De como The Who salvou Eddie Vedder

29186512_2298052337087978_7707685057418231808_n

Em entrevista concedida em 2015 por Eddie Vedder ao cineasta Judd Apatow (que estava coletando entrevistas com vários artistas para o seu livro, “Sick in The Head”), o vocalista do Pearl Jam revelou o quanto a sua vida adolescente era complicada e de como o clássico álbum da banda The Who, “Quadrophenia”, salvou a sua vida.

536244412

Abaixo, uma parte dessa entrevista, uma das poucas que Vedder concedeu em toda a sua carreira. Perguntado se o álbum “Quadrophenia” foi um divisor de águas, algo como um disco fora dos limites da realidade, Eddie respondeu:

“Sim e também salvou a minha vida. Foi algo que eu podia me agarrar, porque por algum motivo parecia que eu não conseguia me relacionar com nenhuma pessoa no mundo. Com ninguém na minha escola e certamente com ninguém na minha casa, e de repente, apareceu esse cara de Londres chamado Pete (guitarrista do Who) que sabia de tudo o que estava acontecendo na minha vida”.

500154-eddie_vedder_jill_mccormick_617_409

“Eu tinha uns 13, 14 anos, e todo o tipo de coisa estava acontecendo comigo na época. Eu era como, digamos assim, uma ponte com as suas estruturas cobrindo um grande e profundo abismo, sendo que essa ponte estava prestes a desmoronar, você me entende? Por todo esse período eu estava lá tentando me segurar”.

pearl-jam-jill-vedder

Falando mais especificamente sobre o álbum “Quadrophenia”, Eddie completou:

“Ainda bem que a loja de discos me prescreveu essa droga, pois foi ela que me ajudou a passar por tudo aquilo, sabe? Mesmo não oferecendo nenhuma resposta, no final das contas foi importante saber que eu não era o único que estava passando por aquelas coisas”. (Do Whiplash.net)

Sobre vaidades e preconceitos

zuniga_neymar_reu_95

DhHeqHPXkAAUd9l

POR GERSON NOGUEIRA

Enquanto via na TV a pelada gloriosa entre colombianos e ingleses, ontem, esfalfando-se num jogo de erros que só foi ter alguma graça no final, veio à mente a fatídica cena do jogo Brasil x Colômbia pelas quartas de final da Copa de 2014, na Arena Castelão (Fortaleza), quando a truculência de Zúñiga tirou Neymar de campo e da Copa.

O golpe consistiu de uma joelhada certeira nas costas do atacante em típico lance de disputa de bola na zona morta, sem qualquer perigo iminente de gol. Foi um gesto deliberado de agressão, espantosamente atenuado por muita gente no Brasil.

Por muita sorte, Neymar não teve complicações maiores. Mas, independentemente das consequências físicas para a vítima, a entrada criminosa de Zúñiga teve o efeito pretendido: tirar o principal jogador brasileiro do restante da Copa.

Esse episódio relativamente recente e grave nem chega a ser mencionado em meio à caça imposta a Neymar. Recebeu mais de 20 entradas faltosas, praticadas quase sempre em sistema de rodízio de verdugos. Curiosamente, não aparece ninguém cobrando que as arbitragens o protejam.

Fico a matutar se, em meio a essa verdadeira execração pública, outra joelhada como aquela seria analisada com os olhos da razão. Concluo que o clima de linchamento não permitiria isso.

Ingleses invejosos da técnica apurada do craque e dinamarqueses mordidos porque saíram da Copa mais cedo iriam provavelmente dizer que ele simulou ou teatralizou a infração, com os comentários sórdidos de praxe – “foi coisa leve”; “não é para tudo isso”; “futebol é esporte para homens”.

Claro. Afinal, como diria o outro, pimenta na pele dos outros é refresco.

Neymar tem seu quinhão de responsabilidade na origem da fama de cai-cai, mas o exagero dos ataques não permite ver a gradual e meritória evolução do time brasileiro, que só correu algum perigo contra os mexicanos, mas soube controlar as ações a partir dos 20 minutos e venceu com autoridade.

Como nas Eliminatórias, a zaga mostra-se inexpugnável, embora Thiago Silva só tenha entrado agora para o time titular. Apenas um gol sofrido e atuações soberbas da dupla central. Há quem olhe com desconfiança para o fato de que o Brasil não se comporta com a mesma irreverência tática de outros tempos. Prefiro entender como amadurecimento.

Tite, muito além do discurso empolado de palestrante profissional, é um sujeito obcecado por sistemas de marcação. É tão atento e reverente a isso que mantém Gabriel Jesus no time pela simples razão de que aprendeu a ser combativo e ajuda na recomposição.

Do meio pra frente, a tendência é de que a equipe deslanche, a partir do crescimento inegável de Neymar na competição, escoltado por Coutinho, Willian, Gabriel (ou Firmino) e Marcelo, que tende a jogar mais avançado.

O próximo adversário, pelas próprias características, deve ser o teste mais relevante já encarado pela Seleção. É improvável que os belgas repitam o jogo bisonho mostrado contra o Japão, mas a exibição desnudou algumas de suas fragilidades, principalmente na estrutura defensiva. É por aí que pode se construir o caminho do triunfo.

——————————————————————————————-

Papão busca vitória e reafirmação

Depois de cair em casa frente ao líder Fortaleza, o Papão tem outro compromisso difícil na Série B, hoje à noite, em Curitiba. Enfrenta o Coritiba, que tem 20 pontos e ambiciona ingressar no G4.

O histórico dos confrontos é desfavorável aos bicolores, mas a pior perspectiva é a atual fase da equipe na competição. Nos últimos dez jogos, apenas uma vitória, sobre o lanterna Boa Esporte, na Curuzu.

A ausência do artilheiro Cassiano é um ponto a ser ressaltado, mas os problemas se estendem além disso. Dado Cavalcanti não consegue dar consistência ao setor defensivo e nem encontra o encaixe na criação.

O mais desconcertante é que, após o jogo de sábado, o técnico admitiu que taticamente o time não funciona. Caso continue nessa cruzada errática, a tendência natural é de queda vertical na classificação. Os riscos são óbvios e imediatos. Em 11º lugar, o PSC pode já nesta rodada ser ultrapassado por até cinco concorrentes.

——————————————————————————————

Exemplo de civilidade que arrasta e comove

Depois do gesto dos torcedores nigerianos limpando as cadeiras do estádio russo, a imagem do vestiário da Arena Rostov usado pelo Japão no jogo contra a Bélgica viaja pelo mundo como exemplo de educação e civilidade. Mesmo tristes pela derrota por 3 a 2, de virada, a delegação nipônica deixou as instalações tão limpas que nem pareciam ter sido usadas. De quebra, sobre uma mesinha, um cartão dizendo “Obrigado”.

De vez em quando, alguém faz a gente crer que o mundo insano e louco que habitamos ainda pode ter esperanças.

(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 04)

Descoberto o torcedor misterioso

20180703200314105054u
Se Firmino vai ser titular no lugar de Gabriel Jesus? Não. Se Neymar tem chances de ser o melhor do mundo? Também não. A dúvida que não sai da cabeça dos torcedores brasileiros desde a última segunda-feira é: quem é o torcedor misterioso, de olhar sinistro, filmado com uma bandeira brasileira nas arquibancadas da partida Brasil x México? Prepare-se que a gente vai revelar agora para você a identidade desse novo amuleto do Hexa.
Yury Torsky é russo e nasceu na cidade de Mirny, que fica a quase 10 mil quilômetros de distância da capital, Moscou. Atualmente, porém, ele mora em Samara — palco da partida entre Brasil e México. Fã de “O Guia dos Mochileiros das Galáxias”, Yury trabalha no Centro Espacial de Samara, de onde são lançados os foguetes russos.
Em breve conversa com o Correio (por conta do fuso horário), o rapaz contou que comprou a bandeira brasileira em 2011, na cidade de Cayenne, na Guiana Francesa. Ele também afirma que pretende continuar apoiando o Brasil, mas apenas pela TV, já que ele possuía ingressos apenas para as partidas em Samara. “Fiquei muito feliz de ver o Brasil na minha cidade”, destacou.
20180703200329328317e
Além de Brasil x México, Samara também recebeu Costa Rica x Sérvia, Dinamarca x Austrália, Uruguai x Rússia, Senegal x Colômbia e Suécia x Inglaterra. Em suas redes sociais, Yuri tem fotos de quase todos esses confrontos. Ele, porém, pouco aparece nas imagens.
O responsável por descobrir a identidade do torcedor misterioso foi o leitor do Correio Wagner Ponciano. Ele diz que não foi difícil localizar o rapaz e que decidiu se empenhar na busca porque havia gente “usando de má fé”. “Até dinheiro estavam querendo ganhar dos brasileiros”, relatou.
De fato, desde a popularização da imagem de Yury, surgiram vários perfis falsos em redes sociais dizendo ser o torcedor. Em uma das contas no Twitter — @laurindosantosb, que conta com 63,8 mil seguidores e 1.720 publicações — um internauta se apresenta como Laurindo Santos (nome repetido em vários outros perfis) e se descreve da seguinte forma: “Aquele que segurou a bandeira”.
Outro internauta que tem se apresentado como o torcedor misterioso é o modelo e influencer Luiz Basualdo, que no Twitter fez algumas postagens como sendo o rapaz visto no jogo, aproveitando algumas características físicas semelhantes, como os cabelos longos e loiros.