Primeira semifinal confirma domínio europeu na Copa russa

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Brasil foi derrotado por 2 a 1 pela Bélgica nesta sexta-feira, em Kazan, e está eliminado da Copa do Mundo Rússia 2018. Na semifinal, os belgas, invictos há 23 jogos, enfrentarão a França, que venceu o Uruguai em Nizhny Novgorod. Na etapa inicial, apesar da seleção ter ensaiado uma pressão em jogadas de bola na área, os belgas abriram dois gols de vantagem. O primeiro, contra, de Fernandinho, e o segundo com De Bruyne, aproveitando contra-ataque puxado por Lukaku e a inesperada desorganização da então melhor defesa do Mundial.

Com uma abordagem mais conservadora, o técnico Roberto Martínez surpreendeu ao barrar Mertens e Carrasco e lançar Fellaini e Chadli entre os titulares, aumentando ainda mais a estatura do time e protegendo os zagueiros. Por outro lado, Tite apostou na volta de Marcelo pela esquerda.

Para a vaga de Casemiro, suspenso, o treinador optou por Fernandinho. Logo nos primeiros minutos, a ausência do volante do Real Madrid se mostrou determinante para o colapso do sistema defensivo brasileiro. Além do gol contra, Fernandinho abandonava seu posto com frequência e concedia espaços aos contragolpes belgas. Em um deles, De Bruyne, seu companheiro de Manchester City, não perdoou.

No segundo tempo, em desvantagem no placar, a seleção voltou com Firmino no lugar de Willian. Ao contrário da vitória contra o México, o meia-atacante pouco produziu. Neymar e Philippe Coutinho também estiveram abaixo em relação a outros jogos, assim como Gabriel Jesus, que terminou a Copa sem marcar nenhum gol. O Brasil chegou a reclamar de dois pênaltis, mas não foi dessa vez que o árbitro de vídeo deu uma forcinha para compensar a falta de inspiração no ataque.

Correndo atrás do prejuízo, a equipe de Tite teve mais posse de bola e o triplo de finalizações (26 a 8), exigiu pelo menos duas boas defesas de Courtois, mas só conseguiu marcar aos 30 minutos com Renato Augusto  que substituiu Paulinho , de cabeça, após cruzamento de Coutinho. Somadas à suspensão de Casemiro, as falhas custaram caro a um time que se notabilizava pela regularidade e solidez na defesa.

Coroando o grande potencial de sua geração de ouro, a Bélgica tem, até aqui, uma campanha quase perfeita no Mundial, além do melhor ataque da competição: 14 gols. Destaque do time, o centroavante Lukaku marcou quatro vezes na Copa e deu a assistência para De Bruyne no segundo gol diante do Brasil. O encontro com a França promete um embate à altura das seleções mais jovens e promissoras desta Copa.

A França se classificou como a primeira seleção semifinalista da Copa. Apesar da expectativa de um jogo duro, a aclamada e jovem equipe da França dominou o Uruguai e Pvenceu por 2 a 0, com gols de Raphael Varane e Antoine Griezmann. (Do El País)

Em 2016, 145 prefeitos concorreram na mesma situação de Lula e 70% foram empossados

É destaque na Mônica Bergamo nesta quinta (5) que a defesa de Lula mapeou o número de candidatos que concorreram na mesma situação em que ele na eleição de 2016, foram eleitos e conseguiram reverter eventual indeferimento de registro.
Segundo a assessoria de Lula, foram 145 eleitos em 2016, sendo que 70% desse total conseguiram “reverter a decisão [registro indeferido] depois do pleito, foram diplomados e tomaram posse.”
“Se tirar o Lula antes da disputa, a Justiça Eleitoral vai retirar dele a chance que deu a outros 145 candidatos em 2016. Terminada a eleição, vários indeferimentos se mostraram equivocados”, diz o advogado Luiz Fernando Pereira, que dá consultoria ao ex-presidente e ao PT. (Do Jornal GGN)

Antipolítica e conservadorismo explicam fenômeno Bolsonaro

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Por Tiago Pereira, da RBA

O crescimento da extrema-direita antissistema e anti-globalização é um movimento global que já se materializou na vitória de Donald Trump, nos Estados Unidos, na campanha do Brexit, que culminou com a saída do Reino Unido da União Europeia, ou ainda no crescimento de partidos que impunham a bandeira de combate à imigração em países como FrançaAlemanha e Itália, além de triunfos em outras partes do continente.

No Brasil, parte da população que se identifica com tais anseios autoritários acredita que a sociedade atual vive numa “bagunça generalizada” na qual imperam a insegurança e a corrupção, e se alinham à candidatura de Jair Bolsonaro (PSL). Hoje, ele é o segundo colocado na preferência do eleitor, atrás apenas da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

É, portanto, um fenômeno social que não pode mais ser ignorado, e merece ser entendido e estudado. Essa é a constatação da professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Esther Solano, que têm realizado pesquisas de campo sobre os movimentos políticos de direita que passaram a disputar as ruas e as redes sociais brasileiras nos últimos anos.

Ela diz que esses movimentos de extrema-direita, no Brasil e no mundo, são tratados como “caricaturas“, que revelam a dificuldade que o campo progressista, e até mesmo intelectuais, têm para se aproximar desse fenômeno. Trump e Brexit não eram considerados como opções críveis, até de fato ocorrerem.

Para entender o crescimento da “bolsonarização” da política e do avanço dos extremismos no Brasil, ela organizou uma série de “entrevistas em profundidade” com simpatizantes do candidato, que já insinuou estupro a uma deputada e ofendeu negros e homossexuais.

Dentre os entrevistados, de perfis socioeconômicos bastante heterogêneos, “a questão número um é que as pessoas dizem votar no Bolsonaro porque querem ordem“, aponta a professora, que apresentou os resultados da pesquisa Crise da democracia e extremismos de direita nesta terça-feira (3), em São Paulo.

Segundo ela, a ideia de “ordem” almejada por essa parcela do eleitorado não é apenas a da militarização e do combate à violência, mas uma “ordem existencial“, de pessoas que não entendem plenamente as transformações tecnológicas, econômicas e sociais ocorridas nos últimos anos, e se ressentem de um lugar social anterior, e que foi perdido.

O fortalecimento do discurso de inclusão social e maior organização de grupos que lutam por direitos, como os movimentos negro, feminista e LGBT nas últimas décadas, causaram uma “reorganização no campo cultural e na esfera pública“, que faz com que uma pessoa conservadora de direita se sinta perdida. “A pessoa não consegue enxergar esse mundo novo, não sabe muito bem o que fazer, e quer a volta de uma ordem existencial na qual ela se sentia muito mais à vontade“, ressalta a professora.

O radicalismo de direita ganha, portanto, ares de “reação virulenta“. Esther diz que esse discurso autoritário também cresce na esteira de “vácuos” deixados pelo campo progressista nos temas relativos ao combate à violência e à corrupção. “Refiro-me fundamentalmente a questões como segurança pública, tradicionalmente deixada de lado pela esquerda brasileira, e a corrupção, que também se deixou monopolizar por uma direita moralista, hiper punitiva e populista. A extrema-direita se fortalece exatamente nesses vácuos políticos que a esquerda não soube ou não quis administrar politicamente“, anota Esther.

Além da reação em favor da ordem, da autoridade e do reforço das hierarquias sociais, outro componente importante é a crise de representação e o crescimento da antipolítica. Nesse quesito, Esther diz que a Operação Lava Jato teve fundamental contribuição, por se basear na “espetacularização midiática” e no “Direito Penal do Inimigo“. “A ideia que o corrupto é inimigo, e contra o inimigo não tem Direito, mas basicamente perseguição. A Lava Jato é uma operação absolutamente teatralizada. Tudo isso tem como consequência o aumento do sentimento antipolítico.”

Ela diz que os movimentos que saíram às ruas para defender o golpe do impeachment também migraram, gradualmente, de uma posição antipetista para uma postura antipolítica. Se no início os grupos se aglutinavam no slogan “Fora PT“, aos poucos, a palavra de ordem se tornou “prendam todos“, também por influência do punitivismo perseguidor exalado de Curitiba.

Memes de ódio

O “mérito” dos grupos de extrema-direita foi substituir as formas “duras” dos lemas e discursos de outros tempos por formas mais assimiláveis com memes e vídeos sintonizados com a linguagem de internet, mas que preservam o mesmo conteúdo xenófobo, misógino e de combate ao diferente, contribuindo para a banalização do discurso de ódio, principalmente entre os mais jovens. Outra questão, segundo Esther, que garante a adesão de parcela da juventude é o fato de terem crescido nos anos em que a esquerda estava no poder.

Se nos anos 1970 ser rebelde era ser de esquerda, agora, para muitos destes jovens, é votar nesta nova direita, que se apresenta de uma forma cool, disfarçando seu discurso de ódio em formas de memes e de vídeos divertidos“, constata a pesquisadora. Quando confrontados com o teor preconceituoso dos discursos de Bolsonaro, alegam que se trata de um exagero, fruto de uma perseguição por parte da imprensa, que estaria alinhada às velhas estruturas de poder.

Outra ideia comum entre os entrevistados, segundo a professora, é uma concepção absolutamente individualista, de valorização do esforço individual como forma de alcançar o sucesso. Por isso, repudiam políticas sociais como o Bolsa Família e as cotas para negros em universidades, pois, segundo eles, esses mecanismos de inclusão fariam com que outros “furassem a fila” da meritocracia.

Segundo a professora, muitos apoiadores de Bolsonaro dizem ter votado em Lula nas eleições passadas, pois este também era visto como o político “diferente“, “carismático” que falava a língua do povo. A ironia é que os que rejeitam Lula o fazem após terem ascendido socialmente, não se identificam mais como pobres, mas como pertencentes à nova classe média.

Neymar e Coutinho: uma década de cumplicidade

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Por Luis Miguel Hinojal, no El País

A aliança espontânea gerada entre dois adolescentes sem barba, na primavera de 2008, foi considerada o augúrio de um futuro esplendoroso nas categorias de base mantidas pela Confederação Brasileira de Futebol. Enquanto a liderança da CBF deu poderes a Dunga como técnico da seleção, na base da pirâmide treinadores sensíveis e capazes trabalhavam para potencializar as raízes ancestrais do futebol brasileiro. Neymar e Philippe Coutinho se encontraram pela primeira vez na convocação da seleção sub-17. E a primeira prova do conjunto nascido em 92 seria realizada na Costa Brava catalã.

Ganharam prestígio no torneio MIC (sigla em inglês de Copa Internacional do Mediterrâneo), que reúne todos os anos desde 2000 os melhores celeiros do planeta. Os rumores foram se tornando um clamor que percorria os estádios na província de Girona: o Brasil tinha uma dupla de garotos que transformavam cada jogo em uma festa de gols impossíveis, dribles espetaculares, controles delicados, passes exuberantes e um arsenal de assistências cúmplices executadas com precisão cirúrgica. Naquela seleção brasileira, estavam no banco outros dois jogadores que agora sonham em vencer a Copa do Mundo: o volante Casemiro e o goleiro Alisson.

Coutinho jogava no Vasco da Gama, era conhecido como Philippinho e disputava sua terceira edição do MIC: em 2006, com a seleção infantil, derrotou o Real Madrid com um gol de diferença na final, desatando um recital de futebol enquanto mantinha um impressionante duelo individual com o fogoso capitão madridista Dani Carvajal. Em 2007, Coutinho já usava a número 10 na seleção sub-15, e o Brasil venceu o Espanyol nos pênaltis na final. O responsável das categorias de base da CBF era Lucho Nizzo: um treinador por vocação obcecado para que jovens talentos completassem em seu país determinados ciclos de treinamento antes de emigrar. Nizzo trabalhou olhando no longo prazo e com muito cuidado na evolução de uma geração de jogadores nascidos entre 1988 e 1994: Marcelo, Willian, Renato Augusto… Em 2008, Neymar o deslumbrou: um atacante do Santos tão magro que lhe rendeu o apelido de “filé de borboleta”.

Nizzo lembra hoje com orgulho em conversa com o EL PAÍS: “Gostávamos da perspectiva de contar com jovens dotados de um potencial enorme, que poderiam ir muito longe se fossem trabalhados de forma correta. Coutinho era uma raridade. Tinha uma inteligência bem acima da média e era muito técnico. Pensava antes e melhor do que ninguém e gostava mais do passe do que do gol. Logo se deu bem com Neymar, que tinha fundamentos difíceis de ver no futebol de hoje, como a condução em alta velocidade, executando mudanças bruscas de direção com a bola presa ao pé. Já dominava os gestos técnicos e os dribles que vemos agora. Seu entrosamento com Coutinho era enorme. Só não faziam chover, porque o que faziam em campo era um absurdo, com muita qualidade técnica e velocidade de pensamento”. O Brasil passou como um festivo carnaval pelas primeiras fases do MIC. Nas semifinais, enfrentava o Konoplev, da Rússia, no Sant Antoni de Calonge. Com o gramado artificial transformado em uma lagoa pela chuva, os russos submeteram Neymar ao mesmo tipo de caça seletiva que hoje enfrenta em qualquer jogo da Copa.

Nenhuma reclamação saiu de sua boca. Nem um único protesto ou exagero como os que agora criam polêmica nos estádios russos. Alvo de muitas faltas, não terminou o jogo. Empate em 1 a 1. O gol brasileiro foi marcado por Coutinho, com um chute inteligente da entrada da área. O Brasil venceu nos pênaltis, com o vascaíno marcando seu gol com classe. Neymar acabou congelado de frio e chorando de dor no vestiário sob os cuidados dos fisioterapeutas.

Em 23 de março de 2008, em Palamós, o Brasil enfrentava na final outro forte time russo, o Lokomotiv, que acabou sucumbindo à superioridade técnica da seleção canarinha em que Neymar e Coutinho tiveram outra atuação brilhante. O Brasil venceu por 1 x 0. No dia seguinte, a imprensa catalã destacava o surgimento de uma parceria que não se podia perder de vista, pois, naquela manhã, Coutinho e Neymar encheram o gramado de Palamós de beleza e traços raros. “Jogaram com personalidade impressionante e combinando com uma química especial”, lembra Nizzo. “Gritava para que Neymar não driblasse, que estavam batendo muito nele, que tocasse… Respondeu que, quanto mais lhe chutassem, mais iria enfrentá-los com a bola.”

Juanjo Rovira, diretor do MIC, lembra o impacto gerado pela presença de Neymar: “Uma expectativa enorme. Havíamos credenciado muita gente da imprensa e muitos caça-talentos de clubes europeus. Neymar esteve perto de assinar com o R. Madrid em 2004, e isso funcionou como um chamariz. Com ele, chegava Coutinho. Nós os chamávamos de Zipi e Zape, porque estavam todo o dia juntos. O torneio para os brasileiros não foi apenas um banco de ensaio. Também uma grande vitrine de mercado para os jogadores”.

Toni Lima trabalha hoje como um experiente olheiro do Manchester United. Ex-jogador por Andorra, em 2008 foi secretário técnico do Ibiza, clube com o qual assinou um convênio de colaboração com o Inter de Milão para identificar jovens talentos. Lima também colaborava com a CBF e examinava com olho clínico a evolução de cada garoto que chegava ao torneio. Alguns parágrafos do relatório exaustivo que Lima escreveu em 2008 para o Inter, no litoral catalão, representaram um entusiástico aviso de que, na sub-17, uma parceria muito frutífera estava sendo modelada: “Coutinho e Neymar são dois polos opostos em termos de personalidade. O primeiro é tímido e quieto. O segundo, altamente extrovertido, com forte caráter competitivo e capacidade de puxar o grupo. Conectam-se maravilhosamente dentro e fora do campo. É algo comum em categorias de base, onde bons jogadores se identificam, se reconhecem e buscam um ao outro”. O Inter contratou Coutinho no ano seguinte, pagando 2,5 milhões de euros (cerca de 11,5 milhões de reais no câmbio atual) ao Vasco. Neymar continuou no Santos. E juntos continuaram crescendo nas seleções de base brasileiras.

Agora, com 26 anos, são os dois jogadores mais caros do planeta e o melhor trunfo para que o Brasil consiga o hexacampeonato. “Evoluíram em dois aspectos”, diz Nizzo. “No físico, porque ganharam massa muscular, e taticamente, porque na Europa adquiriram fundamentos e compreensão do jogo. De resto, são quase iguais como em 2008. E continuam buscando. Neymar vai crescer nos momentos decisivos. Sempre fez isso. E Coutinho trabalha muito para a equipe em uma função complicada, que está cumprindo perfeitamente na Rússia.”

Dezoito dos 23 convocados por Tite para a Copa do Mundo passaram pelas categorias de base da seleção. Um número recorde. Tite agora colhe os frutos de um bom trabalho feito por outros técnicos menos conhecidos, aos quais o Brasil deve reconhecimento. São os guardiões de suas essências.

Um adversário de respeito

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POR GERSON NOGUEIRA

O sentimento generalizado é de que a Bélgica é hoje o maior obstáculo à conquista do hexa pelo Brasil. Pintada como provável sensação do torneio, a equipe de Hazard não cumpriu até agora o roteiro obrigatório dos times realmente surpreendentes, mas merece respeito.

Na primeira fase as seleções trilharam caminhos bem diferentes. A Bélgica venceu todos os jogos, mas dois deles contra as óbvias garapas Tunísia e Panamá. A partida mais complicada seria contra a Inglaterra, mas os times fizeram um reles amistoso, escalando os times reservas.

Já o Brasil empatou na estreia contra a sólida Suíça, teve um trabalhão diante da Costa Rica e, por fim, derrotou a Sérvia com autoridade. Nas oitavas, enquanto a Bélgica cruzou com o Japão, o Brasil teve o irrequieto México pela frente. Ambos se classificaram, mas os belgas levaram um grande susto, chegando a estar perdendo por 2 a 0.

É claro que hoje, em Kazan, no quinto duelo entre as seleções, a Bélgica não deverá cometer as mancadas do jogo passado. A marcação será mais firme. Não há seleção no mundo que ouse enfrentar o Brasil sem se precaver. Sempre foi assim, em qualquer Copa, desde 1958.

Por força da fragilidade das zagas que teve pela frente, a Bélgica apresenta um ataque bem mais positivo que o Brasil – 12 a 7. O trunfo canarinho mais destacado até aqui é, ironicamente, a solidez da defesa. Justo o país que tradicionalmente mais contribuiu para o jogo ofensivo.

Thiago Silva e Miranda formam o eixo central da zaga, ganhando a presença de Fernandinho como volante, em substituição a Casemiro (suspenso), um dos esteios do esquema montado por Tite.

Os Diabos Vermelhos estiveram no caminho da Seleção em 2002 e se queixam até hoje daquele lance polêmico que resultou na anulação de um gol de Wilmots, de cabeça. Desde então, evoluíram muito, revelando bons jogadores – Hazard, Lukaku, De Bruyne, Mertens, Courtois.

A evolução ainda não foi abençoada por títulos. No fundo, a Bélgica lembra, de certo modo, a Espanha de antes de 2010. Chegava à Copa com pinta de quem ia brigar pela taça, mas sempre tombava pelo caminho.

Não creio em jogo aberto e dominado pelos ataques. O Brasil prioriza a a disciplina tática e a Bélgica naturalmente deverá se resguardar – é improvável que seja tão kamikaze quanto foi o México.

Penso que podemos ter hoje a melhor apresentação de Neymar, assumindo de vez o protagonismo da Seleção e da própria Copa. Um mero palpite.

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Confiança é arma do Leão para duelar no Recife

João Neto assumiu efetivamente a condição de técnico do Remo na vitória sobre a Juazeirense, sexta-feira. Promovido com a saída de Artur Oliveira, o ex-auxiliar estreou confirmando ter amplo conhecimento sobre as características dos jogadores. Formatou um time razoavelmente competitivo e conseguiu bater a Juazeirense no Mangueirão, na sexta-feira passada, após seis resultados negativos.

O triunfo resgatou parte da confiança perdida, além de dar aos jogadores a tranquilidade necessária para encarar as seis decisões que o Remo terá pela frente (três jogos em casa e três fora) a fim de fugir ao rebaixamento.

Para o jogo de domingo contra o Santa Cruz, no Recife, Netão se concentra na montagem do meio-campo, que não terá Everton (contundido). O papel de organizador caberá a Rodriguinho, que se tornou peça fundamental na engrenagem criativa ao ser reabilitado por Artur.

Brasília agora joga adiantado, que se aproxima dos atacantes e arrisca chutes de fora da área – embora tenha errado todos contra a Juazeirense. A surpresa fica por conta do destaque dado a Geandro, hoje titular absoluto, depois de quase dispensado por deficiência técnica no começo da Série C.

A zaga se recompõe com a volta da dupla Mimica-Bruno Maia. Nininho, melhor em campo contra a Juazeirense, segue ocupando o corredor da direita, com possibilidade de participar das saídas pelo meio.

O ataque parece definitivamente entregue a Ruan e Isac, que voltou a marcar gols e ensaia deslanchar no campeonato. Eficiente e decisivo, Gabriel Lima segue como reserva imediato, espécie de 12º jogador. Não há meio-termo para o Remo: a partir de agora, é vencer e vencer.

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Saída de artilheiro afeta planos do Papão

Cassiano, artilheiro da temporada com 20 gols e principal anotador do time na Série B, está a caminho do futebol chinês. Contratado pelo Heilongjiang Lava Spring, deve se apresentar amanhã ao novo clube.

Caiu por terra a versão de tratamento de lesão no púbis, inicialmente divulgada pelos médicos. A confirmação do negócio deixa no ar a impressão de que a ausência nas últimas partidas tinha razões pecuniárias.

A saída de seu principal jogador, seduzido por proposta cinco vezes superior ao salário que o PSC pagava, obriga necessariamente a um esforço de recomposição do elenco, não só para o comando do ataque.

Para evitar maiores padecimentos na Série B, o Papão terá que investir na contratação de pelo menos cinco peças – um organizador, um volante, dois zagueiros e um centroavante.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 06)

Seleção anuncia corte do lateral Danilo

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O lateral-direito Danilo não tem mais chances de disputar partidas da Copa do Mundo da Rússia. A CBF comunicou nesta quinta-feira (5) o corte do jogador do Manchester City, que sofreu uma lesão ligamentar no tornozelo esquerdo após entorse no treinamento realizado em Kazan. O tempo necessário para a recuperação não permite que o atleta participe dos jogos da Seleção Brasileira no torneio. Danilo pediu para continuar com a delegação, fazendo o tratamento.

Corte Interamericana condena Brasil por não investigar e punir a morte de Vladimir Herzog

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A Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) divulgou em nota nesta quarta (04/07) que considera o Estado brasileiro responsável pela falta de investigação, de julgamento e de punição dos responsáveis pela tortura e pelo assassinato do jornalista Vladimir Herzog, bem como pela aplicação da Lei nº 6.683/79 (“Lei de Anistia”) neste caso. O Tribunal também responsabilizou o Brasil pela violação dos direitos a conhecer a verdade e à integridade pessoal dos familiares de Vladimir Herzog.

O caso foi remetido à Corte em 22 de abril de 2016, após tramitar desde 2009 na Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que publicou relatório de mérito reconhecendo a responsabilidade internacional do Estado brasileiro pela tortura e execução de Vladimir Herzog.

A Comissão no âmbito de suas recomendações determinou que o Brasil promovesse a investigação dos fatos a fim de identificar os responsáveis por tais crimes e puni-los penalmente, que deixasse sem efeitos a Lei de Anistia brasileira, e que concedesse reparações materiais e simbólicas à família Herzog. Diante do descumprimento das recomendações, o caso foi então encaminhado à Corte Interamericana.

Em 24 de maio de 2017, foi realizada audiência pública na qual participaram os representantes das vítimas, a Comissão Interamericana e representantes do Estado. A audiência, que aconteceu em San José, na Costa Rica, avaliou a situação de impunidade que se seguiu à detenção arbitrária, a tortura e a morte de Herzog, ocorridas em 25 de outubro de 1975, que continuou sem qualquer responsabilização dos agentes públicos envolvidos.

Nesta ocasião, Clarice Herzog, mulher de Vlado à época do assassinato e, atualmente, presidente do Instituto Vladimir Herzog, foi ouvida como testemunha, onde declarou os sofrimentos vividos pela família e a expectativa de justiça. Durante a audiência, Clarice relatou os impactos sofridos em decorrência da obstrução ao acesso à verdade e da ausência de justiça.. Alémda viúva de Herzog,  também foram ouvidos pela Corte os procuradores da República Marlon Weichert e Sérgio Suiama. A família Herzog e seus familiares foram representados pelo Centro pela Justiça e o Direito Internacional -CEJIL.

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Um bairro paquistanês apaixonado pelo Brasil

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Por Ivana Debértolis, no Vice

No Instagram do Everyday Brasil, projeto que tem como objetivo documentar, por meio da fotografia, o cotidiano do país, e pelo qual sou responsável, é publicada, toda quinta-feira, uma foto de algum Everyday amigo. Recentemente, escolhi uma foto do Everyday Paquistão. Na imagem, dois rapazes posam para a foto em frente aos rostos de Neymar e Messi pintados em um muro de Lyari, bairro de Carachi, maior cidade do país.

Os rapazes apontam para o rosto de Neymar. Logo após a imagem ser publicada no Instagram, começaram a chegar muitas mensagens, além de publicações nos stories e comentários de paquistaneses contentes com essa publicação, referindo-se a Lyari como “Pequeno Brasil” ou “Little Brasil”. Um comentário, em especial, chamou mais ainda minha atenção, pois o fotógrafo Bilal Hassan, autor da foto, dizia algo como: “Finalmente, o Everyday Brasil falou da gente.”

Me senti um pouco mal, como se tivesse deixado passar algo importante, mas a verdade é que, até então, não fazia ideia da forte presença brasileira no país e, muito menos, a razão disso. Ao entrar na página do fotógrafo, com a intenção de encontrar algo que me ajudasse a compreender a questão, deparei-me com imagens nas quais se viam bandeiras do Brasil por todos os lugares de Lyari, entre outras muitas referências ao nosso país. Obviamente, fiquei muito curiosa. O que isso queria dizer?

Chamei o fotógrafo pelo canal de mensagens do Instagram e pedi a ele que me explicasse o significado disso tudo.

Ele me escreveu um email muito carinhoso e solícito, onde o titulo era “Lyari’s Love for Brazil” [O amor de Lyari pelo Brasil], e me contou algo que jamais imaginava e que diz muito sobre nós, brasileiros. Lyari é um dos bairros mais problemáticos de Carachi, em função da violência relacionada a gangues e drogas. Uma região sem lei e fora do controle do Estado, “como as favelas do Rio de Janeiro”, compara Hassan.

Ele me conta que, quando a violência relacionada a gangues e drogas, no bairro de Lyari, estava em seu auge, filmes como Cidade de Deus e Tropa De Elitesurgiram e as pessoas comuns de Lyari, que não estavam envolvidas em nenhuma dessas atividades, entenderam que havia um grupo de pessoas como elas a 13 mil quilômetros de distância, que levavam o mesmo tipo de vida que elas.

Desde então, a imprensa e os moradores de Lyari passaram a se autodenominar “Chhota Brasil” [pequeno Brasil]. “Eles se identificam tanto, que você pode ver bandeiras do Brasil e do Paquistão, lado a lado, por todo o bairro”, conta Hassan.

Os moradores de Lyari sofrem discriminação por parte dos moradores de outras regiões da cidade por causa das atividades ligadas a drogas e às gangues e, somando-se a tudo isso, sempre foram culturalmente diferentes do resto de Carachi e do Paquistão, como um todo. O Paquistão é uma nação apaixonada por Críquete, e o povo de Lyari, que é de ascendência africana ou da província do Baluchistão e vive em situação de pobreza, joga futebol. Há clubes de futebol em todo o bairro e estes treinam crianças de todas as faixas etárias.

Há também a polícia e as forças armadas, o que as pessoas de Lyari sempre veem com muita suspeita, pois, com frequência, ocorrem assassinatos de pessoas inocentes.

O povo de Lyari é consciente de sua condição, cultura e do destino semelhante ao dos moradores das favelas do Rio de Janeiro. Eles veem o povo das favelas do Rio como seus irmãos distantes, que lutam pela vida com destinos, provações e tribulações parecidas. E o amor deles pelo futebol completa essa união. (Foto: Bilal Hassan) 

Papão confirma negociação de Cassiano com o futebol chinês

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Depois de muitas especulações sobre o estado físico do jogador, que oficialmente se recuperava de lesão no púbis, a Assessoria de Comunicação do Paissandu finalmente confirmou nesta quinta-feira a saída do atacante Cassiano, artilheiro do time na temporada. Segundo nota divulgada pelo clube, ele recebeu proposta vantajosa de um clube da China, que é cinco vezes maior que o salário que ganhava no PSC.

“O jogador viajou para realizar exames e posteriormente, se for aprovado, assinar contrato em definitivo com o clube interessado. O atleta tem vínculo até o fim deste ano com o Paysandu, que será compensado financeiramente caso a negociação entre as partes se concretize, de acordo com uma cláusula de saída que permite que o contrato seja ressarcido em situações de rompimento”, explica a Ascom.

Segundo o comunicado, “durante a pré-temporada em janeiro, quando já estava no estádio da Curuzu, o atacante recebeu um convite para atuar na Tailândia, mas optou por permanecer em Belém e dar sequência ao início do projeto que lhe fora apresentado na época. Agora, no entanto, a oportunidade é praticamente irrecusável”. O clube informa que Cassiano iniciou a fase final de tratamento de uma lesão na região do púbis no Núcleo de Fisioterapia do Papão.

O clube chinês que está contratando Cassiano é o Heilong-jiang Lava Spring, da segunda divisão. O jogador está em Porto Alegre (RS) e viajará para a China na madrugada desta sexta-feira.

Ele é o artilheiro do time no ano com 20 gols marcados, desempenho que despertou o interesse de clubes de outros países. A Diretoria de Futebol está em busca de um novo centroavante, além de outros jogadores, para reforçar a equipe na Série B.

PIRES SAINDO – A assessoria informou também que o volante Danilo Pires está em fase de rescisão de contrato com o clube. Mau rendimento em campo não permitiu que o jogador se firmasse como titular.