Tribuna do torcedor (46)

Por Luiz Carlos Baima (luizbaima@terra.com.br)

Desde os 4 anos, levo meu filho aos estádios. Hoje ele tem 10 anos e é apaixonado pelo Remo. Ficou 10 minutos depois do jogo de hoje chorando no estádio ao ver esta vergonha remista. Minha indignaçao de ver meu filho sofrer vem contra um presidente que passou o ano todo correndo atrás dos milhões para vender o estádio, destruiu o símbolo remista da frente do estádio e esqueceu o maior patrimônio, que é a torcida, como provou presente hoje. Desde o Estadual já falavam em vender estádio e nunca montaram um time competitivo e amargamos essa derrota vergonhosa. A Série D chegou e a mesma história continuou, correndo atrás dos milhões e o time medíocre com jogadores ultrapassados que nem no maior rival deram certo e vieram como heróis para um Remo combalido. Mantiveram um técnico que vê a casa pegando fogo e fica dando uma de filósofo. Estamos fartos de ver nossos filhos chorarem e os diretores venderem o patrimônio que aprendemos a ir no estádio desde criança, e o pior: sem prestar contas para a torcida para onde vai este dinheiro. Pois no futebol, que queremos ver vencedor, não conseguimos ver nada aplicado de bom senso muitos anos atrás. Onde foi parar o dinheiro do terreno de Benfica, cujo vendedor, ex-presidente, até foi morar em outro Estado? Chega. Pra mim acabou, vou incentivar meu filho a esquecer momentaneamente de torcer pelo Remo, enquanto não tivermos pessoas que respeitem os torcedores que são seres humanos e precisam desta emoção vitoriosa no decorrer da vida e do crescimento.

Crônica da tragédia anunciada

Aconteceu o que a torcida mais temia. Com um empate dramático de 1 a 1 frente ao Vila Aurora (MT), o Remo está eliminado do Brasileiro da Série D. Vélber marcou o gol remista aos 12 minutos do segundo tempo, mas Daniel empatou aos 24 minutos. No primeiro tempo, jogando de maneira errada, o Remo foi dominado pelo visitante, que saía da defesa ao ataque com tranquilidade e perdeu pelo menos duas chances de abrir o marcador. As jogadas azulinas se limitavam a tentativas de lançamento para Landu, que, fora de forma, não conseguia levar vantagem sobre a marcação. Frontini, isolado, brigava com os zagueiros para tentar acertar os poucos cruzamentos que chegavam até a área.

Voluntarioso, organizado em suas linhas, o Vila Aurora jogava sem pressa, saindo só nos momentos certos e destruindo as tentativas ofensivas do Remo. Do outro lado, a equipe mandante não conseguia criar bons lances no meio-campo, apesar dos esforços de Vélber e Gian. Raul, Dinei e Marcão levavam constante perigo e superavam sem maior esforço a dupla de zaga Pedro Paulo-Ênio. Giba, que surpreendeu a todos escalando Landu logo de início, não mudou o time para a etapa final.

No reinício da partida, o Vila Aurora manteve o domínio territorial, valorizando a posse da bola. Mas, com o incentivo da torcida, o Remo se empolgou e conseguiu articular um ensaio de sufoco. Até que, aos 12 minutos, Landu cruzou bola alta na área e Vélber cabeceou para as redes. Parecia que a classificação iria se garantir naquele lance. O problema é que, aos poucos, o time foi voltando ao compasso anterior, deixando-se envolver pelo bom passe do adversário. Giba substituiu Lima, contundido, por San. Landu também se bateu e Héliton entrou em seu lugar. Aos 24 minutos, em falha do zagueiro Pedro Paulo, o Vila silenciou o Mangueirão: a bola chegou livre para Daniel, que chutou para marcar o gol de empate.

A partir desse momento, o Remo entrou em desespero. Chutões para a área do Vila, que se fechou no campo de defesa. Surgiram ainda duas boas chances para o desempate. A primeira, em belíssima jogada de Héliton, que driblou dois zagueiros e cruzou nos pés de Zé Carlos, que havia substituído Gian. O atacante errou a finalização e o chute saiu longe. Em seguida, em cruzamento alto na área, zagueiro do Vila botou a mão na bola, mas o árbitro não assinalou a infração.

No final, para desespero da grande torcida presente, o Remo saiu cabisbaixo, amargando nova eliminação em torneio nacional. E o Vila Aurora, através de seu presidente, ainda mandou um último recado aos dirigentes azulinos: o time matogrossense tem um belo estádio e não tem planos de vendê-lo para pagar dívidas. (Fotos: MÁRIO QUADROS-TARSO SARRAF/Bola)

Série D: sorteio definirá mando de campo da 3ª fase

Mando de campo do próximo mata-mata da Série D será definido, por sorteio, nesta segunda-feira, às 14h, na sede da CBF. No caso de passar pelo Vila Aurora, neste domingo, o Remo enfrentará o vencedor do confronto entre Mixto (MT) e América (AM). Os dois times duelam hoje, com os amazonenses em vantagem, pois venceram o primeiro jogo por 3 a 1.

Ficha técnica: Remo x Vila Aurora (Série D)

REMO x VILA AURORA

Local – Estádio Edgar Proença (Mangueirão), às 17h

Remo – Adriano; Lima, Pedro Paulo, Ênio e Marlon; Danilo, Júlio Bastos, Gian e Vélber; Frontini e Héliton. Técnico: Giba.

Vila Aurora – Junior Negão; Raul, Marinho, Duda e Daniel; Carlinhos, Nei, Cristiano e Odil; Marcão e Leandro. Técnico: Carlos Rufino.

Arbitragem – Arnoldo Figarela (GO); assistentes – Wilson Gonçalves e Ronieri Costa, ambos de Goiás.

Ingressos – R$ 10,00 (arquibancada), R$ 20,00 (cadeira lado A) e R$ 30,00 (cadeira lado B).

Na Rádio Clube, Guerreirão narra e Carlos Castilho comenta; reportagens: Paulo Caxiado e Hailton Silva.

Coluna: Sobre mistérios e bobos

De sexta-feira até ontem, o cenário permaneceu inalterado: Giba mantém, a sete chaves, o mistério quanto à escalação do Remo para enfrentar o Vila Aurora-MT no Mangueirão. Em outros tempos, compromisso contra visitante tão modesto obrigaria o técnico do time da casa a revelar seus planos, sem receios. Hoje, quando o futebol não abriga mais bobos (segundo o esperto Luxa), treinadores parecem ter medo da própria sombra.
A rigor, Giba nem deveria fazer tantas mesuras antes de anunciar o time. Se a lógica prevalecer, o Remo terá um meio-de-campo com Danilo/Júlio Bastos/Gian/Vélber, com Héliton (Landu)/Frontini no ataque. Mas, caso o técnico resolva inventar, o que é bem provável, a meia-cancha entrará com Danilo/Júlio Bastos/Canindé/Vélber e Frontini/Zé Carlos na frente.
Acredito, porém, que o bom senso prevalecerá e Gian e Vélber começarão jogando, com o rápido Héliton de volta à ofensiva. Com esses três juntos, o Remo é superior ao Vila Aurora. Sem eles, praticamente nivela-se ao adversário. Como precisa vencer no tempo normal, Giba, por mais teimoso que seja, sabe que dependerá de seus melhores talentos.
Um fator, acima de todos, até mesmo da atuação individual dos jogadores, pode ser determinante para que o Remo faça hoje sua melhor partida na Série D. A presença maciça do torcedor nas arquibancadas impõe responsabilidades e faz com que todos procurem se empenhar mais. Se bobear, até Canindé pode finalmente entrar em campo. 
 
 
Enquanto o time luta em campo, hoje à tarde, para continuar vivo na disputa da Série D e tentar subir à Série C em 2011, o clube continua aos solavancos no plano administrativo. Na próxima terça-feira, vence o prazo (estabelecido pela Justiça do Trabalho) para a entrega pelas empresas que querem comprar o estádio Evandro Almeida do memorial descritivo da área da futura Arena do Leão.
Como ainda não existe sequer terreno adquirido, o tal memorial não passa de uma peça de ficção. Com isso, descumpre-se aí um item fundamental do acordo firmado no Tribunal do Trabalho entre o presidente do Remo, Amaro Klautau, e representantes das incorporadoras Agre e Leal Moreira.  
Ao mesmo tempo, o clube segue ao sabor de denúncias capazes de eriçar a juba do leãozinho de pedra do Baenão. Descobriu-se, por exemplo, que, além de um departamento jurídico profissionalizado (mas sem resultados, pois só amarga derrotas nos litígios trabalhistas), o presidente mantém também um escritório de advocacia sob contrato de terceirização. Atolado em dívidas, usadas como pretexto para a venda do estádio, o Remo se dá ao luxo de gastar o pouco que tem com despesas advocatícias sem sentido.
 
 
Só para comparar: o Paissandu, além da vitória no caso Moisés, também saiu vencedor no prolongado litígio com Jóbson, seu ex-jogador. Do montante de R$ 2 milhões, os advogados do clube (não remunerados) conseguiram reduzir a dívida trabalhista para R$ 200 mil. Alguém ainda da duvida da abissal diferença entre a forma de gestão dos dois velhos rivais?

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 12)