Depois de dois anos batendo na trave, na busca pela ascensão à Segunda Divisão, a confirmação do grupo que abrigará os representantes paraenses na primeira fase do Campeonato Brasileiro da Série C deve ter aumentado bastante a preocupação de dirigentes, técnicos e jogadores dessas equipes.
Uma chave composta por Águia, Fortaleza (CE), Paissandu, Rio Branco (AC) e São Raimundo, de onde sairão dois classificados para a fase de mata-mata, pressupõe um confronto dos mais equilibrados e apresentando um sério risco para o trio paraense.
Fortaleza e Rio Branco, os dois forasteiros, são equipes competitivas e que certamente irão brigar em pé de igualdade pela classificação. Mais que isso: o clube acreano já logrou verdadeiras proezas contra Paissandu e Águia nas duas últimas edições da competição, transformando-se em adversário dos mais difíceis tanto dentro quanto fora de seus domínios.
O Fortaleza, pela história e grande torcida, à primeira vista seria candidato natural a uma das vagas. Pesam contra essa avaliação o fraco retrospecto recente e a queda livre dos últimos anos, despencando de divisão em divisão, processo que normalmente leva ao fundo do poço.
Um primeiro olhar, centrado apenas na tradição e na fama, elegeria Paissandu e Fortaleza como favoritos à classificação. Acontece que o formato de disputa da Terceirona e suas características específicas, como o confronto entre rivalidades regionais, tornam qualquer previsão temerária.
O Águia, que já conhece a Série C e esteve perto de obter passagem à Série B há dois anos, começa a se reestruturar, usando o campeonato estadual como laboratório para solidificar o time que irá disputar a competição nacional. Líder invicto do returno, já começa a colher os frutos do entrosamento e da adaptação de reforços que passaram em branco no primeiro turno.
Outro competidor respeitável é o São Raimundo, que estréia na C, depois de vencer a primeira edição da Série D. Para corresponder às expectativas, porém, os alvinegros santarenos terão que superar turbulências internas que ameaçam desmontar a estrutura responsável pela conquista de 2009 e podem até comprometer a campanha deste ano.
Pelas forças envolvidas e a distribuição que matematicamente desfavorece os clubes paraenses, é recomendável que Paissandu, Águia e São Raimundo apressem-se em reforçar seus times porque o risco de eliminação logo na primeira etapa é praticamente igual para todos. Olho vivo.
Entre todos os cinco times do grupo, cabe ao Paissandu a maior responsabilidade de classificação. A bem da verdade, os bicolores não podem nem pensar em eliminação na primeira fase. Pelos anseios da apaixonada torcida e o anunciado projeto de voltar à elite do futebol nacional, tem a obrigação de brigar pelo acesso à Segunda Divisão. Para isso, não pode mais repetir os erros primários do passado recente.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 14)





