A reunião do Conselho Deliberativo do Clube Remo, na noite de segunda-feira, foi longa e tensa. No final, duas medidas de ordem prática foram definidas. A primeira foi a formalização do pedido de afastamento do presidente Amaro Klautau, acusado por 32 conselheiros de traição aos interesses do clube, simbolizada pela destruição do símbolo do Remo do pórtico do Evandro Almeida como forma de acelerar o processo de venda do estádio.
A segunda, aprovada no final da reunião, foi a nomeação de uma nova comissão para representar o Remo junto à Justiça do Trabalho. O objetivo é renegociar os valores da dívida do clube e, se necessário, os termos da venda do Baenão, incluindo a localização da futura arena. Integram a comissão os conselheiros Antonio Carlos Teixeira, Sérgio Cabeça, Jones Tavares, Orlando Pereira, Manoel Ribeiro, Luís Neto e Domingos Sávio.
Vários conselheiros e grandes beneméritos se pronunciaram, quase todos contrários à negociação do estádio com as incorporadoras Agre e Leal Moreira. O abaixo-assinado pedindo o impeachment de AK foi entregue ao presidente do Condel, Felício Pontes, que se comprometeu a analisar o documento.
Um dos trechos mais duros do texto define o presidente do Remo como um déspota, pela forma como vem conduzindo os destinos do clube, desrespeitando os estatutos e recusando-se a prestar contas perante o próprio Condel. “É um despotismo não autorizado”, diz o abaixo-assinado. Felício Pontes considerou a iniciativa muito grave e inédita na história do clube. Ao se dirigir aos conselheiros, AK disse que se defenderá nos autos do processo.
Grandes beneméritos, como Artur Carepa e Ronaldo Passarinho, emocionaram-se ao lamentar a situação do Remo. “Não somos nem a quarta força do futebol paraense”, afirmou Ronaldo. Acuado pelas críticas, Amaro disse que fez todos os esforços para que o time subisse de divisão, “mas patinei”. Em meio às manifestações, o conselheiro Benedito Wilson Sá acusou Amaro de fazer negócio com um grupo (Agre) que tem ligações com o PSDB. AK ironizou dizendo que a discussão política seria no Hangar – referindo-se ao debate da TV Record. Desta vez, com forte policiamento na sede, não houve registro de tumulto envolvendo torcedores. (Fotos: MÁRIO QUADROS; com informações de Nilson Cortinhas/Bola)






