O visitante inofensivo

Por Gerson Nogueira

bol_qua_140813_15.psOito derrotas (sete fora de casa), quatro vitórias e três empates. Quinze pontos e 17ª colocação na tabela. Este é o Paissandu, representante paraense que lutou por seis anos para voltar à Série B e hoje realiza uma campanha sofrível, muito aquém das expectativas e do investimento feito pela diretoria em reforços e técnicos.

Contra o Oeste, ontem à noite, em Itápolis, no velho oeste paulista, o Papão reproduziu toda a galeria de erros individuais e coletivos que ajudam a explicar a vexatória participação no campeonato. Diante de adversário fraco, que parecia inseguro e nervoso nos primeiros minutos, o time de Arturzinho não soube se impor e exibiu a timidez de sempre.

Até os 25 minutos, o Papão era o dono das ações. Parecia à vontade, recuperava bolas na defesa e partia rápido para o ataque. Só pecava na falta de pontaria e iniciativa de seus atacantes. Marcelo Nicácio, perdido entre os beques, começava a fazer sua pior partida pelo clube até aqui.

De repente, o Oeste avançou num lance fortuito e o atacante Bruno Sabino foi derrubado pelo goleiro Marcelo. Pênalti não assinalado pela arbitragem, mas que evidenciou a fragilidade defensiva paraense. A partir desse momento, o predomínio do Papão começou a ruir, pois o Oeste entendeu que podia ter melhor sorte na partida.

Disposto a buscar o gol e encontrando imensas facilidades na marcação, o time paulista passou a dar as cartas e a levar perigo. O gol veio até naturalmente diante da apatia que o Papão demonstrava. O momento fatal, aos 38 minutos, fez lembrar lances de jogos de pelada.

Com o gol, ressurgiu o já tradicional desânimo do Paissandu como visitante, que virou um aleijão derrotista. Sai técnico, entra técnico e a situação não muda. Ontem, em particular, os problemas coletivos foram amplificados pela jornada infeliz de Diego Barbosa, Héliton, Zé Antonio e Nicácio, Diego Barbosa e Héliton.

Cabe entender que posse de bola não significa vantagem real. Depois da partida, ao analisar a derrota, o técnico Arturzinho confundiu falso domínio com superioridade técnica. No futebol, prevalece a objetividade. O Oeste, limitado em todos os setores, atacou sempre com determinação e vontade. Arriscou mais. Por isso, venceu. E podia ter feito mais gols. Marcelo defendeu dois chutes que tinham endereço certo.

Arturzinho, que acaba de chegar e não pode ser responsabilizado pelo cenário atual, já começa a contribuir para piorar as coisas. Iarley e Gaibu (principalmente este) demoraram a entrar. Logo nos primeiros minutos ficou clara a indolência dos homens de ataque e a baixíssima produção de Barbosa. Por que esperar tanto?

Os 45 minutos finais repetiram a pasmaceira da primeira etapa. Mesmo depois que Iarley entrou no meio-de-campo o time permaneceu sem força ofensiva. Em determinados momentos, faltava fôlego. No geral, porém, faltava apenas talento e competência.

Chama atenção o fato de o Paissandu, principalmente quando fora de casa, não oferecer resistência física aos adversários. Em Itápolis, não ganhou divididas e perdeu todas as disputas no ombro a ombro e pelo alto. Fundamentos como passe e controle de bola são esquecidos. Até os mais rodados erram lances bobos.

Algo vai muito mal e é hora de perceber que não depende apenas do comando técnico. Uma força qualquer, oculta ou não, tem feito com que o time – que já não é lá essas coisas – consiga piorar a cada apresentação. E o próximo jogo é contra o líder do campeonato, em seu campo.  

————————————————————————– 

Maestro acena bandeira branca

Em entrevista concedida à PapãoTV, disponibilizada ontem à tarde, o meia-armador Eduardo Ramos desmente todos os boatos levantados sobre sua ausência na viagem a São Paulo. Alegou que desde sua chegada a Belém tem sido alvo de insinuações maldosas sobre “barcas”, negou que tenha sido multado por simular contusão e foi categórico em descartar qualquer negociação para deixar o Paissandu. Prometeu cumprir integralmente seu contrato, empenhando-se para ajudar o time na Série B.

É provável que o jogador esteja sendo vítima de gente maldosa, mas não é ficção a insatisfação com a diretoria. Foram problemas relacionados com salários que estimularam o atleta a conversar com dirigentes do Remo logo depois do Campeonato Paraense, situação confirmada pelo próprio Ramos em programa da Rádio Clube.

Intrigas ou meias verdades à parte, não poderia haver pior momento para eclodir uma crise entre o clube e seu principal jogador. Perdem todos, principalmente o Paissandu, que precisa de vida inteligente em seu meio-de-campo. Inteligência que não tem valor algum quando desacompanhada de disciplina e comprometimento.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 14)