Nossos clubes não conseguem aprender com seus próprios erros. O Paissandu está novamente às voltas com um veterano problemático. Lúcio, que estreou contra o Rio Branco, na Arena da Floresta, permaneceu por 18 minutos em campo e saiu acusando uma lesão muscular. O quadro, de tão repetido, já nem provoca surpresa. Quando um jogador na faixa acima dos 33 anos aporta por aqui surgem, de imediato, as justificadas desconfianças quanto ao seu estado atlético.
Não é de agora que o Paissandu se arvora a apostar nos chamados “ex-jogadores em atividade”, confraria de boleiros já sem mercado no Sul e Sudeste, que vive à procura de um time dos centros mais distantes para enganar e descolar uns cobres em contratos de curtíssima duração.
Em geral, são atletas com passado até vitorioso, alguns títulos na carreira e passagens por grandes clubes. Empresários espertos sempre conseguem empurrá-los para dirigentes desinformados, ávidos por nomes que impressionem o torcedor.
No ano passado, o centroavante Didi foi uma das apostas bicolores para o campeonato. Marcou alguns gols no campeonato estadual, mas ficou boa parte do tempo entregue ao departamento médico. Como a contusão era crônica, decidiu encerrar logo a carreira e anunciou a disposição de virar técnico. Deu sorte e acabou contratado para treinar o Time Negra.
Outros que se inserem nesse critério de reforços da modalidade master no Paissandu foram Eanes e Enilton, que devem ter disputado um ou dois jogos pelo clube. Nildo, ex-Sport Recife, nem estreou. Passou algumas semanas treinando e tentando se recondicionar na Curuzu, mas não foi aproveitado. Marcelo Ramos, outro veteraníssimo, desistiu depois de 15 dias em Belém.
Bem mais do que a freqüente oferta desses jogadores a clubes como Remo e Paissandu, chama atenção a insistência dos dirigentes locais em contratá-los, mesmo sabendo – pelos numerosos exemplos – do alto risco que cerca esse tipo de negócio.
Desconfio até que a tolerância dos cartolas está diretamente ligada à nostalgia em torno das raras contratações bem-sucedidas no passado. No Remo, Amoroso, Russo, Dutra, Luís Miller e Biro-Biro são lembrados até hoje. No Paissandu, todos sabem da importância de Chico Spina, Dario, Róbson e Vandick para a história do clube.
O problema é que, para cada um desses grandes nomes, acumula-se uma lista de pelo menos uma dúzia de apostas equivocadas, cuja inutilidade foi tanta que quase ninguém recorda mais de seus nomes. Poderiam encabeçar essa lista de fiascos figuras do porte de Darci Cavalo, Joãozinho Paulista, Pescuma, Luciano Gigante, Canindé e Índio.
Esclareço que nada tenho contra os dinossauros, até por ser praticamente um deles nestes tempos de redações cheias de jovens, graças a Deus. Mas, por honra da firma, defendo que sejam veteranos úteis e dinâmicos. Algo assim como aqueles velhotes bons de briga mostrados em “Pistoleiros do Entardecer”, de mestre Sam Peckinpah.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 21)