Facebook desativa páginas de fake news

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O Facebook retirou do ar nesta quarta-feira uma rede de páginas e contas usadas para divulgação de notícias falsas por membros do grupo ativista de extrema-direita Movimento Brasil Livre (MBL), disseram fontes à Reuters, como parte dos esforços para reprimir perfis enganosos antes das eleições de outubro.

O Facebook disse em um comunicado que desativou 196 páginas e 87 contas no Brasil por sua participação em “uma rede coordenada que se ocultava com o uso de contas falsas no Facebook, e escondia das pessoas a natureza e a origem de seu conteúdo com o propósito de gerar divisão e espalhar desinformação”.

O comunicado não identifica as páginas ou usuários envolvidos.

Como lidar com a epidemia que assola a pesquisa no Brasil?

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Por Leonardo Carvalheira, no Huffpost

Salário estagnado há anos. “Você só estuda, chega de frescura!” Jornada de trabalho excessiva sem ganhar por hora extra. “Presta atenção, faltam 3 meses para entregar a tese.” Não existe fim de semana ou feriado. “Por que você ainda não publicou sua pesquisa?” Pressão além do normal por produtividade. “Seu colega conseguiu. O problema não é meu se o equipamento quebrou!” Seu orientador só tem tempo para te cobrar. “Você assinou contrato de dedicação exclusiva! Nem pense em complementar seus R$ 1,5 mil por mês“. Afinal, cientista não é profissão no Brasil.

A pesquisa toma todo o seu tempo, sua disposição e, muitas vezes, a sua sanidade. Este cenário nos cursos de pós-graduação é realidade para a maioria dos pesquisadores brasileiros. Sim, a maior produção científica no país vem de mestrandos e doutorandos de universidades públicas. Lidam durante sua formação com a extensa carga de aulas, estudo e trabalho. Os laboratórios são ambientes hostis de competição e, frequentemente, professores orientadores são seus piores pesadelos.

A pressão por publicar suas pesquisas em revistas, necessário para que a comunidade esteja ciente das novas descobertas, é gigante: só assim é possível sobreviver na área. Todos os anos de produção precisam ser resumidos numa tese com detalhes específicos que raramente alguém não especializado terá interesse por ler. Todo esse trabalho é, quase sempre, realizado com dinheiro público. Qualquer pequeno deslize nos experimentos pesa como desperdício de impostos.

Calma… pelo menos as pessoas com maior especialização acadêmica do país ganham bem, certo? Errado. No auge das suas produtividades, com 26, 28, 30 anos, ganham pouco mais de R$ 2 mil por mês, quando muito. Os pagamentos irrisórios costumam ser atrelados a um regime de dedicação exclusiva, ou seja, não há possibilidade de se envolver com outros projetos e trabalhos para complementar sua renda. Caso você ganhe um centavo a mais por outro trabalho corre o risco de precisar devolver todo o dinheiro que ganhou, além de responder processo judicial e nunca mais receber financiamento do Estado.

A perspectiva, infelizmente, é só piorar. Desde 2014 o investimento ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação só diminui. O que chegava na casa dos 7, hoje é menos de R$ 3 bilhões. E isso não é tudo! Para enterrar de vez a ciência brasileira, a verba e as atenções, desde 2016, são divididas com o Ministério das Comunicações. Este cenário já implica em laboratórios sem materiais, além de pesquisadores trancando seus cursos por impossibilidade de seguirem sem conseguirem bolsas.

Cientistas? Não, alunos. Aqui no Brasil você não tem direitos trabalhistas por pesquisar nas grandes universidades. As bolsas, a maioria pública, não assinam sua carteira de trabalho. Auxílios como os doença, alimentação ou transporte são sonho distante. É possível abrir mão desta forma de financiamento e optar por estudar, pesquisar e ainda trabalhar fora do campus, mas é um ponto fora da curva quase impraticável.

Há um cenário ainda mais difícil: já pensou fazer tudo isso e ter um filho? Faltam vagas nas creches universitárias. Não há tempo a perder quando se trata de pesquisas. Poucas horas de atraso são suficientes para acabar com anos de estudo. Enquanto você se dedica à família, outro grupo pelo mundo já publicou o seu estudo. A cobrança vai às alturas para que deixe o filho de lado e entregue a tese a tempo.

Só pelo ambiente descrito de pesquisa na pós-graduação, os alunos são 6 vezes mais propensos a desenvolverem depressão e ansiedade. Esperado para o cenário que vivemos no Brasil, não é mesmo? E se pesquisas te mostrassem que o dado é dos Estados Unidos? Infelizmente, os números brasileiros ainda são subnotificados em estudos, mas não se espera que sejam menos alarmantes do que estes. Somam-se fatores sociopolíticos e econômicos que não colaboram com a sanidade mental de pesquisador algum.

Os fatores aqui expostos são suficientes para explicar as altas nas notificações de transtornos mentais na pós-graduação. O que podemos fazer, então, para que possamos mitigar este quadro? Como estudante, família, amigo e, principalmente, orientador, é possível colaborar com um ambiente mais saudável. Pense se é realmente necessário antes de pressionar e realizar cobranças. A pressão acadêmica já é suficientemente grande para ser digerida. Não compare seus êxitos ou suas dores. Cada um tem sentimentos justificados pela sua história de vida e tempos diferentes a atingir objetivos. É sempre interessante pesquisar sobre saúde mental e conhecer os principais sintomas.

Seria muito bom se só isso fosse suficiente. Depressão, bipolaridade, ansiedade e outros transtornos são distúrbios químicos como qualquer outra doença. É muito bom se houver ajuda profissional assim que reconheçamos algum sintoma. Os alunos devem ter acesso fácil a psicólogos e psiquiatras no seu próprio instituto, pois é difícil, por conta das doenças, que corram atrás por conta própria. As instituições precisam financiar cursos a seus professores, os que orientam alunos, sobre administrar ambientes com alta pressão e propensão a distúrbios psiquiátricos. Devemos conversar abertamente sobre o assunto nestes ambientes.

Se é químico, por que não tratamos as pessoas com remédios como solução definitiva? A profilaxia é mais barata na grande maioria das enfermidades, com estas não é diferente. Assim como infecções por vias aéreas são mais frequentes no frio, dentre outros motivos, por juntar pessoas em lugares com pouca circulação de ar, distúrbios psiquiátricos são mais frequentes em ambientes com pressão acadêmica. A explícita diferença é que nas doenças virais o ambiente é pouco controlado por nós, enquanto nas psiquiátricas a humanidade define o andamento do ambiente. O contexto de aumento das suas frequências é social. Sem contar que apenas remediar e manter as pessoas num ambiente igual ao que foi o estopim para seus sofrimentos pode não resolver o problema.

A universidade, seus alunos e alunas estão doentes. Pedem, silenciosamente, ajuda dentro das quatro paredes de um laboratório. Um dos setores mais estratégicos para o investimento de um país está morrendo. A “fuga de cérebros” é só a ponta do iceberg da ciência brasileira. Vamos juntos conscientizar a comunidade ao nosso redor sobre saúde mental? Amenizar a insalubridade dos nossos preciosos centros de pesquisa é urgente.

(*) Leonardo Carvalheira é divulgador científico, pesquisador pelo Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-tronco da USP.

A vitória da superação

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POR GERSON NOGUEIRA

Com uma providencial mudança de posicionamento e atitude no 2º tempo, o Papão conseguiu sair de uma situação de risco nos primeiros 45 minutos para um jogo de força e pressão que terminou premiado aos 15 minutos, com o gol de Mike, cabeceando em meio à defesa do Guarani e antecipando-se ao goleiro Oliveira.

Na parte inicial do confronto, o Guarani foi superior, controlando em grande parte as investidas do PSC e tocando a bola com tranquilidade pelo meio, com William Oliveira, Ricardinho e Longhini encontrando muitas facilidades para organizar as ações ofensivas.

Para complicar as coisas, Nando Carandina e Renato Augusto não conseguiam deter os avanços no meio e pelos lados Kevin e Anderson Pará também se lançavam sem receber combate firme. Com isso, Bruno Mendes e Mateus Oliveira desfrutaram de pelo menos quatro chances agudas na área. Renan Rocha evitou gols certos saindo nos pés dos atacantes.

Depois do intervalo, o Papão inverteu a situação, avançando suas linhas e tomando conta dos espaços no campo de defesa do Guarani. Mike substituiu Moisés, que teve um rendimento abaixo do esperado no 1º tempo. Acima de todos, porém, Thomaz exerceu papel fundamental nessa etapa do jogo assumindo a responsabilidade pelas principais jogadas.

Antes do cruzamento que levou ao gol de Mike, como a mostrar que havia recuperado a confiança, Thomaz arriscou uma meia bicicleta que o goleiro defendeu com dificuldades. Mike foi para o interior da área incomodar a dupla central de zaga bugrina, que passou a errar nas saídas, espanando bola para todos os lados.

Depois do gol, o time continuou explorando a velocidade pelos lados e ajustando o passe, que não funcionou na primeira metade da partida. O problema é que a ansiedade talvez tenha sabotado algumas iniciativas de contra-ataque com Mike e Thomaz.

A partir dos 20 minutos, com Guilherme e Marcão em campo, usando a força para entrar na área alviceleste, o Guarani foi em busca do empate e quase alcançou o objetivo. Aí Renan Rocha brilhou outra vez, desviando com a ponta dos dedos um tiro cruzado de Ricardinho aos 31’ e defendendo no chão uma finalização de Marcão aos 42’. No rebote, Longhini errou o disparo e desperdiçou a última oportunidade do jogo.

Na entrevista pós-jogo, o técnico Guilherme Alves destacou a postura diferente adotada na etapa final, ponderando que os erros de passe comprometeram a organização da equipe na primeira etapa, quase inteiramente dominada pelo Guarani.

O treinador justificou o recuo na reta final do jogo, chamando atenção para o desgaste mental e físico do time. A explicação é parcialmente correta, mas o fato é que o PSC exagerou na cautela e voltou a falhar na troca de passes, concedendo rebotes seguidos que facilitaram a chegada do Guarani.

No fim das contas, um resultado importante pela maneira como foi conquistado. Marca positivamente o começo do trabalho de Guilherme Alves, permitindo que a equipe dê início à fase de recuperação no campeonato.

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Lista da Fifa expõe inferno astral de Neymar

Quando a Copa do Mundo terminou, o sentimento generalizado era de que Neymar saía da competição menor do que havia entrado. Com declaradas pretensões de disputar com CR7 e Messi a coroa de principal futebolista do planeta, os planos do camisa 10 da Seleção Brasileira dependiam de uma jornada impecável em gramados russos.

A realidade do torneio contrariou a legítima ambição de Neymar. Ontem, a divulgação da lista dos dez candidatos ao prêmio da Fifa veio confirmar a impressão de que o brasileiro tem motivos para esquecer o Mundial. Foi deixado de fora da pré-seleção, depois de ter ficado em terceiro lugar nas temporadas de 2015 e 2017.

Neymar, além dos competidores mais afamados, vê a aproximação fulgurante de novos nomes, como Mbappé, Hazard, Kane, Griezman, Salah, De Bruyne e Modric, que saíram extremamente valorizados da principal competição mundial.

Em plena campanha de recuperação da imagem desgastada, não só por razões técnicas, Neymar deve reservar um tempo para reflexões acerca de seus objetivos como jogador de primeira linha.

Precisa entender que a devastadora fama de cai-cai não pode se sobrepor à sua indiscutível habilidade. Caso não se conscientize disso jamais romperá a barreira dos jogadores apenas medianos ou performáticos. Cabe exclusivamente a ele virar a página e reiniciar uma caminhada que já teve momentos particularmente brilhantes e superiores até à trajetória de muitos dos nominados para o prêmio maior da Fifa.

(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 25)