Lóbi irresistível

Por Luis Fernando Veríssimo

Devo um pedido de desculpas à grande imprensa nacional. Me desculpe, grande imprensa nacional. Quando li a matéria da “IstoÉ” sobre o cartel consentido formado em São Paulo para a construção de linhas de trem e metrô sob sucessivos governos do PSDB e as suspeitas de um propinoduto favorecendo o partido, comentei com meus botões (que não responderam porque não falam com qualquer um): essa história vai para o mesmo pântano silencioso que já engoliu, sem deixar vestígios, a história do mensalão de Minas, precursor do mensalão do PT. E não é que eu estava enganado? A matéria vem repercutindo em toda a grande imprensa. Com variáveis graus de intensidade, é verdade, em relação ao tamanho do escândalo, mas repercutindo. Viva, pois, a nossa grande imprensa. Já se começava a desconfiar que o Brasil, onde inventam tanta novidade, tinha adotado, definitivamente, dois sistemas métricos diferentes.

A propósito, ou mais ou menos a propósito, li na revista “The Nation” que só a Associação de Banqueiros Americanos tem noventa e um lobistas em Washington defendendo os interesses dos bancos e lutando para revogar a regulamentação do setor aprovada no Congresso, recentemente. Isto sem falar em outras associações de banqueiros e nos próprios gigantes financeiros, como o Goldman Sachs (cinquenta e um lobistas) e o JP Morgan (sessenta lobistas). O cálculo é que existam seis lobistas do sistema financeiro para cada congressista americano. Os bancos querem derrotar a regulamentação e evitar as reformas para continuar as práticas, vizinhas do estelionato, que provocaram a grande crise de 2008 e continuam a lhes dar lucros obscenos enquanto o resto da economia derrapa. O lóbi é uma atividade legítima, ou ao menos uma deformação legitimada pelo uso. A questão é saber quando a presença de mil e tantos lobistas em torno de um Congresso deixa de ser uma pressão e se transforma num cerco. E como se pode falar em democracia representativa quando o poder do voto é substituído pelo poder de persuasão de seis lobistas, três em cada ouvido, prometendo presentinhos para a patroa?

O que tudo isso tem a ver com o cartel em São Paulo? Nada, a não ser que, talvez, sirva de consolo para quem sucumbiu ao encanto de muito dinheiro, levado pelo lóbi mais irresistível que existe, o da cobiça. Mesmo sendo daquele tipo de pessoa sobre o qual não se pode dizer que também é corrupto sem ouvir um “Quem diria…” (Transcrito do DIÁRIO)

Papão anuncia um novo reforço

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O Papão anunciou na tarde desta quinta-feira a contratação de um novo lateral esquerdo. Trata-se de Gilton, que é natural de Campo Grande (MS), mas se profissionalizou pelo Porto Alegre Futebol Clube e em seguida atuou pelo Joinville/SC. Passou por times asiáticos, como Cerezo Osaka e Kashima Antlers, ambos do Japão. Conquistou dois títulos pelo Kashima, em 2010. Em 2011, o atleta voltou ao Brasil, para defender novamente o Joinville, onde conquistou o titulo catarinense e do Brasileiro da Série C. Seu último clube foi o Paraná Clube. Gilton chega nesta sexta-feira e se apresenta para exames médicos na Curuzu. (Fonte: Ascom/PSC) 

STJD absolve Remo e reduz valor de multa

O Remo está livre da punição imposta anteriormente pelo STJD quanto à participação em competições nacionais. Recurso julgado nesta quinta-feira pelo tribunal absolveu o clube da acusação de ter usado “laranjas” para recorrer à Justiça Comum, pleiteando vaga na Série D. A multa inicial de R$ 20 mil foi reduzida para R$ 10 mil. Com isso, o Remo poderá disputar normalmente a Copa do Brasil de 2014, ao lado de Paissandu e Paragominas. 

Papão anuncia reforço para a zaga

1757_1335269129670O Paissandu anunciou na manhã desta quinta-feira a contratação do zagueiro gaúcho Leonardo D’Agostini, de 30 anos, como reforço para a Série B. O jogador foi indicado pelo técnico Arturzinho e já passou por vários clubes. Nascido na cidade de Encantado, foi formado nas divisões de Base do Grêmio. Em seguida, defendeu Criciúma, Chapecoense, ABC e ultimamente estava no Rio Branco de Americana. Adquiriu fama de líder ao longo da carreira. Virá substituir a Jean, que foi dispensado. Ele tem previsão de chegada em Belém para 14h e em seguida seguirá para o estádio da Curuzu, onde vai realizar os exames médicos e físicos. Caso seja aprovado, o jogador assinará contrato com o Papão da Amazônia.

Cacá Carvalho manifesta apoio aos artistas paraenses

Cacá Carvalho“Ao Sr. Governador e Artistas do Pará TODO!
Eu, Cacá Carvalho, artista paraense, não poderia deixar de dizer junto daqueles artistas que como eu, sentem-se destratados, CHEGA!
Digo sem ódio, sem rancor. Digo por amor. Digo quase cansado.
CHEGA de não vermos uma política de formação CULTURAL para uma geração futura, com o mesmo amor que se sente por um filho. Não se pensa na qualidade do futuro.
CHEGA de não termos espaços para o exercício da profissão que escolhemos: pintores sem galerias Pará afora, fotógrafos idem, bailarinos, quadrilheiros, atores, bibliotecas para nossas pesquisas, os nossos autores precisam ser lidos, queremos circulação de mestres formadores por navios estradas e riscando o céu com aviões levando formação.
É pelo futuro que falo. É pelo presente que grito.
CHEGA que em uma metrópole como Belém, com milhões de habitantes, o número de espaços para o exercício de nossas profissões não tenha aumentado, da parte do poder público, NADA. E pelo interior? Quantos teatros temos? Quantas galerias? Quantas ações de fomento à formação?
Não posso falar de suspeitas com verbas, não é este o objeto deste meu pronunciamento. Eu falo de AÇÃO CULTURAL CONTÍNUA.
Para mim, existem dois tipos de Cultura que um homem, um artista precisa desenvolver. Uma, que chamo de Cultura Passiva, onde ele recebe informações de diversos meios, que agirão nele em um tempo que não se mede cronologicamente, e eis que um dia vira Cultura Ativa. Sai do homem, pois transformou-se, é algo que precisa se expressar. Muda a linguagem, a QUALIDADE da pessoa, do homem, do artista. Todos nós precisamos disso, senhor Governador. E é papel do Estado fomentar, com um plano estruturado, humanista, a formação e qualificação do nosso futuro.
Eu não penso em Cultura paraense, ou baiana, ou gaúcha. A origem, é impressão digital, já está dentro de nós, está viva, para misturar-se com outras informações, outros olhares, com os horizontes que precisam ser alargados.
E nós temos MUITA GENTE BOA AÍ. Viva! Ativa! Temos também tanta gente que já está indo sem ter tido oportunidade de nada. E temos uma juventude espalhada pelos rios e grandes cidades. Por favor, tirem essa neblina de seus olhos. Estamos atolados num loft cultural que não dialoga, não age.
Na Cultura vive tudo! Uma maniçoba de riquezas culturais, que ferve em todos nós, cidadãos. Tudo misturado, desde antes de todos nós… desde nossos antepassados de Mundo.
Queremos Cultura, TODOS! Cultura é plural. Tem que ter lugar decente para apresentações, e fomento para tudo e todos. É Cultura, até ter fome de Cultura.
Então CHEGA de tratar não sómente nós artistas, mas, o POVO como merecedores de uma Cultura de baixo nível, desqualificada. Gestão parcial. Pois isso é vergonhoso. 
Eu não tenho partido nenhum. Não me interesso por isso.
Eu falo com muita indignação sim. Mas muito amor, pelo meu início, pelo garoto que está tocando uma flautinha em Moju, por um rapaz que tem vontade de desenhar, uma garota que quer dançar ou um homem escrever. E me vejo, indo, sem ver isso florescer. Eu não escolhi viver de Teatro… Eu escolhi Morrer de Teatro, de Cultura.
Pela Cultura morremos, nós artistas, todos os dias. Morremos, mas renascemos dentro de cada um que leva nosso trabalho na alma. Um pedaço do nosso fazer.
Thomas Mann dizia que só a Beleza salvará o mundo. Eu acredito nisso. 
Conte comigo, para ajudar, mas, quando as portas se abrirem. Pois com esta Cultura aí, uma possível colaboração minha ou de tantos outros que pensamos como Homens de Cultura, é impossível. As portas da Cultura no Pará, estão fechadas com chaves enferrujadas.

Com todo respeito.”

Motivos da má campanha

Por Gerson Nogueira

Existem certas coisas que só acontecem ao Botafogo, diz antiga lenda. Diante dos percalços do Paissandu na Série B, depois de longo tempo na Série C, é inevitável lembrar da fatalista frase alvinegra. Muito se tem falado sobre os problemas que travam a participação do clube na Segunda Divisão. Muitos são os fatores que contribuem para isso, todos de difícil resolução, daí a injustiça de se atirar pedras na atual gestão.

bol_qui_080813_15.psUm dos principais motivos da má campanha está na dificuldade de planejamento, originária de administrações perniciosas e perdulárias. Não é desculpa esfarrapada de político recém-eleito, é fato. O Paissandu repete práticas que foram disseminadas ao longo do tempo, cujo enfrentamento não é tarefa para um mandato apenas. Serão necessários pelo menos dois períodos de governo renovado para que o clube efetivamente mude.

O fantasma das contratações a rodo continua a pairar sobre a Curuzu. A pressão sob os dirigentes brota nas arquibancadas, mas viceja também na imprensa. Diante do primeiro tropeço, surgem logo os arautos do apocalipse, pregando dispensas e receitando novas aquisições. A conta vai aumentando, mas o torcedor precisa saciar a sede de novidades.

Custa uma grana preta (que o Paissandu não tem) sair contratando no atacado para afastar o risco do rebaixamento. Nem há jogadores de bom nível dando sopa no mercado. Mas, ainda assim, a catilinária é a mesma de sempre: contratar, contratar, contratar! Pressionados, os dirigentes quase sempre cedem, mas a onda consumista voltará diante da primeira contrariedade.

Basta ver o Paissandu jogar para perceber as posições carentes no time: zaga, laterais e meio-campo. Em resumo, falta jogador em quase todos os compartimentos. No total, seis peças seriam necessárias para ajustar a equipe, sem onerar excessivamente a folha salarial, que já beira os R$ 700 mil. Para isso, porém, será preciso enxugar o elenco, hoje com 38 atletas. Arturzinho está herdando problemas que o Paissandu acumula há tempos. Impossível resolver isso tudo num piscar de olhos.

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Em algum lugar do passado

Há quem garanta que, na Curuzu, a compreensível gratidão a ídolos do passado têm ajudado a atravancar as coisas. Cabeças coroadas do período de ouro do clube, ali entre 2001 e 2003, continuam vinculados ao dia-a-dia da agremiação num processo que sempre foi muito elogiado, pelo reconhecimento aos que construíram as glórias do passado.

Por outro lado, a presença de alguns nomes no elenco (jogando ainda) e outros na comissão técnica impediria que o clube busque respirar novos ares e assimilar novas ideias. A própria renovação interna fica comprometida pela preocupação em encaixar esses ídolos em algum lugar.

Rogerinho, Ronaldo, Vânderson, Iarley e o próprio presidente Vandick são nomes que brilharam nas conquistas do começo do novo século e continuam em ação. Até recentemente, Lecheva, Zé Augusto e o próprio Givanildo Oliveira, comandante daquele esquadrão, também permaneciam no clube.

Para alguns conselheiros e torcedores, essa forte presença tem sido mais prejudicial do que benéfica ao Paissandu. Não tenho certeza, nem opinião formada a respeito, mas o tema já é objeto de discussão.

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Leãozinho passa pelo Bebê baré

No Amazonas, o Holanda é conhecido como “Bebezão”, mas o time vinha mostrando amadurecimento de gente grande no grupo B da Copa Norte Sub-20, aplicando goleadas em todos os jogos. Ontem à noite, porém, o Remo conseguiu parar a Laranja Mecânica baré. Jaime (2) e Alex Juan marcaram os gols da vitória. Nas semifinais, amanhã, o Leãozinho encara o Santos amapaense e o JV Lideral (MA) pega o Holanda (AM).

Apesar da forte chuva, o público no Baenão voltou a ser destaque: 3.810 fanáticos pagaram para ver a terceira vitória remista na competição.

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Direto do blog

“No ano passado, a desculpa de pouca torcida era o não apoio ao até então presidente, Luís Omar. Mas, diziam os bicolores, no ano que vem com o Vandick, vamos lotar o Mangueirão. O ano 2013 veio e a torcida continuou sumida, a desculpa agora era que a torcida do poderoso Barcelona da América do Sul não se interessava pelo Parazinho – mas, quando vier a Série B que é um campeonato de verdade, vocês vão ver a torcida bicolor invadir o Mangueirão, mais uma vez falavam, contando lorota. Chegou a Série B e… ah vá, qual a desculpa agora? O único cego é o que não quer ver que a maior e mais fiel torcida do Norte é a do Leão Azul”.

De Agenor Filho, atento à queda de público nos jogos do Papão.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 08)

A frase do dia

“Empatamos com o atual campeão da Libertadores em sua casa. Se os 5 minutos de acréscimo foram exagerados? Talvez, mas também tivemos um suposto pênalti do Dória que não foi marcado pra eles. O empate foi justo. São 11 pontos dos últimos 15 possíveis. O Botafogo está cabeça erguida e mais vivo do que nunca.”

De Clarence Seedorf, sobre o empate do Botafogo em BH.