Fifa destaca trabalho dos 17 mil voluntários na Copa da Rússia

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O exército de 17.040 voluntários é um dos destaques do Mundial da Rússia, atuando em 20 setores diferentes. Ao todo, 176.870 pessoas se inscreveram para participar do voluntariado, um verdadeiro recorde.

Entre os voluntários é possível encontrar um capitão de barco petroleiro, um ex-futebolista e até um campeão de competições aquáticas.

A equipe de voluntários é integrada por 36% de homens e 64% de mulheres. A maioria, 93%, são originários da própria Rússia, sendo que os demais 7% vêm de 112 países diferentes.

“É uma experiência incrível estar neste torneio e conhecer pessoas do mundo todo”, diz Hiba, voluntária de Marrocos. “Somos como uma grande família”, acrescenta.

Representantes especiais da Fifa, Fatma Samoura, Michel Salgado e Julio Baptista se sentiram muito bem recepcionados por esta família e jogaram uma partida de futebol com os voluntários, além de ouvir suas histórias pessoais. “A ajuda dos voluntários é incrível, a energia que têm… A Copa não seria a mesma sem eles”, diz Julio Baptista.

“Hoje queremos dar as graças por vossa amabilidade e vosso sorriso. São os responsáveis por fazer que a Copa seja algo tão especial”, afirmou Michel Salgado.

Finalmente, Fatma Samoura dedicou uma saudação especial aos voluntários: “Conhecer vocês foi um prazer imenso”, disse.

Real manda emissário negociar com o pai de Neymar

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O Real Madrid está à procura de um substituto de peso de Cristiano Ronaldo, que se transferiu para a Juventus, e terá enviado o agente Juni Calafat a Santos, Brasil, para negociar com Neymar da Silva Santos, pai e empresário de Neymar. Calafat é o representante oficial dos “merengues” que trata dos negócios sul-americanos do clube espanhol, tendo sido ele a comandar as contratações de Rodrygo e Vinicius Jr., por exemplo.

A informação é avançada pelo Globo Esporte, que diz que as conversações estão em andamento, sendo no entanto um caso muito complicado, uma vez que não existe vontade por parte do PSG em deixar sair o jogador. Nessa situação, a única hipótese em cima da mesa será mesmo convencer o próprio dono do emblema francês, Nasser Al-Khelaifi, o que neste momento não parece muito provável.

No entanto, a mudança de Neymar para o emblema “merengue” poderá, mais tarde ou mais cedo, efetuar-se, segundo fonte próxima do jogador brasileiro citada pelo Globo Esporte: “Talvez não nesta próxima janela, mas acho que em algum momento a ida dele para o Real Madrid vai acontecer”.

Argentino é escolhido para apitar a final da Copa

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O argentino Néstor Pitana, de 43 anos, vai ser responsável por conduzir o duelo mais esperado da Copa do Mundo da Rússia: a grande decisão entre Croácia e França. Ele será auxiliado pelos compatriotas Hernan Maidana e Juan Belatti.

Está é sua segunda Copa na carreira e a final será o quinto jogo de Pitana nesta edição da competição. Ele apitou a partida de abertura na goleada da Rússia sobre a Arábia Saudita, a última partida do Grupo F na vitória da Suécia contra o México, o empate entre Croácia e Dinamarca pelas oitavas de final e Uruguai e França, nas quartas.

E ainda há quem ache que a trairagem do Coroné não ia ter represália… pior é que ainda vem mais coisa por aí. 

Presidente da Conmebol vê voto de Coronel Nunes como traição: “Vergonha”

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O presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, falou abertamente sobre a crise instaurada na confederação por conta do voto do presidente da CBF, Antonio Carlos Nunes, no Marrocos para sede da Copa do Mundo de 2026. Ele deixou claro que se sentiu traído pelo Coronel Nunes, que escolheu a candidatura africana na eleição realizada no último congresso anual da Fifa, e rasgou um acordo entre as 10 associações nacionais de futebol sul-americanas para votar no trio Estados Unidos-México-Canadá.

– Claro que sim (sentimento de traição). Não ajuda a imagem do Brasil, muito menos da Conmebol. Então é um tema de muita vergonha – afirmou Alejandro Domínguez, em entrevista à TV GLOBO e ao Globoesporte.com, em São Petersburgo, na última terça-feira.

O combinado entre os membros da Conmebol era eleger a candidatura da América do Norte, formada por Estados Unidos, México e Canadá (que seria a vencedora). Em troca desse apoio, a confederação sul-americana esperava ter votos para a sede da Copa do Mundo de 2030, quando estariam na disputa Argentina, Paraguai e Uruguai, juntos. O acordo havia sido formalizado com três reuniões, em abril, maio e junho, em Buenos Aires, Assunção e Moscou, respectivamente. Signatário, o presidente da CBF esteve em todas. Mas na última hora, escolheu diferente.

– Estando aqui na Rússia, voltamos a nos reunir e ninguém manifestou: “Tenho opinião contrária, quero que se respeite”. Teríamos que respeitar, mas nada disso aconteceu. Fomos, e a votação não era secreta – comentou Alejandro Domínguez, após relembrar os encontros dos representantes da Conmebol antes da crise se instaurar.

Alejandro Domínguez também falou sobre a participação dos países sul-americanos na Copa do Mundo de 2018, o futuro do torneio, com 48 seleções, Copa América de 2019, Copa Libertadores, entre outros temas.

Qual a sua opinião sobre Rogério Caboclo (diretor-executivo da CBF e presidente a partir de abril de 2019)?
 Minha relação com ele é muito boa. Quando aconteceu a eleição, ele me ligou e disse que se tornaria responsável pelo assunto. O Brasil é tremendamente importante para a minha gestão. O Brasil teve problemas com a Conmebol, mas isso não é bom para o Brasil, muito menos para Conmebol. Quero que o Brasil se aproxime mais e saiba da importância da Conmebol. É uma organização que depende deles.

Como mudar a imagem da Conmebol?

– O nível de organização já mudou, demos um passo interno muito importante. Tivemos que estruturar administrativamente, fazer um estatuto que defende a Conmebol das pessoas. O estatuto anterior defendias as pessoas da Conmebol. Partindo disso, todos foram contratados por capacidades profissionais. Em nenhum momento pudemos parar para fazer mudanças. Importante dizer que mudanças não podem acontecer em um dia. Existem contratos que se cumprem por ser uma entidade séria. Muitos eram ruins e prejudiciais e tivemos que fazer acordos para terminar e não pagar indenizações ridículas.

Como você viu a participação dos países sul-americanos nessa Copa?
– Vi a participação com muito bom futebol, mas creio que tiveram motivos para não avançarem. Com isso, temos o dever de analisar e trabalhar, o que fazer para os próximos quatro, oito, 12 anos. Para que a América do Sul volte ao caminho de ganhar títulos internacionais. O Brasil, para mim, era candidato a Copa do Mundo. E hoje, sigo dizendo, foi a melhor equipe posição por posição durante o Mundial. Mas no futebol se ganha e se perde, e o Brasil perdeu quando não podia.

O que acontece com a Argentina? 

– Vou citar um exemplo que uso para minhas análises. Assumi em janeiro de 2016. Em 2016, a AFA tinha um presidente e um técnico. Hoje, em junho, julho de 2018, já passaram três presidentes e quatro técnicos. Em dois anos e meio. Não acredito que haja um responsável, mas lamentavelmente as mudanças geraram desordem. É muito difícil que a ordem perca para a desordem. Quanto tem três presidentes e quatro técnicos é complicado. Não estou usando como desculpa, nem culpando ninguém. A Conmebol viveu o reflexo de um tsunami político e administrativo. E isso se reflete no campo de jogo.

Como vê a Copa do Mundo com 48 seleções?
– Não vejo que exista um lado político, porque creio que este Mundial demonstrou que equipes sem muito nome chegaram longe. Mais um motivo para termos 48 seleções. Teremos muito mais surpresas, as diferenças já não são tão grandes. Tem uma análise que gosto de fazer, lendo artigos de lugares diferentes do mundo, falando de fracasso sul-americano. Mas vale lembrar que temos cinco representantes, contra 13 europeus. Sim, saímos rápido. Mas quando saiu a Alemanha? Itália e Holanda não se classificaram. Foram só os sul-americanos ou todos com o rótulo de favoritos? Se com cinco (representantes), a América do Sul colocou quatro nas oitavas, se ampliarmos, acredito que haverá muito mais representatividade sul-americana. Estou seguro que Mundial com 48 equipes é apenas justiça. Nós merecemos. A qualidade vai subir.

O que fazer para tornar a Copa Libertadores mais atraente? 

– O produto é muito atrativo, mas não foi trabalhado, nada foi pensado. Nos últimos anos estamos com mudança de formato, mostrando aos clubes que houve mudança de cultura. Regulamentos com antecipação, exigindo que formalidades sejam cumpridas. E agora teremos a final única. Vai ser um conteúdo que poderá ser vendido para o mundo. Nossos campeonatos são muito distintos aos da Europa. Nos nossos estádios desfrutamos de outra maneira, tem paixão. Na Europa é muito lindo, mas não há isso. Vejo um resultado muito positivo nas licitações, que vão gerar mais ingressos e melhores prêmios. É uma questão que está caminhando bem, e daqui a um tempo vai ser um produto diferente da Champions, mas que poderá ser entregue ao mundo.

A próxima Copa América será no mesmo ano da Eurocopa. Por que isso, e como está a preparação para a Copa de 2019, no Brasil?
– A Copa América tirava os jogadores dos clubes durante as competições que eles disputam. Bom o fato de os jogadores serem convocados quando a Europa também convoca. Também creio que, jogando ao mesmo tempo, com diferença de horário, ganha o futebol. Sobre a Copa América no Brasil, acredito que vai ser uma boa Copa. Esportivamente estou seguro que sim. Com respeito à organização, o Brasil tem total infraestrutura. Sobre receitas, estamos mais limitados porque lamentavelmente as administrações passadas já haviam vendido essa Copa. Temos pouco mercado para o que pensamos que pode gerar.

Tribuna do torcedor

Por Amin Vergolino Zahlouth, de Marabá

Preferi assistir os jogos da Copa em casa, mas confesso que sorri comigo mesmo, ao ver confirmada minha previsão de que a nossa (dele, Adenor) seleção não chegaria entre os 4 finalistas. Acho que foi uma das Copas mais fracas (como a de 1994 e 2002), e que descemos do 1º para um 3º nível mundial. Estacionamos, enquanto outros países tiveram um avanço significativo. Até países sem tradição no futebol, fez bonito dentro do possível. Será que ninguém da grande “imprensa” vê isso? Continuamos naquela arrogância de tetra, penta, e o cacete vai descendo. Essa grande imprensa é tão babaca que não vê isso? A Alemanha em 2014, veio aqui, fez doaçõe$$$ para ganhar a simpatia do povo (aí inclusa os “jornalistas”), e chegou à presepada de jogar com uma camisa lembrando a dos rubro-negros para granjear a simpatia popular. E aqui em Marabá teve, como tenho certeza que em todo o Brasil, torcedor que como justificativa dos 7 a 1 falou satisfeito, em um bar em que eu frequentava, que a goleada fora porque eles usaram a camisa igual a do Flamengo. Vai entender o “patriotismo” deles…

Mick acompanha derrota inglesa e vê a má fama se ampliar

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Por mais que não ligue a mínima para a fama de pé-frio cultivada principalmente no Brasil, a presença de Mick Jagger no jogo Inglaterra x Croácia acabou reforçando a opinião dos supersticiosos de plantão. Ao prestigiar a equipe de seu país nas semifinais da Copa, ontem, em Moscou, acabou não tendo muita sorte.

Apesar de sair na frente no placar, A Inglaterra sofreu a virada e perdeu a sonhada classificação à final do Mundial. O vocalista dos Rolling Stones acompanhou a partida das tribunas, ao lado do filho Lucas, além de vários amigos e assessores.

O triunfo do espírito guerreiro

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POR GERSON NOGUEIRA

Para os que acompanham com atenção a campanha das seleções nesta Copa a classificação da Croácia para a grande final não chegou a surpreender. Modric e seus companheiros passaram bem pela fase de grupos e têm mostrado a face guerreira nos jogos eliminatórios. Nas três partidas – contra Dinamarca, Rússia e Inglaterra – saíram em desvantagem no placar e conseguiram reverter.

A capacidade de sobrevivência é fator de extrema importância na Copa, torneio de tiro curto e que exige reação rápida às adversidades. Nenhuma outra seleção demonstrou tamanha força mental e física para sair de situações de extremo aperreio na competição.

A vitória sobre o English Team, ontem, é bem exemplar do poderio que os croatas têm exibido na Rússia. Sofreram um gol de falta logo aos 5 minutos, marcado brilhantemente por Trippier, acertando a gaveta esquerda do gol de Subasic. Sem desespero, o time xadrez teve que suportar ligeiro predomínio do adversário ao longo do 1º tempo.

No final do primeiro tempo, uma forte pressão liderada por Modric quase levou a um empate. A igualdade viria mesmo na etapa final, quando Perisic, um dos melhores em campo, incansável na caça a um mínimo de espaço na última fronteira inglesa, desviou de primeira, aos 22’, batendo na bola sem atingir o zagueiro Walker, que se atirou para fazer o cabeceio.

Para os padrões britânicos, de jogo aéreo quase constante, a jovem Inglaterra cultivou boas tramas pelo chão durante o confronto. Bem equilibrada entre os setores, a equipe de Gareth Southgate sentiu o gol de empate, mas não permitiu que a Croácia impusesse uma pressão pela virada. Curiosamente, o artilheiro Harry Kane não apareceu com a intensidade esperada, errando as poucas chances que teve.

A reforçar o espírito guerreiro da Croácia, a prorrogação teve logo no começo um lance daqueles que demarcam o destino de um time na Copa. Stones cabeceou forte em direção ao canto direito da trave, mas o zagueiro Vrsaljko salvou em cima da linha. Pode ter sido a bola do jogo.

Modric controlava as ações no meio, sem excessos, mas sempre preciso. Líder e comandante do time, assinou todas as saídas para o ataque. A partir de um passe do camisa 10, Perisic cruzou da esquerda, mas Pickford operou um milagre defendendo a finalização de Mandzukic.

O próprio Mandzukic não iria desperdiçar, minutos depois, um passe de cabeça de Perisic, após embate com a zaga. O centroavante se esgueirou por trás dos marcadores e chegou livre para bater cruzado. Um gol histórico, que garante a presença da Croácia na grande decisão de domingo.

Um detalhe chamou atenção durante o jogo. Extenuados ao encarar a terceira prorrogação em três partidas, alguns jogadores se arrastavam em campo, mas o técnico Dalic não substituía ninguém. Depois do jogo, ele explicou a razão de retardar as substituições: os guerreiros croatas se recusavam a sair do gramado. Mesmo cansados, preferiam lutar até o final.

A França que se cuide, pois não se pode duvidar jamais da força de um time tão guerreiro e combativo.

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Remo: tropeços em campo, lambança nos bastidores

Alguma coisa anda fora de ordem no Evandro Almeida (ou no que restou dele). Foi no mínimo surpreendente a visita feita pelo presidente do clube à Federação Paraense de Futebol, a fim de “fumar o cachimbo da paz” e reforçar os laços de boa convivência.

O lado esquisito disso é que, domingo, diretores do Remo criticaram duramente a FPF pelo que entendem ser uma falta de apoio e acompanhamento da entidade.

Afirmaram que o time vem sendo seguidamente prejudicado pelas arbitragens – o que é fato – e cobraram providências. O revide foi em tom áspero, por parte de Adélcio Torres (FPF), mas até isso foi ignorado por Manoel Ribeiro.

Não se sabe se a visita foi combinada com a diretoria de Futebol, mas passou publicamente a ideia de que a presidência segue outra cartilha.

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Papão ganha força na zaga e faz aposta no ataque

Com a volta de Diego Ivo à zaga, o Papão recompõe diante do Vila Nova o sistema defensivo que lhe garantiu bons resultados no começo do campeonato. A boa notícia só não é complementada quanto às expectativas para o setor ofensivo.

Sem Magno, que se lesionou no treino, o técnico Dado Cavalcanti aposta em Moisés para ser o falso camisa 9. É um sistema que exigirá a participação direta de Thomaz na meia-cancha, até porque o visitante tem a melhor defesa da competição (apenas 9 gols sofridos).

Melhor jogador da equipe na derrota frente ao Coritiba, Thomaz vive fase de ascensão no PSC. Infelizmente, para ele e para o time, falta hoje ao ataque a capacidade de definição dos tempos de Cassiano.

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 12)

Vale a pena ver

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Uma narrativa demolidora e definitiva sobre a guerra do Vietnã, como nunca tinha sido visto antes nas telas. Se ainda não viu, não deixe de assistir o documentário “The Vietnam War”, dirigido por Ken Burns e Lynn Novick, em exibição na Netflix. São 18 horas de imagens, entrevistas e análises, em 10 episódios. Um mergulho profundo no conflito que marcou os anos 60 e desnudou os pilares da política imperialista norte-americana. Extrapola questões circunstanciais da guerra para se consolidar como aula de antropologia, sociologia, geopolítica, grandezas e baixezas humanas.

No Brasil pós-golpe, trabalhadores autônomos ganham 33% menos

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Os brasileiros que se tornaram trabalhadores autônomos – ou seja, sem vínculos empregatícios – nos dois últimos anos tiveram rendimento médio cerca de 33% menor do que aqueles que estavam há mais tempo nesse tipo de ocupação.

O dado é destaque de um boletim divulgado pelo Departamento Intersindical de Pesquisas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) na última quarta-feira (4). O material tem como base dados da última Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (Pnad), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) em maio deste ano.

Em 2017, cerca de 23 milhões de pessoas atuavam como autônomas, e, desse total, 5 milhões (23%) haviam aderido a esse tipo de trabalho há menos de dois anos, segundo informações da Pnad.

A coordenadora de pesquisas do Dieese, Patrícia Pelatieri, aponta que a renda menor desses trabalhadores está diretamente relacionada ao contexto de crise econômica, alto índice de desemprego e maior precarização do mercado.

“Esse dado nos diz que, na verdade, nós não somos um país de empreendedores. Esse é um recurso pra [o trabalhador], num momento de crise, continuar tendo renda. O trabalho por conta própria nesses dois últimos anos é uma alternativa à falta do assalariamento”, analisa.

Desigualdades

Outro dado relevante do boletim diz respeito às diferenças de renda por cor/raça e gênero entre os trabalhadores que se tornaram autônomos mais recentemente e os mais antigos.

No intervalo entre o final de 2015 e o final de 2017, os autônomos recentes apresentaram rendimento menor em relação aos anteriores em todas as categorias analisadas pelo IBGE, que são “homem negro”, “homem não negro”, “mulher negra” e “mulher não negra”. Entre essas categorias, as diferenças de renda entre os recentes e os antigos foram, respectivamente, de 21,9%; 31,2%; 16,3%; e 41,2% para menos.

Considerando números absolutos, as mulheres negras que estão entre os autônomos recentes têm o menor rendimento médio de todos os grupos, de R$ 809.

“Vemos, então, que aumentaram ainda mais as diferenças que sempre existiram no mercado de trabalho. Essa é a perversidade do nosso mercado”, critica Patrícia Pelatieri.

Proteção social

O terceiro destaque do boletim do Dieese aponta que os trabalhadores autônomos surgidos no contexto de crise se depararam com trabalhos com menor proteção social.

O boletim ressalta que 77% deles não tinham CNPJ nem contribuíam para a Previdência Social no período analisado; menos de 9% possuíam CNPJ e faziam contribuição previdenciária; e cerca de 20% contribuíam para a Previdência, ainda que sem CNPJ.

Patrícia Pelatieri destaca que os dados revelam uma mudança de rumo no caminho que o país vinha trilhando nos últimos dez anos, quando houve políticas específicas para inclusão previdenciária.

Ela cita como exemplos as políticas do microempreendedor individual (MEI), que são pessoas que faturam até R$ 81 mil por ano, e da contribuição previdenciária para mulheres que atuam como donas de casa.

“É muito assustador ver a expulsão da proteção social de milhares de trabalhadores. Nós estamos dando passos pra trás em relação a pequenas conquistas que tínhamos alcançado nesse campo”, aponta. (Do Portal da CUT)