A frase do dia

“O bate-boca entre dois ministros do Supremo Tribunal Federal mostrou que ainda não chegamos ao ponto ótimo de uma democracia, quando o respeito pela opinião alheia – por mais estranha que seja – é a condição primeira e última de uma sociedade realmente livre.”

Carlos Heitor Cony, jornalista, na Folha de SP

2014: Pré-venda de ingressos atrai mais de 1 milhão

O site oficial da Fifa informa que, no primeiro dia de venda de ingressos para a Copa do Mundo de 2014, mais de um milhão de ingressos foram solicitados através de mais de 163 mil aplicativos nas primeiras sete horas de venda de ingressos. Brasil, Argentina, EUA, Chile e Inglaterra ocupam atualmente o topo da lista dos países com a maior quantidade de aplicativos até o momento. O jogo de abertura da Arena de São Paulo (com mais de 168.000 compradores) e a final no Maracanã, no Rio de Janeiro (mais de 165.000) foram, de longe, os bilhetes mais populares. Os fãs de futebol têm até 10 de outubro de 2013 para candidatar-se a bilhetes neste primeiro período de vendas.

A Fifa orienta que os torcedores podem solicitar ingressos para a Copa do Mundo independentemente da sua data de aplicação. Todos os pedidos serão agrupados no fim da fase e processados ​​juntos. Se o número de solicitações recebidas por produto e por categoria ultrapassar o número de ingressos disponíveis, um sorteio será realizado para determinar os candidatos aprovados. Informações adicionais sobre o processo de inscrição está disponível no Guia de Fan Ticketing no FIFA.com. Confira no link abaixo: 

 2014 Ticketing Guia Fan 

Arena Amazônia, candidatíssima a “elefante branco”

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Por Lucas Reis – Folha de SP

Um futebol mambembe e o clima úmido reforçam a vocação para “elefante branco” da Arena Amazônia, uma das sedes da Copa do Mundo-14. O estádio, com 76% das obras concluídas e capacidade para 44 mil pessoas, receberá um aporte extra de R$ 54 milhões. Está orçado hoje em R$ 605 milhões, acima dos R$ 515 milhões previstos.

Vai sediar quatro partidas do Mundial e depois custará R$ 6 milhões por ano em manutenção (energia, segurança, gramado etc.), segundo Miguel Capobiango Neto, coordenador da UGP-Copa (Unidade Gestora do Projeto Copa), ligada ao Estado.

A manutenção do futuro estádio do Corinthians, em Itaquera, custará em torno de R$ 36 milhões ao ano. Não se sabe quem bancará os R$ 500 mil mensais para manter a arena manauara, que recebe hoje a visita de Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa.

“Haverá licitação de operação para terceirizar o estádio para a iniciativa privada”, afirma Capobiango Neto.

Se depender do futebol local, a arena pode naufragar. A média de público do Amazonense não passou de 500 pessoas por jogo, e a arrecadação média foi de R$ 4.800. “Esperamos que a arena seja rentável como a de Brasília, que tem recebido jogos dos grandes times do Rio. Ela pode gerar receitas também com shows e eventos”, diz.

Mas não é apenas o pouco atraente futebol local, que hoje assistirá a uma rara partida de elite – Nacional x Vasco, pela Copa do Brasil -, a dificultar a sobrevivência da arena de Manaus. “O clima é um agravante. Temos seis, sete meses de chuva por ano. Quem vai fazer show musical aqui?”, diz Ariovaldo Malizia, diretor técnico da Fundação Vila Olímpica, braço do Estado que administra praças esportivas.

“O plano B é que nós administremos a arena até que apareça uma empresa interessada, que é o plano A”, afirma Malizia. A previsão do fim das obras é dezembro.

Dez regras para escrever um romance

Por André Forastieri

ElmoreLeonardUma coisa é o que você acha ou diz que gosta. Outra é o que você gosta de verdade. Eu, por exemplo, não gosto de teatro. Sei disso porque não assisto uma peça tem uns vinte anos. Não tenho nada contra teatro. Não me orgulho disso. Só reconheço a realidade. Se eu gostasse mesmo de teatro, ia.

Da mesma maneira, não gosto de romances brasileiros, romances franceses, romances escritos por mulheres etc. Nada contra. Na prática, 90% dos romances e peças que eu li na vida foram escritos por um homem originalmente em inglês. Um dia eu falo dos 10%.

Hoje o assunto é meu autor favorito. Sei que é porque não tem outro autor que eu tenha lido mais.

Elmore Leonard lutou no Pacífico Sul. Vive de escrever desde os anos 50. Começou com faroestes. Passou para policiais. Muitos viraram filmes, alguns bons – Jackie Brown, Get Shorty. Muitos ganharem prêmios. O primeiro livro dele que eu li, City Primeval, tinha atrás a chamadinha: “the best thriller writer alive”.

Lá se vão 26 anos e o velho, 83 anos, continua na ativa e cheio de fãs. Martin Amis, um deles, explicou: “Leonard faz Raymond Chandler parecer tosco.”

Paulo Francis me apresentou e sou fiel. São 35 livros dele que eu li até agora:

Mr. Majestyk (1974), Fifty-Two Pickup (1974), Swag (1976), Unknown Man No. 89 (1977), The Hunted (1977), The Switch (1978), Gunsights (1979), City Primeval (1980), Gold Coast (1980),

Split Images (1981), Cat Chaser (1982), Stick (1983), LaBrava (1983), Glitz (1985), Bandits (1987), Touch (1987), Freaky Deaky (1988), Killshot (1989), Get Shorty (1990), Maximum Bob (1991),

Rum Punch (1992), Pronto (1993), Riding the Rap (1995), Out of Sight (1996), Cuba Libre (1998), Tonto Woman (1998), Be Cool (1999), Pagan Babies (2000), Fire in the Hole (2001),

When the Women Come Out to Dance (2002), Tishomingo Blues (2002), A Coyote’s in the House (2003), Mr. Paradise (2004), The Hot Kid (2005), Up in Honey’s Room (2007)

Mesmo em épocas que paro totalmente de ler ficção, leio o novo Elmore Leonard assim que sai. Por essas e outras é que o único livro autografado (tirando os de autores amigos, claro) que tenho em casa é dele.

10rulesbookChama-se Elmore Leonard’s 10 Rules of  Writing. Tem pouco texto e umas ilustrações bico de pena, modelito New Yorker, do Joe Ciardello.

As regras são:

1. Nunca comece um livro falando sobre o tempo.

2. Evite prólogos.

3. Nunca use nenhum verbo para carregar o diálogo que não seja “dizer” (tipo, “ele disse” em vez de “ele justificou”, “afirmou”, “disparou” etc.)

4. Nunca use um advérbio junto com “disse” (como em “disse ele seriamente”).

5. Mantenha seus pontos de exclamação sobre controle.

6. Nunca use as palavras “suddenly” ou “all hell broke loose”.

7. Use pouco gírias e dialetos regionais.

8. Evite descrições detalhadas de personagens.

9. Não detalhe muito coisas e lugares.

10. Tente deixar de fora a parte que os leitores tendem a pular.

A mais importante ficou para fechar.

Se soa como algo escrito, eu reescrevo.

E se a gramática está atrapalhando, passe por cima dela.

Não posso permitir que o que aprendi na escola atrapalhe o som e o ritmo da narrativa.

É minha tentativa de permanecer invisível e não distrair o leitor da história com um texto óbvio.

Como dizia Joseph Conrad,  as palavras não podem bloquear o que você tem a dizer”.

É de pedir autógrafo ou não é?

A morte de um grande

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O escritor e roteirista americano Elmore Leonard, autor de mais 45 livros, vários best-sellers, muitos deles transformados em filmes por Hollywood, morreu nesta terça-feira (20) aos 87 anos, anunciou o site do próprio autor. Leonard, que sofreu um acidente vascular cerebral no mês passado, faleceu às 7h15 (10h15 de Brasília) em sua residência de Detroit, ao lado da família, de acordo com o site. “Elmore morreu esta manhã, às 7h15 em casa, cercado por sua amada família”, diz o comunicado no site elmoreleonard.com.

Nascido em Nova Orleans (EUA) em 1925, ainda criança Leonard mudou-se com a família para Detroit. A cidade foi cenário de vários de seus livros. Leonard começou a carreira como publicitário. Passou a escrever livros de western e mais tarde se especializaria em thrillers e romances policiais. Entre suas obras mais famosas estão “Ponche de Rum” (adaptado para o cinema por Quentin Tarantino como “Jackie Brown”/foto abaixo), “Bandidos” e “Os Comparsas”– transformado em filme por Steven Soderbergh (“Irresistível Paixão”, de 1998, com George Cloney).

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Os quase 50 livros e contos do escritor inspiraram mais de 20 filmes, além da série de TV “Justified”. O último livro de Leonard, “Raylan”, lançado em 2012, tem como protagonista o policial da série de TV “Justified”, produção baseada em três contos do escritor – o principal deles, “Fire In the Hole”, é a trama da primeira temporada.

Leonard, que havia declarado que iria se aposentar, mudou de ideia após receber um prêmio da fundação literária nacional dos EUA pela contribuição com as letras americanas, em novembro do ano passado, e trabalhava em sua 46ª obra. O filme “Life of Crime”, que participa do Festival de Toronto deste ano, é baseado em romance do escritor. A produção tem no elenco Jennifer Aniston, John Hawkes, Mos Def e Tim Robbins e acompanha dois pequenos delinquentes na Detroit dos anos 70, que sequestram a esposa de um promotor corrupto. (Da Folha de SP) 

Quando o futebol é uma comédia

O Unión Comercio, do Peru, tem tudo para ter um 2013 pra lá de especial. Poucas equipes no mundo cometem barbeiragens tão feias com tamanha frequência. O time começa pelo figuraça Juan Chiquito Flores, espécie de humorista das traves. Neste fim de semana, porém, Chiquito não teve culpa. Foi vítima de uma pixotada do beque Renzo Reaños. Em cruzamento para a área do Unión, Renzo puxou um atacante do Universitario que estava prestes a fazer o gol. O pênalti foi ignorado pelo árbitro, mas o zagueirão não se importou com isso: mandou um pelotaço para as redes, diante da lamentação de toda a zaga do Unión e desalento de Chiquito, que só Pênalti claro, só que o juiz não marcou. Sem se importar com o mero detalhe de o juiz não ter apitado, Renzo chutou a bola para a própria meta. Estufou as redes espetacularmente. Engraçada é a cara de surpresa do atacante adversário, que depois cai na risada.

Diante das imagens, uma dúvida: Renzo entendeu que o juiz havia apitado o penal ou quis afastar o perigo com aquele chutaço na orelha da pelota? Por razões óbvias, o Unión é penúltimo do Cevichão com 6 vitórias, 8 empates e 15 derrotas. Fez 24 gols e tomou 39 gols.

Papão, Águia e Leão sonham com Aleílson

20130819_212424destaqueDestaque no Campeonato Paraense e no Brasileiro da Série D pelo PFC, o atacante Aleílson deve definir hoje seu destino no restante da temporada. “Eu tenho proposta do Remo, Paissandu, Águia de Marabá, ABC de Natal e Braga de Portugal. Estou viajando agora para Paragominas e amanhã (terça-feira) vou sentar com os dirigentes do PFC para definir o que é melhor para mim e para o clube”, disse ontem em entrevista ao DOL. Aleílson tem contrato com o Jacaré até 2015. “O Paragominas pensa em me emprestar e quer que eu volte para cá somente para a disputa do Parazão e Copa do Brasil ano que vem. Porém, ainda vamos analisar as propostas”, explicou.

Com cinco gols na Série D e em quinto na artilharia da competição, Aleílson não jogou no último domingo (18), quando sua equipe empatou em 0 a 0 com o Gênus-RO e foi eliminada antecipadamente. O atleta também não deve participar do último jogo do PFC, contra o Plácido de Castro-AC, marcado para o domingo (25).

O Paissandu, através do diretor Roger Aguillera, já fez proposta formal ao jogador na semana passada. Na ocasião, Aleílson respondeu que iria primeiro esperar o resultado do jogo contra o Gênus para definir sua escolha. Além do Papão, o Águia (ex-clube do jogador) também vem conversando com o atacante. O Remo tem entendimentos com o jogador desde o Parazão. Através do técnico Charles Guerreiro, o clube voltou a apresentar proposta a Aleílson, mas a ausência de calendário na temporada deve dificultar o acerto. (Com informações da Rádio Clube e do DOL)

Distorcendo o ato de torcer

Por Gerson Nogueira

bol_ter_200813_11.psDo jeito que a patrulha de bons modos avança nos estádios logo vai chegar a hora em que palavrões, vaias e xingamentos estarão oficialmente proibidos, sujeitando os autores à pena de prisão ou açoite. A “coxinização” do futebol estará então implantada plenamente, visto que na prática o conceito de elitização da modalidade se alastra pelo planeta.

A mais recente novidade é que a Fifa está particularmente atenta ao comportamento dos torcedores nas arenas da Copa do Mundo de 2014. Depois das manifestações dos indignados de coloração ideológica difusa ao longo da Copa das Confederações, a entidade parece mesmo disposta a não refrescar no quesito etiqueta social.

A própria designação de “arenas” aos estádios já embute uma discriminação explícita aos estádios comuns, lugares onde o torcedor se sentia tranquilo, confortável e à vontade para vociferar contra quem quer que fosse.

O manual de conduta distribuído antes da Copa dos Confederações, contendo 50 intermináveis normas, já continha veto peremptório aos gritos e palavrões. Os gênios da Fifa parece que estão mesmo dispostos a abafar o ruído da galera, o cheiro de povo e o ronco da cuíca, como se isso fosse possível.

Há relatos impressionantes de que, no recente torneio de preparação para o mundial, os orientadores da Fifa chegaram a abordar torcedores, digamos, mais empolgados. Considero que esse procedimento constitui um autêntico atentado à liberdade de expressão. Tão grave (e obtuso) como castigar a comemoração do gol pelo artilheiro.  

Onde já se viu proibir que o torcedor exerça o legítimo direito de praguejar contra times rivais, esculhambar os pernas de pau de seu próprio time e, claro, homenagear a distinta genitora do assoprador de apito? Tal atitude seria semelhante a proibir a vaia nas manifestações de rua ou o palavrório dos peões de construção à passagem das moças mais robustas. Trata-se de um esporte nacional, tão praticado quanto o jogo de palitinho e o dominó.

Atribuir aos campos de futebol antros de permissividade porque os torcedores se tornam agressivos e barulhentos é, no mínimo, cercear a liberdade das pessoas. Sempre se entendeu, mesmo que isso não esteja escrito, que o sujeito que paga ingresso adquire automaticamente licença para o esperneio, o que inclui de vez em quando soltar um palavrão, desde que não seja uma ofensa direta a um vizinho de arquibancada.

Estudos científicos já comprovaram o poder terapêutico dos palavrões, capazes de acalmar o espírito e descarregar adrenalina. Há quem busque no abrigo dos estádios lotados a chance legal de extravasar revoltas acumuladas em outros níveis e descarregar frustrações maiores. Algo como a interpretação livre do grito primal, que fez a cabeça de John Lennon lá pelos anos 60. De mais a mais, como segurar a explosão de alegria que se segue a um gol ansiosamente esperado?

É diferente, por exemplo, da prática selvagem de atirar pedras, radinhos, pilhas, tênis e garrafas no trio de arbitragem. Dependendo da capacidade de arremesso do agressor, os artefatos podem ferir machucar alguém, daí a punição prevista pela legislação esportiva.

O consolo é que a pretensão da Fifa está destinada a cair no terreno das pretensões inúteis. Vetar a ação primitiva do grito nos estádios é como dar facadas na água, tentar impedir que a luz do sol se propague ou que o vento se alastre. A impressão é de que o sonho dos gênios que buscam controlar tudo no futebol é achar um jeito de penalizar a prática do gol. Parece incrível, mas é bom não duvidar.  

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Contas para escapar do abismo

O Paissandu retornou do giro de duas partidas (sem pontuar) por São Paulo e tem uma semana para se preparar para um confronto decisivo, para variar. No sábado, recebe o Icasa (CE) na Curuzu e tem a chance de fazer as pazes com a vitória, que pode tirá-lo da incômoda 18ª posição atual.

Em meio às especulações sobre mais reforços, o torcedor se dedica a cálculos sobre a pontuação necessária para escapar do rebaixamento. Números confiáveis indicam que o Papão terá que alcançar pelo menos 46 pontos até o fim do torneio para não correr riscos.

Isso significa que precisa somar 31 pontos nos próximos 22 jogos. Não é uma missão impossível, mas exigirá um comportamento impecável nas partidas disputadas em casa, já que vencer fora se tornou um drama. Dos 11 compromissos caseiros que restam, o time terá que vencer 10 e empatar um.  

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 20)

Na batida do coração

Por Xico Sá

Para entender como bate o coração de uma mulher é preciso ter sentido algum dia na vida um pássaro preso na mão. Não há blues, não há jazz, não há bossa, não há rock. Não há educação de ritmo que nos faça entender, a princípio, essa coisa toda.

Não há escola, livro bom ou picaretagem de auto-ajuda. Ou se convive loucamente ou nunca vai saber o que seja uma mulher na vida. Mesmo convivendo loucamente, sabe-se pouco ainda. Eis o mistério do planeta, baby.

leonard1O coração de uma mulher sequer é bebop, é um sopro autoral no coração dos iluminados vagabundos, sopro que nos mantém vivos entre uma sístole e uma diástole. Elas vão notar, de cara, quando se trata apenas de um donzelo a decifrá-las, um cabaço, mas tá valendo, bom é que seja homem e tente.

“Vem, meu menino vadio…”

É mais fácil enganar a Deus e a Darwin juntos do que enganar uma fêmea. Cada mulher sopra de um jeito. Pobre de quem tenta entender como gênero ou discurso amoroso uma rapariga. Há mulher Billie Holiday, há mulher Nina Simone, há mulher crente, há mulher desgostosa, há mulher e isso é o que interessa.

Uma cachorra de hoje, uma Anitta, por exemplo, pode ser tão significante quanto uma Simone de Beauvoir na laje. Tão revolucionária quanto. Com a vantagem de não ter aguentado o ser, a náusea, o Jean-Paul Sartre. Não há coração vira-lata no peito de uma fêmea.

Só sei que nada sei, como me disseram os dois Sócrates da minha vida, o grecorintiano e o grego de fato, mas tudo que aprendi no mundo aprendi com os pobres corações dos pássaros.

Embora em pequena cadeia comercial de família, capturei, prendi, vendi, trafiquei, no varejo de uma cidade do interior do Nordeste brasileiro –o centro do universo-, aves, bichos, passarinhos. Infinitas contradições da trajetória: amava, estimava e com tais criaturas ganhava um troco para o xerém da existência.

É preciso ter prendido algum pássaro ou soltado algum dia no aquário um peixe vermelho, mesmo sem ser aqueles caras cinematograficamente charmosos e metidos do “Rumble Fish”(by Francis Ford Coppola), para saber como desliza para dentro da sua vida uma mulher.

É preciso ter cuidado com pássaros, peixes e mulheres, é preciso respirar os mesmos ares e oxigênios, mesmo morando em São Paulo, mesmo dentro de um aquário ou de uma gaiola sob o Minhocão aos domingos.

A primeira vez que eu vi seu rosto, agora peço ajuda ao bardo Johnny Cash, digo, a primeira vez que eu beijei sua boca, eu senti a Terra girar em minha mão como o coração trêmulo de um pássaro de cativeiro, aquilo estava ao meu comando, minha pequena, como no meu primeiro tráfico de pássaros.

Mal sabia que não há domínio sobre os mistérios sagrados. As aves se domesticam; os peixes se aquietam diante de luzes, algas e farelos; as mulheres criam escamas, asas, mesmo as que não desejam sair nunca do mesmo canto –ou reino- cometem seus belos deslizes.

As mulheres não se contentam nunca. Aí mora a lindeza danada delas. Tal como os tremores do coração de uma ave em cativeiro, viejo Johnny Cash. Tal, mas nunca qual!

Para segurar minimamente uma mulher não há segredo. É só tentar rezar todas as manhãs para Nossa Senhora das ~Belas Bucetas~ Impossíveis, amém. Para entender como bate o coração de uma mulher é preciso ter sentido algum dia na vida um pássaro preso na mão. Liso como um peixe vermelho.

Catzo. Quando crescer quero escrever assim…