Papão perde a 7ª fora de casa e continua na zona

Com um gol de Bruno Nunes aos 38 minutos do primeiro tempo, aproveitando falha do setor defensivo do Paissandu, o Oeste derrotou a equipe paraense na noite desta terça-feira, em Itápolis (SP). O jogo valeu pela 15ª rodada do Campeonato Brasileiro da Série B e manteve o Papão na 17ª posição e na zona do rebaixamento. A equipe paraense teve até um bom começo, mas acabou cedendo espaço e permitiu que o Oeste chegasse ao gol aos 38 minutos do primeiro tempo.

Na etapa final, o técnico Arturzinho substituiu Zé Antonio por Iarley e botou a equipe no 4-3-3, a fim de pressionar e tentar o empate. A única chance foi em cruzamento de Pikachu, que Marcelo Nicácio não conseguiu desviar para o gol. Aos 37 minutos, para dar mais ofensividade ao time, Arturzinho botou Alex Gaibu em campo, mas o Oeste se defendia bem e não permitiu que o Paissandu criasse chances de gol.

Quem não jogar nos clubes não vai à Copa

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Martín Fernandez, da Folha de SP

O técnico Luiz Felipe Scolari lançou um aviso geral aos jogadores que pretendem disputar a Copa do Mundo de 2014: quem não jogar por seu clube estará fora da seleção. “Ele vai ter que pensar em seleção, não só na parte monetária, no clube, tudo mais. A vida profissional do atleta tem tudo isso, e ele também não tem a garantia de que eu vou levá-lo”, declarou.

O recado tem como alvos mais certeiros o goleiro Júlio César, do QPR, e o volante Luiz Gustavo, do Bayern de Munique. Mas, segundo ele, serve para os demais convocáveis para a seleção. “Na Copa das Confederações fomos campeões, ótimo, maravilha, mas acabou. Agora tem que trilhar outro caminho, e muitas coisas podem acontecer.”

A seleção faz um amistoso nesta quarta-feira contra a Suíça, em Basileia, e outras seis partidas neste ano. Em 2014, há apenas uma data-Fifa, em março. “Vamos ficar muitos meses só observando as ligas, sem treinar, e eu não posso observar ninguém no banco de reservas”, afirmou nesta terça-feira, em Basileia, onde o Brasil enfrenta a Suíça em amistoso nesta quarta-feira, às 15h45 (de Brasília).

O goleiro está com a situação indefinida no Queens Park Rangers, que caiu para a segunda divisão da Inglaterra. Júlio César não quer continuar lá, mas não acertou com nenhum dos interessados que apareceram -houve interesse do Napoli, do Benfica e da Fiorentina. “A situação do Júlio me preocupa e ele sabe disso”, afirmou Felipão. “Ele pode jogar a segunda divisão, a terceira, a décima, não me importa. Mas tem que jogar.”

Relações incestuosas

Por Vladimir Safatle

“Se for confirmado cartel, o Estado é vítima.” Esta é uma frase que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, pode anexar ao seu compêndio.

Ela poderá vir na mesma página de outra que gosto muito, proferida à ocasião de mais uma ação espetacular de sua polícia: “Quem não reagiu, está vivo”. As duas têm em comum a mesma capacidade de tentar, digamos, usar o óbvio para esconder o absurdo.

De que há um cartel comandando a construção do metrô de São Paulo não precisávamos esperar as últimas semanas para desconfiar. O caso Alstom roda nas cortes europeias há anos, com denúncias substantivas contra o governo paulista.

Notícias que davam conta de concorrências forjadas frequentaram as páginas dos jornais mais de uma vez. Devido a elas, o presidente da companhia estadual de metrô chegou a ser afastado pelo Ministério Público por suspeita de fraude em licitações, para em seguida ser reconduzido e, meses depois, pedir demissão.

Com uma lista dessas nas mãos, não era difícil juntar os pontos e perceber que havia indícios extremamente plausíveis de que o Metrô paulistano se tornara um celeiro depropinas para o partido que governa São Paulo há tanto tempo que a maioria até parou de contar.

Não são poucos os paulistas que esperam uma devassa capaz de explicar por que, afinal, o Metrô ultimamente aparece mais nas páginas policiais do que nas páginas dedicadas à inauguração de obras públicas.

De fato, o Estado é vítima em toda essa história, como bem lembrou o governador. Falta perguntar de quem. Pois, ao que tudo indica, o Estado é, neste caso, vítima de seu próprio governo.

É difícil acreditar que um cartel dessa monta passe décadas a operar no Estado sem que seu governo simplesmente não soubesse de nada. Claro que os membros do governos poderão dizer: “Eu não sabia”. Já vimos esse filme antes, só que em outro canal.

De toda forma, temos diante de nós um belo instante para recuperar a luta contra a corrupção, para além do udenismo que a colonizou nos últimos tempos.

Até o momento, tentou-se atrelar a indignação popular ao raciocínio seletivo de quem acusa seus inimigos corruptos para proteger seus amigos igualmente corruptos.

Agora que a exigência de uma outra política aparece de maneira ampla, o fastio com a corrupção pode ser uma arma importante para a conscientização da necessidade de uma reinvenção democrática radical.

Neste modelo de democracia que temos, com suas relações incestuosas entre empresariado e classe política, todo inverno termina em um mar de lama.

Aviso importante

Amigos, comentaristas e baluartes em geral, lamento o incômodo de mensagens publicitárias de spam que passaram a aparecer nas abas laterais do blog sem a autorização do blogueiro. Tomei as medidas técnicas – inclusive comunicando o fato à WordPress – para a retirada imediata do lixo que passou a poluir as páginas, mas até agora não consegui retirar. Se alguém no blog tiver alguma ideia prática para facilitar a exclusão, favor entrar em contato e ajudar. Desde já, agradeço pela compreensão.

A “biografia” de José Dirceu – parte III

Por Mario Sergio Conti, na revista Piauí

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A biografia tem dezenas de barbaridades semelhantes. Uma das melhores: Fernando Collor, na tentativa de se manter no Planalto durante a campanha pela sua destituição, conclamou o povo a ir às ruas com roupas pretas para defendê-lo, e todos foram de verde-amarelo. Como todo mundo sabe, ocorreu o contrário. Collor incitou a população a se vestir de verde-amarelo e o Brasil foi tomado por manifestantes de preto.

Otávio Cabral tem mania de comidas e bebidas. Seguem-se exemplos do livro. “Frango ao molho pardo brasileiro, cozido e com um saboroso molho à base de sangue da própria ave.” “Molho ultrapicante, com pimentas, amendoim, canela e amêndoa.” “Os melhores runs.” “Coxinha, feijoada e doce de jaca com canela.” “Moqueca de peixe, cerveja e cachaça dominaram a noite.” “Cálices de vinho de sobremesa italiano.” “Coelho a Los Fubangos.” “Bacalhau assado à moda do Minho, arroz de marisco e chanfrana de cabrito.” “O refrescante vinho verde português Alavarinho Deu la Deu, escolhido a dedo para aplacar o calor.” “Toucinho do céu, tradicional doce português à base de gemas de ovos.” “Comeram pato laqueado, tomaram vinho e deram boas risadas.” “Cachaça Havana e champanhe Dom Pérignon.” “Filé com creme de mostarda, cebola, ervilha, presunto e batata palha.” “Vinho Romanée-Conti, safra de 1997.” “Comeu galeto e bebeu o vinho tinto italiano Brunello di Montalcino.” Chega?
Tem mais. “Risoto de carne-seca na moranga, acompanhado de um Chardonnay brasileiro.” “De sobremesa, goiabada com queijo e champanhe.” “Vinhos renomados, como o Almaviva chileno.” “Bufê com uísque e champanhe.” “Mal tocou no salmão grelhado.” “Pegou uma garrafa de rum cubano.” “O vinho melhoraria seu humor.” “Duas doses de bourbon antes de dormir.” “Algumas garrafas de vinho mais tarde.” “Ravióli de foie gras, coquilles Saint-Jacques com trufas e endívias caramelizadas e lombo de javali com risoto de aspargos.” “As taças abastecidas sem intervalo com os melhores espumantes brancos e tintos da região.” “O compromisso teve cordeiro patagônico e um excelente Malbec no restaurante Barricas de Enopio.” Basta?
Pois ainda tem cupim, salada de batata, Cabernet Sauvignon chileno, paella, presunto de Parma etc. etc. etc. Mas é melhor parar porque esse cordeiro patagônico desceu mal. O Barricas de Enopio não é mais o mesmo.
Em menor grau, o livro é obcecado por novelas e futebol. São inúmeras as referências a tramas e atores do horário nobre. Todas descabidas, porque José Dirceu não acompanha novelas. Ele gosta de futebol, mas não mais que um torcedor típico. Apenas uma das referências futebolísticas tem sentido político, o jogo da Seleção Brasileira contra a do Haiti, em Porto Príncipe, em 2004. De fato, Dirceu – com Ricardo Teixeira e o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, apelidado de Kakay – pelejou pela organização do chamado Jogo pela Paz.
Se não discute o apoio de Dirceu à intervenção brasileira no Haiti (uma posição contrária à da esquerda ortodoxa), Cabral descreve com detalhes a viagem da “comitiva liderada por Lula e Dirceu”. Fala que os dois foram ao Estádio Nacional “num caminhão de bombeiros, junto com astros do futebol brasileiro como Roberto Carlos, Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo Fenômeno. Dirceu tirou fotos com todos antes de entrar no veículo”. Conta que “às quatro da tarde, o Hino Nacional Brasileiro foi tocado e Dirceu chorou”. No segundo tempo, o goleiro Fernando Henrique substituiu o titular e, prossegue Cabral, “assim que viu o homônimo do ex-presidente entrando em campo, Dirceu virou-se para Kakay e ironizou: ‘Bem que esse Fernando Henrique podia tomar um gol. Aí a festa vai ser perfeita.’” É um belo relato.
Exceto pelo seguinte: José Dirceu não foi ao Haiti ver a partida.
Não era necessário entrevistar o biografado para saber que ele não assistiu ao Jogo pela Paz (procurado, Dirceu não deu nenhuma informação para esta resenha). Não há referências ao então chefe da Casa Civil nas copiosas reportagens sobre Lula e sua comitiva no Haiti. Foi feito um documentário sobre a partida, O Dia em que o Brasil Esteve Aqui, com mais de uma hora de duração, no qual Dirceu está ausente do jogo. Poder-se-ia perguntar a Lula, a Ricardo Teixeira, a Kakay, aos jogadores, às pessoas da comitiva, a todos que lá estiveram, se José Dirceu compareceu. E eles diriam: não, José Dirceu não foi ao Haiti. Em vez de trabalhar, Otávio Cabral preferiu a invencionice delirante.