O beijo da discórdia

sheik

Emerson Sheik, atacante do Corinthians, postou foto na internet em que dá um ‘selinho’ no amigo chef de cozinha Isaac Azar, dono do bistrô Paris 6 em São Paulo. Foi o bastante para desencadear a reação furiosa da torcida corintiana, que chegou a ir com faixas ao clube para protestar – “Viado aqui não!”, dizia uma delas. Chefes de torcida prometeram levar adiante as manifestações, inconformados com a postura de Sheik, conhecido pelo jeito descontraído e polêmico. A bronca maior é porque os corintianos receiam que o beijo gere “má fama” à torcida, que sempre chamou os são-paulinos de “bâmbis”.

Crianças brincando

Por Ruy Castro

Uma psicóloga da PM-SP defende que crianças de oito anos podem manusear armas de fogo, “desde que acompanhadas pelos pais”. É normal, diz ela, que o filho de um policial tenha curiosidade sobre o instrumento de trabalho de seu pai, “assim como o filho do médico tem sobre o estetoscópio”. A recente tragédia em São Paulo, envolvendo o menino Marcelo Pesseghini, 13, suspeito de matar seus pais (ambos, policiais militares), a avó e a tia-avó, e que se matou em seguida, tudo a tiros, não abalou sua convicção.

Vejamos. É normal que o filho de oito anos de um piloto de aviação tenha curiosidade sobre o instrumento de trabalho do pai -o avião. Isso autoriza o piloto a pôr o filho na cadeira do copiloto e “acompanhá-lo” enquanto ele pousa o aparelho levando 300 passageiros? O filho de um madeireiro, apenas por ser quem é, estará autorizado a brincar com uma motosserra? E o filho de um proctologista estará apto a manipular o instrumento de trabalho de seu pai?

O que dizer do filho de um funcionário de laboratório de análises encarregado de certos exames? E o filho de um carteiro, vai brincar com minha correspondência? E o de um bombeiro, vai brincar com fogo? E o de um motorista de ambulância? E os de quem trabalha com material tóxico, explosivo ou radiativo -como satisfazer sua curiosidade por aquelas coisas de que os pais falam com tanta naturalidade ao jantar?

A professora Maria de Lourdes Trassi, da Faculdade de Psicologia da PUC-SP, rebate o argumento da psicóloga da PM, dizendo: “O cirurgião pode até dar o estetoscópio ou a luva [para o filho brincar]. Mas não vai lhe apresentar o bisturi”.

Também acho. E há muitas coisas com que o filho de um PM pode brincar -gás de mostarda, bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha-, sem ter de apelar
para armas de fogo.

Briga determinou derrota

Por Gerson Nogueira

O sururu surgido por volta dos 30 minutos do segundo tempo, quando o Paissandu vencia por 2 a 1 no Pacaembu, foi decisivo para a virada que o Palmeiras conseguiria consumar instantes depois. O que parecia um sonho esteve prestes a acontecer no sábado à tarde: a primeira vitória fora de casa na Série B, contra o melhor time da competição. O desgaste emocional dos bicolores, agravado pela expulsão de Fábio Sanches, acabou impedindo a concretização de uma bela proeza.

Até a metade do segundo tempo, o Papão esteve quase perfeito em sua estratégia de conter a agressividade do líder Palmeiras, marcando de maneira inteligente e saindo só nas boas para dar o bote. Errando menos que o adversário, o time paraense chegou ao gol logo aos 14 minutos, em belo disparo de Pablo, aproveitando passe de Marcelo Nicácio.

bol_seg_190813_23.psO Palmeiras fustigou, pressionou e tentou de todas as formas empatar ainda no primeiro tempo, mas esbarrou na forte marcação empregada pelo Paissandu desde o meio-de-campo. Vânderson e Djalma apareciam bem na proteção aos zagueiros. O goleiro Marcelo também se destacava, tendo operado dois pequenos milagres em chutes à queima-roupa.

Depois do intervalo, quando tudo indicava que o Palmeiras seria arrasador na luta pela igualdade, eis que o Papão surpreendeu novamente. Com Tallys substituindo Nicácio, o time entrou firme e tranquilo, explorando com inteligência o princípio de desespero palmeirense.

Aos 20 minutos, Iarley descolou bom passe para Pikachu, que tocou encobrindo o goleiro Fernando Prass. Um golaço que calou os 17 mil palmeirenses no Pacaembu. Depois disso, o jogo parecia quase dominado em favor do Papão, mas um gol aos 28 minutos (Alan Kardec) em falha da zaga começou a mudar a história da partida.

Pior que isso foi a falta dura cometida por Vânderson sobre Wesley e a confusão que se formou a seguir. No fim de tudo, o árbitro expulsou o palmeirense e o bicolor Fábio Sanches, desestruturando o setor defensivo do Papão. Não por acaso, cinco minutos depois nasceu o empate. Depois de cruzamento para a área, Raul cabeceou para o centro da área e Mendieta pegou de primeira, sem defesa.

Ainda dava para segurar o empate, mas o Paissandu já estava totalmente atrás, acuado e aceitando a presença do Palmeiras em sua área. Um novo vacilo da defesa e do goleiro Marcelo permitiram que a bola sobrasse limpa para Leandro desempatar.

O que os comentaristas paulistanos consideraram uma façanha alviverde foi, em verdade, uma tremenda conjugação de fatores adversos para o Papão. A estratégia executada até metade da etapa final foi abandonada no momento crucial do jogo e o prejuízo se desenhou com a desestabilização do time após a briga.

Importante destacar que, apesar de pequenos erros pontuais, Arturzinho não pode ser responsabilizado pela derrocada final. Montou um plano de voo quase perfeito, mas acabou derrubado por falhas individuais em campo.

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Águia tropeça, mas está na briga

O revés do Águia em Maceió diante do CRB representou a perda de duas posições na tabela, da quinta para a sétima. O Azulão jogou mal, não se encontrou em campo e foi mais uma vez salvo do desastre pelas intervenções do goleiro Jair. Os dois gols sofridos logo no primeiro tempo praticamente definiram o jogo e, na volta para o segundo, o Águia não evidenciou capacidade de reação.

Ainda assim, o Águia se mantém bem próximo dos primeiros colocados e pode até chegar ao G4 caso vença o Fortaleza domingo, em Marabá.

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Erros fora de campo eliminam PFC

O PFC fechou ontem sua participação na Série D ao empatar com o Genus, em Porto Velho. Com oito pontos, o vice-campeão paraense não tem mais chance de se classificar à próxima fase. O tropeço foi inesperado, pois o time rondoniense é o lanterna da chave, mas a eliminação antecipada se desenhou desde que o clube perdeu seis pontos no STJD por escalar um jogador (Lourinho) irregular.

Apenas mais um dos deslizes cometidos fora de campo pela diretoria, que terminou por comprometer o bom trabalho realizado pelo técnico Cacaio.

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Corinthians e a força da tradição

Quando se fala de times mais ajudados pelo apito no mundo inteiro torna-se tremendamente injusto omitir o Corinthians do chamado Top 5. Ontem, diante do Coritiba, nova prova insofismável dessa histórica marca. Danilo forçou jogada para cima do beque, os dois disputaram no ombro e o corintiano se estatelou teatralmente.

Incontinenti, sua senhoria Péricles Bassol Cortez apontou para a marca da cal. Guerrero cobrou e garantiu a suada vitória sobre o Coxa. Mais um penal mandrake na extensa galeria mosqueteira, ajudando o time a alcançar o G4. Promessa de novas interpretações generosas em lances que envolvam o ataque corintiano.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 19)