O pulso ainda pulsa

POR GERSON NOGUEIRA

No peito e na raça. Com um gol nos acréscimos, pelo herói improvável Diego Ivo (que foi vilão no empate contra o CRB), o Papão derrotou o Oeste por 4 a 3, mantendo esperanças de sobrevivência na Série B. A gana demonstrada na busca pela vitória deixou a torcida com razões para seguir acreditando, apesar da situação dramática na tabela.

A vertiginosa marcha da contagem, principalmente no segundo tempo, quando aconteceram cinco gols, parecia um daqueles roteiros de filme de suspense a maltratar o coração do torcedor – de novo em quantidade discreta nas arquibancadas da Curuzu. O jogo foi vibrante e empolgante até o fim e o triunfo pode ter o efeito de dar mais ânimo e confiança à equipe.

O empate no primeiro tempo deveu-se mais às facilidades concedidas pelo PSC. Abriu o placar logo aos 7 minutos, com Magno, e poderia ter ampliado com as duas excelentes oportunidades perdidas por Hugo Almeida e uma terceira com Diego Ivo.

No finalzinho, o Oeste arrancou o empate após falha do goleiro Renan Rocha, que errou numa saída de bola e acabou originando uma falta à entrada da área, bem aproveitada pelo time visitante.

Veio a etapa final e João Brigatti trocou William, dispersivo nas ações do meio-campo, pelo meia Pedro Carmona, normalmente lento e pouco participativo. Ontem, porém, talvez pela importância da partida, Carmona mostrou mais envolvimento e foi autor do bonito gol de desempate, desviando de cabeça um cruzamento certeiro de Maicon Silva.

Pena que quatro minutos depois o Oeste conseguiu empatar. Leonardo, sem marcação, ajeitou e bateu forte da entrada da área. Magno, de boa produção na primeira parte do jogo, voltou a aparecer aos 33 minutos, escorando diante do goleiro Tadeu um bom cruzamento de Carmona.

O ritmo era eletrizante, com equipes abertas em busca da vitória, mas o gol de Magno parecia dar finalmente tranquilidade ao PSC no placar. Ledo engano. Aos 41’, já com um a menos (Maciel foi expulso aos 39’), o Oeste aproveitou outro cochilo da última linha bicolor e cravou o empate.

Sem ser incomodado, Adriano Alves foi quase à linha de fundo, cruzou na área e os zagueiros ficaram olhando a bola chegar a Rafael Luz, que cabeceou de peixinho para deixar o placar em 3 a 3.

A torcida já deixava a Curuzu, entre irritada e conformada, quando o Papão buscou forças para a pressão final, ganhando dois escanteios seguidos. No último deles, aos 47’, Carmona colocou na pequena área e Diego Ivo cumprimentou de cabeça, desempatando definitivamente a partida.

Sete gols deixam qualquer partida interessante, mais ainda quando prevalece a alternância no placar. Apesar das falhas infantis da zaga, o Papão mostrou arrojo para ir atrás do único resultado que interessava: a vitória. Caso tivesse ficado no empate, estaria praticamente rebaixado.

O PSC se prepara agora para encarar sequência de dois jogos longe de Belém para se manter respirando. O quadro ainda é crítico, pois há a obrigação de somar pelo menos quatro pontos contra Guarani e Figueirense para decidir a sorte em Belém diante do Atlético-GO, na última rodada.

———————————————————————————

Técnico quebra jejum, mas rendimento é modesto

O técnico João Brigatti completou ontem seu décimo jogo à frente do PSC. Ganhou dois, empatou cinco e perdeu três. O rendimento é mais ou menos igual ao de Guilherme Alves.

Armado para brigar pela vitória ao longo dos 90 minutos, o Papão de ontem foi o melhor que ele conseguiu armar desde que chegou, quebrando um jejum de oito rodadas sem vitória.

——————————————————————————————–

Pontuação mínima para escapar tende a aumentar

A rodada apresentou alguns resultados desfavoráveis ao PSC, como a goleada (5 a 2) do S. Bento sobre o Coritiba, que assegura a permanência do time paulista na competição, com 46 pontos. Outra goleada, do Brasil sobre o Vila Nova, 5 a 0, põe os gaúchos bem perto da salvação, com 43 pontos. O pior, porém, foi o triunfo do CRB sobre o Juventude por 2 a 0, garantindo aos alagoanos uma vantagem de quatro pontos sobre os bicolores, com 10 vitórias, duas a mais que os bicolores.

Boas notícias foram as derrotas do Sampaio para o Goiás, do Juventude para o CRB e do Criciúma para o Londrina, 4 a 2. O Sampaio ficou longe da briga, o Juve se complicou muito e o Tigre voltou a se colocar em risco, embora com 42 pontos e 10 vitórias.

O problema maior é que a sequência de vitórias na rodada sinaliza que a pontuação mínima para se salvar deve ficar em 45 pontos.

(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 07)

SBT e a filosofia ‘topa tudo por dinheiro’

ameooudeixeo2

Já saíram do ar, tão subitamente como entraram, as esdrúxulas vinhetas do SBT com evocações aos tempos da ditadura militar. Montagens grotescas, feitas em cima da perna, desenterrando Don & Ravel, “O Cisne Branco” e o que a gurizada traduzia como “Japonês tem Quatro Filhos”, mandadas fazer pessoalmente por Sílvio Santos e sugerindo o tradicional “ame-o ou deixe-o”.

Sílvio, como se sabe, já nos deixou e mora na Flórida.

Mas resolveu candidatar seu SBT  a “sub” do bispo Edir Macedo, para ver se sobra algum da publicidade que a Record vai ganhar para suas emissoras.

Sabe como é, né: “eu te amo meu din-din, eu te amo, ninguém segura os picaretas do Brasil“.

Aliás, muito adequadamente, utiliza, se você reparar bem, uma bandeira onde o “e” entre Ordem e Progresso é grafado com o ampersand, o & comercial, como se usa em negócios.

Sobre Caixa 2 de Onyx, Moro disse: “Ele já admitiu e pediu desculpas”

onyx-768x512

O futuro ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, durante coletiva em Curitiba, demonstrou adotar de flexibilidade em seus critérios sobre a gravidade do uso de caixa 2, dependendo de quem é o protagonista da ação. Questionado por um jornalista sobre como ele se posiciona diante do fato de que Onyx Lorenzoni, escolhido para ser ministro da Casa Civil, é réu confesso dessa atividade ilícita, Moro respondeu: “Ele já admitiu e pediu desculpas”.

A afirmação vai de encontro ao discurso do juiz, sempre se posicionando, pelo menos na retórica, radicalmente contra a corrupção. Em 2017, o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS) assumiu ter recebido recursos de caixa 2 da JBS. O parlamentar e futuro ministro de Jair Bolsonaro foi citado na delação dos irmãos Joesley e Wesley Batista, como beneficiário de R$ 100 mil repassados pelo grupo.

Vale recordar que Moro, em 2017, durante palestra realizada na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, enquanto ainda dava as cartas na Operação Lava Jato, o juiz afirmou, de forma contundente: “Temos que falar a verdade, a Caixa 2 nas eleições é trapaça, é um crime contra a democracia. Corrupção em financiamento de campanha é pior que desvio de recursos para o enriquecimento ilícito”. Parece que o juiz Sérgio Moro não é tão incisivo quando se trata de aliados políticos.

Em uma tentativa de atenuar sua punição e não ser cassado, Onyx Lorenzoni concedeu entrevista à Rádio Gaúcha e assumiu publicamente ter recebido propina da JBS. O parlamentar, que pediu um “basta na roubalheira” em seu discurso na votação do impeachment de Dilma Rousseff (PT), confessou que ganhou R$ 100 mil em dinheiro vivo para sua campanha de 2014.

“Final da campanha, reta final, a gente cheio de dívidas com fornecedores, pessoas, eu usei o dinheiro. E a legislação brasileira não permite fazer a internalização desse recurso”, disse Onyx.

O parlamentar confessou ainda que não declarou o dinheiro para não ter que usar um laranja na prestação de contas. “Como faço? Pego o dinheiro de Caixa 2 e coloco onde? Não posso botar na minha conta e transferir. Vou arrumar uma empresa para assumir isso e arrumar uma laranja? Aí não, aí estou lavando dinheiro”, disse, como se receber recursos não declarados fosse menos pior do que se declarasse através de um terceiro.

Paradoxalmente, Onyx ficou conhecido por ser o relator do projeto “10 medidas contra a corrupção”. Sobre isso, ele afirmou: “Quando fui relator do projeto das 10 medidas eu briguei para criminalizar quem dá e quem recebe, com alta gravidade. Talvez ali eu estivesse tentando espiar o meu erro”.

Em 2014, teve sua candidatura financiada pelas duas grandes empresas da indústria armamentista brasileira, a Taurus e a CBC. São empresas que estão vendo suas ações no mercado dispararem com a escalada de Bolsonaro. (Da Revista Fórum)