Papão escapa de goleada, mas mantém 1º lugar

O Paissandu caiu por 3 a 1 frente ao Rio Branco, neste domingo, no estádio Arena da Floresta. Com 15 pontos, a equipe se manteve em primeiro lugar na chave e vai decidir contra o Salgueiro, dentro de casa, seu retorno à Série B. Desde os primeiros movimentos, o Rio Branco dominou a partida, marcando forte e envolvendo o Paissandu. Logo aos 18 minutos, Juliano César, de cabeça, abriu o placar. O estreante Lúcio sentiu fisgada no músculo da coxa e teve que ser substituído antes dos 20 minutos. O técnico Charles Guerreiro o substituiu pelo atacante Fernandão. Apenas alguns minutos depois de entrar, Fernandão acertou um adversário por trás e foi expulso. O Rio Branco, que já era superior, ficou inteiramente à vontade. No lance do segundo gol, Juliano César fintou o lateral Bosco e bateu no canto esquerdo de Fávaro.

Depois do intervalo, o Paissandu mostrou outra disposição e quase diminuiu logo de cara, através de Fabrício. Mas, numa falha de marcação, o atacante Marcelo Brás invadiu a área e assinalou o terceiro gol. A apatia do time paraense deu a impressão de que o Rio Branco conseguiria se vingar da goleada de 6 a 2, em Belém, na primeira rodada da Série C. Os acreanos continuaram pressionando e perderam várias chances de ampliar o marcador. Até que, aos 34 minutos, em cobrança de pênalti, Bruno Rangel diminuiu para 3 a 1. Com 7 gols, Rangel é o artilheiro isolado da competição. Apenas 543 torcedores pagaram ingresso para ver a partida. (Fotos: TARSO SARRAF/Bola)

Série C: Águia empata e conquista vaga à 2ª fase

O Águia de Marabá empatou com o Fortaleza (1 a 1) e conquistou a segunda vaga do grupo A da Série C e se classificou para enfrentar o ABC de Natal na próxima fase. O jogo foi realizado no estádio Zinho Oliveira na tarde deste domingo e os gols surgiram no segundo tempo. Tatu marcou para os cearenses e Torrô aproveitou rebote do goleiro Douglas para empatar, aos 34 minutos. Apesar da necessidade de vitória, o Fortaleza adotou uma postura cautelosa durante todo o primeiro tempo, evitando se expor na zaga. O time voltou mais ofensivo na etapa final e perdeu duas boas chances, antes de marcar, através de Tatu. Ainda no primeiro tempo, por agressão, os jogadores Finazzi (Fortaleza) e Ari (Águia) foram expulsos de campo. (Foto: GERALDO AMARAL/Bola)

Paissandu briga pela primeira colocação geral

O Paissandu realizou treinamento leve, para desintoxicação e movimentação dos atletas, no sábado à tarde, no campo da Federação Acreana de Futebol. Sem problemas na equipe, Charles manteve a escalação definida desde Belém, com Romeu no meio-campo e o estreante Lúcio fazendo dupla com Bruno Rangel no ataque. Caso vença o Rio Branco neste domingo à tarde, o Paissandu fecha a primeira fase do Brasileiro da Série C na primeira colocação geral da competição. (Fotos: TARSO SARRAF/Bola)

Coluna: As boas chances do Águia

Na hora decisiva, o Águia talvez não possa contar com três peças que vinham alavancando a boa campanha na Série C: Diego Biro, cuja presença no meio-campo deu consistência e força ao setor; Daniel, volante de bom passe; e Felipe Mamão, artilheiro do time, vivendo grande fase técnica. Para o duelo com o Fortaleza, o técnico João Galvão deve substituí-los por Jaime, Cleuber e Samuel, mas essas ausências forçam o time a ter postura diferente.
Jaime cadencia o jogo, faz lançamentos e busca aproximação com os atacantes. Diego Biro reforça a marcação e bloqueia melhor. Com ele, o time fica mais rápido. Cleuber tem estilo mais marcador. No ataque, a diferença de estilos é quase imperceptível (Samuel é mais fixo, Felipe sai bastante da área para buscar jogo), mas o entrosamento do titular com Torrô é um dos importantes trunfos do Águia.
Caso seja necessário, em função de alguma necessidade momentânea, Tiago Marabá é alternativa tanto para o meio-campo quanto para entrar no ataque. Por característica, o Águia ataca sempre. Raramente, se acomoda a esperar o adversário. Mas, como o empate lhe convém, Galvão talvez tenha que ceder à cautela como estratégia. De toda sorte, um confronto com alto grau de dificuldade, mas o Águia parece mais preparado. 
 
 
Em Rio Branco, o Paissandu só vai cumprir tabela. Com seus principais jogadores (Tiago Potiguar e Sandro) providencialmente poupados da canícula prevista para o momento do jogo – expectativa de temperatura beirando os 40 graus, com sensação térmica de 14h – Charles tem a chance de observar outros valores do elenco, entre os quais o bom volante Romeu, revelado nas divisões de base do Remo. Para não dizer que o jogo é amistoso, o Papão tem motivação especial: quebrar, finalmente, o incômodo tabu de quatro anos sem vencer fora do Estado. Chance melhor que esta dificilmente vai aparecer ainda em 2010.  
 
 
Diante da demora na definição do terreno da futura Arena do Leão, não acontecerá mais na terça-feira (21) a homologação do acordo de venda do Evandro Almeida, conforme previa o cronograma da negociação mediada pela Justiça do Trabalho. Para tentar recuperar o tempo perdido, na sexta-feira, o presidente Amaro Klautau anunciou às pressas que a área do novo estádio já está praticamente comprada. Depois de um mistério que durou cerca de dois meses, soube-se finalmente que o terreno fica mesmo no bairro Anita Gerosa (ex-Aurá), em Marituba, como a coluna antecipou desde maio, semanas antes da Copa do Mundo.
Fustigado pelas críticas ao negócio, AK garante que a arena ficará longe da rodovia BR-316 e bem distante dos odores do lixão, seu malsinado vizinho. Há controvérsias. Aliás, a opção por local tão ermo pode custar muito caro ao ambicioso projeto imobiliário do dirigente.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 19)

“Cemetery Junction”, uma bela surpresa

Uma comédia despretensiosa, mas carregada das citações pop dos anos 70 e rica em humor britânico, “Cemetery Junction” (Reino Unido, 2010) é uma agradável surpresa para quem ainda acredita que o cinema possa ser entretenimento de qualidade. Vi o filme em dvd (“Caindo no Mundo” é o título em português) e gostei muito. Não é uma superprodução, mas acaba surpreendendo positivamente. A história é daquelas que o cinema já mostrou tantas vezes, com jovens de uma pequena cidade (Reading) em busca de um rumo para a vida monótona. Quase excluídos, vindos de famílias pobres, o trio de amigos que domina a trama passa por várias aventuras cotidianas, às vezes engraçadas, outras nem tanto. Todos vão aprendendo a lidar com o mundo, sob o olhar sempre generoso da direção de Rick Gervais (que representa o pai de um dos rapazes) e Stephen Merchand. A atmosfera pós-movimento hippie é pontuada por uma trilha sonora arrasadora, que mistura Led Zeppelin, Mott The Hoople, T-Rex, David Bowie e Roxy Music. Grandes atuações de Tom Hughes (Bruce), Emily Watson, Ralph Fiennes, Christian Cooke, Felicity Jones, Jack Doolan e Matthew Goode. 

Pensata: Fim do ciclo de soberania da velha mídia

Por Luis Nassif

Dia após dia, episódio após episódio, vem se confirmando o cenário que traçamos aqui desde meados do ano passado: o suicídio do PSDB apostando as fichas em José Serra; a reestruturação partidária pós-eleições; o novo papel de Aécio Neves no cenário político; o pacto espúrio de Serra com a velha mídia, destruindo a oposição e a reputação dos jornais; os riscos para a liberdade de opinião, caso ele fosse eleito; a perda gradativa de influência da velha mídia.

O provável anúncio da saída de Aécio Neves  marca oficialmente o fim do PSDB e da aliança com a velha mídia carioca-paulista que lhe forneceu a hegemonia política de 1994 a 2002 e a hegemonia sobre a oposição no período posterior.

Daqui para frente, o outrora glorioso PSDB, que em outros tempos encarnou a esperança de racionalidade administrativa, de não-sectarismo, será reduzido a uma reedição do velho PRP (Partido Republicano Paulista), encastelado em São Paulo e comandado por um político – Geraldo Alckmin – sem expressão nacional.

Fim de um período odioso

Restarão os ecos da mais odiosa campanha política da moderna história brasileira – um processo que se iniciou cinco anos atrás, com o uso intensivo da injúria, o exercício recorrente do assassinato de reputações, conseguindo suplantar em baixaria e falta de escrúpulos até a campanha de Fernando Collor em 1989.

As quarenta capas de Veja – culminando com a que aparece chutando o presidente – entrarão para a história do anti-jornalismo nacional. Os ataques de parajornalistas a jornalistas, patrocinados por Serra e admitidos por Roberto Civita, marcarão a categoria por décadas, como símbolo do período mais abjeto de uma história que começa gloriosa, com a campanha das diretas, e se encerra melancólica, exibindo um  esgoto a céu aberto.

Levará anos para que o rancor seja extirpado da comunidade dos jornalistas, diluindo o envenenamento geral que tomou conta da classe. A verdadeira história desse desastre ainda levará algum tempo para ser contada, o pacto com diretores da velha mídia, a noite de São Bartolomeu, para afastar os dissidentes, os assassinatos de reputação de jornalistas e políticos, adversários e até aliados, bancados diretamente por Serra, a tentativa de criar dossiês contra Aécio, da mesma maneira que utilizou contra Roseana, Tasso e Paulo Renato.

O general que traiu seu exército

Do cenário político desaparecerá também o DEM, com seus militantes distribuindo-se pelo PMDB e pelo PV. Encerra-se a carreira de Freire, Jungman, Itagiba, Guerra, Álvaro Dias, Virgilio, Heráclito, Bornhausen, do meu amigo Vellozo Lucas, de Márcio Fortes e tantos outros que apostaram suas fichas em uma liderança destrambelhada e egocêntrica, atuando à sombra das conspirações subterrâneas.

Em todo esse período, Serra pensou apenas nele. Sua campanha foi montada para blindá-lo e à família das informações que virão à tona com o livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr e da exposição de suas ligações com Daniel Dantas. Todos os dias, obsessivamente, preocupou-se em vitimizar a filha e a ele, para que qualquer investigação futura sobre seus negócios possa ser rebatida com o argumento de perseguição política.

A interrupção da entrevista à CNT expôs de maneira didática essa estratégia que vinha sendo cantada há tempos aqui, para explicar uma campanha eleitoral sem pé nem cabeça. Seu argumento para Márcia Peltier foi: ocorreu um desrespeito aos direitos individuais da minha filha; o resto é desculpa para esconder o crime principal. Para salvar a pele, não vacilou em destruir a oposição, em tentar destruir a estabilidade política, em liquidar com a carreira de seus seguidores mais fiéis.

Mesmo depois que todas as pesquisas qualitativas falavam na perda de votos com o denuncismo exacerbado, mesmo com o clima político tornando-se irrespirável, prosseguiu nessa aventura insana, afundando os aliados a cada nova pesquisa e a cada nova denúncia. Com isso, expôs de tal maneira a filha, que não será mais possível varrer suas estripulias para debaixo do tapete.

A marcha da história

Os episódios dos últimos dias me lembram a lavagem das escadarias do Senhor do Bonfim. Dejetos, lixo, figuras soturnas, almas penadas, todos sendo varridos pela água abundante e revitalizadora da marcha da história. Dia após dia, mês após mês, quem tem sensibilidade analítica percebia movimentos tectônicos irresistíveis da história.

Primeiro, o desabrochar de uma nova sociedade de consumo de massas, a ascensão dos novos brasileiros ao mercado de consumo e ao mercado político, o Bolsa Família com seu cartão eletrônico, libertando os eleitores dos currais controlados por coronéis regionais.

Depois, a construção gradativa de uma nova sociedade civil, organizando-se em torno de conselhos municipais, estaduais, ONGs, pontos de cultura, associações, sindicatos, conselhos de secretários, pela periferia e pela Internet, sepultando o velho modelo autárquico de governar sem conversar. Mesmo debaixo do tiroteio cerrado, a nova opinião pública florescia através da blogosfera.

Foi de extremo simbolismo o episódio com o deputado do interior do Rio Grande do Sul, integrante do baixo clero, que resolveu enfrentar a poderosa Rede Globo. Durante dias, jornalistas vociferantes investiram contra UM deputado inexpressivo, para puni-lo pelo atrevimento de enfrentar os deuses do Olimpo. Matérias no Jornal Nacional, reportagens em O Globo, ataques pela CBN, parecia o exército dos Estados Unidos se valendo das mais poderosas armas de destruição contra um pequeno povoado perdido.

E o gauchão, dando de ombros: meus eleitores não ligam para essa imprensa. Nem me lembro do seu nome. Mas seu desprezo pela força da velha mídia, sem nenhuma presunção de heroísmo, de fazer história, ainda será reconhecido como o momento mais simbólico dessa nova era.

Os novos tempos

A Rede Record ganhou musculatura, a Bandeirantes nunca teve alinhamento automático com a Globo, a ex-Manchete parece querer erguer-se da irrelevância. De jornal nacional, com tiragem e influência distribuídas por todos os Estados, a Folha foi se tornando mais e mais um jornal paulista, assim como o Estadão. A influência da velha mídia se viu reduzida à rede Globo e à CBN. A Abril se debate, faz das tripas coração para esconder a queda de tiragem da Veja.

A blogosfera foi se organizando de maneira espontânea, para enfrentar a barreira de desinformação, fazendo o contraponto à velha mídia não apenas entre leitores bem informados como também junto à imprensa fora do eixo Rio-São Paulo. O fim do controle das verbas publicitárias pela grande mídia, gradativamente passou a revitalizar a mídia do interior. Em temas nacionais, deixou de existir seu alinhamento automático com a velha mídia.

Em breve, mudanças na Lei Geral das Comunicações abrirão espaço para novos grupos entrarem, impondo finalmente a modernização e o arejamento ao derradeiro setor anacrônico de um país que clama pela modernização.

As ameaças à liberdade de opinião

Dia desses, me perguntaram no Twitter qual a probabilidade de a imprensa ser calada pelo próximo governo. Disse que era de 25% – o percentual de votos de Serra. Espero, agora, que caia abaixo dos 20% e que seja ultrapassado pela umidade relativa do ar, para que um vento refrescante e revitalizador venha aliviar a política brasileira e o clima de São Paulo.