Rei de Copas: jornal Extra ironiza Lula

Por Anderson Scardoelli, do Comunique-se

Com o título “Denúncias irritam presidente e liberdade de imprensa vira alvo de ataques”, a capa desta sexta-feira (24/9) do jornal Extra, pertencente a Infoglobo, ganhou destaque na internet. A edição de hoje do diário carioca ironiza as críticas que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez à imprensa brasileira. A capa traz a imagem de um Rei de Copas, carta do baralho, personalizado de Lula. No caso, o Presidente da República está enfiando uma espada na própria cabeça. O tom irônico do texto anuncia que “a manchete é para quem acha que o papel da imprensa é bajular os donos do poder”, devido as declarações que o presidente tem feito aos veículos de comunicação do Brasil. “A imprensa brasileira deveria assumir categoricamente que ela tem um candidato e tem um partido, que falasse. Seria mais simples, seria mais fácil. O que não dá é para as pessoas ficarem vendendo uma neutralidade disfarçada”, disse Lula, na tarde de quinta-feira (23/9). No Twitter, a mensagem “Jornal Extra” figura entre os Trending Topics Brasil, como um dos assuntos mais comentados do país no microblog.

Paissandu empata com Time Negra

Em amistoso realizado na noite desta sexta-feira, no estádio da Curuzu, o Paissandu empatou com o Time Negra por 1 a 1. Ferreirinha abriu o placar para o Time Negra, aos 44 minutos do primeiro tempo. Rogério Corrêa empatou aos 24 do 2º. Ainda no primeiro tempo, o atacante Ferreirinha sofreu contusão grave, desmaiou em campo e teve que ser conduzido de ambulância para um hospital, onde foi atendido. Logo depois do jogo, a diretoria do Paissandu anunciou o cancelamento do amistoso com a Tuna, que estava programado para a manhã deste domingo. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

Quais as chances de “Lula” no Oscar?

Por Inácio Araújo

A primeira reação pode ser paranóica: se “Lula, o Filho do Brasil” vai ao Oscar (enfim: é indicado pelo Brasil para concorrer) seria por interferência política etc. Duvido. Entre os que concorreram à indicação é o com melhores condições de emplacar no Oscar de filme estrangeiro. Primeiro, aborda um personagem reconhecível universalmente.

Mais, que faz unanimidade fora do Brasil como pessoa admirada, antes de tudo, por sua trajetória pessoal. Aqui, apesar de ser um presidente muito popular, há muitas pessoas que fazem ressalvas a Lula em vários níveis, do cultural ao político.

Esse aspecto emocional (e que nos dias atuais chega à demência, o que é de certo modo compreensível) inexiste no exterior. E é essa trajetória de vida que o filme, aliás, explicita, da infância até os tempos de sindicalismo em São Bernardo e ao combate à ditadura. Portanto, é também uma história de vencedor.

Pode até não ser o ideal para levar o Oscar ou, eventualmente, chegar a ele (causas humanísticas mais genéricas são sempre muito bem vistas), mas é de longe o melhor que temos. Eu diria que é o melhor que temos desde “Central do Brasil” como concorrente. Alguém poderá dizer que “Cinco Vezes Favela” tem a vantagem de ser feito por jovens da própria favela etc. Mas isso é muito abstrato. O Oscar não gira em torno disso.

Pode-se sempre alegar que “Lula” é quadrado como “Gandhi” (e bem produzido, guardadas as proporções devidas). Mas isso é preocupação de crítico, não de eleitor do Oscar. Só para efeito de lembrança, “Gandhi” ganhou oito Oscars em 1982.

As muitas histórias de Adolpho Bloch

Por Maurício Stycer

Ainda não é, como observa Carlos Heitor Cony, a “biografia definitiva”, aquela que fixará a imagem de Adolpho Bloch (1908-1995). Mas “Seu Adolpho” (editora Vermelho Marinho, 264 págs., R$ 29,90), de Felipe Pena, apresenta novos elementos que ajudam não apenas a visualizar melhor o criador do grupo Manchete como também, repetindo palavras de Cony, a conhecer um pouco mais o Brasil da segunda metade do século 20. É o terceiro livro sobre o mesmo assunto publicado em pouco menos de dois anos. Em novembro de 2008, saíram “Aconteceu na Manchete – As histórias que ninguém contou”, com depoimentos de vários jornalistas sobre o cotidiano nas publicações do grupo, e “Os Irmãos Karamabloch – Ascensão e queda de um império familiar”, de Arnaldo Bloch, que narra a saga da família, de Jitomir, na Ucrânia, ao Rio de Janeiro.

“Seu Adolpho” coloca em prática uma teoria de Felipe Pena, que ele chama de “biografia sem fim”. A história de Adolpho Bloch é relatada na forma de “causos”, ou “fractais”, como ele prefere, agrupados por assuntos. Segundo a sua proposta, a biografia não se encerra neste livro, mas seguirá ganhando novas edições na medida em que novos depoimentos surgirem e acrescentarem detalhes originais à trajetória do personagem. Pena monta o seu quebra-cabeça a partir de uma série de biografias (David Nasser, Nelson Rodrigues, Samuel Wainer) que trataram de Bloch como personagem secundário, de diferentes estudos sobre a imprensa brasileira,  e ainda  colhe alguns depoimentos de pessoas que estiveram próximas ao criador da Manchete em diferentes momentos de sua carreira.

O publicitário Lula Vieira, por exemplo, conta ao autor que Adolpho Bloch queria que a TV Manchete, ao apresentar sua tabela de preços de publicidade, oferecesse também a opção de pagamento para a divulgação de reportagens. Diante da negativa do profissional, Bloch observou: “Mas isso não é mais honesto? Em vez de defender um ou outro anunciante, cobramos logo pela matéria”.

Cony, tido por muito tempo como “ghost writer” de Bloch, ao lado de Otto Lara Resende, redefine seu papel nas publicações do patrão. Na verdade, diz ele, apenas colocava em português correto o que Bloch dizia em sua mistura de russo, iídiche e carioquês com sotaque: “Somos datilógrafos de luxo para um estrangeiro com dom narrativo e bom gosto literário”, garante Cony. A célebre desfaçatez de Bloch ao lidar com credores, sua reverência aos políticos e as folclóricas relações de amor e ódio com seus funcionários ganham novas cores nos depoimentos que formam “Seu Adolpho”. Fernando Barbosa Lima relata o encontro do empresário com Itamar Franco e um ministro. “Eu apoio Itamar, ele tem que me ajudar”, diz Bloch a Barbosa Lima. Ao final do encontro, o presidente diz: “Ministro, tire o pé do acelerador que o Bloch é meu amigo”.

Pena reconta a história do dia em que Bloch é interrompido durante a soneca pós-almoço com a notícia que o presidente João Goulart e seu assessor Raul Riff o aguardam na portaria da empresa. Para surpresa do chefe da copa, ele manda arrumar a mesa novamente. “A vida me ensinou a almoçar tantas vezes quanto forem necessárias”, ensina. “Seu Adolpho” acrescenta, assim, novos elementos ao já vasto anedotário de Bloch. Fiel ao princípio da “biografia sem fim”, não apresenta nenhuma conclusão sobre o personagem. Para um leitor mais exigente, a divertida leitura não faz desaparecer a sensação de que ainda há muitas lacunas nesta história.