Conmebol adia para domingo a primeira final da Libertadores

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Depois de muita chuva em Buenos Aires neste sábado, a Conmebol decidiu adiar a primeira final da Copa Libertadores, que será disputada entre River Plate e Boca Juniors. A decisão se deu porque o gramado da Bombonera, casa da equipe xeineze, não apresentava condições de jogo.

Agora a partida será disputada no próximo domingo, às 17 horas (de Brasília), se nada der errado. “Por motivos de força maio, a partida foi suspensa para amanhã, domingo, 11 de novembro, às 16 horas (local, 17 horas de Brasília)”, escreveu a entidade em tuíte.

Lambe-botas nº 1 do capitão não desiste de ser ministro

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Não que a concorrência não seja grande, mas Magno Malta é o emblema acabado do governo Bolsonaro. Malta bajulou todos os presidentes, desde Lula. Essa é sua grande especialidade. Quando não lhe interessa mais, solta o saco e embarca numa outra canoa.

A maneira como está implorando por um cargo a Jair Bolsonaro é de fazer corar qualquer cristão. Constrangedora até para os padrões da turma.

Em suas redes, Malta vive dando recado ao amigo JB, cobrando-lhe sabe Deus o que lhe foi prometido e em que circunstâncias.

São imagens para dar sensação de intimidade e cumplicidade. 

Postou uma foto dos dois tomando café com uma legenda sabuja. Vou reproduzir sem corrigir o português desgraçado do sujeito. Perdão.

Aí vai: “Ha 6 anos atras quando só existe nos 2 , o cafezinho feito por ele fazia parte desse sonho, o sonho chegou, e continua tudo igual ! Valeu meu presidente”.

Quando não o faz lui même, passa a tarefa de implorar pela boquinha à mulher Lauriete, cantora gospel.

“O Brasil é muito mais importante do que qualquer comentário maldoso ou bisbilhoteiro que postam por aí”, escreveu ela no Twitter, provavelmente com o marido olhando por cima de suas costas.

“Magno Malta deve sim ser ministro, não por suas convicções religiosas ou amizade com o Presidente, mas pela dedicação às suas bandeiras, às causas que defende com  coragem”. Em maio, Bolsonaro o chamou de “vice dos sonhos”. MM preferiu tentar a reeleição no Senado e quebrou a cara.

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Gastou, oficialmente, 2,7 milhões de reais e obteve 17% dos votos, perdendo para Marcos do Val (PSS) e Fabiano Contarato (Rede). A vitória de Contarato, homossexual assumido, sobre o moralista Malta contém uma justiça poética.

Malta supostamente ocuparia um tal “Ministério da Família”, fusão de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, ou a Secretaria-Geral da Presidência. A conversação está parada.

Defende os valores do cidadão de bem temente a Deus etc etc, mas sua trajetória nesse campo é, para usar um eufemismo, controversa. O DCM já contou parte dela.

É capaz de vilezas absurdas. Em 2009, durante a CPI da Pedofilia, acusou um cobrador de ônibus de abusar sexualmente da filha, que à época tinha apenas 2 anos. O homem ficou preso durante nove anos e foi inocentado das acusações. Hoje processa o senador.

No dia 7, criticou o aumento de salário do STF. “Vamos lutar forte e não permitir essa indignidade contra o pais”, escreveu. Não apareceu no dia da votação. Sua assessoria alega que estava num check-up.

O general Mourão, que não tem superego, deu uma canelada no ex-cantor de pagode gospel e em suas súplicas.

Bolsonaro, segundo Mourão, “está com outros assuntos mais prementes, né. Isso aí [para onde Malta vai] é mais fácil de resolver, pode ver depois”, declarou ao Globo.

“O instinto punitivo de uma ala da transição tenta convencer o presidente eleito a deixar o senador fora da Esplanada pintando seu perfil de ‘adesista’”, diz a reportagem.

Em nome de Deus, Magno Malta não vai desistir. O irmão Bolsonaro vai dar um jeito. Sem Magno Malta no governo, o desastre não fica completo. (Do DCM)

Para ex-ombudsman da Folha, grande mídia ajudou a criar fenômeno Bolsonaro

“Ao aceitar o cargo de ministro da Justiça de Bolsonaro, Moro conseguiu destruir a Lava Jato”. Essa é a constatação do jornalista Mario Vitor Santos, ex-ombudsman da Folha de S. Paulo e novo colunista do Brasil 247. Em entrevista concedida aos jornalistas Leonardo Attuch e Mauro Lopes, ele também critica o papel da imprensa hegemônica e sua contribuição na formação do “fenômeno Bolsonaro”. “Os meios de comunicação não só buscaram enfraquecer as gestões do PT, mas também solaparam a democracia brasileira”, condena Santos.

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Composição de governo

Santos destaca que o mercado financeiro está reagindo mal às primeiras medidas anunciadas por Bolsonaro. “A bolsa de valores não está despencando, mas está caindo, não tem outra razão para essa queda que não seja a dúvida em relação aos rumos desse governo”, avalia. O jornalista observa que faz parte da personalidade de Bolsonaro “é não ser responsável pelas coisas que diz”. “Se ele tivesse filtro, seria um Michel Temer”.

Grande mídia criou Bolsonaro

Santos diz que ocorreu um esforço muito grande no ataque ao Partido dos Trabalhadores. “A grande mídia promoveu uma meticulosa desconstrução das gestões petistas”, condena. Para ele, “os meios de comunicação usaram dessa estratégia não só para enfraquecer o PT, mas também para solapar a democracia brasileira”. Ele segue condenando a parcialidade da mídia. “No fim da entrevista coletiva que o juiz Sérgio Moro concedeu à imprensa, eu ouvi palmas, quero muito acreditar que aquelas palmas vieram de seus assessores e não dos jornalistas que ali estavam”, lamenta.

O jornalista refere-se a primeira entrevista coletiva que Moro concedeu, na última terça-feira (6), após aceitar o convite do presidente eleito. Ele falou com a imprensa na sede da Justiça Federal, em Curitiba. Em sua visão, ao aceitar ser ministro da Justiça de Bolsonaro, Moro está cometendo um grande erro político. “Para minha surpresa, ele destruiu a Operação Lava Jato, um trabalho de quatro anos ao qual ele se dedicou. Ele a desmoralizou mundialmente e nacionalmente”, critica.

Santos afirma que a eleição de Bolsonaro também foi desmoralizada. “Deixa claro que o candidato ganhou através de uma manobra judiciária”, aponta.

Realidade paralela de um país em transe

Por Carlos Fernandes

Uma vez caído por terra o mito do brasileiro gentil, talvez a mais singular qualidade desse povo seja sua impressionante capacidade de fazer pilhéria com nossa cotidiana desgraça política.

Lançado antes mesmo do resultado final dessas eleições, mas já sobre a influência da iminente vitória de Jair Bolsonaro, o “movimento” #FicaTemer surgiu, entre outras coisas, para que jamais nos esqueçamos daquela velha sentença que diz que nada é tão ruim que não possa piorar.

Se Michel Temer enquanto presidente – fruto de um dos mais escancarados e escandalosos conluios para a deposição de uma chefe de Estado – conseguiu em dois anos e meio retroceder décadas de avanços econômicos e sociais, há apenas uma semana de eleito, Bolsonaro e sua equipe já nos provam que ruim mesmo é o que está por vir.

O #FicaTemer, portanto, traduz-se tão somente no mais legítimo e “bem-humorado” sentimento de que 80 chibatadas diárias são sempre melhores do que 100.

De uma espiritualidade de dar inveja aos mais celebrados autores de livros de autoajuda, não é exatamente dessa forma que o atual inquilino prestes a ser despejado do Palácio do Jaburu enxerga a situação.

Em entrevista concedida ao programa Bastidores do Poder da Rádio Bandeirantes nesta quinta (8), o vagante presidente diz encarar essa manifestação como o merecido “reconhecimento” dos brasileiros ao seu governo.

Afinal, segundo ele:

O que se fez nesse país ao longo desses dois anos e meio foi coisa que não se fez nos últimos 15 anos. Tenho orgulho de ter feito isso”.

A bem da verdade, a afirmação em si está correta. O que de fato assombra é a parte de alguém se sentir orgulho pelo resultado de toda essa obra.

Seja como for, o talento do homem para o devaneio – ou para a demência – realmente impressiona. Lá pelas tantas, vagueia sobre o que considera o seu futuro e sua reputação.

Pensei em me candidatar, mas analisei e concluí que seria um bombardeio irracional e eu não podia colocar em risco a minha reputação. Resolvi desistir. Acho que já fiz o que tinha que fazer na vida pública”.

Deve ser algo verdadeiramente extraordinário o universo em que um sujeito como Michel Temer ainda usufrui de alguma reputação.

Mas a grande questão que ao fim e ao cabo se impõe diante tanta irracionalidade é que em matéria de lucidez não estamos tão distantes assim daqueles que veem beleza no mais completo desmando da coisa pública.

Numa sucessão de tragédias sequentes e crescentes, seguimos com a flagrante passividade e alienação característicos do estado de insânia que se abateu num país que vive em transe numa realidade paralela.

Que ao acordamos, ainda exista um Brasil possível de ser reconstruído.