Tonhão confirma candidatura no Remo

Os embates eleitorais também agitam os arraiais remistas. Até a semana passada, três nomes eram cogitados para a disputa presidencial no clube. Pedro Minowa, eterno postulante, lançou sua candidatura ainda no ano passado. Além dele, Benedito Wilson Sá também deve se candidatar. Havia, ainda, a cogitada chapa de Sérgio Cabeça Braz, apoiado por um grupo de conselheiros e grandes beneméritos que se opõem hoje a AK e ao projeto de desmanche do patrimônio azulino. No fim de semana, uma reviravolta: Antonio (Tonhão) Carlos Teixeira, que já foi vice-presidente e diretor do Remo, anunciou sua candidatura, atendendo a apelos do grupo de Sérgio Cabeça, que deverá compor a diretoria caso a chapa seja vitoriosa. Com o clube dividido pela polêmica transação do estádio Evandro Almeida, espera-se uma das campanhas mais acirradas dos últimos tempos.

Estadão inventa presença de Serra em comício

No último dia 20, antes de declarar publicamente seu apoio a Serra, a Agência Estado, uma das empresas do Estadão, publicou que a passagem de Serra por um comício no Tocantins reuniu 20 mil pessoas. O tucano reunir tanta gente já é estranho, mas a matéria tropeçou num “pequeno” erro: Serra nem tinha viajado ao Tocantins devido ao mau tempo em São Paulo. Outro “detalhezinho” à toa é que a notícia foi divulgada pela agência às 13h07, duas horas antes do início do evento. E lá estava escrito que a passagem de Serra durou menos de quatro horas e chegou a reunir 20 mil pessoas. Esse é o jornalismo de premonição praticado por um dos principais jornais do país. Antes mesmo do fato, a matéria já estava pronta, com destaque para o protagonista que faltou e até o público presente. Só faltaram aspas do Serra atacando Lula ou Dilma, que poderiam ser aproveitadas de qualquer outra matéria ou do editorial que ainda viria.

A Agência Estado é uma agência de notícias poderosa e o material que produz é comprado por muitos jornais e portais em todos o país. Não se sabe quantos reproduziram sua notícia fictícia, que chegava a descrever detalhes, como o de que mais de 100 prefeitos do estado, além de senadores, ficaram “em torno do tucano” para comício e carreata. É o primeiro caso de comício por projeção holográfica da história, ou então o Serra mandou seu ectoplasma lá para o Tocantins.

O diretor de redação do Estadão em Brasília, João Bosco Rabelo, disse ao site Comunique-se que a matéria foi publicada por acidente, em função de uma falha no sistema de publicação. Que coincidência, não é? Segundo o jornalista, o que a Agência Estado faz na cobertura de eventos que podem ultrapassar o deadline (qual será o deadline de uma agência que fica 24 hhoras no ar?) é apurar todas as informações possíveis e redigir um texto bruto, que fica arquivado no sistema de captação, em uma gaveta chamada “Prévia”. Após o término do evento, o mesmo repórter entra em contato com a redação para dar as informações adicionais.

Só que a agência do Estadão publicou a tal prévia antes mesmo do evento começar. O diretor de redação da sucursal de Brasília disse que a situação descrita no texto era verdadeira. “O texto que a repórter mandou no fim da tarde era praticamente o mesmo, apenas dizia que o Serra não esteve lá”. O que o Estadão chamou de acidente só foi corrigido porque o site de Ciro Gomes publicou a mancada. Quatro horas e meia após o erro crasso, a Agência Estado publicou nota dizendo que Serra não esteve em Tocantins devido ao mau tempo que fazia em São Paulo. Às 21h09, segundo o Comunique-se, a Agência Estado reconheceu o erro, que classificou como “técnico”. (Do blog Tijolaço)

Palmeiras emporcalha vestiários do Engenhão

Vestiários do estádio Engenhão, logo depois da passagem do time do Palmeiras por lá. Jogadores e comissão técnica do Palestra fizeram jus, mais do que nunca, ao carinhoso apelido de “porcos”. Diretoria do Botafogo divulgou as imagens e deve solicitar providências à CBF. No fundo, trata-se daquela velha máxima: cada um dá o que tem…

A frase certeira

“Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula. É uma guerra contra os pobres que estão se libertando. Eles não temem o pobre submisso. Eles têm pavor do pobre que pensa, que fala, que progride e que faz uma trajetória ascedente como Lula. Trata-se, como se depreende, de uma questão de classe. Os de baixo devem ficar em baixo. Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o Presidente de todos os brasileiros. Isso para eles é simplesmente intolerável”.

De Leonardo Boff, sobre o debate em torno de liberdade de expressão e oposição sistemática da velha imprensa a Lula. 

Coluna: No reino do faz de conta

Há sempre muita gente disposta a descobrir a pólvora quando o assunto é futebol. Como este é o país da bola, todos se acham em condições de dar um palpite. Na hora de escalar a Seleção aparece uma infinidade de técnicos. O mesmo ocorre quando se discute arbitragem e marcações polêmicas. Todos têm aquela velha opinião formada, embora a maioria não tenha qualquer expertise ou conhecimento de causa.
Entre nós, floresce o debate sobre um novo tema, em voga desde que se começou a falar da atribulada negociação do estádio Evandro Almeida pela atual diretoria do Clube do Remo: o rombo financeiro dos clubes. Como de praxe, muitos se arvoram a formular diagnósticos e até mesmo a receitar o remédio supostamente mais adequado.
Caso fosse equação simples de resolver, os principais clubes brasileiros não viveriam a situação aflitiva de sempre. Sim, porque as dívidas existem há décadas, acumulando-se a cada nova gestão. Como não há milagre possível, os prejuízos crescem e todos preferem fingir não ver o grande monstro instalado na sala.
Sem exceção, todos os integrantes do Clube dos 13 – que congrega a fina flor do futebol profissional no país – convivem com orçamentos estourados e contas em total descontrole. Pode-se afirmar, sem susto, que o futebol brasileiro faliu há muito tempo, vítima de desmandos e roubalheiras. Para sobreviver, vale-se hoje do jeitinho e das gambiarras, que permitem ir enrolando os credores e driblando as cobranças judiciais.
Os grandes do Rio de Janeiro lideram o ranking do calote. Respondem por mais de R$ 1,8 bilhão em dívidas. Os paulistas vêm logo atrás, com mais de R$ 1,4 bilhão. Gaúchos, mineiros e paranaenses complementam a nau dos endividados. Inter, Cruzeiro, S. Paulo e Corinthians, os mais prósperos, conseguem respirar porque estabilizaram suas contas. Fazem negócios de vulto, negociam jogadores, arranjam patrocínios. Mas, apesar disso, o débito principal continua intocado.  
Em qualquer outro ramo, todos seriam empresas em extinção. A diferença é que o futebol, apesar de movimentar rios de dinheiro, não é um negócio qualquer – é uma manifestação cultural. Seu valor real não pode ser aferido exclusivamente na moeda vigente. Que ninguém duvide: a situação dos clubes permanecerá assim por muito tempo ainda, até que a conta fique insuportavelmente alta ou que, de repente, ocorra um milagre capaz de içar todos ao paraíso. Como nas fábulas do reino da carochinha. 
Desgraçadamente (para os remistas), o Remo é um caso único de clube nacional disposto a liquidar todas as suas pendências de uma tacada só, desfazendo-se do próprio patrimônio sob condições aviltantes. Nenhuma outra agremiação topou pagar fatura tão draconiana, até por entender que o poço não tem fundo. Todos os demais clubes, a maioria devendo até mais que o Leão Azul paraense, sabem que conviver com as dívidas faz parte das regras do jogo. O resto é lorota de vendedor – ou corretor.  

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 26)