Vacilo nos minutos finais custa caro ao Papão

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O sonho bicolor de derrubar o time mais poderoso da Série B durou até os 38 minutos do segundo tempo, na tarde deste sábado, no estádio do Pacaembu. O Paissandu fez uma de suas melhores partidas na competição quanto à aplicação tática, chegando a estabelecer vantagem de 2 a 0, com dois belos gols de Pablo e Pikachu, mas acabou cedendo à pressão palmeirense nos instantes finais e permitiu a virada para 3 a 2.  Alan Kardec, Mendieta e Leandro – nos acréscimos – fizeram os gols palmeirenses.

O Palmeiras chegou aos 40 pontos no campeonato, isolando-se na primeira colocação, invicto há 11 partidas. Tem sete pontos de vantagem sobre a Chapecoense, que empatou contra o Paraná. A distância para o quinto colocado também continua em 12 pontos. Já o Paissandu permanece na parte de baixo da tabela, com apenas 15 pontos e oito derrotas em oito jogos fora de casa.
No começo, o jogo foi muito confuso, com os dois times errando passes seguidamente. Com boa produção de Eduardo Ramos no meio, com auxílio de Iarley e Djalma, o Papão começou a se impor no jogo aos 13 minutos. Djalma avançou até a linha de fundo e tocou para Vânderson, que chegava pelo meio. O volante recebeu, mas bateu torto.
A iniciativa deixou claro que Arturzinho não pretendia se limitar à defesa e iria explorar o contra-ataque. Uma falha da defesa do Palmeiras permitiu o gol do Papão, aos 14 minutos. Luis Felipe perdeu a bola, Vilson errou o carrinho e a zaga ficou exposta. Marcelo Nicácio esperou a aproximação de Pablo, que entrou pelo meio e bateu na saída do goleiro Fernando Prass.
Os zagueiros palmeirenses subiam ao ataque para ajudar na tentativa de empate e isso permitia espaço ao Paissandu para manobrar, sempre levando perigo. Depois de alguma pressão, o Palmeiras teve finalmente uma grande chance: aos 39, Mendieta lançou Leandro, que chutou forte no canto direito, mas o goleiro Marcelo fez bela defesa.
No segundo tempo, o técnico Arturzinho substituiu Marcelo Nicácio pelo armador Tallys, fechando ainda mais a meia-cancha. Já Gilson Kleina decidiu tirar Charles e colocou Felipe Menezes para ajudar Mendieta no meio. Apesar da mudança, o Palmeiras continuava errando nas chegadas ao ataque e falhava no último passe, facilitando o trabalho da marcação do Papão.
Aos 16 minutos, o paraguaio Mendieta bateu da entrada da área, obrigando Marcelo a fazer outra boa intervenção. Na sequência, uma falha de cobertura dos defensores do Palmeiras permitiu o segundo gol palmeirense. Iarley recebeu dentro da área e aproveitou o espaço deixado por Henrique para lançar Pikachu. O lateral dominou a bola e tocou por cobertura. Um golaço, aos 20 minutos.
No desespero, Kleina tirou Márcio Araújo e lançou Ronny, deixando apenas Wesley como volante. A mexida acabou dando certo. Atacando pela direita, surgiu o primeiro gol palmeirense, aos 28: Luis Felipe cruzou de perna esquerda. Alan Kardec subiu mais que a zaga e mandou a bola no canto esquerdo do goleiro Marcelo. O gol incendiou a torcida no Pacaembu e reanimou o Verdão.
Cinco minutos depois, Vânderson cometeu falta dura em Wesley às proximidades do banco do Palmeiras, dando origem a uma briga generalizada, que envolveu até jogadores reservas. Pelo tumulto, o árbitro expulsou o zagueiro Fábio Sanches, do Papão, e Weslwy, do Palmeiras. A confusão desestabilizou o Paissand e fez o time da casa partir com tudo em busca da igualdade, que veio aos 38 minutos. Juninho cruzou para a área e a defesa espanou para a meia-lua. Mendieta pegou o rebote e mandou para o gol: 2 a 2.
Com o empate, o Papão recuou ainda mais. Incentivado pela torcida, o Palmeiras se mantinha no ataque, acreditando na virada. Já nos instantes finais, um cruzamento para a área forçou o goleiro a afastar de soco. A bola voltou para a área e Leandro aproveitou para finalizar e desempatar.

PALMEIRAS 3 X 2 PAYSANDU
Local: Estádio Pacaembu, em São Paulo (SP)
Árbitro: Gilberto Rodrigues Castro Junior (PE). Assistentes: Luiz Antonio Muniz de Oliveira (RJ) e Edina Alves Batista (PR).
Renda/público:R$ 565.115,00/16.936 pagantes. Cartões amarelos: Leandro (PAL); Pablo, Djalma, Marcelo (PSC). Cartões vermelhos: Wesley, 33’/2ºT (PAL); Fábio Sanches, 33’/2ºT (PSC).
Gols: Pablo, 14’/1ºT (0-1); Yago Pikachu, 20’/2ºT (0-2); Alan Kardec, 28’/2ºT (1-2); Mendieta, 38’/2ºT (2-2); Leandro, 49’/2ºT (3-2).
PALMEIRAS – Fernando Prass; Luis Felipe, Vilson (Tiago Alves), Henrique e Juninho; Márcio Araújo (Ronny), Charles (Felipe Menezes – intervalo), Wesley e Mendieta; Leandro e Alan Kardec. Técnico: Gilson Kleina.
PAISSANDU – Marcelo; Yago Pikachu, Diego Bispo, Fábio Sanches e Pablo; Vanderson (Esdras), Ricardo Capanema, Djalma e Eduardo Ramos; Iarley (Raul) e Marcelo Nicácio (Tallys). Técnico: Arturzinho.

A missão abençoada

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O tempo bom flui mais rápido. Momentos felizes passam que a gente nem percebe direito. Posso dizer que os últimos 12 anos transcorreram assim, voando. João nasceu em 2001, poucos dias antes do fatídico 11 de setembro. Por causa dele, parece que aquelas imagens de Nova York aconteceram há pouco. Sim, porque na minha cabeça de pai o João veio ao mundo ontem. Alguém já disse que os filhos crescem como plantas e, quando nos damos conta, eles já são árvores imensas.

Olho para as marcas da idade de João riscadas na parede da cozinha e vejo o quanto o moleque disparou. Está quase ultrapassando o pai em altura – o que, obviamente, não é nenhuma vantagem. Está mais forte e ainda mais articulado. Agora, vejam vocês, já conversa com os amigos e lê mangá em inglês no computador. Papeia com o irmão Pedro já com argumentos e humor de gente graúda. As risadas mudaram de tom e ficaram mais econômicas. Mas permanece inalterada a alegria que ele irradia à minha vida. Os que me conhecem sabem o quanto sou apaixonado pelos meus filhos. A isto eu chamo de bênção.

Sou pai em tempo integral, participo de tudo, converso, pergunto, brinco, estrago também. E sinto orgulho disso. Acordo a qualquer hora para atender um chamado deles e fico triste quando preferem não me incomodar. Nasci com essa missão, não saberia ser diferente, talvez porque aprendi a ser assim com meus dois pais, José e Juca. É claro que, com mestres desse naipe, teria que aprender alguma coisa. Agradeço aos velhos pela suprema felicidade de saber ser pai. E a vocês, amigos, imploro que relevem a corujice.

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Momento de superação

Por Gerson Nogueira

bol_sab_170813_11.psO Paissandu cumpre hoje sua jornada mais espinhosa nesta Série B. Não há dúvida que, pelo retrospecto e campanha na competição, o Palmeiras é favoritíssimo. Será um confronto entre times que disputam competições diferentes. Um luta pelo acesso e o outro briga contra o rebaixamento.

Ocorre que o que parece desanimador de véspera pode ser também fonte de esperança. Treinadores bons de lábia já transformaram muito limão em limonada, motivando seus atletas diante de uma missão aparentemente impossível de realizar.

Arturzinho, que chegou há duas semanas, é o quarto comandante da nau alviceleste no torneio e cultiva a fama de motivador. Sempre trabalhou assim nos clubes que dirigiu. Nas entrevistas, deixa transparecer essa faceta, sempre acrescentando um detalhe de otimismo e estímulo. É mais do que oportuno que coloque esse talento a serviço do Papão hoje.

Além de armar o time, Arturzinho tem que cuidar da força mental e do equilíbrio psicológico dos jogadores. São itens fundamentais em qualquer competição esportiva. No Paissandu, que não tem psicólogo, a necessidade de ajustes nessas áreas é mais do que evidente.

Problemas recentes, envolvendo situações extracampo, acentuam a urgência de providências que tornem o time mais tranquilo e concentrado em obter bons resultados. Mais do que o futebol pouco consistente apresentado até agora, o Paissandu exibe um esgarçamento de objetivos, parecendo jogar a toalha sempre que sofre um gol.

O quadro se agrava dramaticamente quando o Papão se apresenta fora de casa. Como o adversário da vez é o todo-poderoso Palmeiras é de se esperar que Arturzinho esteja atento a esses apagões que têm vitimado a equipe no campeonato.

Mais que isso: precisa ter tranquilidade para escalar jogadores que tenham comprometimento e que estejam dispostos a defender o Paissandu com dignidade. Nos últimos jogos, o time demonstrou desânimo e apatia na maior parte do tempo.

Há quem entenda que o grupo está dividido e em descompasso com o técnico. Atuações espantosamente ruins de vários jogadores teriam a insatisfação como causa. Se for verdade, o problema é mais sério do que se imagina e sai da esfera de Arturzinho, passando a ser de responsabilidade da diretoria.

Diante de tanta turbulência interna, o Palmeiras nem é o adversário mais difícil a esta altura. O maior inimigo é o próprio Paissandu. A situação exige capacidade de superação. Pelo investimento feito, é inadmissível que o time não represente a fibra e a paixão de sua torcida.

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A mais nova sina botafoguense  

Todo mundo sabe que, quando a questão é crendice ou superstição, o Botafogo é praticamente imbatível. Desconfio que, mesmo na liderança, acaba de inaugurar uma nova mania neste campeonato da Série A. Desde o clássico com o Flamengo, já são três gols sofridos no 49º minuto do segundo tempo. A coisa ocorreu contra o Atlético-MG e contra o Internacional, anteontem.

O chamado gol no apagar das luzes, como se esgoelavam antigamente os locutores de rádio, periga virar maldição botafoguense. É começar a se aproximar aquele período fatal de acréscimos para o torcedor entrar em pânico. Todo adversário pressente e explora isso. Cada bola cruzada para a área é um deus-nos-acuda. Prefiro nem olhar o desfecho do lance. Problema é que a zaga também está deixando de olhar a bola.

De olho na TV, senti aquele frio na espinha quando Oswaldinho da Cuíca iniciou a sua tradicional estratégia de tirar atacantes para encher o time de volantes e beques. Sacrificou o moleque Vitinho, herói da noite e fonte de preocupação para a defesa colorada, para reforçar o setor defensivo.

Apesar da raiva pelo gol de empate, não pude deixar de dar razão aos deuses da bola. A lei é sagrada. Quem se preocupa demais em não perder acaba abrindo a chance de não vencer.

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A coluna de hoje é dedicada ao infante João Gerson, que festeja 12 anos de idade – e tão botafoguense quanto o pai.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste sábado, 17)