Renda per capita cresceu 32% em dez anos

De O Globo

Entre 2001 e 2011, a renda per capita das famílias brasileiras cresceu 32,6% (2,9% ao ano), passando de R$ 591 para R$ 783, apontou o estudo “Vozes da Nova Classe Média”, divulgado nesta segunda-feira pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República. A pesquisa mostrou ainda que, entre a classe média, o ritmo de crescimento da renda foi acima da média. Nos últimos dez anos, o rendimento per capita desse grupo passou de R$ 382 para R$ 576, variação de 50%, ou 4,2% ao ano.
Segundo o relatório, baseado em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), do IBGE, o aumento da renda per capita se deve em parte às novas oportunidades de trabalho e também à “crescente generosidade das transferências públicas”. O estudo destaca que o número de postos de trabalho cresceu 20% no período com ampliação de 16 milhões de vagas, passando de 76 milhões em 2001 para 92 milhões em 2011, o que consequentemente levou a uma queda na taxa de desemprego. Como a população em idade ativa também aumentou em velocidade semelhante à de ofertas de emprego, em 19%, a taxa de ocupação ficou estável em 60%.

Ney Franco: Ganso é “fritado” por Rogério Ceni

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Por Carlos Eduardo Mansur (O Globo)

Durou um ano a passagem de Ney Franco no São Paulo. E um mês após sair o treinador resolveu romper o silêncio diante das seguidas críticas de jogadores do clube, em especial de Rogério Ceni. Em setembro de 2012, num jogo pela Sul-Americana, torneio que o São Paulo conquistou, o goleiro gesticulou e reprovou publicamente uma substituição de Ney Franco, que o repreendeu. Desde então, a relação se deteriorou. O treinador diz que o goleiro extrapolou os limites do campo, participa da vida política do clube e mina, nos bastidores, profissionais cujas contratações não o agradam. Ney Franco revela que uma das vítimas da “fritura” de Ceni é Paulo Henrique Ganso.

Como encarou as críticas de alguns jogadores após sua saída?

No início, fiquei surpreso. Já passei em várias equipes e sempre saí numa boa, com o desgaste natural de um técnico. Mas é preciso filtrar algumas coisas. Fiquei um ano no São Paulo e, na primeira parte, o trabalho foi muito bom, com título. Havia quatro anos que o clube não conquistava um título, havia três que não ia para a Libertadores. Assumi um time que estava ganhando um jogo e perdendo outro no Brasileiro. Fizemos a melhor campanha do segundo turno (em 2012). Havia um diálogo, e este comando perdemos depois, na Libertadores. Sei que são declarações infelizes, que se aproveitam do momento.

Por parte do Rogério Ceni?

Talvez pelo problema que tivemos. Não sei se ele leva isso até hoje. O tempo dirá quem está certo. Fechamos bem o ano (2012), ele na dele, e eu fazendo o meu trabalho com respeito. Só que, a cada turbulência, esse assunto voltava. Não sei se ainda mexia com ele.

Rogério extrapolou os limites de um jogador?

Sem dúvida. Extrapolou o limite. Até participa da vida política do clube, há uma disputa por seu apoio político. Ele tem consciência do que representa.

E isto atrapalhou seu trabalho?

Em 2013, não tive nele o capitão de que precisava. Havia a preocupação de quebrar marcas individuais. Até em contratações: se chega um nome que é do interesse dele, ele fica na dele; se não é, reclama nos corredores. E isso chega aos contratados, como Ganso, Lúcio. E eu, como técnico, ficava no meio disso.

A evolução do Ganso pode ser prejudicada por Rogério?

Ganso chegou num ambiente… Percebeu claramente as coisas. Chegou ao ouvido dele. Havia uma fritura por trás e pode atrapalhar. Nos corredores, era o que se escutava, que quando Ganso jogava o time tinha um jogador a menos.

É difícil que um profissional não aprovado por Rogério dê certo no São Paulo?

Mais ou menos isso. Se está bom para o Rogério, este profissional vai bem. Se não, se chega um profissional que ele não concorda, a tendência é ser minado. E nos dois últimos meses de trabalho eu sabia que havia interesse de parte do grupo na minha saída. Depois, Rogério disse que meu legado no clube foi zero. Antes de trabalhar no São Paulo, vários jogadores da base do clube se valorizaram comigo na seleção. Quando cheguei, Jádson e Osvaldo cresceram. O Lucas teve um boom e foi negociado. E subi jogadores. Além de termos ganho a Copa Sul-Americana no fim de 2012.

E o Mílton Cruz (auxiliar técnico do São Paulo)?

Ele é muito ligado ao clube. Em qualquer problema que envolva alguém que tenha poder de convencimento no São Paulo, ficará deste lado. Antes da minha queda, me foi dito que ele já tinha ligado para outro treinador. Fico à vontade para falar, porque não tive qualquer problema direto com ele. No primeiro treino, eu e meu auxiliar (Éder Bastos) o chamamos para o campo. Ele não quis. Não o afastamos. Meu auxiliar foi massacrado. Ele trabalha muito e, pela primeira vez, vi um profissional ser penalizado por trabalhar muito. Se ele tirou espaço de outro, é porque este profissional não ocupou um espaço.

E você achou que agora era hora de se posicionar?

Ele (Rogério) direcionou de uma forma que, se o São Paulo não der certo na temporada, eu sou culpado. Se der certo, é porque chegou outro treinador e consertou. O time era quinto colocado quando saí. E não é verdade que estava mal fisicamente. Tenho os dados. E alguns jogadores que estão no clube me ligaram, dizendo que não concordam com a forma como as coisas aconteceram, como estou sendo tratado. Mas têm medo da forma como Rogério lida. Nem tudo foi minha culpa. Há uma oposição declarada, uma pressão no clube minando o trabalho. Não era o Ney Franco, era qualquer um que estivesse ali.

Já recebeu convites para voltar a trabalhar?

Tive três sondagens de clubes da Série A do Brasileiro. Em duas não tive interesse. A outra, que me interessou, foi do Fluminense. Eles me ligaram, mas fecharam com Vanderlei Luxemburgo.

Acha que pode se queimar?

Eu tenho conquistas, não é um momento ruim que vai apagar tudo o que já fiz. Agora quero ver jogos, repensar, ver o que deu certo no São Paulo e o que não deu. E não vou ficar me culpando por tudo. Espero pegar um time de Série A que possa ganhar a Copa do Brasil ou o Brasileiro, embora, em tese, quem trocar de técnico no Brasileiro será por estar embaixo na tabela.

Você se vê numa elite de técnicos brasileiros?

Acho que sim. Tenho uma média de um título por temporada. Quem pegar o currículo vai ver. Tenho conquistas e também revelei muitos jogadores. Outro dia mesmo fiquei feliz por ter sido lembrado pelo Renato Augusto. Toda mudança de técnico que acontece em clubes grandes me procuram. O que já fiz me credencia a dirigir qualquer equipe. Não vou deixar as críticas me jogarem para baixo.

Você se arrependeu de ter deixado a CBF antes das Olimpíadas?

Nunca, de forma alguma. Foi uma decisão madura, tomada de forma segura. E a passagem pelo São Paulo foi boa, pelo título sul-americano, pela valorização e pela parte econômica. Quem sabe no futuro, com novos títulos, não volto para a CBF para dirigir a seleção principal? É um sonho.

Por falar em seleção, como viu o trabalho do Felipão e o título da Copa das Confederações?

Felipão e Parreira têm experiência de seleção brasileira. E Felipão é expert em competições de tiro curto, em fechar o grupo e fazer os jogadores darem o máximo. E, ao contrário do que se prega, é antenado, sim. Conhece o futebol europeu. Ele mobilizou o time e deu à seleção muita disciplina tática.

Papão enfrenta Coelho com equipe modificada

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Marcelo; Pikachu, Fábio Sanches, Bispo e Pablo; Esdras, Zé Antonio, Diego Barbosa (Tallys) e Eduardo Ramos; Careca e Héliton (João Neto). Esta é a provável formação do Paissandu para encarar o América-MG na noite desta terça-feira, no estádio da Curuzu, pela 13ª rodada da Série B. O técnico Arturzinho, que assumiu ontem o comando da equipe, não teve tempo de ministrar nenhum coletivo e vai se basear nos relatórios do auxiliar Rogerinho Gameleira, que deve ficar orientando o time ao lado do gramado. Em 19º lugar na tabela, com 12 pontos, o Papão não pode desperdiçar pontos em casa. Terá pela frente o sétimo colocado América, que tem 19 pontos.

Em seis jogos como visitante, os bicolores acumulam seis derrotas, daí a necessidade de pontuar como mandante. Com as ausências de Raul, Capanema, Djalma, Marcelo Nicácio e Iarley, o time tem como opção para o ataque Careca, Héliton e João Neto. Na lateral-esquerda, a entrada de Pablo pode ser a novidade, enquanto Esdras, Zé Antônio, Diego Barboza e Eduardo Ramos devem formar o quarteto de meio-campo.

A diretoria já oficializou as dispensas do zagueiro Jean e do lateral esquerdo Rodrigo Alvim. Ainda hoje devem ser anunciados novos desligamentos. O lateral esquerdo Janílson e o zagueiro Diego Ourém estão entre os cotados para deixar o clube. O jogo contra o América começa às 21h50. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

Copa Sub-20: Leãozinho garante lugar na semi

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No sufoco, o Remo venceu o Ananindeua por 1 a 0 na noite desta segunda-feira no estádio Baenão, pela segunda rodada do grupo B da Copa Norte Sub-20. Com o triunfo, o Leãozinho garantiu presença nas semifinais do torneio. O time está em segundo lugar na chave, com seis pontos ganhos em duas partidas disputadas. O líder é o Holanda-AM, que possui 6 pontos, mas tem oito gols de saldo positivo, contra cinco do Leão. Com duas derrotas consecutivas, Ananindeua e Baré-RR já estão eliminados. O único gol da partida aconteceu aos 36 minutos do segundo, depois de escanteio cobrado por Alex Juan e desviado por Jaime. Os remistas dominaram amplamente a partida, mas erraram muito nas finalizações. Insatisfeito, o presidente Zeca Pirão disse que a equipe está mal treinada.

REMOXANANINDEUA sub20-Mario Quadros (2)A última rodada da fase classificatória da Copa Norte Sub-20 acontece nesta quarta-feira (7). Pelo grupo A, Flamengo-PI e Santos-AP jogam às 14h e JV Lideral-MA e Desportiva jogam às 16h, ambos no estádio Mangueirão. Com um empate, Flamengo e Santos garantem a classificação. O time maranhense só se classifica se vencer por dois gols de diferença e o primeiro tenha um vencedor. A maior decepção da competição até aqui é a Desportiva, campeã paraense sub-20, que ainda não venceu. Pelo grupo B, no estádio Baenão, Ananindeua e Baré-RR jogam às 18h. No jogo principal, às 20h30, Holanda-AM e Remo decidem o primeiro lugar da chave.

Remo – Jader; Índio, Ian, Gabriel e Alex Juan; Biro, Nadson e Alexandre (Tsunami); Jaime, Rodrigão (Edcleber) e Guilherme (Rodrigo). Técnico: João Neto. Ananindeua: Labilá; Rafael, Astorga, Alexandre e Vitinho, Kellerson, Anderson (Tiago Costa), Desenho e Renan; Lennon (Alan) e Bruno Bryan (Robinho). Técnico: João Rosário.

Árbitro: Benedito Pinto da Silva. Cartões amarelos: Gabriel (REMO); Bruno (ANA). Cartões vermelhos: Alexandre (ANA); Biro (REMO). (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

Dupla Re-Pa aparece bem situada em novo ranking

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Da Revista Placar

Após o término das competições do primeiro semestre, o Corinthians foi o time que se deu melhor no novo Ranking de títulos da PLACAR. A equipe subiu uma posição, e agora é o terceiro colocado no geral, com 373 pontos, passando em quatro o Flamengo, que caiu uma posição. O crescimento do Timão se deu graças ao títulos do Campeonato Paulista e da Recopa Sul-Americana. O Atlético-MG, por sua vez, venceu o Campeonato Mineiro e a Copa Libertadores, levou 24 pontos, mas não ganhou posições. No entanto, o time cresceu no ranking, e está com 220 pontos, se aproximando do Fluminense. Outro time que ganhou uma posição no top-20 foi o Botafogo, que com o título carioca, passou o Bahia em três pontos. O Criciúma, com o título catarinense, CRB-AL e Botafogo-PB ganharam posição também no top-50.

Pontuação

O Corinthians, no novo ranking, ganhou 13 pontos, perdendo apenas para o Atlético-MG, que conseguiu crescer 24 pontos com os títulos da Libertadores e do Mineiro. Já o Botafogo, com o título carioca, subiu quatro pontos.

Veja o novo Top-50 do ranking PLACAR:

1° – São Paulo – 396 pontos

2° – Santos – 381 pontos

3° – Corinthians – 373 pontos

4° – Flamengo – 369 pontos

5° – Palmeiras – 327 pontos

6° – Internacional – 314 pontos

7° – Cruzeiro – 302 pontos

8° – Grêmio – 301 pontos

9° – Vasco – 269 pontos

10° – Fluminense – 267 pontos

11° – Atlético-MG – 220 pontos

12° – Botafogo – 170 pontos

13° – Bahia – 167 pontos

14° -Sport – 162 pontos

15° – Coritiba – 135 pontos

16° – Paysandu – 102 pontos

17° – Vitória – 97 pontos

18° – Remo – 91 pontos

19° – Ceará – 88 pontos

20° – Atlético-PR – 84 pontos

21° – Fortaleza – 82 pontos

22° – Santa Cruz – 81 pontos

23° – América-MG – 67 pontos

24° – Paulistano – 66 pontos

25° – ABC-RN – 65 pontos

26° – Náutico – 63 pontos

27° – Goiás – 61 pontos

28° – América-RJ – 42 pontos

29° – América-RN – 41 pontos

30° – Nacional-AM – 40 pontos

31° – CSA-AL – 37 pontos

32° – Rio Branco-ES – 36 pontos

32° – Sampaio Corrêa-MA – 36 pontos

32° – Criciúma-SC – 36 pontos

35° – Sergipe – 33 pontos

36° – Vila Nova-GO – 31 pontos

36° – Avaí-SC – 31 pontos

38° – Figueirense-SC – 30 pontos

38° – Ypiranga-BA – 30 pontos

40° – Goiânia – 28 pontos

41° – Paraná – 27 pontos

41° – River-PI – 27 pontos

41° – CRB-AL – 27 pontos

44° – Botafogo-PB – 26 pontos

44° – Portuguesa-SP – 26 pontos

44° – Rio Branco-AC – 26 pontos

47° – Ferroviário-PR – 24 pontos

47° – Joinville-SC – 24 pontos

47° – São Paulo Athletic – 24 pontos

47° – Tuna Luso-PA – 24 pontos

 

Antigo Top-20 do ranking

1° – São Paulo – 396 pontos

2° – Santos – 381 pontos

3° – Flamengo – 369 pontos

4° – Corinthians – 360 pontos

5° – Palmeiras – 327 pontos

6° – Internacional – 310 pontos

7° – Cruzeiro – 302 pontos

8° – Grêmio – 301 pontos

9° – Vasco – 269 pontos

10° – Fluminense – 267 pontos

11° – Atlético-MG – 196 pontos

12° – Bahia – 167 pontos

13° – Botafogo – 164 pontos

14° – Sport – 162 pontos

15° – Coritiba – 132 pontos

16° – Paysandu – 100 pontos

17° – Vitória – 94 pontos

18° – Remo – 91 pontos

19° – Ceará – 86 pontos

20° – Atlético-PR – 84 pontos

SISTEMA DE PONTUAÇÃO

25 pontos: Interclubes (Intercontinental e Copa Toyota) e Mundial de Clubes da FIFA

20 pontos: Copa Libertadores e Campeonato Sul-Americano de Campeões

15 pontos: Campeonato Brasileiro e Torneio Roberto Gomes Pedrosa

12 pontos: Copa do Brasil e Taça Brasil

10 pontos: Copa Mercosul, Supercopa Libertadores e Copa Sul-Americana

7 pontos: Copa Conmebol e Recopa Sul-Americana

6 pontos: Campeonatos e Supercampeonatos Paulista e Carioca

4 pontos: Torneio Rio-São Paulo, Campeonatos e Supercampeonatos Mineiro e Gaúcho, Copas Sul/Sul-Minas, Centro-Oeste, Copa Nordeste/Campeonato do Nordeste, Copa Norte-Nordeste e Copa dos Campeões

3 pontos: Série B, Campeonatos e Supercampeonatos Paranaense, Baiano e Pernambucano

2 pontos: Copa Norte, Campeonatos Catarinense, Cearense, Goiano e Paraense

1 ponto: Outros Estaduais, série C

0,5 ponto: série D

Mudança para reagir

PSC Artur e Nicacio-Mario Quadros (2)

Por Gerson Nogueira

Arturzinho chegou, comandou treinamento e já vai dirigir o time do Paissandu hoje contra o América-MG. Detectou o baixo astral que domina a turma e deixou boa impressão inicial pela disposição para trabalhar. O futebol paraense tinha se acostumado com técnicos que chegam na véspera dos jogos e decidem ficar apenas assistindo, evitando o desgaste de uma derrota logo de cara.

Fez aqueles comentários próprios de técnico recém-chegado para boleiros, exigindo comprometimento, foco nos resultados e dedicação total. Todo mundo, logicamente, jurou de pés juntos que vai seguir o receituário.

Na prática, a partir desta noite, Arturzinho vai sentir na pele o que é comandar um clube de massa, com torcida exigente e temerosa de que o time apronte mais um vexame. Pior: vai ter que administrar a insegurança geral decorrente da posição na tabela.

Em 19º lugar, o Paissandu não pode mais perder ponto em casa. Precisa vencer jogos e acumular pontuação suficiente para não chegar à reta final da competição rezando por combinação de resultados e esperando pelo que não virá.

Com base nos dois últimos campeonatos da Série B, o Papão terá que fazer 45 pontos para escapar ao rebaixamento. Com 12 pontos ganhos em 12 jogos disputados (aproveitamento de 33.3%), precisa de 11 vitórias nas 13 partidas que ainda terá a fazer como mandante.

A preocupação de todos no clube é que o Paissandu desperdiçou seis pontos em casa. Mesmo invicto, o time vacilou em partidas que poderia ter vencido, evitando a situação desconfortável em que se encontra.

Contratar um técnico de nível intermediário, caro para os padrões locais, foi a única alternativa encontrada pela diretoria para estancar a queda na competição. Depois de passos errados com Lecheva e Givanildo Oliveira, o Paissandu precisa encontrar um novo rumo. Não pode repetir os erros até aqui mostrados.

O novo comandante não dispõe de muitos recursos para modificar o cenário. Boa parte do remédio aplicado é de cunho motivacional, mexendo com os brios do grupo. A atuação desta noite vai depender muito mais das conversas que Arturzinho terá com os jogadores do que propriamente de variações táticas inéditas.

Para montar o time, Arturzinho terá que ouvir as dicas do auxiliar Rogerinho e no conhecimento de alguns jogadores do elenco com os quais já trabalhou. Na prática, significa que o Paissandu de hoje será igual ao de outras jornadas. A diferença pode estar no rendimento individual de algumas peças que vinham decepcionando e que agora, com o novo treinador, devem procurar mostrar serviço.

No meio-de-campo, por exemplo, Eduardo Ramos precisa retomar o papel de organizador da equipe, com todas as responsabilidades que a função exige. O mesmo vale para Iarley, cuja ascendência no elenco não se reflete nas atuações mais recentes.

Pelas conversas iniciais, fica claro que Arturzinho vai orientar o time a jogar em função de seu artilheiro, criando jogadas para ele. Marcelo Nicácio, portanto, é quem mais tem a ganhar inicialmente com a nova direção técnica.

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Um velho conhecido dos paraenses

Do outro lado do ringue, Paulo Comelli está invicto, mas não tem razões para comemorar. Há nove jogos sem derrota, o América padece de um problema que sabota qualquer campanha em campeonato de pontos corridos: o excesso de empates.

Na última rodada, tropeçou em casa diante do Ceará. O time joga bem, cria bastante situações de gol, mas peca nas finalizações. Rodriguinho é o cérebro, cuidando de lançamentos e armação de jogadas. Os atacantes Williams e Nikão são rápidos e chutam muito a gol.

Contra o Paissandu, Comelli luta por uma vitória que permita ao América voltar ao G4. Para isso, vai explorar o contra-ataque e a ansiedade dos bicolores. Vale dizer que o técnico – que garantiu o acesso do Criciúma à Série A no ano passado – conhece bem o futebol e a torcida do Pará, pois já treinou Tuna e Remo.

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Leãozinho avança na Copa

Com um gol solitário de Jaime já na parte final da partida, o Remo passou pelo Ananindeua e assegurou presença na semifinal da Copa Norte Sub-20. Quando chegou ao gol, a Tartaruga já tinha perdido um jogador – Biro foi expulso. Ainda assim, dificultou muito a ação dos azulinos, que também perderam muitas oportunidades. Na próxima rodada, amanhã, o Remo joga contra o Holanda, que derrotou o Baré na preliminar.

O jogo contra o Ananindeua, que havia sido surrado por 5 a 0 na estreia, mostrou que o Leãozinho terá muitas dificuldades pela frente. Apesar da boa participação da defesa, o time sofre com a falta de um meia-armador. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola) 

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(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 06)

Heleno, Mané, Seedorf

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Por Roberto Vieira

Armando olha pra Saldanha. ‘Quem sai?’ Saldanha coça a cabeça.

Heleno é símbolo do clube. Didi, nem pensar. ‘Quem sabe a gente tira o Zagalo!’

A cara de Armando diz tudo. Gerson já avisou que nem vem que não tem. ‘Bota de volante!’

‘Pode ser…’

Saldanha chama Seedorf. Explica sobre as esquisitices de Manga. As subidas de Marinho Chagas. Nilton Santos voltando a brincar na zaga.

Seedorf ouve tudo calado. Observando aquele cara sentado na beira do campo.

Olhar desligado. ‘É Ele?’

Armando e Saldanha respondem que sim. Seedorf caminha até o homem de pernas tortas.

Seedorf e Mané se encontram no treino da Estrela Solitária.

O menino do Suriname e o menino de Pau Grande.

O poliglota Seedorf e o Mané que só conhece uma linguagem. A linguagem da bola.

Nenhuma palavra precisa ser dita.

Mané toca pra Seedorf que toca pra Mané que estica pra Heleno.

Armando cai na gargalhada. Sandro Moreira adivinha o pensamento de Saldanha: ‘Podem chamar o Barcelona!’

E Saldanha completa: ‘E podem inventar que o tal de Messi chamou Heleno de Gilda’.