Opinião: Campanha política e o desespero tucano

Por Daniel Malcher

Toda vez que as eleições se aproximam, os discursos se repetem: “fiz isso, fiz aquilo”; “criei o bolsa trabalho, a bolsa escola”; “fui aurtor do projeto de lei que melhorou o trânsito nas cidades, que criou programas de renda mínima”; “lutei contra a Ditadura”… Afinal, nestas épocas, constatamos que todos foram “os pais da criança”, reinventaram a roda ou então têm a receita, o remédio pronto para exterminar, de forma profilática, os males que assolam este enorme gigante, ainda adomecido, chamado Brasil.
Embora as falas sejam as mesmas e as propostas idem, num coro uníssono e repetitivo, beirando o risível, quase todos os processos eleitorais têm suas peculiaridades: as frases que marcaram, as cruzadas contra os vilões da vez e a promoção de certas figuras canhetras à condição de heróis.
Em 2002, nas eleições presidenciais, o que pontuou o debate foi o tal “medo” da ex-namoradinha do Brasil, Regina Duarte, caso Lula, atual presidente da república, fosse eleito. Um medo explicável somente pela aversão de certos setores da sociedade brasileira a governos de caráter progressita, mesmo que seja um “pregressismo” ao centro, moderado. E a história às vezes se repete, não como farsa, mas com uma certa dose de ironia. João Goulart, se vivo fosse, talvez ficasse estarrecido com as velhas táticas dos setores conservadores, sempre tentando desqualificar ou forjar o “medo” junto a população do país em períodos eleitorais, pois, por ter sido um progressista moderado, foi alvo destas mesmas táticas, que surtiram efeito e o apearam da cadeira presidencial à exatos 46 anos. Táticas velhas mesmo, hein!
Agora, as questões  levantadas pelos desesperados tucanos e pelos seus porta-vozes – a PIG, como diria Paulo Henrique Amorim -, que estão na ordem do dia e que vão marcar o pleito de 2010 são: houve mesmo espionagem ou dolo no vazamento de informações de dados da Receita Federal que comprometem pessoas ligadas ao alto tucanato? Há favorecimento ao Partido dos Trabalhadores na concessão desses dados a pessoas que, inclusive, seriam servidores da Receita e com histórico de filiação ao partido, configurando-se o lema de que, no jogo eleitoral, tudo é válido? Estariam os petistas aparelhando o Estado brasileiro, com o intuito de punir ou execrar aqueles que cruzam o caminho do PT, numa clara tentativa de comparar o partido aos partidos totalitários, algo inclusive já feito por uma revista de circulção nacional com “grandes serviços prestados à nação”?
O que torna tudo mais intrigante e interessante, e até mesmo irônico, é que tais queixas partem de grupos e setores políticos e classistas que têm uma “extensa folha corrida” nesse aspecto. Mas, como o brasileiro tem memória curta e uma capacidade de análise caolha, anacrônica e ahistórica dos fatos e dos processos polítcos da vida nacional, e se informa via de regra por apenas um canal de tv, por sinal “sócio fundador” da PIG, acaba aceitando mentiras deslavadas como verdades irrefutáveis, sem se dar conta do jogo maquiavélico e tendencioso que inunda seus corações e mentes e cuja finalidade é manter, sempre, os mesmos grupos de privilegiados nas esferas mais altas do poder. Quem atentou para as diferentes abordagens sobre a quartelada nicaraguense em 2009 e o fechamento de joranais venezuelanos por Hugo Chávez no mesmo ano sabe muito bem a “qualidade” e a “isenção” das informações que se prestam à nação.
Não votei em Lula, e não votarei na Dilma. Tampouco estive satisfeito nos 8 anos de administração petista. No entanto, não sou ingênuo e nem tolo de acreditar que com os tucanos, nos anos 90, ou com os militares, nos anos 60, 70 e 80, a vida política deste país era melhor. Muito pelo contrário. Ainda pagamos pelo descalabro de décadas anteriores.

9 comentários em “Opinião: Campanha política e o desespero tucano

  1. Acho que o Serra deveria usar peruca né Berlli! Talvez , ele parecesse ficar mais carismático, é com menos cara de ator de filme de terror no papel de vampirão…

    PT SAUDAÇÕES!!!

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  2. Meu caro Daniel Malcher, se o Brasil foi fundado em 1500 até hoje não foi afundado, apesar dos fatidicos 64, 85, 90, 95 e 002.Espero que os tsumani procurem outras praias, venezuelanas de preferencia.

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  3. É verdade, o Brasil é tão rico que mesmo sendo roubado todo dia não vai a falência. Já pensaram se AK fosse presidente do Brasil e Tourinho vice ou vice versa?

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  4. Caro Tavernard,

    O Brasil, pelo contrário, “fundou-se” sob uma perspectiva “alagadiça”, afinal, foi projetado sob o caos espoliativo, fruto de processos de dominação e ocupação vorazes (no nosso caso, com a colonização portuguesa) e sob os auspícios do conservadorismo de ordem política, social e mesmo moral. Os anos que você citou foram muito bem lembrados, mas não esqueçamos que talvez, nestes mesmos anos, pudessemos dar uma guinada, um salto rumo a um futuro que nunca chegou, e que acredito agora sempre será uma promessal. A construção da nação, ensejada sobretudo nos anos abolicionistas/independentistas/republicanos, foi de caráter excludente, sem a anuência do povo brasileiro, sempre alheio aos processos políticos, seja por exclusão, por arranjos político-classitas (como os que correram em 1985 com a devolução do poder aos civis) ou por “convicção” (infelizmente). Não deturpamos a história, que para nós brasileiros, infelizmente, ainda não foi gloriosa e triunfante…

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