Nos pênaltis, Croácia elimina anfitriã e chega às semifinais

henry_romero1_reuters

A Croácia venceu a Rússia nos pênaltis após uma partida difícil, com gols no tempo normal e na prorrogação. A Croácia volta às semifinais de uma Copa do Mundo após 20 anos e tentará, contra a Inglaterra, chegar à sua primeira final de Copa do Mundo.

Kramaric e Vida fizeram os gols da Croácia com a bola rolando. Nas cobranças de pênaltis, o goleiro Subasic fez uma defesa e o brasileiro naturalizado russo, Mário Fernandes, perdeu sua cobrança. Fernandes havia marcado o gol que garantiu o 2 x 2 na prorrogação e levou a disputa para as penalidades.

Apesar de tecnicamente pobre, o jogo teve muita emoção, sobretudo na reta final. A Croácia teve a bola e as iniciativas ofensivas na maior parte do jogo, mas a Rússia mostrou raça e determinação tanto para se defender, quanto para atacar. A torcida russa sentiu o gosto da semifinal algumas vezes durante a partida. Sua seleção terminou eliminada, mas aplaudida pelos russos em Sochi, orgulhosos de um time que foi muito além do que se esperava.

As semifinais ficaram definidas com França x Bélgica, na próxima terça-feira (10) às 15h, e Inglaterra x Croácia, na quarta-feira (11), também às 15h.

Bolsonaro e o “suicídio” de Herzog

ZphNHRvZ

Por Kiko Nogueira, no DCM

O escritor Fintan O’Toole, colunista do Irish Times, fez um belo artigo sobre Donald Trump. 

Trump, diz O’Toole, está realizando ensaios fascistas que servem a dois propósitos.

“Eles acostumam os indivíduos a algo que inicialmente rechaçariam; e também permitem que se refinam e calibrem as ações”, escreve.

“O fascismo não surge de repente em uma democracia consolidada. Não é fácil convencer as pessoas a desistirem de seus ideais de liberdade e civilidade”.

Segundo O’Toole, “é preciso enfraquecer as barreiras morais, acostumar as pessoas a aceitarem fatos de extrema crueldade. Como os cães de caça, é preciso acostumá-las ao gosto do sangue. Elas precisam experimentar a selvageria.”

Isso vale para Jair Bolsonaro. 

Bolsonaro foi acostumando os ouvidos da audiência com ignomínias sobre negros, gays, mulheres. A mídia ajudou a normalizar seu discurso incivilizado. Sequer é chamado de extrema direita.

O sujeito foi aplaudido numa sabatina da Confederação Nacional da Indústria — não pelas ideias, que ele não as tem, mas pelas bravatas. “Não quero botar um busto do Che Guevara no Palácio do Planalto”, falou, como se isso fizesse algum sentido.

“Hoje estão tirando nossa alegria de viver, não podemos mais contar piadas de afrodescendentes, de cearenses, de goianos”. Palmas para ele. Na entrevista a Mariana Godoy na RedeTV, Bolsonaro passeou à vontade com seu terno fascista.

Arrancou, no máximo, risadas da entrevistadora e de seu estafeta quando defendeu, na maior, que Vladimir Herzog tinha cometido suicídio.

“Lamento a morte dele, em que circunstância, se foi suicídio ou morreu torturado. Suicídio acontece, pessoal pratica suicídio”, afirmou.

Herzog era “um colaborador” (do quê?) e esse pessoal se “vitimiza”. A Anistia já resolveu tudo: “Essa é uma história que passou”. Há dias, a Corte Interamericana de Direitos Humanos determinou que o Estado brasileiro apure, julgue e, se for o caso, puna os responsáveis pela execução de Herzog.

Em outubro de 1975, o jornalista, membro do Partido Comunista Brasileiro, apresentou-se voluntariamente para depor no DOI/CODI, em São Paulo. Foi interrogado, torturado e finalmente executado. Tinha 38 anos.

Uma farsa foi montada para simular um suicídio. Daí a famosa foto de Herzog “enforcado” a uma altura de 1,68. O laudo foi forjado. Seu corpo estava coberto de hematomas. O horror, o horror.

A viúva está viva. O filho, Ivo, também. Essa excrescência proferida por JB deveria provocar uma onda de indignação na sociedade. Não aconteceu nada.

A começar por Mariana e seu ajudante, que tocaram seu barquinho como se tivessem ouvido daquele tiozão a piada do pavê. Milhões estão aprendendo a pensar o impensável, aponta Fintan O’Toole em seu texto.

“Eles já cruzaram, em suas mentes, os limites da moralidade. Eles são, como Macbeth, ‘aprendizes nesse ofício’. Entretanto, esses testes serão refinados, os resultados analisados, os métodos aperfeiçoados, suas mensagens acentuadas. Só então suas façanhas poderão ser realizadas”, avisa.

A barbárie está instalada. Bem-vindo.

Morre o co-criador do Homem-Aranha

steve-ditko-amazing-fantasy-740x417

O lendário quadrinista Steve Ditko, co-criador de Homem-Aranha e Doutor Estranho, morreu aos 90 anos, informou o The Hollywood Reporter. O portal noticiou que o artista foi encontrado morto em seu apartamento no último dia 29, havendo a possibilidade dele ter morrido dois dias antes. O Departamento de Polícia de Nova Iork confirmou.

Ditko criou o Homem-Aranha, ao lado de Stan Lee, em 1961. Inventou o uniforme, o atirador de teia e teve a ideia de usar as cores azul e vermelho. Ele também ajudou a criar os vilões Doutor Octopus, Duende Verde, Lagarto e Homem-Areia.

Dois anos depois, em 1963, Steve Ditko criou o psicodélico Doutor Estranho. Ele deixou a Marvel Comics sem nunca ter explicado o motivo, mas acredita-se que ele e Stan Lee não tinham boa relação depois de alguns anos trabalhando juntos.

Em 1968, o criador do Teioso entrou para o time da DC Comics, criando os heróis Rapina e Columba, além de Rastejante.

Mourinho sobre Neymar: “Se fosse só ele…”

image

Neymar tem sido alvo de muitas críticas devido ao tempo que passou no chão durante o Mundial 2018, bem como a forma como reage às faltas de que é alvo. Mas nem todos estão contra o brasileiro e José Mourinho até saiu em sua defesa: “As pessoas estão a centrar-se no Neymar mas, se fosse só ele, eu estaria feliz. Mas não é só o Neymar”, começou por dizer.

“Todas as equipas têm muito mergulho, muito fingimento, muita pressão sobre os árbitros. O jogo perde qualidade e, para mim, esse é o ponto negativo”, concluiu o treinador português. (Transcrito de O Jogo)

O futebol e seus imprevistos

gol-contra-de-fernandinho-abriu-vitoria-da-belgica-sobre-o-brasil-1530912706760_v2_956x500

POR GERSON NOGUEIRA

Sei que individualizar responsabilidades pode parecer algo perverso, mas custo a crer que o Brasil não tenha volantes mais qualificados que Fernandinho. De cara, vem à cabeça a lembrança do ex-gremista Artur, um jogador que domina tão bem aquela faixa do campo que às vezes passa a impressão de ser um meia-armador clássico.

Contra a Bélgica, na sexta-feira, o Brasil jogou razoavelmente bem, tocando a bola e tentando impor seu jogo de infiltrações na área. Acabou, porém, vitimado por um erro crasso de posicionamento e atitude no primeiro gol, aos 14 minutos, que acabaria criando as condições para o segundo 16 minutos depois.

No lance fatídico, quem estava na bola desviando para as próprias redes era justamente Fernandinho. Remanescente daquela trágica semifinal em Belo Horizonte há quatro anos, quando contribuiu de maneira decisiva para três dos sete gols alemães, o volante foi guindado à condição de jogador precioso para Tite e sua comissão técnica. Desconfio que nem o próprio Fernandinho imaginava que mereceria tal oportunidade.

O gol de abertura mudou por completo os rumos da partida de sexta-feira, em Kazan. O que era um embate equilibrado até aquele momento acabou se tornando uma batalha insana para o Brasil em busca de um gol salvador. E o time havia iniciado bem, perdendo duas grandes chances para abrir o placar e botando uma bola na trave de Courtois.

É claro que o erro não foi proposital, mas fica patente o fato de que alguns jogadores trazem consigo o peso de jornadas passadas. Além da infeliz participação no primeiro gol belga, Fernandinho mostrou-se improdutivo e incapaz de acompanhar a movimentação dos atacantes adversários.

No contra-ataque que gerou o segundo tento, de De Bruyne, o volante inexplicavelmente chegou a abrir passagem para Lukaku. O correto àquela altura seria parar a jogada, com falta ou desarme, a fim de evitar a progressão do atacante. Detalhes e imprevistos podem determinar a diferença entre êxito e fracasso no futebol.

Apesar da desastrosa atuação de Fernandinho, Tite o manteve no meio, abrindo mão de ajustar o setor com o aproveitamento de Marquinhos. Viu ainda a opção por Marcelo se mostrar inócua, pois ele subia e esquecia de voltar, deixando três belgas livres para manobrar às suas costas.

Muito mais que os desacertos com Fernandinho ou Marcelo, é preciso contabilizar também a demora de Tite em reagir a um estado geral de insegurança. Por alguns momentos, após a Bélgica fazer 2 a 0, cheguei a temer por uma goleada, recordando a inércia de Felipão em 2014. Não que o Brasil jogasse mal, mas porque se defendia precariamente.

O cenário exigia mudança imediata para quebrar a tranquilidade que a Bélgica passou a ter. Douglas Costa e Firmino deveriam ter sido lançados ainda na primeira etapa, obrigando o adversário a se reposicionar e entender que o Brasil estava mesmo disposto a mudar o ritmo da prosa.

Os dois atacantes acabaram entrando, mas após o intervalo, o que deu a Roberto Martinez a folga necessária para fazer seu time se estabilizar no jogo, explorando o desassossego dos principais jogadores do Brasil.

Não se trata de desmerecer a justa vitória belga, mas é necessário observar o quanto a Seleção Brasileira contribuiu para o desfecho final. O embate físico, tão temido às vésperas do confronto, teve influência relativa. O revés se consumou pelas debilidades defensivas e o baixo aproveitamento do ataque, que teve em Coutinho uma figura decepcionante.

A lamentar o fato de o Brasil sai de mais uma Copa na qual tinha plenas condições de brigar pelo título, com vários bichos-papões fora de combate.

——————————————————————————————–

Força defensiva põe em evidência Thiago e Miranda

Uma ironia da eliminação brasileira na Copa da Rússia é que poucas vezes na era moderna a Seleção se mostrou tão dedicada à marcação, tornando sua defesa uma das mais elogiadas do torneio. Thiago Silva e Miranda foram quase perfeitos nas antecipações e no jogo aéreo, com exceção da estreia contra a Suíça.

Diante da Bélgica, os gols sofridos não podem ser debitados na conta da dupla, que cumpriu seu papel e evitou uma decepção maior.

——————————————————————————————

Empate pode ser bom negócio para o Leão

O Remo tem hoje a missão de arrancar pelo menos um empate no Recife contra o Santa Cruz. No perde-ganha que caracteriza a Série C, o time pernambucano tem se mostrado menos atrapalhado que o Leão e se mantém fora da zona do rebaixamento.

Conquistar um ponto pode ser um negócio interessante para o Remo, que tem 11 pontos e tem que conquistar mais 11 para se livrar da degola. Como tem três jogos a cumprir em casa – contra ABC, Botafogo e Náutico –, fica com a obrigação de vencer todos e buscar dois pontos como visitante.

As ausências de Ruan e Gabriel Lima, lesionados, forçaram mudança no ataque, que terá Elielton ao lado de Isac. Sem Everton, o meio-campo vai depender da criatividade de Rodriguinho para explorar os contra-ataques.

O Remo deverá adotar um sistema mais fechado, com três volantes, a fim de obter o resultado que lhe interessa. Só não pode cometer o pecado de ficar exclusivamente esperando.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 08)

Cruzeiro confirma contratação de revelação do Remo

O Cruzeiro contratou o jovem lateral-direito Gustavo, de 18 anos, do Remo. O atleta chega para reforçar o clube no Campeonato Brasileiro Sub-20. Ele já passou por exames, assinou contrato e já treina com os companheiros de time. “Gustavo já está em BH há três dias. Era titular do Remo com apenas 18 anos e chega para jogar na base”, disse o empresário do jogador, Anderson Nasrala, ao jornal Superesportes.

Segundo o agente, o Cruzeiro comprou 80% dos direitos econômicos do atleta. Os outros 20% permanecem com o Remo. A Raposa tem a preferência na aquisição da parte que ainda está ligada ao Leão. A coordenação da base do Cruzeiro, que informou que as negociações foram comandadas pela cúpula do futebol profissional do clube.

O Cruzeiro teria pago R$ 200 mil para ficar com o atleta. Gustavo disputou seis jogos em 2018. A estreia dele foi no clássico contra o Paissandu, no dia 1º de abril. O Remo venceu por 2 a 1, com assistência do lateral para o gol da vitória.

English Team está de volta às semifinais 28 anos depois

57695,no-alarms-and-no-surprises-inglaterra-vence-suecia-e-esta-na-semifinal-apos-28-anos-3

Apesar de um início de leve domínio do adversário, a Inglaterra confirmou o favoritismo, venceu a Suécia por 2 a 0, neste sábado (7), em Samara, e está de volta a uma semifinal de Copa do Mundo após 28 anos. Em 1990, os britânicos foram eliminados pela Alemanha e perderam a decisão de 3º e 4º lugares para a Itália – dona da casa.

O primeiro gol dos súditos da rainha saiu aos 29 minutos do primeiro tempo com Maguire, após escanteio cobrado por Ashley Young. O zagueiro se antecipou à marcação do meia Fösberg e mandou de cabeça no canto direito do goleiro Ölsen.

Na segunda etapa, aos 12 minutos, o time do Reino Unido ampliou o marcador com Delle Ali, que até então fazia uma partida marcada por erros de passe. A jogada começou com Lingard, que carregou pela intermediária, abriu na ponta destra com Trippier, recebeu de volta e mandou na medida para a testada do meia do Tottenham.

Artilheiro da competição, com seis tentos, o atacante Harry Kane teve participação apagada na peleja, mas cumpriu a função tática de chamar a marcação para si, a fim de liberar os avanços de Sterling.

Com o resultado, a equipe da ilha vai enfrentar o vencedor de Rússia e Croácia, na próxima quarta-feira (11), às 3h da tarde, no Estádio Lujniki, em Moscou.

Faltou o brilho de Neymar

15309257575b4012bd2c95b_1530925757_3x2_lg

O jornalista Juca Kfouri comentou a derrota da Seleção Brasileira para a Bélgica em seu blog no UOL:

Primeira observação sobre o primeiro tempo de Bélgica x Brasil: belíssimo jogo de futebol, o melhor da Copa até aqui, melhor até mesmo que Espanha 3, Portugal 3.

Segunda o observação: o detalhe e o imprevisto seguem prevalecendo no resultado do jogo, mais que a tática, a estatística, o diabo a quatro.

(…)

Em seguida, aos 11, foi a vez de Paulinho não conseguir botar o pé na bola para empurrá-la e abrir o placar.

Daí, dois minutos depois, De Bruyne bateu o venenoso escanteio pela esquerda que Kompany desviou no primeiro poste e o braço de Fernandinho desviou para o fundo da rede brasileira.

Pela primeira vez na Copa, a Seleção Brasileira saía atrás no placar.

Nem por isso o time brasileiro se desarrumou e seguiu jogando bem, chutando duas vezes com Philippe Coutinho e Marcelo para Courtois defender.

(…)

Tomaria, no entanto, aos 30 minutos, um golaço de contra-ataque armado pelo brilhante Lukaku e concluído pelo ainda mais brilhante De Bruyne: 2 a 0.

Pela primeira vez a Seleção Brasileira sob o comando de Tite sofria dois gols.

(…)

A Seleção Brasileira precisaria fazer com a Bélgica o que a Bélgica havia feito com o Japão. Só que a Bélgica não é o Japão, por mais que o Brasil possa jogar como a Bélgica.

(…)

Se houvesse justiça no futebol, no mínimo, o Brasil empataria.

Faltavam cinco minutos quando Fernandinho deu um golpe de judô em Hazard e levou o amarelo. Casemiro fazia falta, muita falta.

E Tite parecia acreditar no empate, porque não fazia um gesto de nervosismo na beira do campo.

Faltava um momento de brilho de Neymar.

(…)

E Courtois evitava o empate dos pés de Neymar, em nova jogada de Douglas Costa.

De Bruyne, inteligente, cavava escanteio e regia sua torcida.

A Copa acabou para o Brasil.