Marina Silva, candidata verde ou amarela?

Por Emir Sader

De jurássica, ecologista fundamentalista, que travava o desenvolvimento do país, Marina virou a nova queridinha da mídia – lugar deixado vago por Heloisa Helena. Mas o fenômeno é o mesmo: desespero da direita para chegar ao segundo turno e incapacidade de alavancar seu candidato. Daí a promoção de uma candidata que, crêem eles, pode tirar votos da Dilma, para tentar fazer com que a derrota não seja tão acachapante, levando a disputa para o segundo turno e dando mais margem do denuncismo golpista de atuar. Marina, por sua vez, para se prestar a esse papel, se descaracterizou totalmente, já não tem mais nada de candidata verde, alternativa. Não tem agenda própria, só reage, sempre com benevolência, às provocações da direita, seja sobre os sigilos bancários, a Casa Civil ou qualquer insinuação da direita.

Presta um desserviço fundamental à causa que supostamente representaria: é um triste fim do projeto de construir um projeto verde, uma alternativa ecológica, uma pauta fundada no equilíbrio ambiental para o Brasil. Tornou-se uma candidata vulgar, em que nem setores de esquerda descontentes com outras correntes conseguem se representar. Uma vez mais uma tentativa de construir alternativa à esquerda deixa-se levar pelo oportunismo. Quantas vezes Marina denunciou o monopólio da mídia privada e seu papel assumido de partido político da oposição? Nenhuma. Quantas vezes afirmou que a imprensa é totalmente alinhada com uma linha radical de oposição, não deixando espaços para a informação minimamente objetiva e para o debate democrático da opinião pública? Nenhuma. Quantas vezes se alinhou claramente com a esquerda contra a direita? Nenhuma.

Nenhuma, porque já não está no campo da esquerda – e os aliados, incluídos os que fazem campanha para o Serra, como Gabeira, entre outros, provam isso. Se situa em um nebuloso espaço da terceira via – refúgio do oportunismo, quando os grandes enfrentamentos polarizam entre direita e esquerda. Nenhuma, porque essa mesma imprensa golpista, monopolista, que a criticava tanto, agora lhe abre generosos espaços para desfilar seu rancor porque não foi a candidata do Lula e vê a Dilma ser promovida a continuadora do governo mais popular da história do país. Esses 15 minutos de gloria serão sucedidos pela ostracismo, pela intranscendência. Depois de usada, sem resultados, pela direita, Marina voltará ao isolamento, o suposto projeto verde, depois de confirmado o amálgama eleitoreiro que o articulou, desaparecerá, deixando cadáveres políticos pelo caminho.

Tribuna do torcedor (52)

Por José Maria Vieira (jmvieirajr@gmail.com)

Tenho acompanhado o papão em todos os jogos da Terceirona. Torço muito para que o Papão suba e creio que só o próprio Papão poderá tirar a vaga na Série B e explico porque neste e-mail:  
1) Postura excessivamente defensiva em Salgueiro. De fato, temo que baixe o Giba no Charles e o Papão cometa o engano de jogar defensivamente, sem a ambição de marcar gols. Nessa fase, marcar gols na casa do adversário é meio caminho andado para a classificação, sem dizer que evitar de marcar lá é expor-se ao risco de levar um gol aqui o que obrigaria o Papão a ter de fazer dois gols de diferença. (vide o caso do remo que se apequenou e deu no que deu);
2) má escalação: Bosco é titular na lateral direita e Aldivan é titular na esquerda. Se não puder jogar o Bosco, acho que daria certo com o Marquinhos que vem jogando e, apesar de falhar muito nas finalizações, tem demonstrado uma capacidade de marcação e solidariedade em campo muito grande, demonstrando que se não é o camisa 10 do time, pode colaborar de outra forma, mas não é correto o treinador ver que o Marquinhos não sabe finalizar e não trabalhar isso com ele ou adptar o jogador ao time. Na esquerda, se não der o Aldivan, vai de Edinaldo mesmo.
3) Meio campo: Gerson, no meio não tem jeito: é Sandro e mais 3. Para mim o Tácio é bom, mas juntar ele, o Sandro, Marquinhos e Alexandre Carioca é fechar demais o meio. Então se jogar o Marquinhos na lateral, aí vale o Alexandre (que para mim deveria ser o titular no lugar do Tácio) no lugar do Marquinhos junto com o Sandro.
4) No ataque. Infelizmente, temos de tocar em um assunto delicado: ao contrário do Marquinhos, o nosso goleador Bruno Rangel é um jogador pouco solidário (para não dizer que ele é o maior sanguessuga que já vi passar pela curuzu). Meu deus do céu, será que o Charles não coloca os videotapes pros jogadores para eles verem o que há de errado com o time? Será que o treinador não fala com o Bruno que ele pderia correr um pouco mais? Se esforçar mais emcampo? Esse menino Bruno teria feito pelo menos mais uns 5 gols se fosse mais esforçado porque é bom de bola, mas parado, com a indolência até de sua postura ele acaba atrapalhando o Paissandu. O gol que ele perdeu contra o Fortaleza é a fotografia clara de sua má vontade de chutar a bola, de correr atrás dela… sem falar que, paradão, quase verminoso, deixa de combater a saída de bola que poderia resultar em várias roubadas. O Tiago Potguar, aliás, é que corre por ele… Por isso, acho que o Charles poderia insistir com o Fernandão, até para fazer sombra ao Bruno.
No mais, caro Gerson, espero com ansiedade o jogo em Salgueiro para o Papão confirmar de vez esse favoritismo… isso (repito) se não fizermos que nem o Remo, que se apequenou. 

Héliton e Samir podem acertar com o Papão

Os atacantes Samir e Héliton, que defendiam o Remo, podem acertar transferência para o Paissandu ainda nesta semana. Samir tem conversado com os dirigentes do clube desde que o Remo foi eliminado da Série D e Héliton entrou na mira do Papão depois que o técnico Charles elogiou o azulino, que pode ir para a Curuzu por empréstimo. Representantes do jogador reúnem hoje à tarde com dirigentes alvicelestes e o acerto pode ser definido. Héliton seria o substituto de Moisés, para fazer dupla de ataque com Bruno Rangel.

McCartney confirma shows no Brasil

Agora é pra valer. A assessoria do São Paulo Futebol Clube confirmou, nesta segunda-feira, que negocia shows da turnê “Up and Coming” de Paul McCartney para os dias 21 e 22 de novembro no Estádio do Morumbi, em São Paulo. Além do possível show do ex-Beatle, também acontecem no Morumbi shows de Bon Jovi (6/10), Rush (8/10), e Black Eyed Peas (4/11).

As negociações com a produtora do evento, a Planmusic, de Luiz Oscar Niemeyer, já estariam em fase final. A confirmação oficial é esperada até o fim desta semana, após uma longa espera dos fãs brasileiros. Em setembro, o jornal argentino “Clarín” adiantou que o ex-Beatle incluiria São Paulo em uma turnê pela América Latina. Também são esperados dois shows de McCartney em Buenos Aires, nos dias 14 e 15 de novembro. (Com informações da Folha SP)

Coluna: Camisa 10 em boas mãos

Domingo sem futebol em Belém é algo tão fora de propósito que obriga os fanáticos por bola a buscar abrigo nas transmissões da TV. Sem saída, abusei do controle remoto. Vi dois jogos no sábado e mais três ontem, além de inúmeros pedaços de pelejas que não me despertaram maior interesse. De tudo o que foi possível acompanhar, chamou minha atenção a saudável quantidade de bons usuários da camisa 10 (embora alguns deles nem usem o número místico) em ação no futebol brasileiro.
Cinco deles mostraram como se deve jogar, usando o repertório que só o talento concede. Embora nem sempre contem com boas parcerias, fizeram o que era possível, nas circunstâncias, em prol de seus times. Com dribles, passes, lançamentos e gols, foram quase sempre decisivos. De bom, a constatação de que os artistas continuam a brilhar. De preocupante, o fato de que quatro deles são estrangeiros.
O Palmeiras, apesar do jeito tosco de correr em campo, reapresenta Valdívia aos brasileiros. Curiosamente, a bola o procura quase que por dever de ofício. Depois de bastante maltratada por Pierres e Danilos, chega aos pés do chileno e se rende por completo, dócil e terna. Graças a ele – e a Kleber –, o time de Felipão passou sem sobressaltos pelo Flamengo, que só teve lampejos de lucidez quando Petkovic entrou, a 20 minutos do fim.
No líder Fluminense, o argentino Conca é o principal expoente há pelo menos dois anos. Utilíssimo para o time, de estilo quase econômico, provou sua eficácia no triunfo sobre o Vitória. Além de elaborar as principais jogadas tricolores, ainda se incumbiu de fazer o gol em pênalti que foi cometido pelo paraense Vanderson. 
Em equipe recheada de figurões, incluindo Deco, que brilhou no Barcelona e na seleção portuguesa, Conca confirma a velha história de que um time se estrutura a partir de um meia-armador. Tudo começa e acaba naquele espaço do campo onde a habilidade dita as regras.  
Outro argentino, menos discreto e bem mais famoso, também segue fazendo das suas. D’Alessandro, maestro do Internacional, foi o dono da bola no Beira-Rio, distribuindo lançamentos e de vez em quando aparecendo pelo lado direito do ataque. Participou diretamente de dois gols do Colorado e conseguiu encontrar espaços, com as habituais fintas curtas, mesmo depois que Elias passou a vigiá-lo de perto.
Do lado corintiano, Bruno César marcou um gol (de pênalti) e mandou dois chutes na trave. Não estava inspirado como D’Alessandro, mas apareceu com muito perigo sempre que se aproximou da área. Jovem ainda, tem muito a evoluir, mas está entre os melhores da competição. 
 
 
Moisés embarcou ontem para São Paulo, a fim de se incorporar em definitivo ao elenco do Santos. A saída de Dorival Junior, após desentendimento com Neymar e a diretoria do Peixe, podem atrapalhar o começo do atacante paraense na Vila Belmiro. Indicação do ex-técnico, terá que se adaptar à nova situação e aguardar a chegada do novo comandante da equipe. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 27)