Gentil com quem?

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Por Janio de Freitas

A ministra Cármen Lúcia

quer que o Brasil
“volte a ser um país gentil”.

Mas gentil com quem?

Com os negros, os índios,

os brancos pobres,

os milhões com ganho

abaixo de meio salário mínimo,

as crianças que nascem

para logo morrer

por falta de saneamento,

os assassinados por

certeira bala perdida,

os que têm fome

e não têm remédio,

gentil com quem?

O primeiro afazer para

o desejo samaritano

da ministra seria

apagar toda, toda a

História do Brasil.

Nela não há,

em página alguma,

o país a que voltarmos.

(…)

Não demonstramos competência para mais, em meio milhar de anos.

Música e poesia, armas para lutar pela liberdade de Lula

Por Tiago Pereira, na Rede Brasil Atual

Ainda no final da tarde, Tizumba abriu festival Lula Livre, trazendo os ritmos africanos para o palco principal nos arcos da Lapa, centro do Rio de Janeiro. Os apresentadores ressaltaram o “período de breu, etapa indigna” do Brasil pós-golpe do governo Michel Temer e convocaram os artistas a lutar com as suas armas da música e da poesia contra as injustiças. Também lembraram o compositor Vinicius de Moraes, que dizia, em uma de suas canções, que “mais que nunca, é preciso cantar e alegrar a cidade”.

“A partir de agora, vamos combater os usurpadores do presente e sequestradores do nosso futuro”. A cantora Ana Cañas cantou à capela O bêbado e o equilibrista, composição de Chico Buarque celebrada na voz de Elis Regina, que Lula contou a ela ser a sua música preferida. “Democracia nessa porra”, clamou Cañas, que lembrou que nesta sexta-feira a vereadora Marielle Franco completaria 39 anos, se não tivesse sido assassinada em março deste ano, também no Rio de Janeiro. Abayomy Orquestra também trouxe a cultura negra e lembrou a figura do rei africano Malunguinho, ex-escravo que liderou um quilombo em Pernambuco.

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A cada apresentação, a plateia entoava o grito Lula Livre, a marca do festival. Os organizadores também anunciaram a agenda de mobilizações entre os dias 10 e 15 de agosto, que começa com mobilização das centrais sindicais no Dia do Basta contra as ameaças aos direitos trabalhistas. No dia seguinte, um ato inter-religioso em frente ao STF em defesa da liberdade de Lula, com a presença do Nobel argentino adolpho Perez Esquivel, quando também vão apresentar abaixo-assinado com cerca de 300 mil assinaturas que denunciam a prisão política a que Lula está submetido em Curitiba. No dia 15, o registro oficial da candidatura de sua candidatura. A população foi também chamada a se organizar em comitês populares em defesa da libertação de Lula e pelo direito de concorrer nas eleições. Na sequência, a Gang 90 trouxe hits brasileiros e músicas de amor dos anos 1980 e 1990.

Ao lado do escritor Eric Nepomuceno, Lucélia Santos fez a leitura do manifesto convocatório do festival. “Todo o julgamento do presidente Lula foi um erro jurídico sem limites. Não havia, na primeira instância – leia-se Curitiba –, uma única e mísera prova dos crimes dos quais ele foi acusado. Não se trata de opinião, mas de constatação.”

“Eles sabem que se soltarem Lula nessa altura do campeonato, ele leva a eleição”, comentou da plateia a arquiteta Júlia Ribeiro, de 36 anos, antes de todo o público entoar sucessivos gritos Lula Livre. “Lutem como Marielle Franco”, concluiu Lucélia Santos.

“É uma série de mobilizações que vem desde a prisão dele em São Bernardo. E agora no Rio, na Lapa, berço do samba e da cultura popular, a gente espera que o recado fique ainda mais claro quanto à partidarização do judiciário. Dá mais um impulso na luta contra as ilegalidades que vêm ocorrendo no Brasil”, afirmou dos bastidores o jornalista Luis Nassif.

Também passaram pelo palco os artistas Gabriel Moura, Lisa Milhomem, Claudinho Guimarães e Dorina. Aíla cantou que todo mundo nasce artista, e “depois vem a repressão”. “Essa doença tem cura, existe uma salvação. Faça arte, mesmo que a sua mãe diga que não”, dizia o verso da música.

Os apresentadores lembraram que uma “acusação fajuta” serve de pretexto para a prisão de Lula, já que o ex-presidente não dormiu, nem nunca teve chaves ou escritura do dito apartamento que a ele atribuem. “No processo a Jato, vem antes a condenação, baseada apenas em convicção.Faltou combinar com o povo. A indignação cresce a cada dia. Exigimos a imediata libertação de Lula”.

Ao discursar no Festival Lula Livre na noite deste sábado, o Frei Leonardo Boff os tempos sombrios da ditadura civil-militar que se instalou no país nos anos 1960. “Faz escuro, mas eu canto, disse o poeta Thiago de Mello, na época sombria, da ditadura militar, de 1964”, afirmou. “Está confuso mas eu sonho, digo eu, nesses tempos não menos sombrios. Sonho ver um Brasil construído de baixo para cima e de dentro para fora, forjando uma democracia popular, participativa, reconhecendo os novos cidadãos, que a natureza é a mãe Terra. Sonho em ver organizado o povo em redes e movimentos sociais. Povo cidadão, com competência para gerar suas próprias oportunidades, e moldar o seu próprio destino, livre da dependência dos poderosos, mas resgatando a própria autoestima.”

* Com colaboração de Paulo Donizetti de Souza e Cláudia Motta

Ói eu aqui!

 

duascabecas

Já não escrevo coluna mensal mas continuo sendo Aldir Blanc. Agora mais do que nunca pelas circunstâncias da barbárie e esculhambação diárias a que somos submetidos.

Comecemos o bala com bala: Gostaria muito de saber o que os comentaristas de economia das redes de TV convencionais e por assinatura estão bebendo. Parei com o goró em 2010, mas quem sabe… Homens sérios e moças com sorrisos amarelos estão sempre enxergando “recuperações” e “crescimentos” inexistentes, a passo de formiguinha…

Bom, vamos então ao crescimento na real: Aumentou, depois de décadas, a mortalidade infantil! Parabéns, Temereca. Esse crescimento verdadeiro traz no bojo a volta pra valer de várias doenças: a febre amarela, a tuberculose, a sífilis, a AIDS, dengue, zika, milhões de crianças na mais completa miséria, trabalho escravo por todo lado, a educação dilacerada graças àquela besta quadrada que preferia frotas de cocô a Paulo Freire, o que as vacas de presépio da CIA pertencentes ao Moribundas Brasil Lodo também apoiaram com a empáfia dos estultos que levam grana de fora para plantar fake news no Facebosta.

Médicos amigos avisam que a extrema incompetência de Alckmin, cãoditato à presidência, com o apoio maciço da canalha, vai custar muitas vidas por não ter conseguido conter a febre amarela. A doença é sazonal e deve voltar com força em todo o país no próximo verão. Será que o centrão vai matar mosquito? Loda-se, Alckmin! Seus cúmplices roubaram durante décadas nos trens metropolitanos de São Paulo, nos rodoanéis (melhor botar no plural porque ignoramos a maioria dos crimes cometidos), até na merenda escolar meteram a mão-grande. Indiciaram uns esbirros mas eles vão, como é praxe. Por que não há presos da Samarco, responsável pela pior tragédia ambiental do país, com 19 mortos (por baixo)? Cadê os vilões de Furnas na cadeia, um escândalo de proporções banestaduais?

Mineirinho, Santo, Careca, Três Dedos, Bolo Fofo, etc, podem se candidatar pra garantia de foro, forro e furo, mas Lula, não. Continuam trambicando Sarna Sarney, Réu-nan, Collor, Lúcio Geddelll Bunker (brô do Chorão), Rameiro Jukenga, centenas de malfeitores só nas duas casas de tolerância do Plabaixo. Também esses “acordos de leniência” têm fedor de tramoia da Lava Jegue. Vagabundos faturam bilhões, dizem o que os farejadores querem, e vão para as mansões, devolvendo a milésima parte do que garfaram. O samurai Fugiro (homenagem aos 19 bilhões de dólares, mandados a paraísos fiscais na esbórnia paranaense, ninguém preso) Tukanomoro não vê que os números tungados não batem com as quantias devolvidas? E tome xaropada “estamos colaborando com os amigos, desculpem, membros do MP, e nos guiando dentro da reforma ética…” Cascata. Vão roubar tudo de novo. Imparcialidade o cacete!

A topo Plus-Size Marunbola continua mentindo sobre suas viagens das Arábias e outras sujeiras. De frente ou de costas, a verdade é que o cara parece um procedimento mal-ajambrado do Dr Bumbum. Lembra muito aquela musiquinha da minhoca: “a boca é do outro lado”…

Está com a banda boa da PF e com o ministro Barroso, um dos raríssimos juízes em que (ainda) levo fé, a lavagem de $$$ feita pelo mudo coronel Lima pra Temereca, via Argeplan, Rodrimar – da zona manjada do porto de Santos até obrar na casa de Maristela. Se der pizza, desisto e vou finalmente pescar.

Uma palavrinha especial para o sinistro da Inçegurân$ia. Perdigotou que o caso Marielle “é complexo” pela ligação entre os mandantes, uma declaração pública de fracasso. Vai começar a zurrar a qualquer momento. Quando era da “defe$a”, vocês lembram?, declarou com a certeza pétrea dos idiotas: “Não há a menor possibilidade de acordo entre a Embraer e a Boeing por motivos estratégicos”. Só que o acordo saiu e pode demitir 21 mil brasileiros. Também bravateou: “O roubo de cargas acabou”. Aumentou em todo o Brasil. Imagino que a cada besteira dessas, o líder Robertov deve sofrer com o fantoche. Outro exemplo da bagunça: o braço direito de Fernandinho Beira-Mar saiu da cadeia pela porta da frente, graças a um “erro judiciário”…

Não se pode esquecer que o regime econômico do presidrácula é livre mercado com tabelamento (risos). No Rio, sob intervenção fracassada, acumulam-se estatísticas horrendas, enquanto Crivellório ataca a Pedra do Sal, e promete um país evangélico. Vade retro.

Falando no pré-feito do pessoal bunda-de-fora: um amigo muito religioso teve um problema de disfunção erétil. Deve procurar Dona Carmen? Quanto está o câmbio do boquete abençoado?

Já que o conservadorismo está na moda, quando os filhos e netos dos gatunos da tucanagem, dos farristas do centrão, dos movimentos fascistas, dos ruralistas, dos fiesposos, dos inquisidores de Cudomundo, dos empreiteiros, dos banqueiros (meio trilhão de lucro só nos cartões de crédito), perguntarem por que estão morrendo, será justo ouvirem a resposta de um conservador que pelo menos trabalhava duro, o Bardo do Império, Rudyard Kipling:

– Porque nossos pais mentiram.

Rio, 29/VII/2018

Aldir Blanc

Obrigação de vencer e avançar

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POR GERSON NOGUEIRA

O Remo disputa hoje com o ABC-RN a primeira das três finais que terá pela frente até o fim da fase classificatória da Série C. O adversário está bem posicionado na tabela, ocupando a terceira colocação (21 pontos), com legítimas pretensões de passar à próxima fase.

Do lado azulino, a preocupação é com a sobrevivência. É obrigatório vencer para manter afastado o fantasma do rebaixamento. A vitória não representa a salvação definitiva, pois o Remo terá que alcançar 20 ou 21 pontos para se considerar livre da queda.

Ocorre que esta partida é a penúltima em casa. Somar três pontos é fundamental para que o time continue confiante quanto aos seus limites e possibilidades dentro da competição, sabendo que passará a depender de outro triunfo em dois jogos para se salvar.

Depois da vitória sobre o Confiança, na última rodada, o Remo voltou a depender exclusivamente de suas forças para garantir permanência na Série C, conquistando também credibilidade junto ao torcedor.

Para não repetir os tropeços que marcaram a campanha dentro de casa, o técnico João Neto e seus comandados precisam acima de tudo observar que mandantes não podem aceitar a estratégia de times visitantes.

Nas derrotas sofridas no Mangueirão, antes da era Netão, o Remo abusou de erros de finalização e posicionamento. Cercava a área inimiga, mas não tinha competência para o passo definitivo rumo ao gol. Essas hesitações ajudam a explicar a situação aflitiva na classificação.

Netão tem feito o Remo jogar com mais objetividade, atacando pelos lados e chutando sempre. Essa estratégia de guerra deverá ser executada plenamente hoje, não podendo desperdiçar chances criadas ou provocadas. Para tanto, o time que fez em Aracaju sua melhor atuação não pode ser modificado. Entrosamento é item prioritário a essa altura.

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta o programa, a partir das 22h, na RBATV. Participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Gols e análises sobre as rodadas das séries B e C.

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Papão mostra consistência e intensidade

De estilo motivador, Guilherme Alves transformou o ambiente na Curuzu. Chegou há três rodadas, conquistou sete pontos em nove e faz sucesso com um discurso marqueteiro que cativa o torcedor, principalmente quando os acenos para a torcida vêm acompanhados de resultados em campo.

Com o novo treinador, o Papão deixou o estilo burocrático de lado, passou a ter uma saída mais rápida e demonstra mais vibração. É como se os jogadores estivessem meio anestesiados na era Dado e agora se sintam mais à vontade para extravasar, arriscando mais e exibindo mais confiança.

A vitória de 2 a 0 sobre o Figueirense (3º colocado), na sexta à noite, deixou claro que o time tem outra cara, que não aceita ficar preso ao próprio campo. Hoje, o PSC sempre vai à frente quando surgem espaços, determinado a aproveitar. Essa atitude empolga o torcedor, que esperava justamente isso para voltar a acreditar no time.

No primeiro tempo, a equipe alternou bons e maus momentos, mas nunca foi inferior ao Figueira. A rigor, faltou o gol, apesar de boas chegadas de Pedro Carmona, Thomaz e Mike. Nas laterais, Mateus Silva e Diego mostraram combatividade, embora com alguns erros de passe.

O gol de Carmona logo no reinício da partida na 2ª etapa trouxe tranquilidade e ganhou de vez o apoio da torcida, ainda em número discreto na Curuzu. Depois da vantagem estabelecida, a equipe se distribuiu ainda melhor em campo, apesar da jornada pouco inspirada de Claudinho.

Apesar de algumas investidas perigosas do Figueirense, com Henan e Renan Mota, o Papão se lançava ao jogo com intensidade, superando a ausência de um centroavante. A tripla expulsão dos catarinenses, por reclamação, deixou a partida ainda mais tranquila.

O penal, cobrado por Dionathã aos 47’, serviu para liquidar a fatura e para que a torcida pudesse explodir de satisfação na centenária Curuzu, como não ocorria há várias rodadas.

Independentemente das lambanças da arbitragem, que expulsou Dionathã claramente para compensar a exclusão dos jogadores do Figueira, o PSC foi superior, mereceu vencer e mostrou pela primeira vez consistência nos avanços e solidez na estratégia defensiva.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 29) 

Free Lula!

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Mais de 60 mil pessoas lotaram a área em torno aos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro, para acompanhar o Festival Lula Livre, na noite deste sábado. Chico Buarque, Gilberto Gil, Martinho da Vila, Odair José, Ana Cañas e vários outros artistas participaram do evento. (Fotos: Ricardo Stuckert)

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