Nova derrota, velhos problemas

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POR GERSON NOGUEIRA

Não se pode negar que a arbitragem foi ruim, parcial e influiu no resultado. Os dirigentes e jogadores do Remo têm o direito de espernear contra a confusa atuação do mediador carioca, bem como acertam em pressionar a FPF por mais participação e apoio aos clubes locais em questões de bastidores na Série C – embora devessem cobrar isso sempre.

Por outro lado, não há como esconder que o Remo atuou razoavelmente bem, teve a posse de bola, mas não foi competente para chegar ao gol. No 1º tempo, depois do gol sofrido logo aos 11 minutos, os azulinos tiveram espaço para manobrar, mas se atrapalhavam no penúltimo passe.

Os problemas começavam na saída de bola, com os volantes Geandro e Leandro Brasília falhando em passes simples, de três metros de distância. Ao longo do jogo, Geandro errou onze passes. Em diversos momentos esses erros permitiram investidas perigosas do Santa Cruz pelo lado esquerdo do ataque, sobrecarregando Nininho e Elielton.

No meio, Rodriguinho corria sozinho, tendo que superar vários marcadores posicionados na linha média. Ainda assim, o Remo ameaçou diversas vezes e levou perigo quando alçava bolas da linha de fundo. Numa delas, aos 26 minutos, o zagueiro Danny Morais desviou a bola com a mão para impedir o cabeceio de Isac. A arbitragem ignorou o pênalti claro.

Para o 2º tempo, precisando desesperadamente do empate, o Remo mudou de postura. Tornou-se mais agressivo, intensificou a pressão. Perdeu duas grandes oportunidades. Uma com Isac, que obrigou o goleiro Tiago a fazer defesa difícil, e outra com Eliandro, que cabeceou no travessão, aos 42’.

Inteiramente acuado, o Santa Cruz só se defendia, raramente atacava. Já nos acréscimos, deu seu segundo chute a gol e fez 2 a 0, em cobrança de falta que desviou na barreira e enganou o goleiro Vinícius. Um desfecho penoso para os azulinos, mas bem revelador da instabilidade técnica e das limitações do elenco que João Neto tem sob o seu comando.

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Lições que Tite não pode desprezar para 2022

O amigo Carlos Lira, um dos baluartes do blog campeão, observou ontem que o Brasil anda ignorando o próprio sentido da palavra “seleção”. Significa, em português simples, reunião dos melhores. Em futebol, seleção é a escolha dos jogadores mais capacitados a representar um país. Nos últimos anos, não por acaso, a Seleção Brasileira pouco rendeu em Copas justamente por menosprezar esse princípio básico.

A convocação feita por Tite produziu um grupo cheio de fragilidades. Vários jogadores foram levados à Rússia longe das condições ideais para uma competição que exige excelência. Não se improvisa em Copa do Mundo, a não ser em casos extremos ou se a seleção for da Papua ou de Malta, onde não há jogador suficiente para compor um elenco.

Fagner, Danilo, Fred, Renato Augusto, Douglas Costa. Cinco atletas “baleados”, como se diz na linguagem boleira. É inconcebível que no país do futebol não houvesse alternativa para esses atletas. Deixou de lado opções óbvias: Rafinha, Artur, Paquetá, Rodriguinho, Dudu, Luan.

A justificar a presença de lesionados e em recuperação pós-operatória (como Fagner), apenas o apego ao tal “espírito de família”, tão cultivado por treinadores da antiga, como Felipão e Zagallo.

Contra os gigantes belgas, ficou óbvia a necessidade de atacantes altos. Ao invés disso, Tite tinha no banco um de seus “homens de confiança”, Taison, que viajou a passeio, capricho e – quiçá – valorização no mercado.

Na fatídica partida de sexta, a Seleção precisou como nunca de alguém capaz de quebrar as barreiras defensivas belgas, facilitando a passagem de Neymar, Coutinho e o próprio Gabriel. Esse jogador não existia.

Tite pecou pelas escolhas, pela demora em reagir a um resultado adverso e pela fidelidade cega a conceitos arcaicos. Isso não desmerece o conjunto de sua obra na Seleção. É justo que tenha uma nova chance. Só precisa deixar de lado o compadrio e entender o caráter decisivo de todos os jogos de uma Copa. Aprender com os erros é prova de sabedoria.

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Miscigenação intensa explica o poderio europeu

Nos últimos dias, a propósito da eliminação do trio de ferro sul-americano – Brasil, Argentina e Uruguai –,surgiram inúmeras teses para explicar o predomínio europeu. Desde 2006, com a Itália, a Europa prevalece nos mundiais – ganhou em 2010 com a Espanha e 2014 com a Alemanha.

O principal fato gerador dessa hegemonia já é perceptível dentro de campo. As seleções europeias ostentam uma miscigenação nunca vista antes. Até a alva Alemanha apresenta vários jogadores mestiços. Na França, Inglaterra e na Bélgica, filhos de imigrantes formam mais da metade dos times.

A mistura étnica produziu uma verdadeira revolução no futebol. A ginga e o jeito especial de bater na bola, características históricas dos times latinos, agora passam a fazer parte do repertório europeu.

A esses atributos juntam-se o condicionamento físico e a melhor formação de atletas. Um combo que faz toda a diferença e deixou o futebol da Europa mais intenso, organizado e qualificado.

Sul-americanos, africanos, árabes e asiáticos precisam se mobilizar para buscar reverter o quadro e estabelecer um patamar mais equilibrado.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 09)

Para manter Lula preso, ordem judicial é mandada às favas

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Rogério Favreto, como plantonista, fala pelo TRF-4 durante os finais de semana e fora do horário de expediente, segundo a escala de plantão, desde a quarta-feira, dia 4, até a terça-feira da semana que vem, 17.

Quem discordar de suas decisões pode e deve recorrer ao Superior Tribunal de Justiça, onde o plantonista decidirá se acolhe ou não a reclamação. Ou recorrer ao tribunal pleno.

Não há “conflito” de ordens judiciais, por dois desembargadores, até porque o processo contra Lula, está esgotado naquela jurisdição.

Quanto a Moro, é mais simples.

Não tinha o direito de “determinar” a manutenção de Lula preso, contra ordem de instância superior.

A ordem de soltura foi dada às 9h05 e entregue às 10h à Polícia Federal, com força de Alvará de Soltura.

Moro deu seu despacho às 12h05.

Neste intervalo, a PF descumpriu a ordem.

Agora, diante da nova ordem e prazo já encerrado para seu cumprimento, espera-se uma armação, quando o presidente do TRF-4 possivelmente dará um mandado de segurança, solicitado por um desconhecido advogado do Ceará, instrumento evidentemente inepto para rediscutir uma ordem de soltura que, por óbvio, não pode ser dado por “periculum in mora”, já que nada se caracterizaria arriscado por Lula dormir em São Bernardo do Campo.

A espera, agora, é um novo “enrolation” da PF.

Descumprindo a ordem de quem sabe ser a autoridade legítima.

Se a ordem de Favreto é ou não correta, como diz o jurista Lenio Streck, são outros quinhentos.

“Examinando o que se tem até agora, vê-se que há uma ordem de soltura que deve ser cumprida. Ordem judicial se cumpre. Nem a polícia nem Moro podem se opor, mesmo que a ordem de HC seja eventualmente indevida ou ilegal. “

O que se revela é que prender e manter preso Lula não é uma decisão jurídica, mas uma “causa” que não pode ser negligenciada por um dia sequer.

Estão, há quase 10 horas, buscando uma forma aparentemente legal de sustentar um descumprimento de ordem de soltura.

Ou que a Globo, afinal, aceite a libertação, ainda que provisória, de Lula. A emissora, aliás faz uma longa sustentação da necessidade de manter Lula preso.

Nota do blogueiro – Às 19h30, a Globo News informou que o presidente do TRF-4 decidiu manter Lula preso, atropelando decisão soberana do desembargador plantonista.

Manobra para manter Lula preso expõe ativismo radical de Moro

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Em despacho em que “suspende qualquer ordem que modifique “a decisão colegiada de prender Lula”, o desembargador João Gebran Neto anulou a ordem de soltura expedida hoje cedo pelo desembargador Rogério Favreto. No despacho, Gebran diz que “foi chamado” para dissolver o impasse e aprecia o teor da manifestação ilegal de Sérgio Moro.

Isso, é claro, vai ser objeto de recurso, permitindo questionar a legalidade da manifestação do juiz de Curitiba e sua ordem para que não se soltasse o ex-presidente quando a ordem de soltura era válida.

E, se julgada ilegal como parece ser evidente ser – até a Globonews admite! – decisão tomada sobre peça ilegal, ilegal é. Nunca um arreganho autoritário de Sérgio Moro ficou tão exposto e e indefensável.

Não há como defender sua interferência onde não devia meter-se e o absurdo de negar cumprimento a uma ordem superior, o que já havia ensaiado no caso da tornozeleira em José Dirceu. O episódio, apesar da frustração da liberdade, mesmo que por poucos dias ou até horas, não terminou e vai se desdobrar nos próximos dias. (Do Tijolaço)

PT: “Liberdade de Lula é a liberdade do Brasil”

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Nota oficial do Partido dos Trabalhadores sobre a decisão (já revogada) de libertação do ex-presidente Lula:

Depois de 92 dias de prisão ilegal e injusta, finalmente neste domingo (8) foi reconhecido o direito do companheiro Lula defender-se em liberdade da sentença arbitrária e disputar a presidência da República em igualdade de condições com os demais candidatos.

A decisão do desembargador Rogerio Favreto, do TRF-4, restabelece o estado de direito, tantas vezes violado por Sergio Moro e pela 8a. Turma daquele tribunal. É o reconhecimento de que Lula não poderia ter sido preso sem crime nem provas, pela simples vontade de juízes parciais como aconteceu.

É simplesmente inconcebível que a ordem de um desembargador de Tribunal Regional Federal seja desrespeitada, como quer Sergio Moro, que é de instância inferior. E é também inconcebível que a decisão do desembargador Favreto seja desconsiderada no âmbito do TRF-4 por meio de grosseiras chicanas conduzidas por Moro e seus parceiros.

Estas manobras são a prova concreta de que parte do sistema judicial está a serviço de interesses políticos e econômicos, no Brasil e em outros países, que não toleram o projeto de desenvolvimento com justiça e inclusão social que Lula representa. Querem mantê-lo preso à força.

O povo brasileiro sabe que Lula é inocente de todas as acusações feitas contra ele pela Lava Jato. Nunca foi dono do tal tríplex, nunca pediu nem recebeu propinas, nunca participou de desvios na Petrobrás, nunca fez nada fora da lei, antes durante ou depois de ser presidente.

O povo brasileiro sabe que Lula foi preso por motivações exclusivamente políticas, para impedi-lo de ser candidato e, pelo voto democrático, livrar o povo brasileiro de todo o sofrimento imposto pelo governo golpista e seus apoiadores, tendo à frente a rede de mentiras da TV Globo.

Por meio da decisão do desembargador Favreto, o sistema judicial, que tantas vezes foi manipulado para perseguir Lula e privá-lo da liberdade, reconhece agora que ele tem direito a se defender em liberdade nas instâncias superiores, como a Constituição garante a todos.

E decide, principalmente, que a sociedade tem o direito de saber, pela voz do próprio Lula, suas propostas para tirar o Brasil dessa imensa crise, para retomar o caminho da democracia, da justiça social e da construção da igualdade.

É dever de todos os democratas defender essa decisão contra as pressões da Globo e dos golpistas para que a lei, o direito e a Constituição sejam violadas por meio de novas manobras processuais.

A liberdade de Lula é o restabelecimento do estado de direito, é a liberdade do Brasil.

Basta de injustiças contra Lula!

Basta de golpes contra a democracia e contra o direito do povo escolher quem o representa!

Lula livre!

Lula presidente!

Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do Partido dos Trabalhadores

Desembargador do TRF-4 concede liminar para suspender prisão ilegal de Lula

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Da Folha, há minutos:

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região deferiu uma liminar para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja solto ainda neste domingo (7).

O desembargador Rogério Favreto acatou habeas corpus apresentado na sexta (6) pelos deputados Wadih Damous, Paulo Pimenta e Paulo Teixeira, do PT, pedindo que ele fosse libertado imediatamente pois não haveria fundamento jurídico para a prisão dele.

O plantão do TRF-4 confirma a informação.

A ordem de soltura está a horas na PF há horas e não é cumprida. O juiz Sergio Moro expediu despacho afirmando que não irá cumprir a decisão do desembargador Rogério Favreto, alegando que ele é “absolutamente incompetente” para conceder a liminar.

Após o posicionamento de Moro, o desembargador plantonista Rogério Favreto determinou, em segundo despacho, a soltura imediata do ex-presidente Lula (PT). A primeira decisão do desembargador já tinha sido proferida na manhã de hoje (8). Juiz de primeiro grau, Sergio Moro argumentou que o juiz era incompetente para decidir no caso.

O novo despacho de Favreto diz que “qualquer agente federal” deve soltar o ex-presidente, sob pena de desobediência de decisão judicial.

O ex-presidente pode ser solto a qualquer momento.

O desembargador registra ainda “que sem adentrar na funcionalidade interna da Polícia Federal, o cumprimento do Alvará de Soltura não requer maiores dificuldades e deve ser efetivado por qualquer agente federal que estiver na atividade plantonista, não havendo necessidade da presença de Delegado local”.

“Pelo exposto, determino o IMEDIATO cumprimento da medida judicial de soltura do Paciente, sob pena de responsabilização por descumprimento de ordem judicial, nos termos da legislação incidente”, escreveu.

“Comunique-se os Impetrantes, remetendo a presente decisão à Polícia Federal para imediato atendimento da ordem judicial”, concluiu.

Advogados do ex-presidente e parlamentares do PT e do PC do B estão neste momento na sede da Polícia Federal, em Curitiba, para acompanhar o ato de libertação de Lula.