Arnaldo se despede, emocionado, e ganha homenagem de Galvão

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Ex-árbitro de futebol, responsável por apitar a final da Copa do Mundo de 1982 entre Alemanha e Itália e pioneiro no país na atividade de comentarista de arbitragem, Arnaldo Cezar Coelho, 75 anos, despediu-se da Rede Globo na tarde desta terça-feira, 20, antes do amistoso entre Brasil e Camarões, no último amistoso da seleção no ano. Desde 1989 como comentarista de arbitragem do canal, Arnaldo havia anunciado sua saída da função durante a Copa do Mundo da Rússia. Sua estreia aconteceu na decisão do Brasileirão de 1989, entre Vasco e São Paulo. Sua despedida ocorre após atuar na função em oito Copas do Mundo.

Chorando ao lado do companheiro de transmissões, o narrador Galvão Bueno, Arnaldo disse que “valeu, e estão valendo” os anos de trabalho na emissora. “Além de termos feito uma amizade grande e bonita entre nós – nos falamos quase todos os dias nesses últimos 30 anos em que estamos juntos -, eu aprendi muito com você. Você me ensinou muito, a ser mais paciente. Entre chutar o balde e engolir sapos, me ensinou a engolir um pouco mais de sapos. Eu te agradeço muito, fará uma falta muito grande”, disse Galvão Bueno, também emocionado. Casagrande e Junior, que participavam da transmissão, também se manifestaram carinhosamente em relação ao comentarista de arbitragem.

“Quando estreei há 29 anos, eu me propus a explicar a regra do futebol de forma didática, porque é o esporte mais praticado dentro do Brasil e poucos sabiam de regras. Hoje eu acho que meu dever está cumprido. Acho que todos nós conhecemos um pouco mais de regra e discutimos um pouco mais”, afirmou Arnaldo. (Da Placar)

O tédio como companhia

POR GERSON NOGUEIRA

Vejo o noticiário da TV e da internet qualificando o amistoso do Brasil com Camarões como um jogo duro. Ora, nenhuma novidade. Qualquer time do mundo, até o catadão de Gibraltar ou das Ilhas Maurício, engrossa o caldo diante do previsível escrete canarinho do guru Tite, cuja invencibilidade nos amistosos adquire um ar de afronta aos que esperavam uma participação bem mais decente na Copa do Mundo.

Contra a peladeira (no mau sentido) seleção de Camarões, o Brasil perdeu Neymar e suas firulas logo no começo da partida e passou a depender de bolas esticadas para Richarlison e tentativas em bolas aéreas. Nenhuma jogada mais cerebral ou que exigisse um mínimo de elaboração por parte do meio-de-campo.

Nos últimos tempos, com exceção dos jogos na Copa, costumo acompanhar as apresentações do escrete ocupado com outras coisas. Às vezes, prefiro cuidar de um texto para o blog ou o jornal. Em outras, distraio a mente navegando na internet, pesquisando coisas ou dedicando atenção a um livro – ontem, por coincidência, foi a vez da estupenda bio do Led Zeppelin, “Quando os gigantes caminhavam sobre a Terra”.

Confesso que décadas atrás jamais imaginaria sentir tanto tédio num jogo do Brasil, mesmo sendo apenas amistoso. Eram tempos de concentração absoluta nas feras de João Saldanha ou nos times subsequentes, comandados por Zagallo, Coutinho, Telê e Parreira.

Não pelos técnicos, diga-se. O interesse era pelos craques daquela época. Alguns jogadores nem pertenciam à galeria dos fora-de-série, mas tinham um repertório respeitável de dribles, lançamentos e chutes. Já o time atual chuta muito pouco em direção ao gol. Parece estar atado à máxima infame de Parreira, que via o gol como mero detalhe.

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A coisa é tão séria que não há vestígio daquele que já foi um dos recursos mais poderosos de todas as grandes seleções montadas no Brasil: a qualidade nas cobranças de faltas. Mortal nesse fundamento quando contava com chutadores do quilate de Zico, Nelinho, Éder, Branco e Ronaldinho Gaúcho, só para ficar nos mais recentes, a Seleção não marca gol de falta há exatos quatro anos – o último foi em setembro de 2014!

Algo de muito esquisito vem solapando há anos a qualidade e até a malícia que eram características marcantes dos jogadores brasileiros. O jeito especial de bater na bola deu lugar a arremates manjados, que não se diferenciam e nem se igualam ao que se vê no futebol europeu.

A explicação para tamanha aridez está no excesso de cuidados com sistemas táticos, variações esdrúxulas de posicionamento, cujo objetivo nada mais é do que fechar defesas. Bloqueia-se tanto que termina por haver um bloqueio absoluto de criatividade.

Na Rússia, há alguns meses, deu para observar que os times que se sobressaem são aqueles que guardam respeito pela técnica e pelo jogo esmerado. Franceses, croatas e belgas se destacaram porque tinham em comum craques de verdade, que se movimentam por todo o campo, não guardam posição e não se prendem a esquematizações bobas.

Enquanto Griezman e Mbappé ganharam a Copa para a França, Modric elevou a Croácia a um patamar inédito e Hazard fez da Bélgica uma das sensações do Mundial, o Brasil se perdia em linhas de quatro, laterais que não apoiam e defesa armada até os dentes. Deu no que deu.

O peladão de ontem foi apenas parte do script funéreo com que a CBF brinda os adeptos do esporte mais popular do mundo, cometendo a irresponsabilidade de botar a Seleção para jogar contra seleções de terceiro escalão. De novo apenas o esforçado e forte Richarlison, autor do gol.

Um ponto, porém, chama atenção. Tite, que chegou a convocar Taison para o Mundial da Rússia, resolveu esquecer essa preciosidade do Shakhtar Donetsk. Não seria este o momento de provar ao mundo que estava certo ao convocar o contestado atacante¿ Penso que Taison, em particular, é o grande injustiçado deste cinzento e chato período pós-Copa.

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O campeonato dos jogadores assim-assim

Recebi da CBF aquele formulário de votação para escolha dos melhores do Campeonato Brasileiro. Melhores, cá pra nós, é força de expressão. A Série A deste ano padece, como as últimas cinco ou seis edições, de uma crônica estiagem de talento.

Com muito esforço, queimando pestanas, dá para filtrar alguns nomes. Dudu (Palmeiras), Paquetá (Flamengo), Everton (Grêmio), Pedrinho (Corinthians), Gabriel (Santos), Pikachu (Vasco), Rodrigo Dourado (Inter), Fábio e Dedé (Cruzeiro), Cazares (Atlético-MG) e Artur (Ceará).

Nada de atuações excepcionais, gols espetaculares ou alto nível de regularidade. Foram apenas um pouco acima da mediocridade geral. Espantoso é ver comentários empolgados com o Palmeiras de Felipão, principalmente nos canais de esporte sediados em São Paulo.

Mais ou menos nos moldes da Seleção de Tite, o provável time campeão da temporada joga à moda gaúcha. Muita pancadaria no meio-campo, tendo à frente o brucutu Felipe Melo, e bola na área para ver se alguém desvia para as redes. E salve-se quem puder.

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Corrida dos Engenheiros tem inscrições abertas

Acontece no próximo dia 9 de dezembro, pelo nono ano consecutivo, a Corrida e Caminhada do Engenheiro, com o pioneirismo da utilização do Parque do Utinga pelo Clube de Engenharia do Pará, organizador do evento. Com apoio de Mútua e Terraplena, a corrida tem a coordenação da Zé-efe Comunicação e Marketing.

(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 21)

Nos bastidores do rock

Guns and Roses, Chicago, 19th Devember 1987. (Photo by Paul Natkin/WireImage)

Gilby Clarke foi entrevistado pelo Ultimate-Guitar onde contou que Axl Rose tinha planos de contar com três guitarristas no Guns N’ Roses. Isto teria acontecido no início da era “Chinese Democracy”, conforme relata Gilby, que esteve na banda entre 1991 e 1994. “Tivemos um bom relacionamento, mas no fim das contas concordamos um com outro? Absolutamente não. Eu não acho que o Guns N’ Roses deveria ter três guitarristas (risos). Eu tinha muitas dúvidas sobre isto, então não concordamos, mas não quer dizer que não o respeitei ou me importei com ele e vice-versa, tanto que no decorrer dos anos fizemos algumas jams, não há nenhum mal-estar. Ainda hoje eu me lembro das coisas boas e não das coisas ruins e eu sempre digo que estamos no mesmo barco, no mesmo time. Eles se preocupam com música, rock’n’roll e eu também, eu nunca faria algo pra manchar a imagem da banda, quero este legado vivo eternamente e que eles façam novos discos, eu quero isto tudo vivo”.

Baseado nas palavras de Gilby, aparentemente Rose queria ele, Slash e Paul Huge nos postos de guitarristas do GNR.

Sobre abusos e impunidade

Por Reinaldo Azevedo

Informa o Estadão:
O ex-juiz federal Sergio Moro, futuro ministro da Justiça e Segurança Pública, trouxe para auxiliá-lo nos trabalhos de transição de governo a delegada da Polícia Federal Érika Marena, que atuou nas operações Lava Jato e Ouvidos Moucos. Na primeira, a delegada teve papel central no início da apuração do escândalo de corrupção e lavagem de dinheiro na Petrobrás; na segunda, ficou marcada por ter feito o pedido de prisão do então reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, que se suicidou menos de três semanas após ser preso.
Os nomes de Erika e de Rosalvo Ferreira Franco, ex-superintendente da PF no Paraná, foram confirmados nesta segunda-feira, 19, por Moro, como integrantes da equipe de transição ministerial e devem fazer parte do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A ida de Erika para a pasta foi antecipada pela Coluna do Estadão na sexta-feira, 16. A delegada chegou a ser citada como possível escolha para a Diretora-Geral da PF, mas o principal cotado para a função é o superintendente da PF no Paraná, Maurício Valeixo, amigo de longa data de Moro.

Retomo
Querem que eu diga o quê?

Luiz Carlos Cancellier de Olivo, então reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, foi preso no dia 14 de setembro do ano passado, acusado de chefiar uma “ORCRIM” (organização criminosa) que atuava na instituição e que teria desviado R$ 80 milhões. Vestiu uniforme laranja, foi algemado e teve os pés acorrentados. Solto, ele se matou 18 dias depois, jogando-se do 7º andar de um shopping em Florianópolis. A leitura de 6 mil páginas do inquérito e 800 do relatório da PF leva à seguinte conclusão: nada existe contra Cancellier. Para se ter medida do absurdo, os R$ 80 milhões que teriam sumido representam a soma de verbas que a UFSC recebeu ao longo de 10 anos. As acusações que há contra o reitor assombram pela fragilidade.

E o que aconteceu com Érika Marena, a delegada da PF que conduziu o inquérito e os métodos que levaram ao suicídio de Cancellier? Nada! Depois de uma sindicância, chegou-se à conclusão de que ela não fez nada de errado. Foi transferida para Sergipe. Sem uma lei decente que puna abuso de autoridade — e disseram que isso seria um atentado à Lava Jato —, nem o suicídio em massa levaria a uma mudança de métodos. Agora, ela vai ser braço-direito de Sérgio Moro.

Um detalhe perverso do magnífico trabalho conduzido. Como os ditos “investigadores” nada encontraram contra o pai, então os valentes resolveram assombrar o direito romano e foram pra cima do filho. Desde aqueles tempos se considera que as culpas, ainda que efetivas dos pais, não recaem sobre os filhos. Não nestes dias. Mikhail Cancellier, hoje professor da UFSC, foi indiciado por suspeita de que seu pai fez um repasse irregular para a sua conta quando ainda era estudante. Total da bolada? Ao longo de 2013, R$ 7.102, totalizados em três depósitos! Só o terceiro deles, uma fração disso, está respaldado em algum fio de suspeita, ainda assim ridículo. E o comando da PF nada faz para coibir esses espetáculos de truculência.

E não pensem que a coisa parou por aí. Um professor e o reitor da UFSC acabaram sendo investigados, creiam, porque participaram de manifestações em defesa da memória de Cancellier. Pretexto: faixas expostas durante as manifestações teriam atacado a honra da delegada e de outras autoridades. A coisa acabou indo para o arquivo. Mas ficou a cicatriz da truculência.

Ao fazer tal escolha, Moro está dizendo que seus aliados estão acima do erro. E também da vida e da morte. 

Que tipo de formação de brasilidade é essa que, convicta, elege Bolsonaro?

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Por Bruno Lima Rocha (*), no Sul 21

Desta vez assumo uma condição de ensaio, exploração do tema mesmo. A eleição do deputado federal pelo PSL-RJ, Jair Messias Bolsonaro, foi fruto de um conjunto de fatores e também, mérito eleitoral tanto de seu proselitismo como do conjunto de alianças eleitorais, econômicas e sociais ao seu redor. Disto não há dúvidas, assim como o bloqueio da candidatura do ex-presidente Lula e a não transferência de votos, além de uma enxurrada de Fake News.

Mas, para além dos efeitos eleitorais, superando o voto de protesto e a negação da política, ultrapassando a migração da pobreza e do desamparo, com uma parcela de votos que migra de Lula para o ex-capitão de artilharia de curta carreira na Força Terrestre, existe uma dúvida de profundidade.

Que tipo de Brasil, qual a ideia de Brasil, quais ideias de Brasil que elegeram Bolsonaro?!

Tenho medo de cair em armadilhas conceituais, como querendo rebater aos clássicos do conservadorismo, a exemplo de Oliveira Vianna (a quem Golbery do Couto e Silva se referia como “mestre Vianna”), ou o perigoso Nina Rodrigues, por exemplo. Meus temores passam por integralistas como Gustavo Barroso e Plínio Salgado. Mas, no meio desta tormenta, me deparo com a obviedade de que a Barata Cascuda, o folclorista Câmara Cascudo, participou dos Galinhas Verdes e isso a geração protofascista do século XXI sequer faz.

Estamos diante de uma gigantesca esquizofrenia. Desde o delírio Udenista Pós-Moderno dos coxinhas de 2015 e 2016, passando pela campanha paralela do clã Bolsonaro, trata-se de um Brasil profanando o verde e amarelo como verniz, negacionista de quase tudo, opositor inclusive aos feitos da direita brasileira. Ou aos feitos das direitas brasileiras. Este que escreve se fosse politicamente ativo no período de 1964, certamente agora estaria no além. Mas, não posso negar que a ditadura militar tinha projeções de Brasil Grande, e este é igualmente negado. Se vivo fosse nos anos ’30, a partir de 1934 especificamente, certamente me encontraria também no mundo de lá, mas tampouco posso negar que os governos autoritários de Vargas, incluindo o Estado Novo, tinha um projeto de país integrado e com o controverso elogio da mestiçagem. Assim, ainda que eu critique a invisibilidade afrobrasileira, identifico no projeto cultural do eixo Rio-Minas-Bahia da Era Vargas, simplesmente um projeto de país afrocentrado.

Poderia ficar buscando pistas republicanas, mas isso me parece ir mais além. Observando a estética política do clã vitorioso e seus aliados, ultrapassando o espelho retorcido que tenta mimetizar e porque não imitar loucamente as posições dos EUA como Superpotência, o que vejo remonta aos marcos coloniais do Império Luso-Brasileiro e suas consequências.

Raízes no Império?

Estava pensando no Brasil Império e justamente em dois movimentos do Estado no período. O primeiro, a afirmação da “nobreza ilegal”, tanto como forma de sustentar o início dos parasitas que aqui chegaram escoltados pela Marinha Inglesa – e todas as suas consequências – como depois, no período da Regência e o Golpe da Maioridade, quando o paradigma político oportunista de Bernardo Vasconcellos faz derrubar as máscaras do liberalismo conservador brasileiro.

No auge do Segundo Reinado, a escolha preferencial pela importação de mão de obra, apontando a necessidade do país ter “população branca”, mesmo sendo estes os pobres da Europa, a cristandade distante do Oriente Médio (de onde vem majoritariamente este mortal que aqui escreve) ou mesmo apontando as baterias para a importação de “americanos” no interior de São Paulo. Enfim, já na república chegaram os nipônicos e todos nos tornamos automaticamente, socialmente brancos e dotados dos benefícios desta posição.

Vejamos a eleição de 2014. A presidente reeleita é filha de um exilado búlgaro e uma família quatrocentona mineira. Seu vice, primeira geração no país, de origem libanesa maronita e se torna presidente. Olhando assim, esta é a terra das oportunidades. Será?

Esta pode ser a dica da visão de brasilidade. Somos todos integrados, desde que obedecendo a “ordem social das coisas”. Para isso, a votação expressiva de Bolsonaro sobre a mancha da soja e do latifúndio da colonização interna explica muito.

Charles Borer como paradigma de ascensão e queda

Recentemente um amigo e companheiro de longas jornadas falou em evento político-acadêmico algo que me chamou a atenção. “Já passamos da fase de tentar responder perguntas difíceis com resposta fáceis. Reafirmamos a escola libertária uruguaia: certeza ideológica, dúvida teórica, precisão analítica”. Assino embaixo.

Falo isso porque não basta explicar a votação de Bolsonaro por nenhuma categoria absoluta e menos ainda cabe negar a ascensão de alguma ideia da extrema direita profundamente antagônica a qualquer matriz social brasileira. Ficaria contente em afirmar que “o viralatismo explica”. Explica muito sim, mas não tudo. O racismo estrutural também está mais perto do que imaginamos, assim como os esgotos do inconsciente, mas não basta.

Não basta porque não imagino um modelo de Brasil que essa gente, ao menos os 20% de convictos da extrema direita, consiga ver como válida. Para além dos holofotes, da “guerra cultural através da Unizap”, da “memificação” da política, será que essa parcela convicta já foi numa feira livre? Perdoem o carioquismo, mas será que esse pessoal já escutou Jorge Ben ou Tim Maia, se maravilhou com um partido alto ou foi às lágrimas ouvindo Cartola ou dona Clementina?

Eu não quero fazer desse ensaio um arremedo de crônica de João Saldanha e Sandro Moreyra, mesmo porque teria de nascer ao menos cinco vezes para escrever com dez por cento do talento dos dois. Mas, um pouco de Botafogo ajuda a explicar. Dizem que o clã é alvinegro, como este aqui que peleia com as palavras. Nasci com a estrela solitária como fralda, sendo filho e neto dos dois lados. Enfim, pensamos no Glorioso e imaginamos um banho de Brasil em preto e branco, como Manga, Nilton Santos, Didi, Garrincha, Jairzinho, Afonsinho, Paulo César, Heleno de Freitas, Amarildo (ufa, vou parar por aqui para não narrar vinte linhas de craques imortais). Ao vislumbrar o Fogão ninguém mais se lembra do tenebroso período de Charles Borer como presidente, ele mesmo, irmão de Cecil Borer, o todo poderoso delegado do DOPS da Guanabara. Borer foi presidente de 1976 a 1981, incluiu mais de 400 conselheiros para votar nele de forma incondicional (chamados de boreméritos) e quando em 1981 o Conselho foi votar seu impeachment, chegou escoltado de seguranças e com três viaturas da PMERJ. Saiu escorraçado igual e hoje o clube esconde este passado recente, onde ficamos sem sede histórica e sem títulos de nenhuma ordem. Enfim, analogias à parte, para além das alegorias futebolísticas, isso pode explicar muito.

Estamos diante de uma fórmula desastrosa: a ascensão imaginária, um governo de ocupação, desastres terríveis, aproveitadores de todo tipo e, se fizermos nossa parte, virá a renascença tão furiosa como o clube de samba do mesmo nome no bairro do Andaraí. Vai doer, mas vai passar, e passará mais rápido se as esquerdas mergulharem definitivamente, de cabeça e alma na formação do povo brasileiro. Um pé em cada mundo, como Beth Carvalho e Gonzaguinha, generosos com os humildes iludidos e irredutíveis com os usurpadores.

(*) Pós-doutorando em economia política, doutor e mestre em ciência política, professor de relações internacionais e jornalismo e, mais importante do que tudo isso, é brasileiro e botafoguense.

Nos EUA, força da imprensa livre faz governo devolver credencial a jornalista

Trump

A Casa Branca cedeu e decidiu devolver nesta segunda (19) a credencial do jornalista da CNN Jim Acosta, encerrando uma batalha jurídica entre a emissora e a administração Trump. O repórter perdeu o passe após discutir com o presidente Donald Trump durante uma entrevista coletiva no início do mês. A justificativa da gestão para a suspensão foi de que Acosta teria tocado de forma agressiva uma auxiliar que tentava tirar um microfone de sua mão e que agiu de forma desrespeitosa com os colegas ao não ceder a vez.

Na última sexta (16), um juiz federal ordenou que a credencial fosse restituída por 14 dias, após a CNN levar o caso à Justiça. A empresa alegou que os direitos de Acosta previstos na primeira e na quinta emendas constitucionais (que tratam da liberdade de expressão e de imprensa e do abuso de poder por parte do estado, respectivamente) haviam sido violados com a sanção.

A administração, contudo, ameaçou voltar atrás caso o jornalista não respeite as novas regras para coletivas de imprensa do Trump. Uma delas é fazer apenas uma pergunta –Acosta fez mais de uma no evento que serviu de pivô para a ação.

Trump havia afirmado na semana passada que novos regulamentos para orientar a conduta de repórteres seriam criados. “As pessoas vão ter que se comportar”, afirmou na sexta. “Você não pode fazer três e quatro perguntas. Você não pode ficar de pé e não se sentar.”

A decisão, informada por meio de uma carta, representa uma mudança na posição da Casa Branca em relação ao caso. A secretária de imprensa do governo, Sarah Sanders, havia dito que, assim que o prazo de 14 dias se encerrasse, a credencial seria suspensa novamente.

Isso levou a CNN a solicitar uma audiência de emergência a um juiz federal para que o prazo fosse estendido. Com a recuperação da credencial, a emissora retirou os processos contra Trump e seus assessores envolvidos no caso. (Da Folha SP)

Bolsonaro repassou R$ 2 milhões em emenda para hospital de Juiz de Fora, antes da facada

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Ainda no mandato de deputado federal pelo PSL do Rio de Janeiro, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, destinou R$ 2 milhões em uma emenda individual parlamentar para a Santa Casa de de Misericórdia de Juiz de Fora (MG), hospital que prestou o primeiro atendimento após o então candidato à Presidência levar uma facada durante um ato de campanha na cidade mineira em setembro.

Como parlamentar, Bolsonaro tem direito a direcionar R$ 15,4 milhões em emendas ao Orçamento da União de 2019, sendo que metade do valor tem de ser destinada para ações e serviços públicos de saúde, como determina a Constituição.

Logo após ter se recuperado do ataque, Bolsonaro chegou a dizer que “nasceu de novo” no hospital. Ele também quis doar para a instituição um valor do montante arrecadado para sua campanha e que acabou não ocorrendo. Esse tipo de doação não é permitida pela legislação eleitoral por se tratar de recursos de campanha.

A emenda para a Santa Casa de Juiz de Fora, no entanto, difere de grande parte das rubricas orçamentárias historicamente apresentadas por Bolsonaro ao longo dos 27 anos em que é deputado federal. Ele sempre priorizou o repasse para instituições de saúde, de educação e de outras áreas ligadas às Forças Armadas.

Este tipo de emenda é impositiva, ou seja, o governo é obrigado a executá-la. Elas são destinadas, em geral, para as demandas que chegam das bases eleitorais dos 594 congressistas – incluindo deputados e senadores – e é uma forma de os parlamentares participarem da elaboração do orçamento anual encaminhado ao Congresso pelo Executivo.

Na justificativa para a emenda apresentada, Bolsonaro afirma que o déficit da instituição em 2017 foi de R$ 27,1 milhões, referentes aos atendimentos a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), sendo a média mensal de R$ 2,3 milhões. “Este déficit é decorrente da defasagem da tabela do SUS sem reajuste há mais de 12 anos”, diz o texto da emenda.

Levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo em janeiro mostrou que Bolsonaro destinou 60% das suas emendas para a saúde dos militares entre 2014 e 2018. No total do período, foram mais de R$ 45 milhões em rubricas para atividades relacionadas às Forças Armadas dos mais de R$ 76 milhões indicados por ele no Orçamento.

Para 2019, Bolsonaro manteve a tradição. Ele apresentou 21 emendas, sendo que 60% destinadas para saúde e educação de militares. Foram R$ 7,2 milhões para hospitais e equipamentos de saúde e R$ 1,9 milhão para escolas militares. O restante foi destinado para a Rede Sarah, o Hospital de Barretos, o Instituto Nacional do Câncer e a Associação Brasileira de Assistência aos Cancerosos, além da Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora. Nenhuma emenda foi destinada para segurança pública.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de Bolsonaro, mas não obteve resposta até a conclusão desta edição. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. (Do UOL) 

Negros e negras brasileiros que deveriam ser mais estudados nas escolas

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“Parece que os negros não têm passado, presente e futuro no Brasil. Parece que sua história começou com a escravidão, sendo o antes e o depois dela propositalmente desconhecidos”. Quem afirma é o antropólogo Kabengele Munanga, professor do Centro de Estudos Africanos da Faculdade de Filosofia, Letras, Ciências e Humanidades da USP. Não à toa, o Dia Nacional da Consciência Negra, 20 de novembro, é baseado na história envolta em mistérios e lendas de Zumbi dos Palmares, escravo que liderou um quilombo em Alagoas no século 17.

Zumbi

Considerado o maior herói do movimento negro brasileiro, Zumbi teria sido assassinado em 20 de novembro de 1695. A data, porém, só foi descoberta em 1970 e só em 2003 foi incluída no calendário escolar.

Ainda assim, é constante a reclamação, por parte de ativistas, de que negros e negras proeminentes na história brasileira continuam sendo deixados de lado nas aulas de História. Conheça alguns deles.

No século 17, Zumbi foi capturado por bandeirantes ainda bebê e entregue ao padre Antônio Melo, em Porto Calvo, região do Rio São Francisco. Sabe-se que ele foi batizado pelo padre com o nome de Francisco, mas a data exata de seu nascimento não é conhecida.

Com 15 anos, Zumbi conseguiu fugir para o Quilombo dos Palmares, atual região de Alagoas. No quilombo – uma das comunidades livres fundadas por escravos que conseguiram fugir dos seus senhores -, o adolescente adotou o nome de Zumbi, que significa “espectro, fantasma ou deus” no idioma quimbundo.

O Quilombo dos Palmares foi o maior das Américas, abrigando cerca de 20 mil habitantes em 11 povoados. “Zumbi liderou a luta contra a escravidão e reuniu não apenas muitos negros que fugiam das senzalas, mas também indígenas e brancos insatisfeitos com o regime escravista”, disse Kabengele Munanga à BBC Brasil.

Zumbi foi o último líder do Quilombo dos Palmares e chefiou a luta de resistência contra os portugueses, que durou 14 anos e terminou com sua morte, em 1695. Mesmo carente de armas, o Quilombo dos Palmares tinha uma eficiente organização militar. A comunidade resistiu a 15 expedições oficiais da Coroa.

Na décima sexta expedição, depois de 22 dias de luta, Zumbi foi capturado, morto e esquartejado por bandeirantes. Sua cabeça foi enviada para o Recife, onde ficou exposta em praça pública até se decompor.

Dandara dos Palmares

Assim como Zumbi, não há registros do local nem da data de nascimento Dandara. Acredita-se que ela foi levada para o Quilombo dos Palmares ainda criança. Lá teria aprendido a caçar, lutar capoeira e manusear armas. Foi uma das líderes do exército feminino em Palmares e mulher de Zumbi, com quem teve três filhos. Depois que o Quilombo foi tomado pelos portugueses,em fevereiro de 1694, Dandara cometeu suicídio para não ser capturada e voltar à escravidão.

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Milton Santos

Milton Santos nasceu em 3 de maio de 1926, em Brotas de Macaúbas, na Bahia. Filho de dois professores primários, ele tornou-se um dos geógrafos negros mais conhecidos no mundo. Sua formação, no entanto, não era em Geografia, e sim em Direito, pela Universidade Federal da Bahia (Ufba).

Santos foi o precursor da pesquisa geográfica na Bahia e, na década de 1990, tornou-se o único pesquisador brasileiro a ganhar o Prêmio Vautrin Lud, considerado o Nobel de Geografia. No mesmo período, ganhou um Prêmio Jabuti, o mais importante da literatura brasileira, pelo livro A Natureza do Espaço.

Após o golpe militar de 1964, o baiano foi perseguido e preso pelo regime, por ter sido representante da Casa Civil na Bahia durante o curto governo de Jânio Quadros. Com ajuda do consulado da França, conseguiu asilo político na Europa.

O geógrafo deu aulas e fundou laboratórios na França, na Inglaterra, na Nigéria, na Venezuela, no Peru, na Colômbia e no Canadá. Ele conseguiu retornar ao Brasil somente nos anos 1980. Apelidado de “Cidadão do mundo”, Milton Santos recebeu vinte títulos de Doutor Honoris Causa de universidades da América Latina e da Europa, publicou mais de 40 livros e mais de 300 artigos científicos. Morreu em 24 de junho de 2001.

Machado de Assis

Filho de um mulato pintor de paredes e de uma imigrante portuguesa que trabalhava como lavadeira, Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839, no Rio de Janeiro. A escravidão foi abolida somente 49 anos após o seu nascimento.

Por causa do preconceito racial, ele teve acesso limitado ao ensino e se tornou autodidata. No seu primeiro trabalho, em uma padaria, aprendeu com a patroa a ler e traduzir em francês.

Aos 17 anos, se tornou tipógrafo na Imprensa Nacional. Passou a colaborar para diversas revistas aos 19 anos e, pouco depois, trabalhou para jornais como Correio Mercantil e Diário do Rio de Janeiro.

Machado de Assis só se tornou um escritor conhecido a partir de 1872, com a publicação do romance Ressurreição. Ele foi eleito o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras. O livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, publicado em 1881, é considerado sua maior obra e uma das mais importantes em língua portuguesa. O romancista morreu em 29 de setembro de 1908.

Lima Barreto

Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu em 13 de maio de 1881, no Rio de Janeiro, neto de escravos e filho de professores. Em 1897, menos de dez anos após o fim da escravidão, ele foi aceito na importante escola de Engenharia do Rio de Janeiro – o único negro da sala. No entanto, ele abandonou a universidade em 1902 para cuidar do pai, que sofria de uma doença mental.

Lima Barreto tornou-se funcionário público para sustentar a família e, nas horas vagas, escrevia reportagens para o jornal carioca Correio do Amanhã, denunciando o racismo e a desigualdade social no Rio de Janeiro.

Um dos principais romances brasileiros, O Triste Fim de Policarpo Quaresma, foi o segundo romance publicado por Barreto. Ele morreu em 1922, aos 41 anos, considerado louco. Deixou uma obra de dezessete volumes e nunca recebeu nada para escrever nenhum deles. Seu reconhecimento como escritor veio somente após a morte. Em 2017, foi o homenageado da Feira Literária de Paraty, um dos maiores eventos da literatura brasileira.

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Carolina de Jesus

Carolina Maria de Jesus nasceu em 1914, em Sacramento, Minas Gerais. De família pobre, ela cursou somente os primeiros anos do primário, e se mudou para São Paulo em 1937, onde trabalhou como doméstica e catadora de papel. Nesse período, ela mantinha consigo inúmeros diários onde relatava o seu dia a dia como moradora da favela do Canindé.

Em 1958, ao fazer uma reportagem no Canindé, o jornalista Audálio Dantas conheceu Carolina e leu seus 35 diários. Dois anos depois, ele publicou um dos diários com o título de Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada. A obra vendeu mais de 100 mil exemplares em 40 países e foi traduzida em 13 línguas. Em 1961, Carolina de Jesus lançou Casa de Alvenaria: Diário de uma Ex-favelada e, no ano seguinte, publicou Pedaços da Fome, seu único romance.

Depois de desentendimentos com editores, em 1969, a escritora saiu de São Paulo e mudou-se para um sítio. Morreu em 1977, aos 62 anos, de volta à pobreza.

Abdias do Nascimento

Neto de escravos, Abdias do Nascimento nasceu em uma família em 1914, na cidade de Franca, em São Paulo. Ele começou a trabalhar aos 9 anos e, para conseguir se mudar para São Paulo, se alistou no Exército. Nascimento teve que abandonar a instituição, no entanto, ao entrar para o movimento da Frente Negra Brasileira, que realizava protestos em locais públicos contra o racismo.

Em 13 de outubro de 1944, ele criou o Teatro Experimental do Negro, junto com outros artistas brasileiros. Escritores da época, como Nelson Rodrigues, escreveram peças teatrais especialmente para o grupo, que também se dedicou a alfabetizar ex-escravos e transformá-los em atores.

Durante a ditadura militar, Nascimento foi preso e enviado ao exílio. Ele retornou ao Brasil somente em 1981. Além de ator, teatrólogo e ativista, Abdias Nascimento foi deputado federal pelo Rio de Janeiro logo após o final do regime militar. Na década de 1990, foi eleito senador, sempre com a plataforma da luta contra o racismo.

Ele faleceu em 24 de maio de 2011, aos 97 anos.

Teodoro Sampaio

Quem passa pela movimentada rua Teodoro Sampaio, no bairro de Pinheiros, em São Paulo, geralmente não sabe a importância do homem que dá nome à via. Filho de uma escrava e de um padre, Teodoro Sampaio nasceu em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, em 1855.

Seu pai, o padre Manoel Sampaio, o levou para o Rio de Janeiro criança e o matriculou no regime de internato no Colégio São Salvador. Em 1877, ele se formou engenheiro. Por anos, ele trabalhou como professor de matemática e desenhista do Museu Nacional para poupar dinheiro e comprar a alforria de sua mãe e irmãos.

Em 1879, Sampaio participou da expedição científica ao Vale do São Francisco para estudar os portos do Brasil e a navegação interior. Ele ajudou a fundar o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, em 1894, e a Escola Politécnica da USP, em 1930.

Morreu no Rio de Janeiro em 1937.

Sueli Carneiro

Aparecida Sueli Carneiro Jacoel nasceu em São Paulo, em junho de 1950. É a mais velha dos sete filhos de uma costureira e de um ferroviário. Doutora em filosofia pela USP, foi a única negra no curso de graduação da Universidade, na década de 1970. Hoje, ela é uma das mais importantes pesquisadoras sobre feminismo negro do Brasil. Seu nome e ativismo foram relacionados à formulação da política de cotas e à lei antirracismo.

Em 1988, Sueli fundou o Geledés – Instituto da Mulher Negra, uma organização política de mulheres negras contra o racismo e sexismo. É uma das maiores ONGs de feminismo negro do país. Entre os vários serviços prestados pelo instituto, está o de assistência jurídica gratuita a vítimas de discriminação racial e violência sexual.

Ainda em 1988, Carneiro foi convidada para integrar o Conselho Nacional da Condição Feminina. É vencedora de três importantes prêmios sobre feminismo e direitos humanos: Prêmio Benedito Galvão, Prêmio Direitos Humanos da República Francesa e Prêmio Bertha Lutz.

André Rebouças

Neto de uma escrava alforriada e filho de Antônio Pereira Rebouças, um advogado autodidata que se tornou conselheiro de D. Pedro 2º, André Rebouças nasceu em 1838, em Cachoeira, Bahia, em uma família classe média negra em ascensão no Segundo Reinado.

Por causa da posição atípica de sua família para a época, André e seus seis irmãos receberam uma boa educação. O menino e um de seus irmãos, Antônio Rebouças, se tornaram importantes engenheiros e abolicionistas.

Como engenheiro, seu maior projeto foi o da estrada de ferro que liga Curitiba ao porto de Paranaguá, considerado, até hoje, uma realização arrojada. Como abolicionista, ele criou, junto de Machado de Assis, Joaquim Nabuco e outros abolicionistas importantes da época, a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão.

Após o fim da escravidão, no entanto, a monarquia também chegou ao fim. Com a proclamação da República, em 1889, a família de D. Pedro 2º e pessoas ligadas a ele, como a família Rebouças, tiveram que partir para o exílio.

André nunca mais retornou ao Brasil. Em 09 de maio de 1898, deprimido com o exílio, o engenheiro se jogou de um penhasco perto de onde vivia, em Funchal, na Ilha da Madeira. Algumas capitais brasileiras, como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Curitiba, têm avenidas e túneis chamados de Rebouças em homenagem ao engenheiro negro. (Da BBC Brasil)