina queimou as pontes de Gedoz junto a Paulo Bonamigo, que foi o único a comentar o episódio da barração. Disse que não poderia escalar um jogador que não treina. Declaração que soou como uma avaliação definitiva por parte do treinador. Para tentar encontrar uma solução para o impasse, a direção marcou uma reunião para hoje.

Contra o Mirassol, Papão pode alcançar a liderança

Depois de um fim de semana com resultados ruins para os clubes paraenses (Tuna caiu em casa e Castanhal perdeu fora), o PSC tem a chance de garantir a liderança do Brasileiro da Série C. Com quatro pontos conquistados, um triunfo diante do Mirassol, em São Paulo, hoje à noite, colocará os bicolores na ponta da tabela em função do saldo de gols.

O técnico Márcio Fernandes deixou claro que vai escalar o mesmo time que atuou contra o ABC. No meio-campo, setor mais ajustado neste Brasileiro, José Aldo segue como referência, tendo mais à frente o suporte do meia-atacante Marlon.

No ataque, Robinho e Marcelo Toscano têm a missão de encarar a defensiva do Mirassol, time que mantém campanha 100% até aqui, com duas vitórias em dois jogos. Ambos fizeram boa partida contra o ABC, mas não conseguiram fazer gols, apesar de duas tentativas. A vitória veio dos pés do lateral esquerdo Patrick Brey. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 25)

Recuerdos de La Bombonera 2003

Luiz Fernando, Gino, Marcão e Robgol em La Bombonera, fazendo reconhecimento do campo na véspera do histórico jogo com o Boca Juniors, pela Libertadores 2003.

Momento de descontração dos jogadores Marcão, Robgol e Iarley, concentrados no hotel de Buenos Aires para o confronto com o Boca.

(Fonte: @Paysandu em Fotos – Twitter)