Expressão usada por ministros de Bolsonaro foi invocada em massacre na Noruega

Por Kiko Nogueira, no DCM

Há uma bandeira que une os mentores intelectuais (sic) do bolsonarismo: a luta contra o chamado “marxismo cultural”. Essa batalha é travada com força e com vontade pelo futuro chanceler Ernesto Araújo e seu anunciado colega ministro da Educação, o colombiano Ricardo Vélez Rodríguez.

Rodríguez não deixa por menos. Autor de livros contra o PT, ele assina uma postagem com planos para o MEC em sua página na internet — denominada, sugestivamente, “Rocinante”. No caso, o cavalo de Dom Quixote. Ainda assim, um cavalo.

Os brasileiros, segundo Rodriguez, são “reféns de um sistema de ensino alheio às suas vidas e afinado com a tentativa de impor, à sociedade, uma doutrinação de índole cientificista e enquistada na ideologia marxista, travestida de ‘revolução cultural gramsciana’, com toda a coorte de invenções deletérias em matéria pedagógica como a educação de gênero” etc etc.

Resenhou o livro “Educação física e regime militar: Uma guerra contra o marxismo cultural”, picaretagem que alega, entre outras coisas, que “o esporte-educacional, como aquele observado nos anos de 1964 a 1985, aparece claramente com o notável intuito de formar a juventude brasileira por meio de valores supremos”.

Ambos são seguidores e indicações do “filósofo” Olavo de Carvalho, general dessa guerra contra o que ele definiu numa coluna seminal (sic) no Globo, de 2002, como “uma nova escola” que quer destruir o Ocidente.

Ela tem “influência predominante nas universidades, na mídia, no show business e nos meios editoriais”. A esquerda, mais especificamente os governos petistas, tornou-se seu arauto. Tanto Jair quanto seus filhos papagueiam tio Olavo repetindo essa expressão sempre que julgam necessário parecer, inutilmente, inteligentes. É um bicho papão da extrema direita no mundo.

No New York Times, Samuel Moyn, professor de Direito e História da Universidade de Yale, nos EUA, resumiu o conceito como “um meme de 100 anos de idade”, com “uma história longa e tóxica”.

Nada disso realmente existe”, afirma, numa excelente análise. “Mas é cada vez mais popular acusar os efeitos nefastos do marxismo cultural na sociedade – e sonhar com seu violento extermínio.”

Moyn associa essa tese paranoica ao antissemitismo. Lembra que Anders Breivik, o neonazi terrorista que matou 77 e feriu 51 num acampamento do Partido dos Trabalhadores norueguês, na ilha de Utøya, em 2011, justificou a barbárie mencionando o marxismo cultural, ameaça à “cristandade” moderna.

Destaco alguns trechos para entender em que buraco a inteligentsia bolsonaro-olavista quer atirar o Brasil:

Originalmente uma contribuição americana para a fantasmagoria do alt-right, o medo do “marxismo cultural” vem se infiltrando há anos através de esgotos globais de ódio. (…)

Em junho, Ron Paul tuitou um meme racista que empregou a frase. No Twitter, o filho de Jair Bolsonaro, o recém-eleito homem forte do Brasil, gabou-se de conhecer Steve Bannon e unir forças para derrotar o “marxismo cultural”. (…)

O “marxismo cultural” também é um dos temas favoritos do Gab, a rede de mídia social em que Robert Bowers, o homem acusado de matar 11 pessoas em uma sinagoga em Pittsburgh no mês passado, passou algum tempo. (…)

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Em seu manifesto de 1 500 páginas, o norueguês de direita Anders Breivik, que matou 77 pessoas em 2011, invocou o “marxismo cultural”. Repetidamente. “Ele quer mudar o comportamento, o pensamento e até as palavras que usamos”, escreveu. “Até certo ponto, já o fez.”

De acordo com seus oponentes ilusórios, “marxistas culturais” são uma aliança profana de aborteiros, feministas, globalistas, homossexuais, intelectuais e socialistas que traduziram a velha campanha esquerdista para levar os privilégios das pessoas da “luta de classes” à “política de identidade”. (…)

Alguns dos teóricos da conspiração que traçam as origens do “marxismo cultural” atribuem um significado desproporcional à Escola de Frankfurt. (…)

Muitos membros da Escola de Frankfurt fugiram do nazismo e foram para os Estados Unidos, onde supostamente carregavam o vírus do marxismo cultural para a América. O discurso mais amplo em torno do marxismo cultural hoje se assemelha a uma versão do mito do “bolchevismo judeu” atualizada para uma nova era.

Nos anos após a Revolução Russa, os fantasistas aproveitaram o fato de que muitos dos seus instigadores eram judeus para sugerir que as pessoas poderiam economizar tempo equiparando o judaísmo ao comunismo – e matar ambos com um único golpe. (…)

A defesa do Ocidente em nome da “ordem” e contra o “caos” é um assunto antigo que se apresenta como um novo insight. Isso levou a danos graves no último século. (…)

Esse “marxismo cultural” é uma calúnia grosseira, referindo-se a algo que não existe, mas infelizmente não significa que pessoas reais não vão pagar o preço, como bodes expiatórios para apaziguar um sentimento crescente de raiva e ansiedade.

E, por essa razão, o “marxismo cultural” não é apenas um desvio triste de enquadrar queixas legítimas, mas também uma atração perigosa em um momento cada vez mais desequilibrado.

A frase do dia

“TSE sinaliza aprovação das contas de Bozo. Alguém tinha dúvida isso? Eu não. O golpe contra Dilma e Lula não existiria se não fosse o TSE, o STF, o STJ, o TRF 4. Todos foram imprescindíveis para consumação do golpe. Sou operador do Direito, mas não confio no Poder Judiciário”.

Gilvan Freitas, no Twitter 

Palmeiras bate Vasco e é decacampeão brasileiro

Palmeiras provou mais uma vez que sabe ser brasileiro na noite deste domingo. No Estádio de São Januário, o time comandado pelo técnico Luiz Felipe Scolari contou com gol do centroavante Deyverson para ganhar do Vasco por 1 a 0 e garantiu o título nacional. Com 77 pontos, o Palmeiras assegura o primeiro lugar do Campeonato Brasileiro ainda na 37ª rodada, já que, a uma do fim, não pode mais ser alcançado pelo Flamengo (72). O Vasco, no 13º lugar, fica com 42 pontos, quatro a mais do que o Sport, primeiro integrante da zona de rebaixamento.

Em êxtase, a torcida alviverde canta e vibra pelo decacampeonato, uma vez que o Palmeiras conquistou a Taça Brasil (1960 e 1967), o Torneio Roberto Gomes Pedrosa (1967 e 1969) e Campeonato Brasileiro (1972, 1973, 1993, 1994, 2016 e 2018), todos unificados pela CBF.

Pela 38ª e última rodada do Campeonato Brasileiro, às 17 horas (de Brasília) de domingo, o Palmeiras volta a campo para enfrentar o Vitória, no Allianz Parque. No mesmo horário, o Vasco encerra sua participação contra o Ceará, no Estádio Castelão.

O Jogo – Com as arquibancadas de São Januário lotadas, o Vasco começou o jogo em alta e deu trabalho à defesa palmeirense durante o primeiro tempo. Após cobrança rápida de falta, Andrey arriscou de fora da área e obrigou o goleiro Weverton a ceder o escanteio.

Como de costume, o lateral esquerdo Diogo Barbosa demonstrou vulnerabilidade na marcação, deficiência explorada pelo Vasco. Em um chute cruzado disparado por Pikachu, o goleiro Weverton voltou a fazer uma defesa importante e Felipe Melo afastou o perigo.

O Palmeiras conseguiu manter a posse de bola, mas foi incapaz de criar boas oportunidades na etapa inicial. Na estocada mais incisiva do time visitante, Bruno Henrique dominou pela esquerda e chutou de fora da área, com perigo para o goleiro Fernando Miguel.

Após ouvir instruções de Felipão no vestiário, o Palmeiras voltou melhor para o segundo tempo. Logo no recomeço da partida, o lateral Mayke cruzou da direita e Dudu, livre, tentou completar de primeira, mas pegou errado e mandou a bola para fora.

Na tentativa de aumentar o poder fogo de sua equipe, Felipão trocou Borja por Deyverson e depois tirou Lucas Lima para colocar Gustavo Scarpa, deslocando Dudu para a meia. Aos 27 minutos, o camisa 7 deu belo passe na direita para Willian, que cruzou para Deyverson completar com sucesso.

Em vantagem no marcador, Felipão sacou Willian e posicionou Jean na ponta direita. O Vasco, dirigido por Alberto Valentim, procurou reagir e chegou a pressionar o Palmeiras no campo de defesa, mas o time visitante soube como se defender até o apito final para ganhar o Campeonato Brasileiro.

VASCO 0 X 1 PALMEIRAS

Local: Estádio São Januário, no Rio de Janeiro (RJ)
Data: 25 de novembro de 2018, domingo
Horário: 17 horas (Brasília)
Árbitro: Rafael Traci (PR)
Assistentes: Ivan Carlos Bohn (PR) e Rafael Trombeta (PR)
Público: 21.066 pagantes
Renda: R$ 596.810,00
Cartões amarelos: Desábato, Castan e Andrey (VAS); Felipe Melo, Bruno Henrique, Gomez, Deyverson e Jean (PAL)
Cartão vermelho: Pikachu (VAS)
Gol: Deyverson, aos 26 minutos do 2º Tempo

VASCO: Fernando Miguel; Luiz Gustavo, Werley, Leandro Castan e Henrique (Willian Maranhão); Desábato (Raul), Andrey, Yago Pikachu e Thiago Galhardo; Kelvin (Marrony) e Maxi López. Técnico: Alberto Valentim

PALMEIRAS: Weverton; Mayke, Luan, Gustavo Gomez e Diogo Barbosa; Felipe Melo, Bruno Henrique, Lucas Lima (Gustavo Scarpa); Willian (Jean); Dudu e Borja (Deyverson)
Técnico: Luiz Felipe Scolari

Angola proíbe pastores de pedir dinheiro em cultos e deve fechar mais de mil igrejas

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Por Kiko Nogueira

Angola está dando um exemplo de como lidar com a metástase das igrejas evangélicas e seus pastores picaretas e com ambições políticas. Neste mês, aquelas que estiverem em situação irregular — pelo menos 1220 delas — podem ser fechadas. Apenas 81 estão legais. Mais de 50% das denominações implantadas no país são estrangeiras, provenientes do Brasil, Congo, Nigéria e Senegal.

Os requisitos para abrir uma empresa religiosa passam primeiro pelo alcance de 100 mil assinaturas reconhecidas presencialmente em cartório, em 12 províncias, por membros maiores de idade.

Os líderes ficam proibidos, entre outras coisas, de cobrar objetos, serviços ou dinheiro em troca de “promessas e bênçãos divinas”.

Se desobedecerem, lhes serão confiscadas as licenças e autorizações. Em 2013, a Universal teve sua operação suspensa por dois meses no país após um acidente no estádio Cidadela Desportiva que deixou 13 mortos.

Em fevereiro, o bispo João Leite, responsável pelo braço angolano da companhia, foi desligado. Leite divulgou um vídeo em que confessava ter traído sua mulher.

O site Angola 24 Horas falou do novo decreto:

Os bispos, padres, pastores e diáconos passarão a ser obrigados a declarar os seus bens e a fazer prova dos mesmos no momento da sua tomada de posse e da instrução do processo de reconhecimento da respectiva confissão religiosa. (…)

Aos ministros de cultos de nacionalidade estrangeira, a lei obriga a fazer prova da existência de requisitos para a sua acreditação, entre os quais a formação em teologia, académica, experiência missionária e situação migratória regularizada antes da entrada no território nacional.

Para exercerem essa actividade, os “servos de Deus na terra” passarão a ser certificados e credenciados não só pelos órgãos da respectiva confissão ou comunidade religiosa, como por uma entidade pública competente. (…)

“O exercício do ministério é considerado como actividade profissional do ministro de culto (bispos, pastores, padres e diáconos) quando isso lhe proporciona meios de sustento e constitui a sua actividade principal”, lê-se na proposta de lei que inova a proposta de revisão da Lei n.º 2/04, de 21 de Maio. (…)

Passarão a estar proibidas de “invocarem a liberdade religiosa para a prática de publicidade enganosa radiofónica, audiovisual ou escrita, bem como para a prática de actos que promovam intolerância religiosa”. (…)

Para descartar as suspeitas de que o Estado está a imiscuir-se na gestão interna das igrejas, reafirma-se que o país é laico e que a lei se rege por princípios da laicidade, igualdade, legalidade e cooperação. (…)

Para as igrejas se poderem manter, a lei permite que solicitem e recebam contribuições voluntárias dos fiéis, assim como beneficiem de doações de empresas públicas ou privadas nacionais e estrangeiras, ao abrigo da Lei do Mecenato.

Apesar de estarem proibidas de exercer actividades comerciais, as igrejas poderão, em casos excepcionais, desenvolver projectos de rendimento para fins sociais não lucrativos e para a prestação de serviços complementares, no âmbito de assistências humanitária a terceiros em situação de vulnerabilidade. Estarão isentas também do pagamento do Imposto Predial Urbano sobre alguns dos seus imóveis, bem como do imposto do SISA. (…)

Tendo em atenção que as igrejas também actuam, em muitos casos, como parceiros sociais do Estado, para além das actividades para as quais estão vocacionadas, estão salvaguardados os direitos de desenvolver actividades com fins não religiosos que lhes sejam complementares, designadamente:

1 Edificar escolas para a educação e ensino; 2 Criar instituições sanitárias e de acolhimento; 3 Criar centros voltados para a promoção das expressões culturais, e da cultura em geral; 4 Criar ou aderir a projectos sociais. No entanto, para materializarem tais acções, devem obter as licenças e autorizações necessárias das entidades públicas competentes para o exercício regular e legal da sua actividade.

O controlo da legalidade estará sob alçada dos magistrados do Ministério Público, em conformidade com a lei. Cabendo à PGR a prorrogativa de solicitar ao tribunal competente a suspensão das actividades das igrejas sempre que haja fortes indícios de práticas de actos ilícitos, ofensivos à ordem e a moral públicas, aos bons costumes e lesivos à soberania e integridade do país.

Qualquer semelhança com o que ocorre hoje no Brasil não terá sido mera coincidência…

“Escola sem partido” traz risco para o governo e oportunidade para a oposição

Por Alon Feuerwerker, no FSB

Certas ideias infiltram-se no debate público cheias de lógica, apenas para fracassar mais adiante, por total inviabilidade. E esse percurso não é neutro, costuma lançar na coluna de perdedor quem nelas investiu capital político. Foi assim com o “controle social da mídia” proposto pelo PT. Pinta ser assim com o “escola sem partido” anabolizado pelo bolsonarismo.

O PT passou década e meia no governo falando no “controle social da mídia”, e colheu só desgaste. Não conseguiu implantar qualquer tipo de controle, mas deu gás às teses de que o objetivo último do partido é acabar com a liberdade de imprensa, como praticada em países como o nosso. Não foi só por isso, claro, mas também por isso deu no que deu.

O “escola sem partido” ensaia ser para o bolsonarismo um ponto focal de organização política e intelectual dos adversários, que agora terão a vantagem de desfraldar a bandeira da liberdade. Uma vantagem e tanto. Outra notícia boa para a oposição: ao contrário do PT e seu “controle social da mídia”, talvez haja votos para passar a coisa no Congresso Nacional.

Pois o desgaste que o novo governo vai colher com o debate parlamentar do “escola sem partido” nem se compara à corrosão que sofrerá com as tentativas de implantar na vida real, se virar lei. Em primeiro lugar, por oferecer ao STF a oportunidade de manifestar mais uma vez seu poder, e agora como guardião das liberdades e garantias fundamentais da Constituição.

Mas não só. Melhor ainda será, para a oposição, se o STF deixar passar. Aí a guerra se espalhará pelas escolas e universidades, e assim ganhará amplo espaço na imprensa. E vai ser uma guerra perpétua, pois, como no “controle social da mídia” do petismo, inexiste em projetos como o “escola sem partido” qualquer possibilidade de adotar parâmetros objetivos.

Como medir a “doutrinação” aceitável na difusão das ideias? Boa sorte a quem tentar descobrir. Um monarquista empedernido se revoltará contra a tese de as revoluções francesa e americana terem sido saltos adiante no processo civilizatório. Um socialista clássico se rebelará contra a tentativa de enquadrar o socialismo na categoria de “totalitarismo”. E então?

E quando o debate passa a ser sobre religião? Uma escola vinculada a determinada crença tem todo o direito de dizer aos alunos que o critério de certo e errado, de verdade e mentira, foi estabelecido pelos textos sagrados dela. E também de informar que dúvidas sobre a atualidade das regras devem ser dirimidas com representantes da respectiva hierarquia religiosa.

Mas se, por exemplo, escolas católicas devem poder ensinar aos alunos que Jesus Cristo foi o Messias, as judaicas também devem poder contestar que não. E as de fé islâmica devem ter toda a liberdade de defender que Jesus foi apenas um profeta, e não filho de Deus, ou Deus. E se os pais não concordarem? Ou explicam em casa que não é bem assim ou trocam de escola.

“E nas escolas públicas?” Bem, aí só há duas possibilidades: 1) ou cada professor tem liberdade para ensinar ou 2) estabelece-se uma ideologia oficial. São os dois sistemas conhecidos. Toda tentativa de achar um terceiro fracassou. O “escola sem partido” só seria viável no segundo. E seria um desafio brabo num planeta digitalizado e interconectado em tempo real.

Radicalizar na agenda dita “comportamental” vai ser tentação, na impossibilidade de apresentar resultados econômicos instantâneos. Será uma maneira de manter coesa e energizada a base social do bolsonarismo, pois talvez as circunstâncias da economia obriguem a recuos nas agendas da política externa e ambiental. Mas também vai ser oxigênio para a oposição.

Assim será com o “escola sem partido”. Se o governo for esperto, dá um jeito de dizer que está fazendo e ao mesmo tempo desidrata a coisa até a irrelevância. Deixa pra lá. Mas talvez falte ao ideologicamente coeso governo bolsonarista, todo imbuído do sentido de missão, o passarinho na gaiola na mina de carvão. O que quando morre dá o sinal de perigo.

Até a semana que vem.


Alon Feuerwerker (+55 61 9 8161-9394)
alon.feuerwerker@fsb.com.br

A Lampions League

POR GERSON NOGUEIRA

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Nunca antes na história deste país a Série C do Campeonato Brasileiro reuniu tantos times de tradição, torcida e bom retrospecto como na edição que se aproxima. O grupo que normalmente reúne clubes do Norte e Nordeste é o que mais contará em 2019 com equipes fortes e quase do mesmo nível técnico, o que confere à competição um grau de dificuldades sem precedentes.

Está habilitado para a disputa, ao lado do Remo e do Atlético Acreano, únicos representantes nortistas, um verdadeiro exército nordestino. Quando se refere à Copa do Nordeste, o pernambucano Xico Sá, craque da crônica e das letras em geral, usa o apelido carinhoso de Lampions League, valorizando o trocadilho com a maior competição de clubes do planeta. O chiste cabe bem nesta situação específica da Série C.

O campeonato do próximo ano reúne todos os requisitos para ser empolgante e, pelo menos da banda de cá, uma pedreira terrível. E a coluna está se atendo aos clubes definidos até a última sexta-feira, incluindo o Sampaio Corrêa, já rebaixado da Série B – a situação do PSC ou do CRB só se definiria na rodada deste sábado.

Além dos já citados Náutico e Santa Cruz, a chave A terá Botafogo-PB, Confiança-SE, Globo-RN, Atlético-AC, ABC-RN e Remo, todos remanescentes da edição 2018, mais Treze-PB, Ferroviário-CE e Imperatriz-MA, que subiram da Série D e o Sampaio, que caiu da B.

Em caso de rebaixamento de PSC ou CRB, o caldo engrossará ainda mais, ampliando o equilíbrio na busca pelo acesso à Série B. Com o provável remanejamento do Atlético-AC para o grupo B, o confronto deverá ser direto e aberto entre o Remo e nove times do Nordeste.

Mais do que nunca, os esforços da nova diretoria azulina devem se concentrar na estruturação de um time competitivo, capaz de lutar na parte de cima da classificação, fugindo ao desespero vivido nesta temporada, quando a cinco rodadas do final o Remo estava quase rebaixado.

É preciso, acima de tudo, compreender que a competição mudou de feição. Na primeira fase, que classifica quatro equipes para as semifinais, o futebol terá um perfil de jogo rápido e voltado para a marcação, características das equipes nordestinas. A partir da segunda etapa, começam os confrontos com times do Sul e Sudeste, de porte físico maior e adeptos do jogo aéreo.

O Remo não poderá repetir os erros exibidos na preparação e na busca de jogadores para compor o elenco, cujos desatinos estouraram na reta decisiva da competição, envolvendo até a perda de três atletas importantes – Everton, Ruan e Rafael.

Para 2019, os erros cobrarão um preço muito mais alto do que em 2018. João Neto assumiu o comando do time e conseguiu evitar a queda jogando contra adversários do mesmo nível. Na Série C que vem por aí dificilmente será possível ter uma reação heroica como a deste ano.

A conferir.

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Rolos marcam venda dos direitos do Brasileirão pela CBF

A CBF parece fadada a arrumar problemas sempre que contratos milionários chegam à mesa de negociações. O novo rolo envolve a licitação para venda de direitos de transmissão e exploração dos jogos do Campeonato Brasileiro para o exterior, no período de 2019 a 2022. O martelo foi batido por R$ 550 milhões.

Uma pequena empresa do Rio de Janeiro, a BR Newmedia, especializada até o ano passado no mercado de móveis, foi usada como plataforma por investidores bem mais graúdos para ganhar a disputa com oponentes poderosos, inclusive gigantes do mercado, como a francesa Lagardère, a suíça Sinergy e a  norte-americano IMG.

A surpreendente jogada, ainda não devidamente explicada, mas defendida pela CBF como absolutamente legal, teve todos os componentes que marcam processos licitatórios na entidade desde os tempos de Ricardo Teixeira.

Para tornar tudo ainda mais misterioso, segundo reportagem da Folha de S. Paulo, os contratos ganhos pela BR Newmedia já foram repassados a um fundo de investimentos chamado FanFoot, do paraíso fiscal de Delaware, um dos mais rigorosos do mundo, sediado nos Estados Unidos.

Quando situações pouco claras começam a despertar desconfiança geral é porque algo de errado envolve o processo. Como a CBF é useira e vezeira em confusões do tipo, todas as suspeitas estão no ar.

Desta vez, resta o consolo de que, caso haja algum tipo de ilegalidade na licitação, a situação tende a ser facilmente desenrolada, visto que o fundo que comprou o pacote de transmissão se localiza nos Estados Unidos e a Justiça de Tio Sam é a única capaz de desnudar maracutaias no futebol.

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda o programa, a partir das 21h, na tela da RBATV. Giuseppe Tommaso e este escriba baionense participam da bancada de debatedores. Em pauta, os detalhes e análises da rodada final da Série B.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 25)

Diretor do Vox: fraude que elegeu Bolsonaro tem repercussões globais

O diretor-presidente do instituto de pesquisa Vox Populi, Marcos Coimbra, afirma que a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) foi uma fraude com repercussões globais. “Os sinais de que alguma coisa estranha aconteceu só aumentam. Tudo indica que houve uma interferência na eleição, centrada na manipulação de redes sociais, semelhante à que ocorreu em outros países, mudando seu rumo e ensejando a vitória de Bolsonaro”, diz o pesquisador. Para Coimbra, é uma tremenda bobagem a esquerda lavar roupa suja em público sem antes apurar a fraude na eleição de Bolsonaro.

Capas de jornais argentinos estampam “vergonha” por violência na final da Libertadores

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A imprensa argentina expressou a vergonha sentida no país pelos episódios de violência no sábado, no Monumental de Núñez, em Buenos Aires, que resultaram no adiamento da final da Copa Libertadores, entre River Plate e Boca Juniors, para este domingo, às 18h (de Brasília). Termos como “Vergonha”, “Vergonha Mundial”, “Vergonha Monumental” e “A violência ganhou a final” dominaram as manchetes dos principais jornais deste 25 de novembro.

O tom dos artigos opinativos foi o mesmo. Colunistas de diversos veículos de comunicação lamentaram o comportamento dos torcedores que atiram pedras no ônibus do Boca Juniors na chegada ao Monumental e que feriram jogadores do clube.
A imagem da mãe que coloca sinalizadores dentro da calça da filha, para supostamente adentrar o estádio com os artigos pirotécnicos, também foi citada para exemplificar o vexame do sábado na capital argentina.
O colunista do Olé, Jorge Mario Trasmonte, publicou um texto com o título: “Somos um país de doentes mentais”.
Por conta de superlotação nesse sábado, quando seria realizada a final da Copa Libertadores, o estádio Monumental de Núnez chegou a ser interditado preventivamente pela Agência Governamental de Controle de Buenos Aires.
O anúncio, feito pelo diretor-geral Ricardo Pedace, chegou a colocar em xeque a realização da partida entre River Plate e Boca Juniors neste domingo, às 18h (de Brasília). Mas, durante a madrugada, após pagamento de uma multa, cujo valor não foi revelado, o palco foi liberado para receber a decisão e com a presença de público.

Amazônia sofreu maior golpe dos últimos 10 anos e está em risco, afirma jornal português

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A floresta Amazônia sofreu um dos mais duros rombos da sua história. Entre agosto de 2017 e julho de 2018, foram destruídos cerca de oito mil quilômetros quadrados. O maior nível de destruição dos últimos dez anos. O ministro do Meio Ambiente do Brasil, Edson Duarte, culpou a exploração ilegal de madeira na floresta, por muitos considerada o pulmão da Terra.

Os novos dados fazem crescer a preocupação em torno da mancha verde, numa altura de incertezas devido à eleição de Bolsonaro. Durante a campanha presidencial, o futuro presidente prometeu limitar as multas por danos provocados na floresta e enfraquecer a influência dos órgãos de proteção ambiental.

Um assessor do presidente eleito também anunciou que o seu governo iria juntar os ministérios da agricultura e do ambiente, o que, de acordo com vários especialistas, pode colocar em risco o futuro desta floresta tropical. A ideia foi posteriormente abandonada e, para a pasta do Meio Ambiente, foi designada uma representante do agronegócio.

Os últimos dados do governo brasileiro referem que grande parte da desflorestação ocorreu nos Estados do Mato Grosso e do Pará, com um aumento de 13,7% em relação aos números do ano passado. O Estado do Mato Grosso é o maior produtor de cereais do Brasil e os ambientalistas denunciam que o desenvolvimento das explorações agrícolas têm contribuído para a diminuição das florestas tropicais.

A Amazônia é a maior floresta tropical do Mundo e abriga espécies e plantas animais que ainda estão a ser descobertas por cientistas. (Transcrito do JN, de Lisboa)