Por Gerson Nogueira
Contra um adversário apenas esforçado, o Paissandu marcou 1 a 0 em Naviraí ontem, mas desperdiçou pelo menos mais três chances para eliminar o jogo de volta. Depois de impor boa movimentação ofensiva no primeiro tempo, com Rafael Oliveira se destacando nos lances de área, o time recuou e cedeu espaço para o Naviraiense na segunda etapa.
O maior problema do Paissandu foi a articulação no meio-de-campo, o que dificultou o domínio. Eduardo Ramos, discreto, teve apenas lampejos. Pikachu também se manteve tímido. Sem jogadas criativas, o time vivia de cruzamentos para a área.
Mesmo com esses aperreios, segundo relato do companheiro Geo Araújo (da Rádio Clube), o Paissandu foi superior e podia ter feito mais gols depois que Rafael marcou logo aos 7 minutos, batendo da entrada da área e encobrindo o goleiro Roger.
Na reta final da partida, o Naviraiense inverteu a situação e pressionou em busca do empate. Quase conseguiu, com Léo e Robinho, mas falhou nas finalizações. O Paissandu se contentava com o contra-ataque,
Depois da expulsão de Cristiano e Ricardo Capanema, o jogo ficou mais aberto e o time da casa esteve perto de chegar ao gol. Só nos instantes finais o Paissandu voltou a fazer manobras criativas e troca de passes em velocidade. Héliton, que substituiu a João Neto, puxava os contragolpes e ajudou a conter o ímpeto do adversário.
Apesar da frustração por não ter definido a classificação, o Paissandu volta com um excelente resultado. Terá vantagem no confronto da volta, na próxima quarta-feira. Mais importante: mostrou que seu meio-campo continua afiado, o que o torna superior tecnicamente ao adversário. Pela narração da partida, é lícito pensar que só um acidente monumental tiraria a vaga do Paissandu.
O avanço à próxima fase, se confirmado, garantirá aos cofres do clube uma bonificação de R$ 400 mil. O adversário da terceira fase será Atlético-PR ou América de Natal, equipes que se equivalem ao Paissandu e não são imbatíveis, o que permite ao time de Lecheva sonhar com as oitavas de final da Copa do Brasil.
———————————————————–
Diretoria evita precipitações
Para os que insistem em cobrar contratações para a Série B, o presidente Vandick Lima responde que o importante é investir certo. As aquisições de Eduardo Ramos e João Neto avalizam essa estratégia. Na verdade, o clube está negociando e buscando jogadores, mas segura o anúncio para não tumultuar o ambiente às vésperas da decisão do Campeonato Paraense.
O objetivo de Vandick e seus diretores é trazer dois atacantes, um meia-armador, um goleiro e dois zagueiros. Marcelo Nicácio estaria descartado, mas crescem as especulações em torno de Careca, artilheiro do futebol sul-matogrossense. Fábio Sanches continua nos planos, bem como o goleiro Marcelo, da Penepolense.
———————————————————
Sócios pressionam por mudanças
Líderes da Associação de Sócios do Remo (Assoremo) informam à coluna que os esforços da entidade se concentram na proposta de eleições diretas para a presidência do clube. O novo estatuto, que aguarda aprovação há mais de quatro, já teve 100 de seus 138 artigos debatidos. No momento, o Conselho Deliberativo prepara sua proposta à assembleia-geral de sócios. O xis da questão é que a assembleia ainda não foi marcada, mas é provável que se realize no final deste mês. Ocorre que o presidente Manoel Ribeiro já teria admitido deixar para o final de junho ou julho.
A manobra, interpretada pelos sócios como apenas protelatória, é parte da estratégia dos velhos cardeais para retardar ao máximo as eleições diretas no Remo. Pelo novo estatuto, a eleição será diretamente pelos sócios, mas os conselheiros querem restringir o acesso ao Condel (mínimo de cinco anos de clube) e à presidência (10 anos). A Assoremo advoga carências menores: dois anos para o Condel e cinco anos para a presidência.
“Não podemos deixar que jovens de 22 anos dirijam um clube centenário como o Remo”. Este é um dos argumentos mais repetidos por conselheiros da velha guarda, irritados com a pressão exercida pelos sócios. O receio de abrir as portas do clube para um modelo eleitoral mais democrático se acentuou depois que surgiram dois potenciais candidatos, o ídolo Rei Artur e o médico Henrique Custódio.
Já circulam boatos de que o Condel poderá aprovar o novo estatuto, mas tentará deixar as diretas para o pleito de 2016. Para enfrentar esse golpe nos projetos de mudança, os sócios criaram o movimento #RenovaLeão #DiretasJá, buscando atrair remistas que se sintam excluídos do processo político e que defendam mudanças na gestão do clube.
Uma reunião foi convocada para o dia 16 de maio, a fim de discutir propostas para o clube. Ainda nesta semana, a Assoremo exigirá na Justiça prestação de contas da atual diretoria e entrará com ação de danos morais contra o presidente do Condel, que os definiu como “vagabundos”.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 09)