Mais um adiamento no caso Moisés

Depois de confirmada a contratação do meia Lúcio e do volante Simão, a diretoria do Paissandu se volta para solucionar o imbróglio com o atacante Moisés. A audiência que estava marcada para esta quarta-feira foi adiada para o próximo dia 17, mas a Justiça pode anunciar uma decisão sobre a ação movida pelo jogador – que pleiteia rompimento de contrato e indenização superior a R$ 2 milhões, alegando a falta de recolhimento de encargos sociais. O acordo entre clube e jogador, que parecia bem encaminhado, acabou frustrado porque os advogados de Moisés duvidaram do valor anunciado como oferecido pelo Internacional pelo empréstimo do atleta. O presidente Luiz Omar Pinheiro garante que a proposta é de R$ 15 mil e os advogados desconfiam que o valor chega a R$ 300 mil. Moisés tem, por contrato, direito a 15% de toda e qualquer transação que o envolver.

Crônica de um barraco aéreo

Por Tiago Maranhão (do blog Madrugada Times)

Eram 2h50 da madrugada (em Brasília), o vôo JJ 8085 tinha decolado quase 8 horas antes do aeroporto de Heathrow, em Londres. A voz rouca do comandante Azzi acorda os pouquíssimos passageiros que cochilavam a bordo do Boieng 777-300. “Faremos um pouso não programado em Recife, por motivos de segurança”, anunciou. “E eu achando que não teria mais pautas de madrugada”, pensei em voz alta.

O comandante continuou: “pedimos desculpas, mas temos a bordo um passageiro fora de controle, houve inclusive agressões contra outros passageiros e contra nossa tripulação, então não temos alternativa, precisamos desembarcá-lo”. Na cabine onde eu estava, a primeira da classe econômica após as poltronas da classe executiva, ninguém sabia do que se tratava, o que não impediu que as primeiras teorias surgissem imediatamente. “Só pode ser um riquinho bêbado lá na primeira classe”, alguém disse mais alto. “Rico acha que pode tudo, enche a cara, faz besteira e a gente que paga”, continuou outra pessoa.

Meia hora depois estávamos pousados no Aeroporto Internacional Gilberto Freyre, de Recife/Guararapes. Logo se formaram longas filas nos banheiros e os ânimos se exautavam. Na cabine atrás da minha, um homem convocava outros  passageiros para uma missão de guerrilha até a primeira classe. “Vamos lá! A gente tem que encher esse filho da p#&@ de porrada! Quem vai comigo?”, dizia de pé, agitando os braços, com os olhos vermelhos de uma noite mal dormida. Foi orientado a se acalmar pela aeromoça, caso não desejasse ser desembarcado também.

Poucos minutos antes do avião pousar, notei que um passageiro da econômica foi acomodado na executiva. Um jovem mulato, de jeans e camiseta, com a expressão assustada. Vício da profissão, fui lá falar com ele e apurar a história. Meu palpite estava certo, ele viajara ao lado do passageiro responsável pelo contratempo. Ou melhor, uma passageira. O rapaz contou que ela tinha pouco mais de 50 anos e já embarcou alterada. “Ela carregava várias sacolas e eu ofereci ajuda, mas ela me xingou… em inglês, porque achou que eu não fosse entender, só que eu moro em Londres”, disse. 

Durante o vôo, de acordo com o relato da minha fonte, a mulher falava alto (sozinha, porque viajava desacompanhada) e logo outros passageiros começaram a pedir silêncio para ela. Ela ignorou e tomou quatro copos (plásticos) de vinho tinto. Bebida que a TAM não deveria ter servido para alguém já tão agitado. Em determinado momento, ela atirou uma necessaire em outra passageira que pediu que ela ficasse quieta. A essa altura (10 mil metros), já tinham se passado mais de 4 horas de vôo e não havia o que fazer com ela (sobrevoávamos o Atlântico Norte).

“Tava todo mundo assutado, tinha gente chorando… foi horrível”, contou o rapaz. O auge da confusão ainda estava por vir, porém. Essa parte da história, também contada pelo rapaz, foi confirmada a bordo por duas aeromoças. Apertem os cintos: a passageira-barraqueira abriu o notebook e começou a ver fotos dela mesma. Pelada. Até aí, ela só chocava (ou agradava, afinal gosto não se discute), os dois passageiros sentados ao lado dela, que viajava na poltrona do meio, no lado direito do avião. O verdadeiro incômodo foi a reação dela, que começou a xingar as próprias fotos, cuspir (cuspir!) no monitor e dar murros no computador.

Uma comitiva de comissários de bordo tentou ver se conseguia controlar a mulher. Mas seguiram-se mais palavrões e cusparadas. Ela precisou ser imobilizada, teve as mãos e pés amarrados com uma “algema” de plástico. O avião precisou despejar parte do combustível antes de pousar em Recife e ainda teria que reabastecer. No total, ficamos 2 horas parados em Pernambuco, onde a passageira foi desembarcada pelos fundos, “para evitar que ela fosse agredida”, segundo um comissário. Às 7h40 da manhã os passageiros que continuaram a bordo aplaudiram o pouso em Cumbica, com 2 horas de atraso, mas uma história aérea a mais para contar.

Opinião: Campanha política e o desespero tucano

Por Daniel Malcher

Toda vez que as eleições se aproximam, os discursos se repetem: “fiz isso, fiz aquilo”; “criei o bolsa trabalho, a bolsa escola”; “fui aurtor do projeto de lei que melhorou o trânsito nas cidades, que criou programas de renda mínima”; “lutei contra a Ditadura”… Afinal, nestas épocas, constatamos que todos foram “os pais da criança”, reinventaram a roda ou então têm a receita, o remédio pronto para exterminar, de forma profilática, os males que assolam este enorme gigante, ainda adomecido, chamado Brasil.
Embora as falas sejam as mesmas e as propostas idem, num coro uníssono e repetitivo, beirando o risível, quase todos os processos eleitorais têm suas peculiaridades: as frases que marcaram, as cruzadas contra os vilões da vez e a promoção de certas figuras canhetras à condição de heróis.
Em 2002, nas eleições presidenciais, o que pontuou o debate foi o tal “medo” da ex-namoradinha do Brasil, Regina Duarte, caso Lula, atual presidente da república, fosse eleito. Um medo explicável somente pela aversão de certos setores da sociedade brasileira a governos de caráter progressita, mesmo que seja um “pregressismo” ao centro, moderado. E a história às vezes se repete, não como farsa, mas com uma certa dose de ironia. João Goulart, se vivo fosse, talvez ficasse estarrecido com as velhas táticas dos setores conservadores, sempre tentando desqualificar ou forjar o “medo” junto a população do país em períodos eleitorais, pois, por ter sido um progressista moderado, foi alvo destas mesmas táticas, que surtiram efeito e o apearam da cadeira presidencial à exatos 46 anos. Táticas velhas mesmo, hein!
Agora, as questões  levantadas pelos desesperados tucanos e pelos seus porta-vozes – a PIG, como diria Paulo Henrique Amorim -, que estão na ordem do dia e que vão marcar o pleito de 2010 são: houve mesmo espionagem ou dolo no vazamento de informações de dados da Receita Federal que comprometem pessoas ligadas ao alto tucanato? Há favorecimento ao Partido dos Trabalhadores na concessão desses dados a pessoas que, inclusive, seriam servidores da Receita e com histórico de filiação ao partido, configurando-se o lema de que, no jogo eleitoral, tudo é válido? Estariam os petistas aparelhando o Estado brasileiro, com o intuito de punir ou execrar aqueles que cruzam o caminho do PT, numa clara tentativa de comparar o partido aos partidos totalitários, algo inclusive já feito por uma revista de circulção nacional com “grandes serviços prestados à nação”?
O que torna tudo mais intrigante e interessante, e até mesmo irônico, é que tais queixas partem de grupos e setores políticos e classistas que têm uma “extensa folha corrida” nesse aspecto. Mas, como o brasileiro tem memória curta e uma capacidade de análise caolha, anacrônica e ahistórica dos fatos e dos processos polítcos da vida nacional, e se informa via de regra por apenas um canal de tv, por sinal “sócio fundador” da PIG, acaba aceitando mentiras deslavadas como verdades irrefutáveis, sem se dar conta do jogo maquiavélico e tendencioso que inunda seus corações e mentes e cuja finalidade é manter, sempre, os mesmos grupos de privilegiados nas esferas mais altas do poder. Quem atentou para as diferentes abordagens sobre a quartelada nicaraguense em 2009 e o fechamento de joranais venezuelanos por Hugo Chávez no mesmo ano sabe muito bem a “qualidade” e a “isenção” das informações que se prestam à nação.
Não votei em Lula, e não votarei na Dilma. Tampouco estive satisfeito nos 8 anos de administração petista. No entanto, não sou ingênuo e nem tolo de acreditar que com os tucanos, nos anos 90, ou com os militares, nos anos 60, 70 e 80, a vida política deste país era melhor. Muito pelo contrário. Ainda pagamos pelo descalabro de décadas anteriores.

Remo é um dos mais velhos do Brasileiro

Com média de 29 anos, Remo tem um dos times mais velhos das quatro divisões do Brasileirão: Adriano (34), Lima (33), Pedro Paulo (32), Gian (36)e Vélber (32). Além disso, ainda há a dupla Zé Carlos (33) e Landu (32), que não vêm sendo aproveitada pelo técnico Giba. (Com informações de @remo100porcento, no Twitter)

A frase certeira (35)

“Coloco todo mundo no mesmo balaio. A imprensa brasileira está podre. Os grandes jornais, as coisas que são consideradas grande imprensa no Brasil como Folha de S. Paulo, Globo, Estadão, Jornal Nacional, Veja, para mim são piadas. Todos esses que eu citei tem ódio do Lula, é um ódio doentio, é uma coisa que me dá medo. Outro dia peguei o Estadão e tinha oito chamadas na capa falando mal do governo, algumas coisas que ocorreram há sete anos. Meu filho casou-se agora com uma repórter da editoria de política do Estadão, e o Serra ligou pra ela antes do casamento. “Julia, eu soube que você vai se casar, mas você não vai ter lua de mel, né? Você não pode ter lua de mel agora”. Por aí você vê como Serra está dentro do jornal.”

De Mário Prata, escritor e cronista

Argentina humilha seleção campeã do mundo

A Argentina massacrou a seleção campeã mundial, na tarde desta terça-feira, em Buenos Aires. A equipe de Messi, Tevez e Higuaín chegou a abrir 3 a 0 e deu sinais de que um elástico placar poderia acontecer. A Espanha até reagiu em campo, mas não evitou a goleada. Os gols argentinos foram marcados por Messi, aos 10 minutos da etapa inicial; Higuaín, aos 13, e Tevez, aos 34. Na segunda etapa, Llorente fez para o time visitante aos 39. Aos 46, Agüero fez 4 a 1. Depois de ter levantado o troféu de campeão mundial na África do Sul, a Espanha já tinha empatado por 1 a 1 com o México, fora de casa, em amistoso, e goleado Liechtenstein por 4 a 0, pelas eliminatórias para a Eurocopa-2012.

Copa 2014: TCU vê Vivaldão como “elefante branco”

Da Folha de SP

Pelo menos quatro dos 12 estádios da Copa do Mundo de 2014 correm risco de virar “elefantes brancos”, segundo avaliação do TCU (Tribunal de Contas da União). O Vivaldão, estádio do Amazonas, o Mané Garrincha (em Brasília), o Verdão (em Mato Grosso) e a Arena das Dunas (no Rio Grande do Norte) são citados no relatório do TCU como obras que dificilmente cobrirão os custos de manutenção depois da realização do segundo Mundial de futebol no Brasil. As quatro obras somadas chegam a R$ 1,94 bilhão.

No documento de 28 páginas, técnicos do tribunal de contas fazem o alerta ao declarar que “o risco associado à construção de “elefantes brancos” nas quatro cidades pode ser considerado alto”. Eles alegam que o quadro se agrava nessas obras “não somente em virtude de serem locais com pouca tradição no futebol, mas também pela relação histórica entre público pagante e valor do ingresso”. Os clubes dos três Estados citados e também os do Distrito Federal estão fora da primeira divisão do Brasileiro de 2010 e raramente chegam à elite do futebol nacional.

No relatório elaborado para avaliar os riscos envolvendo as obras do Mundial, o TCU também dividiu as futuras arenas em três grupos. Rio, Belo Horizonte e São Paulo, que ainda não tem estádio aprovado pela Fifa, e Rio Grande do Sul estão fora do grupo tido como de risco. Paraná, Ceará, Pernambuco e Bahia vêm a seguir, listados num nível intermediário.

Só a Fifa e Ricardo Peixeira pensam diferente. Te dizer…

Brasil vacila e é derrotado pelos hermanos

O Brasil jogou como nunca e perdeu como sempre. Essa é, infelizmente, a história recente do basquete brasileiro e se repetiu nesta tarde de terça-feira no Campeonato Mundial, na Turquia. A seleção jogou uma grande partida, mas perdeu por 93 a 89 da Argentina, uma das potências do esporte. A Argentina, campeã olímpica em Atenas-2004 e bronze em Pequim-2008, enfrentará na quinta-feira a invicta Lituânia por uma vaga nas semifinais. Quem ganhar, jogará contra o vencedor de Estados Unidos e Rússia. Os outros duelos de quartas de final colocam frente a frente amanhã a anfitriã Turquia contra a Eslovênia e a Sérvia contra a Espanha, atual campeã do mundo.

A derrota de hoje amplia a recente freguesia do Brasil diante da Argentina, a quem só tem conseguido vencer em jogos de torneios menores, sem as seleções principais em quadra. No Mundial de 2002, nos EUA, os argentinos tiraram o Brasil também nas quartas, também em um jogo equilibrado. Em Istambul, a história foi quase a mesma. O primeiro quarto acabou empatado, e o Brasil foi para o intervalo vencendo por 48 a 46, após 18 pontos de Marcelinho Huertas.

No terceiro quarto, no entanto, foi quando a seleção teve sua maior chance. Mesmo sem Leandrinho em quadra, carregado com faltas, o Brasil abriu sete pontos de vantagem e chegou a ter duas posses de bola para ampliar o marcador. Desperdiçou ambas, e viu a rápida reação argentina. O período acabou com empate em 66 a 66. No início do último quarto, duas bolas de três de Leandrinho colocaram o Brasil com seis pontos de vantagem. Mas duas bolas de três de Jasen, coadjuvante do time rival, voltaram a deixar o placar igual.

A partir daí, o Brasil claramente se desesperou em quadra e passou a jogar de forma individualista e improdutiva. Luis Scola, o cestinha do campeonato e jogador do Houston Rockets, da NBA, tomou conta da partida e matou a defesa brasileira. Ele acabou o jogo com 37 pontos e 9 rebotes. Huertas foi o destaque do Brasil, com 32. (Da ESPN)

Cabe dizer, porém, que os argentinos lideram o ranking da FBA e têm Scola, que é um tremendo jogador de basquete – um dos melhores do mundo.

Coluna: Dois técnicos em xeque

Só de imaginar as caçambas de dinheiro que treinadores como Luiz Felipe Scolari e Vanderlei Luxemburgo ganham mensalmente de Palmeiras e Atlético-MG o torcedor comum tem acesso de tonturas. No entanto, ao analisar o resultado do trabalho de ambos nesses clubes, o assombro inicial cede lugar ao desapontamento.
Comandantes de elencos milionários, os dois têm se mostrado desafortunados neste primeiro turno de Campeonato Brasileiro. O Atlético-MG amarga, há várias rodadas, presença incômoda no andar de baixo da tabela de classificação, ameaçadíssimo de rebaixamento.
Luxemburgo parece já ter esgotado seu repertório de truques e conhecimentos para tentar soerguer o Galo, mas a má fase insiste em constrangê-lo. Perde, com incrível regularidade, tanto em casa quanto fora. Quando vai tentar levantar a crista vem uma virada inesperada, como a de domingo, dentro de seus domínios, para um São Paulo que não é o São Paulo de outros tempos.
Mais grave no caso de Luxemburgo é o tempo à frente do Atlético e as contratações feitas pelo clube em atendimento aos seus pedidos. Segundo a revista Placar, o alvinegro das Gerais tem o elenco mais caro da Primeira Divisão, além de contar também com a comissão técnica mais onerosa – custa, aproximadamente, R$ 700 mil mensais.  
O Palmeiras, outro grande que busca renascer das cinzas no cenário nacional, deu-se à pachorra de repatriar Felipão em plena muvuca da Copa do Mundo. Cercado de expectativa, o campeão mundial de 2002 estreou discretamente e, desde então, acumula insucessos. Não pode nem mais reclamar da qualidade do elenco, que já conta com o reforço do ídolo Valdívia. 
Incompetência dos dois grandes técnicos, talvez os melhores do país? Ou apenas conjunções extremamente desfavoráveis – e, portanto, passageiras? Não existem respostas prontas, mas é certo que, caso se tratasse de técnicos menos medalhados, já estariam com o pé na prancha a essa altura. Pela história e currículo, terão mais algumas rodadas de tolerância.   
 
 
Do meu ponto de vista, o inferno astral de ambos evidencia que se está diante da velha questão: técnicos ganham jogos ou são meros facilitadores? Sigo achando que ajudam bastante a fazer um time vencedor, mas jamais podem levar, sozinhos, os méritos pelas conquistas. Boas equipes nascem da coincidência feliz de juntar bons jogadores na plenitude da forma – como Felipão conseguiu na Copa asiática e Luxemburgo naquele Palmeiras infernal, que tinha Djalminha, Evair e Edmundo. Portanto, talentos é que decidem a parada. Técnicos, preferencialmente, devem procurar não atrapalhar.
 
 
Mais dois ou três dias para que se conheça o final (feliz ou não) da novela Moisés & Paissandu, que começa a dar nos nervos e faz diminuir cada vez mais o cartaz do jogador junto à torcida alviceleste.  

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 7)