Sob chuva, Remo derrota Paissandu

Por 2 a 1, o Remo venceu o clássico de nº 705 da história do Re-Pa, neste domingo, no estádio Edgar Proença, válido pela quarta rodada do returno do Parazinho. Marlon e Landu marcaram os gols remistas e Bruno Rangel fez o do Paissandu. O placar foi construído todo no primeiro tempo. Os remistas, mais agressivos nos primeiros minutos, chegaram ao gol num cabeceio de Marlon escorando cruzamento de Marciano, logo aos 3 minutos. Em seguida, num lance rápido, Gian quase ampliou. Aos 12 minutos, Tiago Potiguar cobrou falta, Adriano espalmou e a bola ainda bateu na trave. Aos 15 minutos, Gian bateu rasteiro e Fávaro salvou com os pés.

Veio, então, o empate do Paissandu. Aos 17 minutos, em cruzamento perfeito de Tiago Potiguar da esquerda, Bruno Rangel se antecipou a Raul e bateu para as redes. O jogo ficou mais equilibrado e o Paissandu continuou tentando o desempate. Aos 27 minutos, Moisés aparece finalmente em campo e recebe livre na área. Chuta forte, mas Adriano defende e a zaga afasta. O Remo, que parecia encolhido, arrisca uma saída ao ataque e chega ao segundo gol, aos 36 minutos. Marlon recebe pelo lado esquerdo da área e cruza. A bola resvala num defensor do Paissandu e é tocada de raspão por Landu, desviando de Fávaro.

Aos 38 minutos, um lance importante no jogo. Gian, que já tinha cartão amarelo, dá combate a Sandro junto à área do Remo. O volante força a jogada e o árbitro aplica o segundo cartão, expulsando o meia, sob protestos dos azulinos. Giba recompõe o setor de meio-de-campo, substituindo Marciano por Otacílio.

Na etapa final, com um a menos, o Remo volta recuado, aguardando o Paissandu em seu campo. Aos 7 minutos, a primeira grande chance de empate. Moisés recebe bola na área e bate rasteiro, a bola ia saindo mas Adriano ainda desvia. Charles troca Fabrício por Eanes, adiantando ainda mais o time na busca pela igualdade. Aos 17, cruzamento na área é rebatido pela defesa do Remo e Eanes bate de primeira, rasteiro, mas Adriano segura firme. No minuto seguinte, Cláudio Allax sai driblando e avançando rumo à área e fica frente a frente com Adriano. O chute sai à meia-altura e o goleiro pega.

Sob chuva forte desde o começo, o jogo é disputado mais na base do chutão. Charles promove a entrada de Zé Augusto no lugar de Alexandre, para pressionar ainda mais o Remo. Giba troca Fabrício Carvalho por Vélber. Aos 23 minutos, Sandro comete falta e reclama da marcação, acintosamente. O árbitro Marcelo de Lima Henrique aplica, então, o segundo cartão. Transtornado, o volante e capitão do Paissandu avança sobre o bandeirinha, xingando e culpando pelo recebimento do cartão. O árbitro se interpõe entre os dois, mas Sandro dá um empurrão no bandeira. “Você é remista…”, acusa. Agressivo, mesmo contido pelos companheiros, grita que o auxiliar só consegue apitar aqui no Pará.

O Remo substitui Marlon por Levy e o jogo volta a ficar parelho, com ataques de parte a parte, mas os times insistem nos cruzamentos aéreos, sem maior perigo para as duas defesas. Contundido, Tiago Potiguar é substituído por Marquinhos, mas o placar segue sem alteração até o final.

Com a vitória, o Remo passa a somar 9 pontos e assume o segundo lugar do returno, atrás do Águia, líder isolado com 12. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

Tartaruga vira jogo em 7 minutos e ajuda o Remo

Em jogo eletrizante, o Ananindeua venceu o Independente de virada por 3 a 2, neste sábado, no estádio Navegantão, em Tucuruí. O Independente saiu na frente, através de Ró, aos 41 minutos do primeiro tempo. O Galo Elétrico ampliou aos 33 minutos do segundo tempo, com Diego Silva. Quando a torcida tucuruiense já festejava uma vitória em casa depois de dois meses, o Independente perdeu o goleiro Kanu por contusão e o reserva Kleber também se machucou, mas foi mantido em campo, no sacrifício. O Ananindeua se aproveitou da instabilidade dos donos da casa e conseguiu uma proeza: virou o placar em apenas 7 minutos. Gols de Gil Bala aos 34, Marituba aos 38 e Gegê cobrando pênalti aos 41 minutos. 
         
O resultado não mudou a posição das duas equipes na classificação do segundo turno. O Independente segue na quarta posição com seus 5 pontos e o Ananindeua prossegue na penúltima colocação, agora com 3 pontos. A derrota do Independente acabou beneficiando, por tabela, o Remo, na briga pela vaga à Série D. A renda foi de R$ 12.200,00 para um público total de 1.490 torcedores, sendo 1.390 pagantes e 100 credenciados. Claudio Lima, do quadro da Federação Paraense de Futebol, apitou a partida. Pela quinta rodada, o Independente jogará contra o Remo no dia 17 (sábado), às 20h30, no Baenão, e o Ananindeua receberá o S. Raimundo, no dia 21 (quarta-feira), às 15h30 na Curuzu.

MUNDICO TROPEÇA DE NOVO 

Em Santarém, neste domingo à noite, o S. Raimundo voltou a tropeçar no returno, empatando em 2 a 2 com o Cametá. O placar foi aberto logo aos 17 minutos, por Jailson. Wilson, de cabeça, ampliou para o Cametá aos 46 minutos do primeiro tempo. Surpreso com a agressividade do visitante, o Mundico só se reequilibrou na etapa final, conseguindo arrancar o empate, através de Flamel, batendo pênalti aos 4 minutos, e Filho, de cabeça, aos 43. (Com informações da Rádio Clube)

Águia vence e mantém campanha 100%

Em jogo realizado na noite de sábado (10), no estádio Zinho Oliveira, em Marabá, e que foi marcada pela fraca arbitragem de Joquetam Moreira Guimarães, o Águia venceu o Santa Rosa, por 2 a 1, de virada, e se isolou ainda mais na liderança do returno do Parazinho, com 12 pontos ganhos em quatro partidas, ostentando 100% de aproveitamento. Mesmo desfalcado de Victor Ferraz, Gustavo, Edkléber e Samuel Lopes, todos contundidos; e do volante Daniel, suspenso pelo terceiro cartão amarelo, o Águia conseguiu os três pontos. O jogo começou muito disputado com o time do Santa Rosa apelando para jogadas ríspidas desde o início da partida.

Apesar das boas jogadas de perigo do ataque aguiano, formado por Wando e Jales, quem abriu o marcador foi o Santa Rosa, através de Jerferson, que acertou uma bola indefensável para o goleiro Alan, abrindo o placar aos 23 minutos. Na saída de bola, numa jogada muito rápida, Thiago Marabá arriscou da linha da grande área, o goleiro Flávio soltou a bola nos pés de Jales, que entrou de carrinho para empatar o jogo.

O lance revoltou os jogadores do Santa Rosa, que pressionaram o árbitro alegando infração no lance. O policiamento entrou no gramado e acabou acusado de agredir o lateral-direito Vanderlan, do Santa Rosa, que se jogou ao chão alegando ter sido atingido. Após paralisação de três minutos, a partida recomeçou sem que o árbitro tivesse feito qualquer advertência.

Para a segunda etapa de jogo, o treinador Galvão perdeu o lateral-esquerdo Aldivan, que sofreu contusão no tornozelo esquerdo. Marcondes entrou em seu lugar. Para alegria da torcida marabaense, aos 4 minutos, o meia Thiago Marabá acertou forte chute de fora da área. A bola desviou na defesa e entrou. O próximo jogo do Águia será no próximo domingo (19), diante do Paysandu, na Curuzu.

Águia – Alan; Soares, Bernardo, Charles, Ari (Darlan) e Aldivan (Marcondes); Analdo, Cleuber, Thiago Marabá, Wando e Jales (Rodrigo Broa). TécnicoJoão Galvão.

Santa Rosa – Flávio; Vanderlan, Bironga, Ronaldão e Jhonny; Catita (Nedo), Elias (Everson), Marklésio (Nildo) e Erick; Marcelo Dias e Jerferson. Técnico – Paulo Guaiamum.

Árbitro – Joquetam Moreira Guimarães; assistentesLúcio Ipojucan Moreira Matos e Alexandre Max Oliveira. Regra 3 – Márcio Araújo da Costa.

(Com informações da Rádio Clube e fotos de Bira Ramos) 

Coluna: Românticos não têm vez

Os dois últimos clássicos foram bastante generosos, em emoção e gols. Além de palpitantes embates, só definidos nos minutos finais, o torcedor viu a rede balançar por 12 vezes nas duas partidas decisivas do primeiro turno. É um bom indicativo do que poderá acontecer na tarde deste domingo. Só não se deve esquecer também que a marca da imprevisibilidade é mais forte que qualquer outra quando o assunto é Re-Pa.
O derby mais disputado no mundo (704 vezes, até hoje) é useiro e vezeiro em desrespeitar favoritismos e avacalhar com previsões. Como nas outras ocasiões, os times podem viver situações opostas, mas acabam se igualando dentro de campo, seja por superação, talento ou puro acaso.
Por isso mesmo, goleadas são tão raras nos confrontos entre Remo e Paissandu nos últimos 40 anos. Qualquer torcedor recorda essas exceções. Se bem me lembro, registrou-se 5 a 2 para o Remo no final dos anos 70; 4 a 0 e 4 a 1 para o Paissandu nos anos 90; 3 a 0 para o Remo há quatro anos e os recentes 4 a 2 favoráveis ao Papão.
Por outro lado, como reflexo direto e exclusivo daqueles tempos românticos, as goleadas históricas se localizam ali pelos anos 30 e 40. Primeiro, o 7 a 2 aplicado pelos remistas em 1939. Depois, o célebre 7 a 0 que representou o troco alviceleste, em 1945.
Romantismo é o que certamente não se verá no Mangueirão, hoje, pelo menos nas quatro linhas. Por razões diferentes, os adversários precisam vencer. O Paissandu porque – já garantido nas finais do campeonato – não pode perder o prumo e a perspectiva. No outro extremo, o Remo luta para chegar ao menos à decisão do returno, a fim de conquistar a vaga à Série D.
Curiosamente, antes da decisão do turno, eram os remistas que desfrutavam de condição mais confortável. Tinham a melhor campanha e o ataque que marcou gols em todos os jogos disputados. Como o futebol dá voltas, esses dois itens continuam em poder do Remo, mas a tranqüilidade anterior cedeu espaço ao quase desespero. 
Os preparativos para o clássico mostraram uma diferença fundamental entre os oponentes. O Paissandu repetirá o time descoberto (e consagrado) nas três partidas derradeiras da fase anterior. Bruno Rangel, em lugar de Didi, é a única mudança feita por Charles Guerreiro na escalação.
No Remo, forçado pelas circunstâncias, Giba opera quatro modificações na equipe – San, Marlon, Patrick e Landu. Mais que isso: opta por uma radical troca de sistema, passando a usar o 3-5-2. O problema é que, contra o Santa Rosa, no meio da semana, o novo desenho tático deixou tantos furos (e dúvidas) que terminou abandonado no segundo tempo.
O ataque azulino, que era a sensação do torneio, ganhou em alternativas (Marciano, Landu, Héliton, Samir e Alessandro), mas perdeu em confiança. Do outro lado, Charles tem menos opções (Moisés, Rangel, Didi e Zé Augusto) e mais certezas. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 11)

Iconoclasta

Por Bernardo Esteves

Direto do Houaiss: iconoclasta – aquele que ataca crenças estabelecidas ou instituições veneradas. A partir de agora, podemos sugerir uma forma mais prática para o verbete: iconoclasta – futebol praticado pelo Barcelona. O Barça de Xavi e Messi passa por cima de muitas verdades do futebol moderno assim como atropela a maioria de seus adversários.

Imagine um homem de barba e cabelos brancos e longos, com sua veste tremulando ao vento, a bradar: “Irmãos, a equipe que quiser sair vitoriosa dos prélios ludopédicos do novo milênio deverá obedecer alguns princípios básicos. Primeiro, seguir o antigo conselho de que um grande time começa por um grande goleiro. Depois, organizar uma defesa sólida, com ótimos zagueiros e laterais que avancem quando necessário. Jogadores altos e fortes, à Minelli, são recomendados. Outro passo é chegar a um meio-de-campo harmônico, por meio da mescla de marcadores eficazes e talentosos armadores. Um bom jogo aéreo é fundamental. Por último, um ataque que dê o toque final à velocidade do time, chegando ao gol em poucos toques.”

Guardiola, sempre com seu elegante pulôver, dá risadas à margem do rio, pensando: “Você ainda não viu meus meninos jogando…” Cheio de razão. Para começar, Victor Valdés inspira tanta confiança quanto Clemer debaixo das traves. Piquet (rejeitado pelo Manchester United) e Puyol são beques que não enchem os olhos de nenhum grande time do mundo. Alguém vai dizer que Daniel Alves marca tão bem quanto ataca? Não, ele joga tão bem quanto um meia. Isso sem falar na presença de apenas um volante-volante, ora Busquets, ora Keita, ora Touré.
 
O ataque merece um parágrafo à parte. Os gigantes Messi, Pedro, Bojan e Jeffren, auxiliados constantemente pela presença de Xavi e Iniesta, estão desbancando os imponentes Henry e Ibrahimovic. Formam um ataque-defesa, que marca sob pressão o adversário e o encurrala em seu campo. Uma linha de frente de toque de bola, capaz de trocar passes por dois minutos até encontrar a brecha esperada para dar o bote. Um esquadrão que chega tabelando, cerca o oponente por todos os lados, infiltra-se por todas as brechas, raras vezes recorrendo à artilharia pesada das bolas alçadas. 
 
O Barcelona, com sete jogadores das categorias de base entre os titulares, é a prática perfeita da ocupação de espaço. Se é verdade que nenhuma outra equipe tem um jogador talentoso como Messi, mais importante é a dinâmica de jogo de Iniesta e Xavi, alicerces do time. Vitória a vitória, conquista a conquista, o Barça demonstra que o futebol continua o mesmo e nos delícia com seus ataques a “instituições veneradas” como o Real Madrid e o Arsenal, suas últimas vítimas.

Papão ganha de goleada na enquete

Finalizada às 14h deste domingo, a enquete do blog sobre o resultado do Re-Pa deste domingo teve o seguinte resultado: a opção “goleada do Paissandu” recebeu 33% dos votos; a opção “vitória do Paissandu por placar normal”, 32%; a opção “vitória do Remo por placar normal”, 22%; a opção “goleada do Remo”, 11%; e a opção “empate”, 2%.

Ficha técnica do Re-Pa

REMO x PAISSANDU

Local – Estádio Edgar Proença, às 16h

Remo – Adriano; Raul, Pedro Paulo e San; Patrick, Danilo, Fabrício Carvalho, Gian e Marlon; Marciano e Landu. Técnico: Giba.

Paissandu – Fávaro; Cláudio Allax, Paulão, Leandro Camilo e Álvaro; Tácio, Sandro, Fabrício e Tiago; Bruno Rangel e Moisés. Técnico: Charles Guerreiro.

Árbitro – Marcelo de Lima Henrique (Fifa-RJ); assistentes: Eronildo Sebastião Freitas (PA) e Márcio Gleidson Corrêa Dias (PA).

Ingressos – R$ 20,00 (arquibancada), R$ 40,00 (cadeira).

Na Rádio Clube – Ronaldo Porto narra, Rui Guimarães e João Cunha comentam. A TV Cultura transmite a partida a partir das 16h.