Paissandu supera Ananindeua na Curuzu

O primeiro tempo foi sofrível, com muitos erros de passe e distância excessiva entre meio-de-campo e ataque, mas nos 15 minutos finais o Paissandu conseguiu se posicionar melhor e estabelecer a vitória de 2 a 1 sobre o Ananindeua, na noite desta terça-feira na Curuzu. Bruno Rangel, de cabeça aos 31 minutos do 2º tempo, e Zé Augusto (também de cabeça), aos 37, fizeram os gols do Papão. Kanu diminuiu para o Ananindeua aos 38. Allax ainda impediu o gol de empate do Ananindeua aos 42, abafando chute de Joãozinho, mas Zé Augusto também esteve a pique de fazer o terceiro gol.

Pode-se dizer que o Paissandu só entrou no jogo na etapa final, depois que Charles trocou Marquinhos por Fabrício e Luciano Dias por Zé Augusto. As duas mudanças deram ao time a vivacidade e o ânimo que faltaram no primeiro tempo. Em poucos minutos, o Paissandu criou diversas situações, inclusive tabelinhas puxadas por Fabrício e Tiago Potiguar. Os gols nasceram em meio a essa evolução da equipe, a partir de cruzamentos perfeitos para o cabeceio de Bruno Rangel e Zé Augusto.

Os instantes finais da partida também deixaram o Ananindeua mais audacioso no ataque, com Gegê e Fabinho mais próximos de Joãozinho e Kanu. Esse volume de jogo, porém, não foi suficiente para evitar a derrota. A renda foi de R$ 18.938,00, para um público total de 1.925 torcedores (1.365 pagantes e 560 credenciados). Joelson Silva dos Santos apitou a partida. (Fotos: MÁRIO QUADROS)

Três brasileiros no time de fracassos do Italiano

Os brasileiros Felipe Melo, Diego e Amauri estão entre as principais decepções do Campeonato Italiano nesta temporada. Em análise publicada pelo jornal de Milão La Gazzetta dello Sport, os três brasileiros integram ao lado de jogadores titulares da seleção local, como Gianluigi Buffon e Fabio Cannavaro, um time de “fracassados”. Para indicar a seus leitores atletas nos quais não vale a pena apostar na reta final da competição, a Gazzetta escalou uma equipe bastante ofensiva, montada em um hipotético 3-4-1-2: Buffon, Alessandro Gamberini, Cannavaro e Fabio Grosso; Gattuso, Felipe Melo, Gaetano D’Agostino, Sulley Muntari e Diego; Amauri e Marco Di Vaio.

Justificando suas opções quanto aos brasileiros, o diário apontou que Amauri acabou prejudicado pela “mediocridade” da Juve, apenas a sétima colocada do Italiano, que ainda tem Buffon, Cannavaro, Grosso, Melo e Diego pontificando na seleção escalada. O atacante brasileiro, que está para receber o passaporte italiano, ainda espera ser convocado para a Copa do Mundo pelo técnico Marcello Lippi.

Já o volante da Seleção Brasileira e o meia revelado no Santos mostraram “dificuldades de adaptação a um novo time” após se destacarem respectivamente por Fiorentina e Werder Bremen. Segundo o jornal, os resultados do atual Campeonato Italiano têm mostrado que “quem mais gasta menos vence”. Só em Felipe Melo e Diego, por exemplo, a Juventus investiu cerca de 50 milhões de euros (R$ 118 milhões) e agora corre sérios riscos de nem se classificar à próxima Liga dos Campeões da Europa.

Chance para a turma da casa

Além de Jorge Santos, Raul, Marlon, Patrick e Héliton, outros jogadores caseiros e da nova geração remista podem ganhar uma chance com o técnico Giba. É o caso dos laterais Neto e Diego Azevedo e do volante San, que na manhã desta terça-feira treinou entre os titulares e deve ser relacionado para o jogo contra o Santa Rosa.

Atriz vai tirar a roupa se Roma for campeã

Torcedora fanática da Roma, a atriz Sabrina Ferilli promete uma comemoração bastante especial caso a equipe ganhe o Campeonato Italiano desta temporada: fará um striptease pelas ruas da capital da Itália. Ferilli, 45 anos, já protagonizou uma cena parecida em 2001, ano do terceiro e último título nacional da Roma. Naquela oportunidade, ela “cumpriu” o combinado e desfilou de roupas íntimas em frente ao Circo Máximo, um dos principais patrimônios históricos da cidade, em meio à festa de milhares de torcedores da equipe.

A nova promessa da artista, que costuma participar de seriados televisivos da Itália e já atuou em filmes como Tutta La Vita Davanti (Toda uma vida pela frente), de Paolo Virzì, veio neste fim de semana durante um programa da rede Rai. Curiosamente, ela ainda convidou a apresentadora Simona Ventura a acompanhá-la no strip. A seis rodadas do fim do Campeonato Italiano, a Roma ocupa a segunda posição com 65 pontos, um atrás da Inter de Milão e dois à frente do Milan. Neste fim de semana, as equipes enfrentam respectivamente Atalanta, Fiorentina e Catania. (Do portal Terra)

Marciano pode desfalcar o Remo

Testes físicos que serão ministrados durante o dia de hoje à tarde definirão a escalação ou não do atacante Marciano, artilheiro do Parazinho com 9 gols, para a partida desta quarta-feira, entre Remo e Santa Rosa, no Baenão. O jogador reclama de dores musculares desde o jogo contra o Cametá, na segunda rodada.

O departamento médico do Remo descartou a existência de lesão mais séria, atribuindo as dores ao cansaço. Caso Marciano seja vetado – hipótese que ganha força em função do Re-Pa de domingo -, o técnico Giba tem Héliton e Samir como opções para substituí-lo, já que Landu está definido como titular no ataque.

Tucano propõe fundo esquisitão

Uma ideia de jerico está em vias de aprovação pelo Congresso Nacional. Já passou pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Trata-se de projeto do senador tucano Álvaro Dias. Todo cheio de imaginação, Dias propõe um pomposo Fundo de Apoio à Reestruturação Financeira dos Clubes de Futebol. Quer estimular, segundo ele, os clubes que se tornarem empresas a investirem. O dinheiro para o tal fundo viria, adivinhe só, do faturamento dos próprios clubes!  Ficaria assim o arranjo: 10% do valor de todas as negociações de jogadores para o exterior; 10% de toda bilheteria de jogos; 10% dos valores da publicidade em placas nos estádios; 15% das receitas da CBF com a Seleção e 10% das verbas publicitárias da confederação também seriam destinados ao fundão. Só falta agora combinar com os russos. (Com informações de Lauro Jardim)

Sobre futebol e imaginação

Por Tostão

“Todos os grandes times do passado jogavam para vencer, dentro do estilo da época. O espetáculo era consequência. É o que faz hoje o Santos. Brinca, com seriedade.

Infelizmente, a maioria valoriza hoje mais um título com pouca importância, como um Estadual, do que um jogo prazeroso e lúdico, como o do Santos, caso o time não seja campeão com a atual formação. Vão dizer que o que vale é o título.

Muitos jovens que assistem, pela primeira vez, na íntegra, e como olhar de hoje, ficam um pouco decepcionados com os grandes times, como o Brasil de 70. Percebem que os jogadores cometiam erros e que o time era excepcional, mas não era perfeito, como falam seus pais. A perfeição só existe em nossa imaginação”.

Passarinho desconstrói Geisel

Por Maria Inês Nassif e Paula Simas, de Brasília – do Valor Econômico

Jarbas Passarinho, 90 anos: para ex-ministro, no governo Geisel houve uma política de Estado de extermínio de adversários quando os militares já haviam feito a limpeza da guerrilha urbana

O aniversário de 46 anos do golpe de 1964, neste 31 de março de 2010, encontra o coronel da reserva, ex-ministro e ex-senador Jarbas Passarinho com 90 anos. Mesmo debilitado por um longo período de doença – uma septicemia que se seguiu a uma pneumonia valeu a ele uma estada na UTI e três momentos em que a morte quase bateu à porta -, Passarinho mantém uma surpreendente lucidez. Retoma quase do mesmo ponto uma conversa que teve com as repórteres oito anos atrás, quando expôs seu grande incômodo pela maneira como a história enxerga os governos dos generais-presidentes Costa e Silva (1967-1969), Emílio Garrastazu Médici (1969-1974) e Ernesto Geisel (1974-1978).

Para a história, segundo ele, os dois primeiros (aos quais serviu como ministro) ficaram como governos duros – como se as atitudes tomadas por ambos decorressem de uma vontade pessoal ou do espírito antidemocrático dos dois. Do último ficou a impressão de que era alguém com grande espírito democrático – e que, dessa forma, se contrapunha aos dois governos anteriores. O ex-ministro praticamente sugere uma inversão da maneira como a história deve ver cada um desses personagens.

Passarinho propõe uma releitura que, se não consegue atenuar o conteúdo das decisões dos presidentes Costa e Silva e Médici que foram interpretadas pela história como antidemocráticas, de outro recoloca Geisel na história como um presidente particularmente duro. Para o ex-senador, Costa e Silva foi o responsável pelo AI-5, embora a decretação do ato tenha ocorrido por pressão militar, não pela convicção pessoal daquele presidente; da decisão de Médici de dar autonomia ao aparelho de repressão decorreram o descontrole e a tortura generalizada, embora tivesse deixado claro antes a seus auxiliares que não concordava com a tortura. Mas, segundo Passarinho, no governo Geisel houve política de Estado de extermínio de adversários quando os militares já haviam feito, na gestão anterior, a limpeza da guerrilha urbana, que era o que efetivamente ameaçava o regime militar.

Uma decisão presidencial, a de Geisel, eliminou fisicamente a guerrilha rural que estava isolada e matou vários dirigentes do Partido Comunista Brasileiro (PCB), que nunca pegou em armas contra o regime. “Uma ordem para não fazer prisioneiros só podia vir do presidente da República, de mais ninguém.” Passarinho define as políticas de Estado que endureceram o regime nos governos Costa e Silva e Médici como reações a ações da esquerda armada. O fato de o poder não ter sido entregue aos civis no período pós-Médici, governo que exterminou a guerrilha urbana e entregou ao sucessor a guerrilha rural – do Araguaia – totalmente isolada, foi, para ele, um ato autoritário de Geisel. “Eu tenho a triste impressão de que a guerrilha do Araguaia foi utilizada como pretexto para continuar o regime autoritário”, disse, há oito anos.

“Não havia, do meu ponto de vista, a menor razão para continuar um processo autoritário por causa da guerrilha do Araguaia [1969-1975, do PCdoB]. Era um movimento inexpressivo. Ali era uma área que, cercada, poderia resultar até na morte por fome dos guerrilheiros”, disse, na primeira entrevista. “Era um grupo de 60 pessoas completamente isolado, rompido com a União Soviética, rompido com a China de Mao Tsé-tung e apenas apoiado pela Albânia, que era o pior país em matéria de PIB da Europa”, reiterou.

(…)

Foi a convicção de que a luta armada da esquerda não constituía mais nenhum risco ao regime que levou Passarinho, no processo de escolha do sucessor do presidente Médici, a defender a entrega do poder para os civis. “Num dia qualquer de 1973, em janeiro ou fevereiro, procurou-me o meu colega de ministério Costa Cavalcanti [Passarinho era ministro da Educação]. Ele me perguntou: você tem alguma coisa contra o Geisel? Eu falei: olha, não tenho nada contra o Geisel, mas sou a favor de que, quando chegar ao fim do ano de 1973, o presidente Médici entregue o poder aos civis”, relatou.

O ex-senador teria defendido, na época, a candidatura de Leitão de Abreu, ministro da Justiça que, na sua opinião, teria sido eleito até pelo voto direto, na esteira da popularidade de Médici. “O Ronaldo Costa Couto entrevistou o nosso famoso presidente, que então era líder sindical, o Lula, em 1989, e o Lula disse que Médici ganharia qualquer eleição que disputasse. Costa Couto perguntou por que e Lula disse: ‘Porque na época nós, trabalhadores, escolhíamos o emprego que quiséssemos’.”

(…)

Duas horas depois de uma segunda entrevista – separada por oito anos da primeira -, Passarinho dá mostras de cansaço. A filha, Júlia, já ligou duas vezes. “É a policial da família, não queria que desse entrevistas”, diz, rindo muito. Ele se declara exausto. Mas continua falando por um tempo. Mais uma história, que puxa a outra – o ex-ministro adora contar histórias com todos os detalhes, como aquela que começa com a descoberta de um d. Helder Câmara ainda integralista, quando estava no colégio, em Belém, e termina com uma negociação secreta com o já bispo de esquerda, em Crato (PE), para evitar que uma greve de trabalhadores se alastrasse pelo Estado, quando era ministro do Trabalho.

E termina com a última: de como uma carta apócrifa, que atribui ao SNI de Golbery, tentava acusá-lo de corrupção por causa da venda de um apartamento, quando era ministro de Médici. Segundo ele, não teve nenhuma dificuldade para desmentir a acusação, já que o apartamento e a casa onde ainda hoje mora foram os únicos patrimônios adquiridos ao longo de toda a sua vida pública. Mas, deixa claro, ficou o ressentimento.

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