Tumulto em Buenos Aires provoca adiamento da final entre Boca e River

naom_5bf9c0a228e38

A finalíssima da Copa Libertadores entre River Plate e Boca Juniors foi adiada para este domingo (25). O duelo estava marcado para começar às 18 horas deste sábado (24), depois sendo postergado em 2h15 pela Conmebol em função do ataque ao ônibus do time visitante na chegada ao Monumental de Nuñez. E um novo adiamento foi adotado.

O ônibus foi recebido a pedradas neste sábado, no momento em que chegava ao estádio. Jogadores foram atingidos por estilhaços de vidro. O primeiro duelo da final terminou empatado por 2 a 2, no estádio de La Bombonera.

Os dirigentes de Boca Juniors e River Plate se reuniram com representantes da Conmebol e também com o presidente da Fifa Gianni Infantino após o incidente. A intenção do Boca é adiar a partida. Os dirigentes das duas entidades tentam convencer os visitantes a ir a campo.

O capitão do Boca Juniors Pablo Pérez, com cortes no braço e ferimento no olho, foi encaminhado a um hospital. O diretor do time visitante, Jorge Roberto Anró, concedeu entrevista e avisou que não há clima para acontecer a final. Segundo ele, o elenco não está em condições de entrar em campo por causa das agressões recebidas no momento da chegada no estádio.

A atualidade terrível da série que Haddad disse retratar as “bozoaflições contemporâneas”

Por Nathalí Macedo

handmaids-tale1

Este artigo está sendo republicado após a declaração de Fernando Haddad no Twitter: “Depois de Black Mirror, The Handmaid’s Tale é das distopias que mais dialoga com as bozoaflições contemporâneas. Vale a pena”.

Imagine uma série carregada até os dentes de ideologia feminista sem nenhum determinismo e nenhuma demagogia, em pleno Século XXI, quando todos – ou quase todos – são deterministas e/ou demagogos.

Inimaginável? Pois existe.

“The Handmaid’s Tale” está ambientada em um universo distópico que, curiosamente, mas não por acaso, está muito próximo do nosso próprio universo.

w3yn9m9s-1490826576-tale-1170x480

June, a protagonista, é uma mulher independente, casada e mãe de uma filha. Ela vive normalmente no mundo ideal da igualdade de gênero – esse mesmo que nós, enganadas, acreditamos vivenciar -, até que, após um surto de infertilidade, instaura-se uma ditadura patriarcal no mundo e ela perde sua família, seu emprego, sua independência, sua vida e sua indentidade: em vez de June, passa a chamar-se Offred, que quer dizer “Serva de Fred”, o homem que, a partir de então, passa a ser o seu dono.

Sim, isso causa náuseas.

O universo da série é construído a partir de castas: as “Aias” são as mulheres férteis (June é uma Aia), – aquelas que já tinham seus filhos antes da instauração da ditadura (os filhos lhes são arrancados à força), – responsáveis por engravidarem de seus “donos” e salvarem a humanidade da extinção – nós, sempre, mães do universo! -, as “Marthas”, que, não podendo mais reproduzirem, cuidam dos serviços domésticos, as “esposas”, aquelas cheias de privilégios sociais que se empenham em auxiliarem seus maridos no ofício de oprimirem as mulheres menos privilegiadas e não se dão conta de que, a despeito dos privilégios, também são oprimidas, e, finalmente, mas não menos importante, as “Tias”, mulheres responsáveis a ensinarem – às vezes na base da doutrinação, às vezes do castigo físico – às Aias que perpetuar a humanidade é o seu dever e que elas devem se sacrificar porque Deus quis assim.

Se você é uma mulher e essa divisão de castas não tem nenhuma semelhança simbólica com a realidade, desculpe, mas você tem problemas cognitivos.

“Vocês devem se sacrificar porque Deus quis assim” é, alias, o que diz a bancada evangélica brasileira do Século XXI, embora eu não queira acreditar que o universo horrendo de The Handmaid’s Tale esteja tão perto de mim.

Acontece que, queiramos ou não, há varias tias e várias esposas e, principalmente, vários potenciais donos à espera de servas, com a bênção de Deus.

O sacrifício que “Deus” – o patriarcado, lamentavelmente, É Deus –  consiste em submeter-se a um ritual de fertilização – estupro, o nome – em que a esposa segura nas mãos da Aia, que é penetrada pelo seu dono. Para a procriação. Porque deus quis assim. Inclusive, o estuprador ora antes e depois do ato. Fofo.

A série foge do clichê mulheres-rainha-homens-nadinha. Esposas oprimem aias. Tias oprimem aias. Aias oprimem umas às outras. Aias se apaixonam por seus algozes. O mundo, sabem os roteiristas, não é linear.

Pode ser vista no canal da Paramount (além do torrent piratão).

Mas por que, afinal, uma série tão adstringente tem sido aplaudida por nove entre dez feministas e pessoas interessadas nas questões de gênero?

Porque sua adstringência é um mal necessário. Suas personagens femininas são bem construídas, seus conflitos são bem colocados e questões importantes – maternidade, abuso, sororidade – são postas com cuidado, poesia, honestidade e uma dose de sadismo (inclusive, há gatilhos gravíssimos para mulheres que já sofreram abuso sexual. Para estas, não recomendo).

A série vale a pena pelos simbolismos sutis, por explorar a estreita relação entre religião, maternidade e opressão de gênero e, se nada disso for suficiente, vale só pela beleza – cada cena é um quadro perfeito.

Médicos brasileiros abandonam trabalho e não cumprem horário

médicos-brasileiros

Os brasileiros que deixam o programa Mais Médicos antes do final do contrato apresentam dois motivos principais para sair do posto em que estão antes da hora: ser aprovado em uma residência médica em outra localidade ou ser contratado em uma cidade com melhor infraestrutura da que o profissional está alocado.

Os dados são do Conasems (Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde).

Segundo a entidade, os brasileiros também são os que têm mais resistência ao cumprimento da carga horária de oito horas diárias previstas no programa —já que não existem restrições para a atuação em outros postos de trabalho.

Os demais profissionais (estrangeiros e brasileiros ainda sem a validação do diploma no país), têm que se dedicar com exclusividade ao Mais Médicos no Brasil. Em um concurso para médicos brasileiros realizado no ano passado pelo Ministério da Saúde, 30% dos que foram selecionados deixaram as localidades antes de um ano.

Brava gente patriota…

O jogo da vida

Dsr5JA0WoAEWJCN

POR GERSON NOGUEIRA

Não há muito o que projetar sobre as estratégias que o Papão terá que adotar hoje contra o Atlético-GO. Levando em conta as duas últimas partidas do time de João Brigatti, é provável que seja mantido o sistema com dois meias, Thomaz e Pedro Carmona, e sem centroavante de ofício, optando por Mike e Magno na frente. O que realmente iimporta é a consciência de que a partida vale como decisão de campeonato, com implicações financeiras sérias para o futuro do clube.

Ainda que o centroavante seja escalado, sua função deverá ser menos conservadora, sem guardar posição fixa entre os zagueiros. Hugo Almeida, que foi titular na maioria das últimas partidas, tem desenvoltura para participar do jogo de aproximação e da troca de passes a partir do meio-campo.

De concreto, o técnico alviceleste precisará escalar nova dupla de zaga, em função da ausência (por suspensão) de Perema. É uma perda importante, pois Perema tem sido o mais regular dos defensores, mas Fernando Timbó, seu substituto imediato, tem entrado na equipe frequentemente na era Brigatti.

Como Perema, que marcou contra o Guarani, Timbó tem se mostrado um bom finalizador, como no gol que garantiu a vitória de virada sobre o Figueirense na rodada passada. Ao lado de Diego Ivo, pode ser uma arma importante numa eventual necessidade de partir para o jogo do abafa contra o Dragão goiano.

O fato é que os problemas vividos ao longo da campanha devem ser temporariamente esquecidos. Nada de ficar agora repassando aqui todos os erros cometidos na política de contratações e nas escolhas de técnicos e executivos. As avaliações ficam para depois.

O objetivo geral é garantir a permanência na Série B e evitar um prejuízo que, segundo cálculos atualizados, poderá chegar a mais de R$ 15 milhões na próxima temporada. É, portanto, o jogo da vida do Papão.

Além de superar o Atlético, o PSC terá que ser beneficiado por pelo menos um dos seguintes resultados – derrota ou empate do Oeste contra o Boa Esporte em Varginha, empate ou derrota do Criciúma diante do Sampaio em Criciúma e derrota do CRB para o Figueirense, em Maceió. E há também a hipótese mais improvável de uma goleada do CRB sobre o Figueira por 6 gols de diferença.

Nada decidido, quase tudo em aberto, mas as dificuldades serão imensas no jogo desta tarde. O torcedor, que recuperou o otimismo, não pode esquecer que seu papel será o de emprestar apoio incondicional, mesmo que cheguem notícias desfavoráveis a respeito dos outros jogos.

——————————————————————————————-

Campanha para ajudar no tratamento de Carmem

Uma das pioneiras das lutas em Belém, Carmem Casca Grossa está precisando de ajuda. Ela sofre as consequências de complicações no tratamento do diabetes. Durante a procissão do Círio, ela pisou numa pedra e sofreu um ferimento no pé esquerdo, que infeccionou e levou à amputação.

Dois eventos beneficentes estão programados para levantar recursos que possibilitem auxiliar Carmem. No dia 8 de dezembro, haverá o Seminário Beneficente Carmem, no ginásio municipal de Ananindeua, com a participação de mestres e atletas de jiu-jitsu. A inscrição custa R$ 20,00.

Já no dia 15 de dezembro será realizado o Seminário Beneficente Carmem Casca Grossa, no ginásio do NEL (Dom Romualdo, 1215). Como inscrição serão aceitos um pacote de fralda geriátrica GG e a quantia de R$ 20,00.

Professores, colegas, alunos e admiradores da professora de jiu-jitsu estão se mobilizando nas redes sociais divulgando a campanha em favor de Carmem.

—————————————————————————————–

A força merengue nos bastidores

O Real Madri não é apenas o clube com a maior e mais sortida sala de troféus do planeta. Originária da realeza, é também uma agremiação famosa pelo poder que tem, pela influência na Uefa e até nos meandros da política espanhola.

A revelação veio em reportagem da revista alemã Der Spiegel, reproduzindo informações do chamado “Football Leaks”: o zagueiro e capitão Sergio Ramos foi pego em exame antidoping na final da Liga dos Campeões de 2016-2017, disputada contra a Juventus de Turim.

A versão do médico e do próprio clube, isentando o jogador de culpa, foi prontamente aceita pela Uefa e pela Wada (Agência Mundial AntiDoping), normalmente muito rigorosa em casos do gênero. A Uefa se contentou com as explicações recebidas sobre a presença de dexametasona na urina do atleta.

Sergio Ramos e o médico foram advertidos pela entidade para que, no futuro, “tomassem mais cuidado no futuro”. Há, ainda, a denúncia de que Ramos teria tomado banho antes de um teste de urina, em abril, após partida contra o Málaga pelo certame espanhol.

Ontem, depois do escândalo criado, a Wada fez questão de informar oficialmente que o procedimento da Uefa no caso foi inteiramente correto. Então tá…

(Coluna publicada no Bola deste sábado, 24)

Um aiatolá no Ministério da Educação

Apesar de o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) ter uma “confessada admiração” pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o “seu governo caminha para se aproximar do Irã dos aiatolás, curiosamente um dos grandes inimigos de Trump”, diz o colunista da Folha de S. Paulo Clóvis Rossi em referência “a ideia do escolhido para ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, de criar “conselhos de ética” para zelar “pela reta educação moral dos alunos”. Para ele, “a proposta tem todo o cheiro da polícia moral adotada no Irã (entre outros países muçulmanos, como a Arábia Saudita)”