Por Gerson Nogueira
A turma da arruaça nos estádios triunfou outra vez. Temendo a possibilidade de brigas entre torcidas, a Polícia Militar e a Federação Paraense de Futebol estragaram a reta final da Copa Norte Sub-20. Definiram as semifinais da Copa Norte Sub-20 para 15h de hoje, faixa de horário proibitiva para torcedores e extremamente prejudicial aos jovens atletas.
A alegação para tão esdrúxulo horário foi o medo que as autoridades têm do confronto entre as torcidas de Remo e Paissandu, que poderiam vir a se digladiar ao longo da avenida Almirante Barroso. Por essa razão, o jogo entre Remo e Santos (AP) será às 15h, no estádio Evandro Almeida. Às 15h30, no Mangueirão, se enfrentam JV Lideral (MA) x Holanda (AM).
Detalhe: o Paissandu joga somente às 21h50, no estádio da Curuzu, contra o Joinville, em partida cuja previsão de público não é das mais otimistas. Na terça-feira, contra o América-MG, o número de pagantes no estádio mal chegou a 2.500 pagantes.
As medidas preventivas se justificam, mas não excluem alguns questionamentos. O principal e mais óbvio diz respeito à incapacidade que os organismos de segurança demonstram para neutralizar a ação de líderes de torcidas ditas organizadas.
Pela ação isolada de alguns, perdem torcedores, clubes e atletas. No caso do Remo, que tem conseguido levar a expressiva média de 4 mil torcedores por jogo no torneio, a mudança de horário (da noite para a tarde) terá reflexos no comparecimento da torcida.
O que falta para a polícia fichar e cadastrar em seu banco de informações os integrantes das mais violentas facções de torcedores em Belém? Tudo começa com a prevenção à violência. São organizações que reúnem, no máximo, 2 mil membros, contingente perfeitamente identificável.
Ao mesmo tempo, persiste outra dúvida: será que o aparato de segurança ficou tão nanico que não consegue mais estabelecer vigilância nas quadras próximas ao estádio da Curuzu, criando um isolamento em relação ao estádio Baenão? Pelo visto, sim.
Cabe então jogar a toalha, reconhecer que chegamos ao ponto crítico da capitulação. Agora, até mesmo em jogo da categoria sub-20, a Polícia se mostra incapaz de tratar preventivamente o risco de enfrentamentos de rua. A qualquer momento ainda veremos se repetir aqui o fenômeno que os mineiros já experimentaram e os gaúchos também: jogos para uma torcida só, confirmando a derrota dos desportistas e a vitória dos brutos, sob a complacência e passividade dos organismos de segurança.
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Fazendo das tripas coração
Arturzinho está fazendo o que pode para tentar dar um perfil competitivo ao Paissandu, a tempo de evitar novo insucesso diante do Joinville, hoje, na Curuzu. Com base nas observações feitas no jogo contra o América-MG e nos poucos treinos que comandou, chegou a uma formação diferente para o confronto desta noite: Marcelo; Djalma, Bispo, Fábio Sanches e Pablo; Esdras, Vânderson, Diego Barbosa e Eduardo Ramos; Marcelo Nicácio e Héliton.
É uma tentativa válida, mas que implica em alguns problemas. Djalma improvisado na lateral-direita é uma temeridade, principalmente porque do lado esquerdo já há Pablo quebrando galho. Mas o pior cenário está na meia cancha. Esdras e Vânderson formam a menos efetiva das duplas de volantes possíveis no elenco. Incompreensível a ausência de Billy como alternativa para jogar ao lado de qualquer parceiro.
Mais à frente, Diego Barbosa é outra incógnita. Não foi bem em nenhum dos jogos nos quais entrou como titular. No ataque, a presença de Héliton só se justifica pela falta de opções, pois o jogador foi muito mal diante dos mineiros. Enfim, a noite reserva uma parada duríssima para o Papão, com um time modificado e contra um dos candidatos ao acesso.
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Direto do blog
“É um tal de fica Lecheva… Lecheva não dá mais… com Wandick eu acredito… fora Wandick. Torcedor é ralado. Passamos longos anos na Série C e sabíamos que a luta seria para não cair. E que ganhar um Parazinho não nos acrescentaria nada. Não se pode desmerecer o trabalho da atual diretoria. Fazer boa campanha na B é muito mais difícil do que simplesmente sair da C cheio de dívidas e com a credibilidade a zero. Eu particularmente ainda não tive tempo de me cadastrar no ST, mas acredito e optarei pelo VIP. Força, Vandick! Fica na B, Papão!”.
Por Maurício Carneiro, um bicolor que mantém os pés fincados na realidade.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 09)