Giba critica o Remo e diz que faria tudo de novo

Não é mistério para ninguém que o Remo está mergulhado numa crise sem precedentes. Fora de campo, convive com as suspeitas que cercam a confusa venda do estádio Evandro Almeida. No futebol, o time foi eliminado do Brasileiro da Série D pelo modesto Vila Aurora (MT). Nesta quarta-feira, os dirigentes abriram o processo de rescisões amigáveis com os jogadores. Ao mesmo tempo, o técnico Giba apareceu no clube para se despedir. Antes, falou com os jornalistas e disse que todos os atletas do elenco tiveram chances iguais no time titular. Garantiu, ainda, que repetiria todo o trabalho feito.

De quebra, comentou que seu longo jejum de títulos deve-se ao fato de que, nos últimos tempos, optou por dirigir times em situações ruins. “O Remo está como um carro atolado. Metade empurra pra frente, e outra metade para trás. Não vejo que os jogadores falharam. Pelo que conheço de futebol, esse é o pior momento da história do Remo”, avaliou, sem admitir as muitas falhas cometidas durante a campanha na Série D. (Com informações do Bola e da Rádio Clube)

Tribuna do torcedor (49)

Por Marcos Moraes (marcomoraes6@yahoo.com.br)

Bom dia Gerson, como os demais remistas da cidade fica a indignação pelo momento do Remo na atual gestão desse senhor cujo nome não é digno de ser falado. Mais ainda: acreditamos que ele nem remista é. Não sei qual o destino do Baenão, símbolo maior da entidade centenária do Pará. Então fica aqui meu pedido ao amigo para que divulgue esse ato de protesto que queremos fazer ao redor do nosso glorioso Baenão. Por meio de sua coluna convoco a toda torcida remista a fazermos um ato de amor pelo estádio com uma corrente humana de torcedores em frente ao Baenão. Convidamos associados, conselheiros e beneméritos que estão contra  essa loucura doentia do presidente de vender de qualquer maneira o nosso patrimônio. De um local hipervalorizado em pleno centro de Belém para uma arena a ser contruída em terrenos de cemitérios ou lixões? Não queremos isso. Queremos dirigentes com ideias que possam não só pagar essas dívidas de outra forma  mas, também, fazer do Baenão um local onde os adversários venham sentir a verdadeira força do torcedor do Remo. Ainda há tempo de interromper esse saque ao patrimônio do clube. Movimento Fora Klautau, Fica Baenão!

Coluna: Entre o cemitério e o lixão

Termina como começou, em meio a zonas de sombras e informações desencontradas, o processo de venda do estádio Evandro Almeida. Fiel à conduta adotada desde que lançou o projeto de desmanche do maior patrimônio do Remo, o presidente Amaro Klautau recorreu ontem, outra vez, à imagem do “salvador da pátria” para justificar o negócio de R$ 33,2 milhões pela mais valorizada área do centro de Belém.
AK garante que vender o Baenão é a única saída, mesmo que por quantia abaixo da cotação de mercado – o terreno de 27 mil metros quadrados vale, pelo menos, R$ 20 milhões a mais, segundo consultores de imóveis.
O dirigente compareceu à Justiça do Trabalho para entregar um memorial descritivo de feições fictícias: descreve uma obra indefinida, de localização incerta e não sabida. Segundo boatos, o cartola já teria deslocado o novo estádio das cercanias de um cemitério em Marituba para a beira do Lixão do Aurá. Nada mais simbólico da triste situação vivida pela agremiação.
Nenhuma área, porém, foi confirmada. AK faz mistério, como se não estivesse em jogo a própria sobrevivência do clube. Visitada pelos repórteres do Bola e da Rádio Clube, a propriedade especulada não reúne condições mínimas de abrigar um estádio de futebol. Tomada pelo mato, fica na estrada do Aurá, a 2 quilômetros da rodovia BR-316.
É pouco provável que ao presidente do Remo, que deixa o cargo no fim do ano, interesse o aproveitamento do terreno a ser adquirido. Pelo que demonstrou até aqui, deixando de cumprir acordos trabalhistas para forçar a execução da dívida nos termos atuais, AK só alimenta uma obsessão: concluir, a qualquer preço, o acerto com as incorporadoras. 
Para cumprir o prazo estabelecido pela Justiça do Trabalho, o esboço de documento – fundamental para sacramentar a venda – foi apresentado, mas será avaliado tecnicamente e, segundo engenheiros consultados pela coluna, é pouco provável que seja aceito nos precários termos atuais.
Em meio às inverdades, marchas e contramarchas alimentadas pela direção do Remo, o improvisado memorial só reafirma o caráter nebuloso de um negócio que deveria ser o mais transparente possível. A caótica escalada de números é o maior exemplo disso: o primeiro documento assinado pela construtora Agre/Leal Moreira estabelecia 24,5 mil espectadores para a arena. O próprio presidente rebaixou para 22 mil em junho. Há semanas, nova redução: AK passou a falar em 15 mil lugares.
 
Ao contrário da alegada pindaíba, AK chora de barriga cheia. Na verdade, nenhum outro cartola desfrutou de tantos patrocínios no Remo. Só da TV Cultura, para transmissão de jogos, recebe R$ 1.150.000,00 anuais. Mais R$ 720 mil do Banpará, R$ 960 mil da Yamada e R$ 360 mil da Cerpa perfazem a respeitável soma anual de R$ 3,1 milhões. E há, ainda, a verba de R$ 150 mil, doada pela Prefeitura de Belém para reforma do ginásio Serra Freire, cujo desvio até hoje não foi esclarecido.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 15)