Remo anuncia mais três reforços

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Por Raphael Graim – Assessoria de Comunicação

A diretoria azulina segue montando o elenco que vai disputar as quatro competições pelo Clube do Remo em 2019. Nesta sexta-feira (30), foram confirmados, de forma oficial, o nome de mais 3 atletas para compor o grupo remista. São eles: o goleiro Thiago, o lateral esquerdo Ronaell e o meia Diogo Sodré.

Os três atletas estão dentro do perfil traçado pelo departamento de futebol. Ambos estavam em atuação em 2018, com destaque em seus clubes, se enquadram na faixa etária média desejada ao elenco e estão comprometidos com os projetos e objetivos do Remo para o próximo ano.

Thiago tem 23 anos e teve toda sua formação na base do Coritiba. É um atleta promissor e espera no Remo construir o capítulo mais importante de sua carreira. “Passei 7 anos na base do Coxa, depois rodei em vários clubes menores pra jogar e pegar experiência. Minha expectativa é a melhor possível, estou muito feliz em poder vestir a camisa desse clube grandioso. É o maior passo na minha carreira, espero ser muito feliz e dar muita felicidade ao torcedor azulino”.

O lateral esquerdo Ronaell disputou a última Série C pelo Cuiabá, onde conseguiu o acesso na competição. O atleta quer ter o mesmo sucesso com o manto azulino. “Muito feliz por poder jogar no Remo. Quero corresponder todas as expectativas, que juntos façamos uma boa preparação para alcançar grandes objetivos neste próximo ano. Espero conseguir mais um acesso na minha carreira”, afirmou.

Diogo esteve nas últimas três temporadas na equipe do Luverdense, onde disputou a Série C e B do Campeonato Brasileiro. Sodré é um jogador moderno, que pode fazer várias funções no meio. “Eu sempre fui um meia-atacante, chego bem na área, dou assistências e faço gols, mas nos últimos anos também atuei centralizado e às vezes de segundo volante. Acredito que na minha função também é necessário marcar e recompor”.

O meia promete que não vai faltar empenho para recolocar o Leão de volta ao seu lugar. “O Clube do Remo não merece estar onde está. Esse ano de 2019 tem que ser um ano de conquistas, desde estadual, Copa do Brasil, Copa Verde e o acesso, o desafio é esse, com trabalho forte e muito suor. Não vai ser nada fácil, mas vamos correr atrás. Trabalhando certinho as coisas vão acontecendo”, concluiu.

Confira o perfil dos atletas:

Thiago 
Thiago Rodrigues Coelho 
Idade: 23 anos
Naturalidade: Cascavel (PR)
Últimos clubes: Coritiba, Guarany de Sobral e Velo Clube (SP) 

Ronaell 
Ronaell Rubens da Silva Aguiar 
Idade: 27 anos 
Naturalidade: Turvania (GO)
Últimos clubes: Cuiabá, Brusque e Campinense

Diogo Sodré 
Diogo Henrique Sodré 
Idade: 27 anos 
Naturalidade: São José dos Campos (SP)
Últimos clubes: Luverdense, Coritiba e Bragantino

(Do site oficial do Clube do Remo)

Tucanos emplumados são apanhados em esquema de “caixa 2”

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Nesta quinta-feira (29), o Ministério Público informou que O Grupo CCR, empresa líder na administração de rodovias no Brasil, precisou criar um esquema de caixa 2 para pagar campanhas político-partidárias entre 2009 e 2013, movimentando 44,6 milhões de reais. De acordo com o levantamento realizado pelo G1, R$ 3 milhões foram destinados para a campanha do senador José Serra (PSDB), candidato à presidência da república 2010.

Geraldo Alckmin (PSDB) teria recebido R$ 4,5 milhões, em sua campanha para o governo de São Paulo, também em 2010.

O atual ministro ministro da Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab, teria recebido R$ 2,8 milhões para a criação do Partido Social Democrático (PSD).

Também em 2010, Marta Suplicy (MDB) teria recebido R$ 1 milhão para sua campanha ao Senado. Por fim, o deputado Campos Machado (PTB) também teria recebido R$ 1 milhão para acertos de campanha.

De acordo com a promotoria, a CCR efetuava o pagamento dos contratos de marketing e em seguida, parte do dinheiro o era devolvido à empresa, para diretores ou ex-diretores. Os mesmos entregavam os valores a pessoas ligadas a partidos políticos.

O Grupo CCR é responsável pela administração de rodovias importantes, como a Anhanguera, a Bandeirantes, a Castello Branco e a Raposo Tavares, além de serviços de mobilidade urbana como o Metrô da capital. (Do blog Nocaute)

Regina Duarte se oferece para ser ‘palpiteira’ de Jair

A atriz Regina Duarte, uma das mais consagradas da televisão brasileira, se ofereceu para integrar a equipe de governo do presidente eleito Jair Bolsonaro, para o qual fez campanha durante o pleito findado em outubro, e disse que pode atuar como conselheira ou mesmo como “palpiteira”. Em entrevista à Folha de S.Paulo, a artista contou que não foi sondada pelo militar, mas que mesmo assim se põe à disposição do futuro chefe do Executivo Federal.

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Antipetista, Regina Duarte, que na época da campanha pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff chegou a ir às ruas em prol da deposição da petista, falou também sobre a relação com seus colegas de profissão, e disse que “nunca esperou que as pessoas concordassem” com ela.

“Eu também não quero ser obrigada a concordar com ninguém. Então, eu acho que o que acontece é resultado de uma postura democrática. Não me impede de prosseguir com o que eu acredito, com ideias e sentimentos com os quais eu fui formada. Eu estou fazendo a minha história e espero que as pessoas possam realmente se abrir para conviver de maneira harmônica, pacífica e justa”.

Durante a campanha, e após declarar voto em Jair Bolsonaro, a atriz protagonizou uma discussão pública com o ator José de Abreu, que manifestou-se veementemente contrário à postura de sua colega de emissora.

Outro momento polêmico referente às declarações políticas de Duarte pró-Bolsonaro foi em matéria escrita ao jornal O Estado de S.Paulo, quando a veterana relativizou postura homofóbica do presidente eleito. (Do Catraca Livre) 

Copa dos Libertadores ou dos conquistadores?

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Por António Barroso – O Jogo, de Lisboa

O nome da Taça dos Libertadores da América (no original, Copa Libertadores de América) teve uma pretensão política e civilizacional, quando foi criada em 1960, a exemplo das práticas europeias de competições entre clubes num só continente, sob a égide da Conmebol, a confederação de futebol sul-americana: homenagear os que – “libertadores” – lutaram contra as colonizações (espanholas, portuguesas, italianas, americanas…) do subcontinente americano.

Pois bem, já não bastava toda a bronca resultante do ataque dos adeptos do River Plate ao ônibus do Boca Juniors, no sábado passado, como agora se discute apaixonadamente a escolha, pela Conmebol, de Madri para ser palco do superclássico argentino River-Boca, para uma finalíssima a ferro e fogo, com adeptos de ambos os clubes, a mesma que, na sua gênese, iria ser disputada a duas mãos, cada uma delas apenas com adeptos dos anfitriões. E uma até já foi, o que levanta questões de equilíbrio competitivo e desportivo.

Madrid, o clube, rejubila. O Governo deu a bênção e Madri, a cidade, dá os primeiros sinais de apreensão. A imprensa sul-americana, com a argentina à frente, torce o nariz à simbologia desta forçada travessia do Atlântico e até já há quem lhe chame “Copa dos Conquistadores” ou “Copa dos Saqueadores”, numa clara alusão ao retrocesso histórico e contradição com a simbologia do nome da prova.

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A capa de hoje do diário “Olé” é sintomática: “Final em Madrid: JODER!” Em maiúsculas, uma expressão de espanto contrariado, que podem traduzir por “Caramba!”, “PQP!” ou “Caralho!”, conforme a geografia sul-americana.

Nunca os adeptos de futebol e consumidores de noticiário europeus terão dado tanta importância à final da Libertadores – a liga dos campeões sul-americana – como a que estão a dar este ano. O que poderá ter pesado nesta decisão da Conmebol em decidir, de forma ousada (para uns) ou extemporânea (para outros), que o jogo entre os arquirrivais Boca Juniores e River Plate se realize em Madri, no Santiago Bernabéu, a 9 de dezembro.

Os antecedentes de tal decisão são sobejamente conhecidos e assim resumidos: sábado passado, horas antes da partida da segunda partida da final (a primeira, na casa do Boca, terminou 2-2), o ônibus dos visitantes foi bombardeado por adeptos do River Plate. Por razões de segurança há muito instituídas, as partidas em La Bombonera e no Monumental (palco dos incidentes) são de portas abertas exclusivamente aos adeptos dos anfitriões. A chamada medida de torcida única, para evitar confrontos entre claques nas cercanias ou nos estádios em dias de jogo.

Ora, em Madri, independentemente das justificações das decisões da Conmebol, os adeptos dos dois emblemas vão poder assistir ao encontro​​. Bem, ainda se discute, com formalidades jurídicas de ambas as barricadas, a própria realização do mesmo: o Boca acha-se com direito ao título com argumentos regulamentares e jurídicos (e um recurso ao TAS, embora sem caráter suspensivo), o River acha que deve jogar na sua casa, conforme estava previsto.

Mas em Buenos Aires e em Madri já se discutem questões relacionadas com a segurança pública, prevenindo eventuais confrontos de duas claques que sempre que se cruzam na Argentina há sangue e prejuízos materiais. Os meios de comunicação social argentinos questionam a opção e consideram ter havido destrato e menosprezo pelas capacidades de organização das autoridades de segurança do país. Somam-se notícias e comentários, onde brechas de segurança anteriores em organizações madridistas são reveladas, como a que pode ver na foto do tweet já abaixo: um exemplo de uma chegada do Barcelona ao Bernabéu, entendida como qualquer outra chegada de visitantes.

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Tanto quanto se sabe até ao momento, tudo se decidiu após um telefonema entre o presidente da Conmebol, o paraguaio Alejandro Dominguez, e o presidente do Real Madrid, Florentino Péres. E que este, segundo relatos da imprensa, nomeadamente do diário espanhol Marca, demorou apenas dois minutos a disponibilizar o recinto do Real Madrid, emblema que até já faz gala, nas redes sociais, do estatuto de anfitrião de mais um enorme momento do futebol mundial. Só mais tarde, Pedro Sanchez, primeiro-ministro espanhol, “tweetou” o seu beneplácito.

A “caneta” do cronista Juanma Rodríguez, da Marca, justifica o porquê de o Real aceitar esta flamejante final e ter vetado outra – a Taça do Rei – que envolvia o Barcelona. Escreve o próprio que assim é porque “o Real Madrid é proprietário do seu campo, com direito de admissão”, com os adeptos dos River e do Boca “não se corre o risco de que o hino de Espanha seja assobiado ou se insulte o Rei Felipe VI, o que pode acontecer com os aficionados do Barça” e porque “o Real passeia a bandeira de Espanha pelo Mundo e não voltará a emprestar o seu campo a nenhum demônio independentista”.

Por outro lado, o Mundo Deportivo, mais afeto ao Barcelona, de imediato recordou o episódio de 2012, quando os dirigentes do Real justificaram obras nuns quartos de banho para não se jogar essa final entre os catalães e os bascos do Athletic de Bilbao. Dois emblemas de duas regiões contestatárias da coroa espanhola.

Bem, há 200 anos, o periodista de Madrid era capaz de negar o mesmo estádio às mesmas equipes que agora “concede”, ou seja, aos insurretos independentistas sul-americanos. Basta olhar à História para nos recordarmos que os argentinos de então estavam sob domínio da coroa de Espanha, o que só terminou a 9 de julho de 1816, dia da declaração de independência da Argentina.

Cronistas discutem prós e contras. E alertam para ao fato de haver na Espanha uma comunidade de cerca de 250 mil argentinos. Reza-se para que, pelo menos entre estes, não haja aficionados “ultra” das duas equipas.

Por fim, fica-se com a sensação de que o Real Madrid terá sido mais rápido a oferecer as suas instalações do que a “perguntar” à cidade se estava na disposição de receber uns milhares de turistas de risco nesse domingo de dezembro, com o único intuito de torcer pelo Boca ou pelo River. Não será, de certeza, um domingo qualquer no Paseo de La Castellana.

Por falar em “Um Domingo Qualquer“, filme de Oliver Stone em cenário de futebol americano: antecipando o desgosto que corre nas gargantas dos argentinos, aposto que seria mais fácil aos norte-americanos digerir uma final do SuperBowl em Londres do que aos sul-americanos uma final da Libertadores em Madrid.

É que entre os primeiros, metade já está em paz com o passado e a outra metade nem sabe o que é a Europa… Ou seja, se a motivação financeira e de promoção do futebol sul-americano estava na cogitação da Conmebol, a escolha parece extemporânea entre povos que ainda não pacificaram o seu passado nas diplomacias mais ou menos visíveis do presente. Paga o justo pelo pecador? Fica a dica para verem ou reverem o filme. É sobre dirigentes/proprietários desportivos, a sua relação com as equipas, a glória e a decadência. Nem que não seja, pelo discurso de Al Pacino, no final.

E o caos pariu Bolsonaro: triunfos da “guerra híbrida” no Brasil

Por Ilton Freitas (*), no Sul21

Todos que analisamos com rigor as pesquisas de intenção de voto tínhamos alertado que Bolsonaro havia ocupado importante espaço eleitoral à direita no espectro político. Posto que a um mês das eleições presidenciais a intenção de voto no candidato do até então inexpressivo PSL (Partido Social Liberal), não baixava de 21 a 24%, em conformidade com a média revelada por mais de um instituto de pesquisa. Outrossim, as “circunstâncias” que levaram um deputado desqualificado como Bolsonaro a se tornar eleitoralmente competitivo – e posteriormente eleito – retiraram de Alckmin, do PSDB, ou, de Marina, qualquer possibilidade de liderar o campo conservador nas eleições de 2018. Desse modo o beneficiário do “caos” gerado pelo golpe parlamentar de 2016, não foram os tucanos, ou, a “terceira via” imaginada por Marina. O caos devidamente gerenciado e impulsionado por setores da mídia e do judiciário através da operação “lava a jato”, resultou numa degradação político-eleitoral, “magnificamente expressa” na figura de Bolsonaro.

Contudo, a grande maioria dos analistas (dentre os quais me incluo) predisseram que a rejeição (justificada) a Bolsonaro (em torno de 38/41%, fora a margem de erro) o levaria a uma provável derrota no segundo turno. Além da alta rejeição, Bolsonaro poderia ser prejudicado pela tendência “racional” do voto majoritário, sobretudo no segundo turno. Isto é, boa parte da literatura sobre comportamento eleitoral assume que a definição do voto majoritário tende a produção de uma decisão de conteúdo mais “estratégica” por parte dos eleitores. Sendo assim uma boa parte, ou, a maioria dos eleitores tomariam uma decisão “atenta”, retrospectiva e prospectiva acerca do seu voto. Se interessariam em analisar o passado do candidato, e avaliar as propostas de governo (o futuro). Sendo assim uma breve consulta sobre o desempenho pífio de Bolsonaro na Câmara, ou, suas inomináveis manifestações preconceituosas contra as mulheres e minorias poderiam aquilatar o candidato retrospectivamente.

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Em termos de futuro, ou, considerando uma avaliação prospectiva do eleitor foi divulgado às vésperas das eleições uma interessante pesquisa do BTG Pactual. A pesquisa revelava que 83% dos brasileiros eram favoráveis a manutenção dos programas sociais, 61% se diziam contrários à liberação do porte de arma, 51% não queriam o Ensino Fundamental à distância e 79% rechaçavam o aumento da idade mínima para a aposentadoria para 65 anos. Desse modo num contexto de decisão racional e estratégica do voto, a pesquisa do BTG demonstrava que a maioria dos eleitores se opunha a agenda neoliberal de Bolsonaro, e, menos por predileção, mais por futuro, ou, se quisermos por afinidade “programática”, poderiam decidir votar em Haddad, que defendia a manutenção dos programas sociais, que era contrário a liberação do porte de armas, que era contra o ensino fundamental à distância, contra o aumento da idade mínima para 65 anos, etc.

Entretanto a rejeição a Bolsonaro e o “voto estratégico” não incidiram no segundo turno. Assim o “candidato do caos” foi legitimado eleitoralmente. É verdade que os votos brancos e nulos dobraram, mas não ao ponto de explicarem a vitória de Bolsonaro. Vejamos, pois, que nas eleições de 2014, brancos e nulos somaram 4,63% do total de votos. Em 2018, somaram 9,57% do total. Ademais as abstenções de 21,3% praticamente se mantiveram no mesmo patamar das eleições de 2014 (21,1%). Sendo assim o que precisa ser compreendido é como se produziu a diferença de quase 10 milhões de votos de Bolsonaro para Haddad.

Um observador distante das eleições brasileiras poderia atribuir o resultado de Bolsonaro ao seu desempenho nos debates contra Haddad no segundo turno. Mas não houve debates! Talvez a linha política da campanha de Bolsonaro expressa nos horários da propaganda eleitoral veiculadas na televisão e rádio. Isso também é duvidoso, posto que às vésperas das eleições os principais institutos apontavam para uma situação de empate técnico entre as candidaturas.

A pesquisa divulgada pela Vox Populi, que encerrou o campo pala manhã e tabulou os resultados na tarde de sábado do dia 27/10, véspera da eleição, corroborou a situação de empate técnico, e a expectativa era por uma vitória “apertada” de um, ou, de outro. Mas por que isto não ocorreu? Por que Bolsonaro obteve uma vitória contundente? A resposta é simples. As eleições foram duplamente fraudadas, pois os interesses geopolíticos e as forças políticas que conduziram o golpe parlamentar de 2016, não poderiam ser contrariados!

Em primeiro lugar, pela – já esperada – interdição ilegal do líder nas pesquisas de intenção, o ex-presidente Lula, em concorrer, em flagrante contradição com as normas jurídicas internacionais das quais o Brasil é signatário, e que assegurariam a Lula o direito de concorrer, posto que seu processo não foi julgado pelas cortes superiores. Mas o elemento qualitativo da fraude foram os ciberataques à candidatura de Haddad, configurando mais uma operação de guerra, e menos um processo eleitoral “normal”. Nos detenhamos nesse ponto.

O sociólogo Marcos Coimbra, diretor do instituto Vox Populli, cogitou de forma taxativa a hipótese de fraude eleitoral. Segundo Coimbra, a campanha de Bolsonaro se valeu de recursos milionários e supostamente oriundos de “caixa 2” de empresas. Com os recursos do “caixa 2” foram contratados serviços de “empresas” especializadas na mineração de dados nas redes sociais e no disparo e impulsionamento de milhões de falsas notícias. Sobretudo, através da empresa que mantém a plataforma de serviços de troca de mensagens conhecida como “WhatsApp”. Sendo assim, foram formatados grupos de apoio a Bolsonaro no WhatsApp a partir da reunião de milhões de perfis rastreados principalmente no Facebook. A rigor o mecanismo descrito guarda semelhança com a tática eleitoral de Donald Trump. No caso das eleições norte-americanas de 2016, o recurso empregado consistiu na segmentação de perfis e no disparo massivo de posts através do Facebook. No Brasil a plataforma utilizada foi o WhatsApp. Portanto, no caso brasileiro, a fraude consistiu na utilização do “caixa 2”, e no abuso de notícias falsas como o notório caso do “Kit Gay” e de absurdas acusações contra Haddad de estupro de uma menina de 12 anos. Registre-se que o mecanismo de disparo massivo das “Fake News” não cessou na antevéspera, véspera e no dia das eleições. Um “bombardeio” virtual que não deu trégua a Haddad e fez sua rejeição aumentar e ultrapassar a de Bolsonaro.

Sabemos que sofisticados recursos tecnológicos como softwares e algoritmos que mineram e segmentam dados disponíveis de usuários na Internet, são notavelmente desenvolvidos nos meios militares e pelas agências de inteligência norte-americanas antes de “amadurecerem” e se transformarem em “produtos” para o “mercado”. Para além da utilização das tecnologias digitais nas “guerras psicológicas” travadas pelo império para fins de desestabilização dos governos considerados hostis, tais recursos vêm sendo empregados em monumental escala para fins político-eleitorais através de “empresas” mais do que suspeitas.

Nesse último caso há fartas evidências do emprego desses mecanismos de manipulação como foi o caso do plebiscito na Inglaterra que aprovou a saída daquele país da União Europeia, e na eleição de Trump nos EUA. Ambos eventos ocorreram em 2016. As eleições brasileiras acrescentam mais um novo capítulo à guerra por corações e mentes, pois é disso que se trata, de uma guerra!

No contexto das disputas geopolíticas do século XXI, o decadente império anglo-americano desatou a estratégia da Guerra Híbrida para combater as fortes tendências ao multilateralismo expressas pela China, Rússia, Iran e Brasil, principalmente durante os governos Lula. Por conta da paridade militar com a Rússia e indiretamente com a China, a opção preferencial dos estrategistas do Pentágono é pela intervenção indireta.

A Guerra Híbrida é a guerra indireta e se vale de operações psicológicas em larga escala contra governos e lideranças hostis aos interesses norte-americanos, do financiamento de manifestações “quintas-colunas” que desestabilizem governos não-alinhados, no armamento de bandos armados como o famigerado Estado Islâmico no Oriente Médio e de todo o recurso disponível que gere o caos e suas oportunidades imprevistas. A Guerra Híbrida não deixa de ser a instrumentalização do caos e de seu gerenciamento.

Portanto, a eleição de Bolsonaro e de sua delinquente narrativa de fomento ao ódio contra a esquerda, os movimentos sociais e as minorias, não deve ser compreendida isoladamente. A eleição de Bolsonaro é um continuum das jornadas de junho de 2013, das manifestações contra a Copa em 2014, das ações midiáticas da operação “Lava à Jato” a partir de 2015, das manifestações “quintas-colunas” coloridas de verde e amarelo, do golpe parlamentar e do impeachment de Dilma em 2016 e da prisão criminosa do ex-presidente Lula nesse ano. Todos estes eventos foram desatados para destruir o Estado Nacional brasileiro se valendo da instrumentalização e gerenciamento do “caos”, ou, da “Guerra Híbrida”.

Como se diz: “há um método na loucura”! Talvez não tenhamos sido suficientemente consequentes com a análise do que ocorreu no Brasil a partir da queda do governo Dilma. O fato é que Haddad não poderia ter vencido Bolsonaro, pois não se tratava mais de uma eleição democrática!

(*) Cientista político

O passado é uma parada

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Cyd Charisse (1922-2008), dançarina que brilhou em Hollywood ao lado de Gene Kelly e Fred Astaire nos clássicos musicais da Metro-Goldwyn-Mayer, como Cantando na Chuva (1952), Brigadoon (1954) e Meias de Seda (1957). Em Cantando na Chuva, estrelado por Gene Kelly, que co-dirigiu o filme com Stanley Donen, Cyd interpreta uma bela e atraente mulher e compôs dupla com Kelly numa das sequências mais complexas e memoráveis do antológico filme, chamada “Broadway Melody Ballet”.

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