MPF investiga ameaça na UFPA: “Bem-vindo ao fascismo. Vamos exterminar vocês”

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O Ministério Público Federal (MPF) determinou, nesta quinta-feira (8), a abertura de investigação criminal sobre uma carta com ameaças a alunas do curso de geografia da Universidade Federal do Pará (UFPA) em Altamira, na região do médio rio Xingu. A carta, anônima, foi encontrada no dia 31 de outubro, provavelmente passada por baixo da porta do centro acadêmico de geografia, contendo ameaças contra duas alunas que são lideranças do movimento estudantil.

A carta iniciava com os dizeres “Bem vindos ao Fascismo” (sic) e prosseguia anunciando que chegou o momento de “passar por cima de cada um de vocês, cada gay, cada sapatão, preto e preta”.

“Vamos exterminar cada um de vocês. Vamos destruir cada um desse tal movimento estudantil, começando por vocês do Diretório Acadêmico, vamos começar com a preta que se acha dona da razão, a coordenação geral do D.A, vai aprender a ficar calada, vai aprender a ficar no lugar dela, vai aprender que preta não tem voz e nem vez”, dizia o texto para, em seguida, nominar duas alunas e ameaçá-las de morte.

O texto encerra-se com as frases “A UFPA vai ser nossa! Vamos colocar vocês no lugar onde merecem… Nas valas de Altamira! Se preparem porque a tortura vai começar. Viva Bolsonaro. Viva a Ditadura. Viva o Fascismo. Viva o Carlos Alberto Brilhante Ustra”. As alunas denunciaram a ocorrência nas redes sociais e o Movimento Xingu Vivo para Sempre enviou representação ao Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) em Altamira, mas o MPF entende que a competência para a investigação é federal, uma vez que o caso ocorreu no campus de uma instituição federal de ensino superior e por incidir no crime de incitação ao genocídio, que é objeto de convenção internacional de 1948.

No despacho de instauração da investigação, o MPF aponta a ocorrência de três crimes que reputa “gravíssimos” na carta: racismo (Lei 7.7716/1989), com pena de um a três anos de prisão e multa; incitação ao genocídio (Lei 2.889/1956), com penas de 6 a 15 anos de reclusão; e ameaça (art. 147 do Código Penal), com pena de um a seis meses de prisão ou multa. Para os procuradores da República que instauraram a investigação, é fundamental determinar a autoria da carta para levar os responsáveis à Justiça.

Carta-fascismo

A casa caiu

jornalistas

Por Hildegard Angel, no JB

A Caixa Econômica já avisou que não assina mais nenhum contrato do programa Minha Casa Minha Vida este ano. É o Brasil Novo sem dó nem piedade.

A mídia corporativa faz cara de paisagem, como se não tivesse nada a ver com esse quadro de pré barbárie que estamos vivendo, de obscurantismo e patrulhamento ideológico e moral. Mas ela foi, e é, a principal responsável. Até porque foi ela que liderou, desde o início, essa campanha de ódio, que se disseminou como bactéria, causando um quadro de septicemia generalizada em nosso povo, dificultando e distorcendo sua percepção da realidade.

População infectada ao longo de mais de uma década por essa campanha impiedosa contra o PT, contra Lula e seus partidários, nas TVs, nos jornais e rádios e sites, atribuindo a eles todas as desgraças do país, e que acabou se estendendo por toda a classe política, até a democracia. Traçaram um quadro de penúria e escuridão, nos anos em que o Brasil prosperava e chegava à condição de quinta maior economia do mundo, pagava o FMI, emprestava aos Estados Unidos, saía do Mapa Mundial da Fome. Nenhum desses méritos mereciam manchete, sequer destaque no noticiário dos jornalões. Tentavam quase esconder em registros ridículos ao pé das páginas.

Ao contrário de fazer jornalismo, mentiam. E mentiam muito. São eles, sim, os precursores das fake news no Brasil. E a mais escandalosa das mentiras era a “falência da Petrobras”, em noticiário orquestrado entre “colegas” da imprensa.

A população não teve defesas para combater esse vírus maledicente, que satisfazia a interesses alheios vários, menos o nosso, o do povo. O ódio a correr pelas veias e entranhas nacionais impedia a visão real dos fatos. Nesse estado de fragilidade, o povo brasileiro não teve como reagir a novo ataque: o das fake news nas redes sociais, semeando a intolerância, o ódio, pintando seus adversários como pervertidos éticos e morais. Imprimindo no povo a convicção irreal de que o desastre desses três anos pós impeachment “foi culpa do PT”. Potencializando os erros do Partido dos Trabalhadores, muito além de seu tamanho, satanizando um bom presidente e afagando cabeças tenebrosas, ignorando seus malfeitos, passando batido ao largo de seus desvios.

Essa condução facciosa da mídia envenenou tudo o mais. O Judiciário, o Ministério Público, a Polícia Federal, os profissionais liberais, que se sentiram desprestigiados. Como os médicos, chegando a recusar pacientes que não rezassem no seu credo político. O “Mais Médicos”, do jeito como foi pintado pela imprensa, com ecos na oposição, atendeu e salvou vidas de milhares de brasileiros no interior. Mas a imprensa não se dignou relatar.

Para completar a ópera bufa, em que os palhaços fomos nós, fizeram vista grossa quando a extrema direita desenterrou o obsoleto fantasma do “comunismo”, quando o Muro de Berlim já caiu há 30 anos, depois da Perestroika. Aqui, para essa Ku Klux Klan tropical, o comunismo está tão vivo quanto Elvis Presley está para seus fãs abilolados.

General confirma pressão sobre o Supremo contra libertação de Lula

Em entrevista ao jornalista Igor Gielow, o general Villas Boas, chefe das Forças Armadas, falou pela primeira vez sobre sua manifestação na véspera do dia em que o Supremo Tribunal Federal manteve a prisão em segunda instância e selou o destino do ex-presidente Lula, preso há sete meses por um processo amplamente questionado por juristas do Brasil e do mundo.

“Eu reconheço que houve um episódio em que nós estivemos realmente no limite, que foi aquele tuíte da véspera do votação no Supremo da questão do Lula. Ali, nós conscientemente trabalhamos sabendo que estávamos no limite. Mas sentimos que a coisa poderia fugir ao nosso controle se eu não me expressasse. Porque outras pessoas, militares da reserva e civis identificados conosco, estavam se pronunciando de maneira mais enfática. Me lembro, a gente soltou [o post no Twitter] 20h20, no fim do Jornal Nacional, o William Bonner leu a nossa nota”, disse ele.

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Sobre as críticas recebidas, ele as relativizou. “Do pessoal de sempre, mas a relação custo-benefício foi positiva. Alguns me acusaram… de os militares estarem interferindo numa área que não lhes dizia respeito. Mas aí temos a preocupação com a estabilidade, porque o agravamento da situação depois cai no nosso colo. É melhor prevenir do que remediar”, afirmou.

Villas Bôas disse ainda que a eleição de Jair Bolsonaro não representa a volta dos militares ao poder. “A imagem dele como militar vem de fora. Ele é muito mais um político. Estamos tratando com muito cuidado essa interpretação de que a eleição dele representa uma volta dos militares ao poder. Absolutamente não é”, afirmou. (Transcrito do Brasil247)

Igreja Universal lança faculdade para formação de lideranças políticas

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Enquanto Bolsonaro e o pessoal do Escola Sem Partido, por meio de gente como a deputada Ana Caroline Campagnolo, incitam a delação de professores por alunos, o pessoal mexe seus pauzinhos. O MEC autorizou a criação de uma faculdade pela fundação do Partido Republicano Brasileiro, puxadinho da Igreja Universal, da base de Temer e afinado com o “pensamento” de Jair Bolsonaro.

A Faculdade Republicana Brasileira funcionará em Brasília a partir de 2019. O primeiro curso credenciado foi, adivinhe, o de Ciência Política, com cem alunos em oito semestres.

A tal fundação recebe 20% dos recursos públicos do fundo partidário destinado ao PRB (cerca de R$ 680 mil mensais). O processo de credenciamento foi aberto em 2013, mas andou mais rápido após o golpe de 2016. Tudo coincidência.

Renato Junqueira, presidente da entidade, garantiu ao Estadão que “de forma nenhuma qualquer tipo de doutrinação em sala de aula”. Mais: “Repudiamos essa prática. Não queremos formar militantes”. Ufa! Então tá.

Quem está credenciado como reitor é Joaquim Mauro da Silva, pastor do bispo Edir Macedo, tesoureiro nacional do partido da IURD, que abre o jogo. “A gente sabe que o comportamento do PRB é a favor do Escola Sem Partido”, conta.

“Mas não podemos permitir que os pensamentos do PRB possam conduzir nossa faculdade, ela deve ser um campo de debate”. O site oficial da fundação tem um link para a página de Marcos Pereira, estrela da bancada evangélica que foi ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços do governo Temer.

Cadê o movimento Igreja Sem Partido?

(Por Kiko Nogueira – DCM)

Spike Lee: “O fascismo usa o medo. Não é só Trump, Bolsonaro é igualmente ruim”

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Por Victor Usón, no El País

Spike Lee evita mencionar o nome de Donald Trump, prefere chamá-lo de “agente laranja” ou, algumas vezes, de “filho da puta”. “Na minha cabeça soa melhor assim”, afirma, enquanto ri. É um ferrenho opositor das políticas do presidente americano, um duro ativista que costuma usar o nome da arma química utilizada pelos EUA na Guerra do Vietnã para se referir a Trump.

Lee responde de forma direta e contundente: “É um racista”. Suas frases, marcantes e concisas, brilham no quarto do resort de luxo no qual recebe a imprensa. Vestido com tênis, boné e jaqueta prateada, o cineasta olha fixamente através de seus grandes óculos azuis antes de continuar falando: “Você não o ouviu dizer que os mexicanos são uns violadores, assassinos e narcotraficantes?”, conta ao EL PAÍS no festival de cinema de Los Cabos, no México.

Suas palavras soam ainda mais contundentes em território mexicano e não muito longe da fronteira que Donald Trump se empenha em fortificar. Tijuana, que fica a norte de Los Cabos e faz fronteira com os EUA, será a porta de entrada da caravana migrante que tanto enfurece o presidente americano. “Que Deus os abençoe, vocês não estão fazendo nada de errado”, afirma Lee.

Ele lança dardos envenenados contra o presidente americano e lhe faltam adjetivos para definir sua política migratória. “Separar as mães de seus filhos é algo diabólico, uma barbárie”, assinala, concentrando sua esperança em que isso não ocorra depois da iminente chegada dos mais de 6.000 centro-americanos que se dirigem para o posto fronteiriço de Tijuana. “Só tentam ter uma vida melhor e estão fazendo um grande sacrifício para conseguir”, recorda Lee.

Mas sua cruzada não é dirigida apenas contra Trump, ela se estende por todo o planeta: “Não é só o agente laranja, o do Brasil [o presidente eleito Jair Bolsonaro] é igualmente ruim. Ocorre em nível global. Temos de combater essas pessoas”. A vitória de Jair Bolsonaro e o avanço de partidos populistas na Europa o levam a ficar em alerta para a chegada de velhos fantasmas do passado. “Usam o medo das pessoas. Isso não é novo, é a forma como o fascismo costuma jogar”, sustenta o cineasta.

De fato, seu último filme esconde uma mensagem para os racistas do mundo e em especial para o republicano Donald Trump. Infiltrado na Klan, exibido pela primeira vez no México durante o Festival de Los Cabos, conta a incursão de um agente negro em um grupo supremacista branco dos Estados Unidos nos anos setenta.

Uma história baseada em fatos reais que, embora viaje 40 anos no tempo, está perfeitamente relacionada com o que ocorreu em Charlottesville, no Estado de Virgínia, em 2017. Naquela ocasião, uma pessoa morreu e 19 ficaram feridas quando um carro avançou contra uma multidão que protestava contra uma manifestação de supremacistas brancos que era realizada na cidade. No filme, Lee deixa em evidência o atual presidente ao incluir as declarações que Trump fez após as manifestações em Charlottesville. Em declarações à imprensa, o presidente não quis mencionar o racismo nem condenar o supremacismo, limitando-se a condenar “a violência de muitas partes”.

“Em 2020 [com as eleições presidenciais nos EUA] haverá um referendo sobre para onde queremos que caminhe nosso país”, destaca o cineasta. “Teremos de escolher entre o ódio e o amor. Aí se verá a alma dos Estados Unidos.”

Spike Lee sabe claramente de que lado está nas batalhas. Responde sempre alto e forte e nunca deixa dúvida com suas palavras. Não hesita quando ele mesmo se pergunta se torce pelo Real Madrid ou pelo Barcelona. Afirma contundente que seu time é o Barça. Também não titubeia quando diz ser partidário da independência catalã. “Sí, sí, sí”, responde, com insistência e em espanhol, durante a entrevista.

Um ano da reforma trabalhista: medida reduziu renda, não gerou emprego e precarizou trabalho

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A reforma trabalhista do Governo Temer (MDB), que alterou mais de 200 pontos na CLT – conjunto de leis que protegia os direitos dos trabalhadores – completa um ano neste domingo (11). Ao longo desse período, as previsões catastróficas de especialistas foram confirmadas e a reforma, que retirou direitos fundamentais dos brasileiros, só serviu para agravar a crise do emprego e renda. Atualmente, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 12,5 milhões de brasileiros estão desempregados.

Com a falsa promessa de ser uma “vacina” contra a diminuição da oferta de vagas, a proposta de reforma atendeu a interesses do mercado financeiro e dos empresários, segundo o analista político Marcos Verlaine, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

“Essa tentativa de alterar a CLT vem de muito tempo. Não é uma coisa recente. Entretanto, desde a redemocratização, os empresários e o mercado não conseguiram reunir os elementos para aprovar a mudança, que seriam: uma bancada no Congresso com esse objetivo, força política na sociedade brasileira e uma dificuldade do movimento sindical de resistir ”, disse Verlaine.

Para enfraquecer os sindicatos, a reforma atacou a fonte de financiamento das entidades. “Houve uma queda de mais ou menos de 80% da arrecadação dos sindicatos com o fim da contribuição obrigatória. Isso desequilibrou bastante as negociações”, afirmou. As mudanças aprovadas há um ano, segundo Verlaine, alteraram radicalmente as características da CLT e abriram espaço para a precarização dos empregos.

“Sai a consolidação das leis do trabalho e entra a consolidação das leis de mercado. A legislação vigente privilegia o patrão e o mercado em detrimento do trabalhador”, resumiu o analista político. A criação de novas modalidades de contratação, com flexibilização aguda dos direitos trabalhistas, salários menores e pouca margem para negociação, dão a tônica da reforma.

A reforma trabalhista contribuiu ainda para ampliar os impactos da crise econômica, o que atrapalha qualquer perspectiva de retomada do crescimento da atividade econômica, segundo a economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais de Economia de Trabalho da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

“Esses contratos têm uma renda muito instável. Se você têm uma renda instável, você não planeja o futuro. Não tem perspectiva de assumir qualquer tipo de compromisso, contratação de crédito. Isso tem impacto sobre o consumo, a produção e o investimento. As medidas [da reforma] não têm condições de contribuir para que se retome a atividade econômica”, constata.

Renda – Segundo a pesquisadora Marilane, uma das mudanças da reforma trabalhista mais aplicadas nos acordos coletivos dos últimos 12 meses, por parte dos empregadores, foi a instituição do banco de horas. Para os trabalhadores com carteira assinada, isso teve um impacto direto na remuneração pois afetou o pagamento de horas extras. “O banco de horas substitui as horas extras, que para boa parte dos trabalhadores já foi incorporada ao salário. Então teve uma queda de renda familiar. Isso é grave porque dois terços do produto nacional vem do consumo das famílias. Quando o consumo das famílias reduz em função da queda da renda familiar, o impacto é muito grande, disse.

Aposentadoria – O advogado Guilherme Portanova, especialista em direito previdenciário, aponta o reflexo da reforma trabalhista nas aposentadorias e benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O percentual de crescimento da arrecadação líquida das contribuições, descontadas dos contracheques e recolhida pelas empresas, teve redução de 58%, na média de nove meses após a implantação da reforma, comparando com o mesmo número de meses antes da reforma.

“A redução no ritmo de crescimento da arrecadação tem a ver com o desemprego em alta e, em boa parte, com a precarização do trabalho gerado pela reforma da CLT”, analisa. Antes da reforma, a arrecadação líquida média era de R$ 29,7 bilhões com um crescimento de 5,39%. Após a entrada em vigor das novas regras, a média ficou em R$ 30,4 bilhões, ou seja, o crescimento ficou em 2,25% apenas.

Ações na Justiça – Um levantamento apresentado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) mostra que o número de novos processos trabalhistas caiu 36,2% com a reforma. De janeiro a setembro de 2017, as varas do trabalho protocolaram 2,01 milhões de ações. Já entre janeiro de setembro de 2018, com a reforma em vigor, foram 1,28 milhão. Para Estanislau Maria de Freitas Júnior, advogado especialista em Direito do Trabalho, pela USP, e em Políticas Públicas, pela Fundação do Desenvolvimento Administrativo (Fundap), essa redução é reflexo da mudança que desequilibrou a correlação de forças entre empregador e trabalhador.

“As empresas continuam cometendo irregularidades e não cumprindo a lei. Mas com a reforma ficou mais arriscado para o trabalhador entrar com a ação por conta da regra nova, que obriga a parte que perde a ação a pagar as custas do advogado da outra parte. Essa é uma prática do direito civil que foi importada para o direito trabalhista na reforma”, disse.

Vagas – O principal argumento do governo Temer para aprovar a reforma com cortes de direitos foi a geração de empregos. A estimativa do então ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, era de 2 milhões de vagas nos dois primeiros anos. A tese é parecida com a frase que o presidente eleito Jair Bolsonaro disse, em agosto, na sabatina do Jornal Nacional, da TV Globo. “O trabalhador terá que escolher entre mais direito e menos emprego, ou menos direito e mais emprego”.

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), derrubam a tese em tom de ameaça. Nos 12 primeiros meses, o saldo de vagas geradas no país foi de 372 mil, ou seja, faltaram mais de 620 mil oportunidades de trabalho para chegar na meta de 1 milhão estimada pela equipe de Temer para o primeiro ano.

“Foi um resultado pífio e muitas das vagas geradas são de emprego intermitente, ou seja, o trabalhador foi contratado, porém, pode ser que ele nem tenha sido convocado para trabalhar. Ou seja, continuou sem a renda”, disse Verlaine. De acordo com o técnido do Diap, o trabalho intermitente, que estabelece a possibilidade de pagamento das horas efetivamente trabalhadas, de acordo com a convocação do empregador, é um indicativo forte da precarização do trabalho. “Para conseguir uma renda, ele terá que trabalhar em vários lugares diferentes. E sem garantia de quanto vai receber”, disse.

Outro problema relacionado ao emprego intermitente é a contribuição para o INSS. Segundo a regra do governo, a contribuição mínima tem como referência o salário mínimo, que está em R$ 954. Se o trabalhador intermitente não consegue atingir este valor de renda por mês, ele terá que fazer uma contribuição complementar da diferença para o INSS.

“Imagine como é grave. Além de ficar com a renda comprometida naquele mês, ele pode ficar em débito com o INSS, caso não faça a contribuição extra, e perder este tempo na contagem para a aposentadoria”, explica o especialista em direito previdenciário, Guilherme Portanova. (Transcrito do Brasil de Fato)

A revanche dos ressentidos

Por Eliane Brum, no El País

Eu acompanhava uma amiga no aeroporto, em São Paulo. Os elevadores que levavam do estacionamento aos terminais demoraram. Quando finalmente entramos, estava lotado. Um homem com um bebê no colo, possivelmente seu neto, gritou: “Quando Bolsonaro assumir, isso aqui vai andar rápido!”. E acrescentou: “Pá! Pá! Pá!”. Abri a boca para perguntar: “Você está atirando no seu neto?”. E então percebi que não poderia fazer isso sem me arriscar a sofrer violência. O homem e a família que o rodeava realmente pareciam acreditar que Bolsonaro dará “um jeito em tudo”, dos “comunistas” que supõem existirem aos milhões, à velocidade dos elevadores.

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Gays são ameaçados de espancamento se andarem de mãos dadas, ou simplesmente por existir, mulheres com roupa vermelha são xingadas por motoristas que passam, negros são avisados que devem voltar para a senzala, mulheres amamentando são induzidas a esconder os seios em nome da “decência”. Aquele amigo de infância de quem se guardava uma boa lembrança escreve no Facebook que chegou a sua vez de contar o quanto o odiava em segredo e que pretende exterminá-lo junto com a sua família de “comunistas”. Um conhecido que passou a vida adulta acreditando merecer mais sucesso e reconhecimento do que tem, agora espalha sua barriga no sofá da sala e vocifera seu ódio contra quase todos. Outro, que se sempre se sentiu ofendido pela inteligência alheia, sente-se autorizado a exibir sua ignorância como se fosse qualidade.

Mensagens no Facebook anunciam que vão caçar todos os que votaram contra Bolsonaro e jogá-los na fronteira. Aqueles que se opuseram ao autoritarismo são tratados por essa multidão enraivecida como se fossem estrangeiros – e o país tivesse deixado de pertencer também a eles. Como nos princípios do regime totalitário do cada vez mais atual 1984, clássico de George Orwell: “Guerra é paz. Liberdade é escravidão. Ignorância é força”.

A atmosfera tóxica do Brasil atual pode ser resumida por um trecho da carta que chegou ao Centro Acadêmico da Geografia, na Universidade Federal do Pará, em Altamira: “Bem vindos ao fascismo! Agora é a nossa vez, agora é o nosso momento, vocês vão ter que engolir porque vamos passar por cima de cada um de vocês, cada gay, cada sapatão, preto e preta. Vamos exterminar cada um de vocês. (…) Vão morrer um por um, cada preto e preta que acham que podem sair da senzala”. A carta anônima termina com: “Viva Bolsonaro! Viva a ditadura! Viva o Fascismo! Viva o Carlos Alberto Brilhante Ustra!”.

Como as palavras se esvaziaram de sentido no Brasil, “comunismo” e “comunista” virou o nome para tudo e todos que se odeia, seja pela orientação sexual, pela cor da pele ou pela atuação política. O termo não tem mais nenhuma relação com seu conceito, mas foi apropriado como o pecado da parcela da população que denunciou o autoritarismo criminoso de Bolsonaro, um apologista da tortura e dos torturadores. E assim o Brasil inaugura um outro tipo de Guerra Fria. O pacto civilizatório, aquele que permitia a convivência, já vinha sendo rompido nos últimos anos no país. Agora foi rasgado por completo. Este é o primeiro sinal

O bom negócio das palmas

DESENHOS-03

POR GERSON NOGUEIRA

Neymar talvez tenha agora como justificar aquela papagaiada de rolar pelo gramado na Copa do Mundo, simulando faltas e construindo um muro de má vontade no mundo inteiro contra a Seleção Brasileira. Notícia divulgada na sexta-feira pelo Mediapart, publicação que integra a respeitada rede EIC (Colaborações Investigativas Europeias, em português) de jornalistas independentes, especializados em publicar reportagens investigativas de fôlego, mostra que até a emoção dos craques passou a ser custeada por gordas remunerações.

A mais recente façanha da Mediapart é o chamado Football Leaks, contendo informações exclusivas sobre o alto mundo do futebol. Graças à série de matérias bombásticas, o Monaco foi acusado de firmar contratos frios e o Manchester City denunciado por falsear patrocínio da Etihad.

Desta vez, o trabalho mirou o PSG, revelando a montanha de dinheiro que o dono do clube paga a Neymar e outros astros, incluindo um inacreditávelbônus salarial para que os profissionais respeitem uma cartilha ética e comportamental. O mais curioso é o item que prevê saudações e cumprimentos à torcida do PSG ao final de cada jogo.

Neymar, astro maior da companhia, embolsa € 375 mil por mês (R$ 1,6 milhão) para bater palminha para os torcedores. Kylian Mbappé leva € 117 mil (cerca de R$ 500 mil). Daniel Alves e Cavani ganham € 70 mil (R$ 300 mil) cada, e o zagueiro Thiago Silva recebe “somente” € 33 mil (R$ 140 mil) pelas mesuras ensaiadas.

A história do bônus por agradecimento já havia sido noticiada por outros veículos, mas sem discriminar valores. Com a divulgação das minúcias de transações e acordos contratuais no Football Leaks, o próprio PSG se manifestou admitindo a existência do código de ética como forma de garantir a prática de bons hábitos.

Como não poderia ser diferente, os brasileiros Neymar e Thiago Silva mostraram-se irritados com a divulgação, desmentindo o que o próprio PSG não negou. O atacante chegou a acusar a Mediapart de disseminar fake news. Por essa afirmação, corre o risco de perder alguns milhões de euros se for processado pela rede EIC.

O que incomoda aos jogadores, principalmente os brasileiros, é a descoberta da encenação ao final dos jogos, revelando que até um mero agradecimento é contabilizado em euros. Não vai faltar quem coloque em dúvida as crises de choro de Neymar durante a Copa. As lágrimas pareciam de crocodilo, mas o jogador insistiu na cena e ganhou apoio da comissão técnica da Seleção e do pai-empresário.

Atualíssima mirada nas coisas do futebol, a série de reportagens desnuda  os mimos e excessos que alguns clubes concedem a jogadores de primeira linha, tornando mais compreensível certas atitudes infantis vistas até dentro de campo. Para alguns craques, a licenciosidade vivida nos clubes faz crer que no mundo cor-de-rosa do futebol tudo é permitido.

Já no começo da semana, outro destacado atleta do PSG foi alvo de comentários e críticas. Mbappé teve detalhes da negociação, pedidos salariais, influência da família e cifras exorbitantes revelados em documentos obtidos pela revista alemã Der Spiegel junto à Mediapart.

A cada nova descoberta quanto ao moderno tipo de negócio envolvendo estrelas do futebol, o esporte das multidões vai deixando pelo caminho aquele ar encantadoramente simples que tanto encantava as classes mais humildes.

As fortunas movimentadas em transações e mordomias escancaram o que muitos não querem ver: o futebol virou mesmo uma fantástica máquina de fazer dinheiro, onde gestos prosaicos como saudar a galera não têm um pingo de verdade.

De verdadeiro, honesto e puro resta apenas o amor dos torcedores por seus clubes e bandeiras. Embora até mesmo isso já corra algum perigo na forma de grupos uniformizados pagos para comparecer aos jogos.

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Bola na Torre

Com a ilustre presença do bragantino Claudio Guimarães na bancada, ao lado deste escriba baionense, o programa terá apresentação de Giuseppe Tommaso. Começa às 21h, na RBATV, analisando a rodada da Série B e os desdobramentos da Segundinha do Parazão.

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Tempos que não voltam mais

A Fórmula 1 caiu no gosto dos brasileiros quando tínhamos campeões nas pistas. Como se sabe, sendo o futebol a maior prova disso, brasileiro só se interessa por vitórias. Vai daí que Emerson, Piquet e Senna fizeram a alegria de milhões de pessoas ao longo de quase 20 anos, conquistando títulos mundiais e pulverizando recordes.

Quando a safra minguou, gerando projetos que nunca vingaram – Barrichello e Massa –, a audiência da TV despencou e a F-1 passou a viver de seu passado glorioso entre nós. Ainda há insistentes esforços pela recuperação do velho prestígio, mas não há graça em ver os motores a roncar sob o comando de um Hamilton ou Vettel ou Bottas.

Refiro-me ao GP do Brasil, que acontece hoje em São Paulo, sem o glamour e a ansiedade que despertava nos áureos tempos. Ocorre por força do calendário e o faturamento das grandes marcas envolvidas no negócio. Para saudosistas como eu, o encanto perdido não inspira sequer uma olhadela na transmissão.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 11)

Lia Amancio

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Tamára Lunardo

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