Neto pede demissão e Band readmite Beting

Texto de Neto em seu blog, justificando o pedido de demissão que fez no ar à Rádio Bandeirantes, condicionando sua permanência à readmissão de Mauro Beting, que havia sido afastado da emissora.

“Desde os 16 anos de idade me acostumei com a pressão dos estádios de futebol. Era um troço louco já que vim de uma família pobre do interior de São Paulo. Mas meu pai, policial honesto dos ‘bão’, sempre me ensinou os princípios da vida. Me ensinou a ser um cara honrado mesmo que minha falta de cultura intelectual depusesse contra mim. A verdade é que o tempo e as experiências profissionais trataram de mostrar outras coisas importantes. Como, por exemplo, o valor da amizade e de reconhecer o que é certo e errado.

Mande sua pergunta para o Mauro Beting no Jogo Aberto 3.0 desta quintaQuando soube da demissão do comentarista Mauro Beting (foto) na Rádio Bandeirantes fiquei extremamente chateado. Afinal é um cara competente e comprometido com a emissora. Assim como eu também sou. Entretanto teve muita gente preconceituosa, como existe muito no meio, criticando o fato da direção escolher ele, um jornalista diplomado, e não eu, um ex-jogador. Não vou entrar muito nessa polêmica porque acho babaquice. De gente babaca mesmo! Até porque sempre conquistei meu espaço com humildade e sem precisar atropelar ninguém. Soube esperar a minha hora.

Resolvi pedir demissão ao vivo durante o programa ‘Os Donos da Bola’ da TV Band em troca da recontratação do Mauro. Os mesmos diretores da Rádio aceitaram. Fiz isso não para criar conflito. Longe disso. Tomei essa atitude porque achei sim a mais correta. Devido aos meus compromissos profissionais, até com a própria Band, tenho convicção que o Mauro pode produzir mais para o grupo (já fazia isso). Sem contar que acho ele bom demais!

Sei que existe muita gente que não me suporta. Meu jeito de ser, meio polêmico e caipirão, é complicado mesmo. Mas ao menos é honesto. Autêntico com o que meu pai me ensinou lá atrás. Portanto estou mais uma vez com a consciência tranquila.

Ahhhh….como seria melhor se o meio do jornalismo esportivo fosse mais corporativista para o bem. Se neguinho reclamasse menos dos outros e ajudasse mais.

Seja feliz grande Mauro Beting… seja feliz Rádio Bandeirantes…. seja feliz Rede Bandeirantes.

Eu continuo muito feliz e grato por tudo! E bola pra frente, claro!!!!”

Feitiço contra feiticeiros no STF

Por Paulo Moreira Leite

Após quatro meses de espetáculo pela TV, a notícia é que alguns ministros do STF estão com medo de rever seus votos no julgamento do mensalão. 

Às vésperas da retomada do julgamento da Ação Penal 470, quando o STF irá examinar os recursos dos 25 condenados, o ambiente no tribunal é descrito da seguinte forma por Felipe Recondo e Debora Bergamasco, repórteres do Estado de S. Paulo, com transito entre os ministros: “(…) há ministros que se mostram ‘arrependidos de seus votos’ por admitirem que algumas falhas apontadas pelos advogados de defesa fazem sentido. O problema (…) é que esses mesmos ministros não veem nenhuma brecha para um recuo neste momento. O dilema entre os que acham que foram duros demais nas sentenças é encontrar um meio termo entre rever parte do voto sem correr o risco de sofrer desgaste com a opinião pública.”

Pois é, meus amigos. 
Após quatro meses de espetáculo pela TV, a notícia é que alguns ministros do STF estão com medo. Não sabem como “encontrar um meio termo entre rever parte de seu voto sem correr o risco de sofrer desgaste com a opinião pública.”
É preocupante e escandaloso. 
Não faltam motivos muito razoáveis para um exame atento de recursos. Sabe-se hoje que provas que poderiam ajudar os réus não foram exibidas ao plenário em tempo certo. Alguns acusados foram condenados pela nova lei de combate à corrupção, que sequer estava em vigor quando os fatos ocorreram – o que é um despropósito jurídico. Em nome de uma jurisprudência lançada à última hora num tribunal brasileiro, considerou-se que era razoável “flexibilizar as provas” para confirmar condenações, atropelando o direito à ampla defesa, indispensável em Direito. Centenas de supressões realizadas pelos ministros no momento em que colocavam seus votos no papel, longe das câmaras de TV, mostram que há diferença entre o que se disse e o que se escreveu. 
O próprio Joaquim Barbosa suprimiu silenciosamente uma denúncia de propina que formulou de viva voz, informação errada que ajudou a reforçar a condenação de um dos réus, sendo acolhida e reapresentada por outros ministros. 
Eu pergunto se é justo, razoável – e mesmo decente – sufocar esse debate. Claro que não é. 
É perigoso e antidemocrático, embora seja possível encher a boca e dizer que tudo o que os réus pretendem é ganhar tempo, fazer chicana. Numa palavra, garantir a própria impunidade. 
Na verdade estamos assistindo ao processo em que o feitiço se volta contra o feiticeiro. E aí é preciso perguntar pelo papel daquelas instituições responsáveis pela comunicação entre os poderes públicos e a sociedade – os jornais, revistas, a TV. 
O tratamento parcial dos meios de comunicação, que jamais se deram ao trabalho de fazer um exame isento de provas e argumentos da acusação e da defesa, ajudou a criar um clima de agressividade e intolerância contra toda dissidência e toda pergunta inconveniente.
Os réus foram criminalizados previamente, como parte de uma campanha geral para criminalizar o regime democrático depois que nos últimos anos ele passou a ser utilizado pelos mais pobres, pelos eternamente excluídos, pelos que pareciam danados pela Terra, para conseguir alguns benefícios – modestos, mas reais — que sempre foram negados e eram vistos como utopia e sonho infantil. 
(A prova de que se queria criminalizar o sistema, e não corrigir seus defeitos, foi confirmada pelo esforço recente para sufocar toda iniciativa de reforma política, vamos combinar.)
No mundo inteiro, os tribunais de exceção consistem, justamente, num espetáculo onde a mobilização é usada para condicionar a decisão dos ministros. 
“Morte aos cães!”, berravam os promotores dos processos de Moscou, empregados por Stalin para eliminar adversários e dissidentes. 
Em 1792, no Terror da Revolução Francesa, os acusados eram condenados sumariamente e guilhotinados em seguida, abrindo uma etapa histórica conhecida como Termidor, que levou à redução de direitos democráticos e restauração da monarquia. 
No Brasil de 2013, a pergunta é se os ministros vão se render ao medo.

Cuba minimiza críticas e disponibiliza médicos

Desde que o governo Dilma Rousseff anunciou, em 9 de julho deste ano, que pretende trazer médicos estrangeiros para atender à população, dezenas de organizações foram contrárias à medida, parte do programa Mais Médicos. O protesto mais contundente era dirigido aos cubanos, relacionados com o que foi chamado de uma possível “revolução comunista em 2014”. Com as críticas da classe médica, o governo brasileiro adotou cautela sobre o programa, uma das principais bandeiras do ministro Alexandre Padilha, e estuda fazer contratos individuais. Representantes de Havana no Foro de São Paulo, no entanto, dizem que os profissionais do país “seguem à disposição”.
“A oposição à presença dos nossos médicos é um fenômeno que não aconteceu apenas no Brasil, mas em outros países da América Latina. Isso se deve a múltiplos fatores, mas, em especial, ao medo de que os cubanos substituirão os profissionais locais e às acusações da direita de que a gente dissemine nossa posição política”, argumentou a Opera Mundi Jorge Antonio Arias, vice-chefe do Departamento de Relações Internacionais do PCC (Partido Comunista de Cuba). “Vamos para onde nos pedem, o que significa, em geral, chegar a locais em que outros médicos não vão. Dar cuidados de saúde aos que não têm. Nosso pessoal se dedica apenas a cumprir suas funções, com total respeito e sem interferir em processos políticos internos”, complementa Arias.
De acordo com o governo cubano, a falta de experiência não pode ser um argumento contra os médicos do país. Desde a Revolução de 1959, mais de 120 mil voluntários participaram de missões em países africanos, sendo a maioria deles médicos e professores. Esses cubanos ajudaram principalmente no tratamento da malária, doença amplamente difundida no continente, e na aplicação da vacina contra meningite. (De Opera Mundi)

Novíssimos tempos no Leão

Por Gerson Nogueira

A apresentação das contas do primeiro mês da nova gestão foi a melhor notícia deste segundo semestre no Remo. Os números mostrados na terça-feira à noite são até negativos, mas a atitude é bastante positiva. Representa um excepcional reforço no principal ativo de uma administração: a confiança de associados e torcedores.

Reconquistar o apoio da comunidade azulina deve ser prioridade máxima para os novos gestores. Assumiram missão de alto risco em momento particularmente ingrato, com o futebol em baixa e as contas em alta. É, porém, uma oportunidade única para que os dirigentes mostrem criatividade e comprometimento.

GERSON_02-08-2013Os projetos anunciados, que a essa altura podem até parecer fantasiosos e frutos da empolgação, têm boas chances de êxito. A reativação da vida social, através de eventos na sede do clube, pode contribuir para a reaproximação dos sócios e ao mesmo ajudar a combater a inadimplência.

Outra boa ideia é a série de eventos anunciados para o estádio, acrescentando atrações aos jogos amistosos programados para o semestre. É uma maneira modesta, mas eficiente, de turbinar os ganhos do clube na única atividade que pode envolver a massa torcedora.

A realização dos jogos da Copa Norte Sub-20 funcionará como teste para essa proposta da diretoria. A abertura, amanhã à noite no Baenão, já está cercada de expectativa. O torcedor foi convocado a prestigiar pagando ingresso (R$ 5,00) e o clube fez sua parte. Contratou jogadores (Kenia e Jader, ex-São Francisco) para reforçar o time. É a primeira medida no sentido de resgar o interesse do torcedor.

A presença de remanescentes do time que disputou o Parazão também deve contribuir para a campanha remista na Copinha. Alex Ruan, melhor lateral-esquerdo do campeonato, o atacante Jaime e os zagueiros Ian e Gabriel são peças conhecidas, fazendo do torneio um evento interessante para uma torcida que vivia saudosa de seu time.

São providências modestas e de alcance limitado, mas deixam a impressão de que o clube está de fato sob nova administração. Para que essa percepção chegue ao torcedor e convença os associados será necessário que a diretoria não se perca pelo caminho. A transparência da prestação de contas é item fundamental a essa altura, bem como a preocupação em sanar débitos com os funcionários. No futebol, o caminho da redenção em campo começa pelos ajustes administrativos.

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Em busca de um resgate histórico

Outra frente, não menos importante, começa a ser contemplada pela diretoria do Remo: a valorização da história do clube. Isto pode ser observada na decisão de reivindicar junto à Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) o reconhecimento pela conquista do Mundialito de Clubes da Venezuela de 1950.

A competição foi disputada em Caracas e, à época, tinha a importância e o destaque de um torneio continental. A própria Taça Libertadores da América se originou do Mundialito, oficialmente denominado de Taça Ministério de Obras Públicas da Venezuela.

O esforço pelo resgate da conquista é do benemérito Orlando Ruffeil, encarregado de juntar documentos que comprovem a façanha azulina em gramados venezuelanos. Na parte prática, o clube vai solicitar à Federação Paraense de Futebol (FPF) e à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apoio para que a Conmebol reconheça oficialmente o título.

Além das questões de mérito, os azulinos vislumbram a chance de vir a ser o único clube do Norte a ostentar de um título reconhecido pela Conmebol. Seria, sem dúvida, uma tremenda injeção de autoestima procedente do passado para um clube que não tem conquistas recentes.

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Um líder dentro e fora de campo

Clarence Seedorf, um dos destaques do atual Campeonato Brasileiro e comandante do líder Botafogo, deu ontem à noite no Maracanã novo exemplo de sua incontestável capacidade de orientar seus companheiros. Voz ouvida com respeito e admiração no clube, o holandês não descuida de detalhes que possam comprometer a imagem do elenco, principalmente dos atletas mais jovens.

Ao marcar o primeiro gol botafoguense contra o Vitória, em tabelinha com o próprio Seedorf, o atacante Vitinho foi festejado pelos companheiros, mas não comemorou o gol com a torcida, agastado com algumas vaias recentes. O gesto foi notado pelos repórteres, que procuraram Vitinho no final do primeiro tempo.

Antes que pudesse abrir a boca e falar algo que pudesse lhe indispor com os torcedores, o jovem boleiro foi abraçado por Seedorf, que o puxou para os vestiários. A imagem, que vale por mil palavras, reflete em parte a importância que um craque de verdade pode ter para um time.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 02)

Europa quer engessar Neymar?

Por Fábio Sormani

Neymar concedeu sua primeira entrevista à mídia na manhã desta quinta-feira em Barcelona. Durou quase uma hora. Tinha gente saindo pelo ladrão.

E no que versou basicamente o papo de Neymar com os jornalistas europeus? No seu estilo, de jogo e pessoal.

Neymar ouviu várias vezes jornalistas perguntando se ele não terá que mudar seu jeito de jogar para se adaptar ao modelo do Barcelona. Sua característica de ter a bola nos pés durante muito tempo, o que contraria o jeitão do Barça atuar, que é tocar a bola e cansar o adversário à procura do espaço para chegar ao gol.

A insistência no tema foi tanta que Neymar mostrou certa irritação. E lá pelas tantas respondeu: “Mudar meu estilo? Não sei se você viu a Copa das Confederações, mas eu estava no Brasil ainda, e consegui, com meus companheiros, ir bem, fazer uma grande Copa das Confederações. Claro que tenho que aprender, melhorar muito aqui, mas evoluir a gente evolui em qualquer lugar do mundo. Não tem por que (mudar)”.

Outro tanto de jornalista europeu foi noutra direção: o estilo Neymar de ser. Queriam saber se ele vai comemorar os gols com suas famosas dancinhas. E lembraram que Carles Puyol, o capitão do Barcelona, ano passado, repreendeu Daniel Alves e Tiago Alcântara e interrompeu uma dança de ambos, comemorativa ao quinto gol da equipe catalã diante do Rayo Vallecano.

Neymar respondeu: “Ninguém falou nada comigo. Acho que a dança, a comemoração nunca tem que ser desrespeitando o adversário. Tem que ser uma coisa que você faça, que seja para você mesmo. A comemoração é a hora de você extravasar, gritar e fazer o que sentir vontade. Mas nunca é desrespeitosa”.

Ao ler tudo isso, eu fico me perguntando: por que o Barcelona contratou Neymar? Se o time catalão quer mudar o jogador, por que não contratou um autômato? Um atleta que não dribla, que é bom de toque de bola e que é careta em campo? Um atleta que não pensa por si próprio, que é levado a pensar por outrem?

Pelo que vemos, Neymar (foto Reuters) é a antítese do que o Barcelona quer e do que pensa a careta mídia europeia. Neymar é alegre, driblador, gosta de dar espetáculo, de ter a bola nos pés, pois é feliz jogando bola. Joga como se estivesse na rua, no campinho de terra batida, se divertindo com os amigos.

Esse é o segredo de seu sucesso: a alegria.

neymarcoletiva0108rtNeymar é como Garrincha; Mané era assim. Ia de lá pra cá e de cá pra lá. Fazia seus marcadores de bobos e os chamava de “João”. Era conhecido como “Alegria do Povo”. Era a diversão de todos numa época em que não havia patrulheiros de plantão e o ódio não era tão disseminado como hoje em dia, onde o fanatismo cega as pessoas e gera intolerâncias.

Naquela época, as tardes de domingo, naquele Maracanã que não existe mais por obra da Fifa, nas tardes daqueles domingos, Mané fazia de bobos seus marcadores. Encantava a todos (botafoguenses ou não) com seu jeitão simples e roceiro. Fazia a alegria do povo ao passar o pé em cima da bola; ao pisar na bola; ao fingir que ia e não ia. E ao fazer gols também e levar não só o Botafogo às vitórias e aos títulos, mas a seleção brasileira também.

Exatamente como Neymar sempre fez com a camisa 11 do Santos.

A Europa, temo, pode estragar Neymar; a Europa pode acabar com Neymar, o que seria muito pior.

Ela já fez isso com Robinho, um jogador que não lembra nem de longe aquele moleque atrevido que deu oito pedaladas diante de Rogério na final do Brasileiro de 2002, quando o Santos bateu o Corinthians por 3-2 e foi campeão brasileiro.

Hoje Robinho não dribla nem um cone. É um jogador com o dobro do peso de sua época de Santos. É um jogador bitolado, preso a sistemas de jogo e por isso mesmo sem criatividade.

Temo que isso possa ocorrer com Neymar.

No Barcelona já se fala que ele tem que ganhar cinco quilos de massa muscular. No Barcelona Xavi disse ontem que o sucesso passa pela equipe e não pelo individual, como se Neymar não soubesse disso. No Barcelona o estilo de jogo é o oposto do que o ex-atacante do Santos sempre jogou.

E eu não paro de me perguntar: por que o Barcelona contratou Neymar? Para engessá-lo?