Em ritmo de treino, Papão conquista 45º título

Por Gerson Nogueira

Nem o gol de Rubran logo aos 3 minutos, em falha do goleiro Zé Carlos, abalou o Paissandu na decisão do Campeonato Paraense, neste domingo à tarde, no estádio Jornalista Edgar Proença. Sete minutos depois, Raul desviou de cabeça um escanteio e igualou o marcador, para delírio dos 32 mil torcedores presentes ao estádio. O Paragominas ainda levou perigo, com Adriano Miranda em duas oportunidades, mas o ritmo da partida era controlado pelo Papão, principalmente graças ao excelente trabalho de Capanema, Djalma e Eduardo Ramos no meio de campo. Aos 29 minutos, depois de outro escanteio, Rafael Oliveira desviou para as redes de Mike Douglas, desempatando o jogo. Com o adversário completamente dominado, errando passes em demasia e sem força ofensiva, o Paissandu ainda teve tempo para ampliar com João Neto, aos 43 minutos, em falha coletiva da zaga de Paragominas.

Na etapa final, o jogo foi disputado em ritmo de treino, com o Paissandu tocando a bola até com certa displicência, fazendo o tempo passar. Nem assim o Paragominas conseguiu ameaçar, pois a criação da equipe ficou entregue a Marquinhos, cuja principal característica é passar para os lados. Aleilson passou em branco novamente, sendo facilmente marcado pelos defensores do Papão. Jaime substituiu Adriano Miranda e deu mais agilidade ao ataque, criando duas boas chances, uma delas desperdiçada por Paulo de Tárcio com um chute sem direção.

João Neto desperdiçou grande chance em infiltração na área e Rafael Oliveira arriscou de fora da área para boa defesa de Mike Douglas. Depois disso, Lecheva substituiu João Neto por Iarley e Eduardo Ramos por Alex Gaibú, mas a equipe seguiu na mesma toada, sem forçar as jogadas, poupando-se visivelmente para a estreia na Série B, sexta-feira (24), diante do ASA. No final, uma grande comemoração no estádio Mangueirão pelo 45º título estadual do Paissandu.

A renda foi de R$ 304.400,00, com 29.966 pagantes. Com 2.690 credenciados, o público total chegou a 32.656 espectadores. Descontadas as despesas de R$ 112.529,56, o Paissandu ficou com o valor líquido de R$ 191.870,44.

Parazão 2013 – Classificação final

TIMES PG J V E D GP GC SG AP
Paissandu (campeão) 47 22 14 5 3 55 25 30 71.2
Remo 45 22 14 3 5 37 28 9 68.2
Paragominas (vice-campeão) 34 22 10 4 8 34 35 -1 51.5
Santa Cruz 17 14 5 2 7 15 21 -6 40.5
São Francisco 15 16 4 3 9 24 34 -10 31.3
Cametá 14 14 3 5 6 16 20 -4 33.3
Tuna (rebaixada) 12 16 3 3 10 15 23 -8 25.0
Águia (rebaixado) 11 14 2 5 7 17 27 -10 26.2

Adeus a um grande repórter

941189_10201191791065085_768904817_nO jornalismo paraense perdeu ontem um grande repórter. Ítalo Gouveia morreu neste sábado, aos 73 anos, de complicações derivadas do diabetes. Trabalhou por mais de 40 anos na reportagem policial, destacando-se pela coragem e determinação. Repórter e excelente fotógrafo, era o chamado 2 em 1, tão comum no jornalismo dos anos 60 e 70. Tive a honra de trabalhar ao seu lado no começo da carreira, idos de 76, na redação de O Liberal. Generoso, ensinou-me muitos macetes da profissão. Anos depois, fui seu editor e a parceria continuou próspera e sempre interessante.

No trato pessoal, era uma figuraça, craque na arte de fazer amigos. Chamado de “Quilha” (pelo formato do topete), tinha sempre uma piada na ponta da língua, sempre cabeludas. Falava rápido e tinha uma gagueira que disfarçava com frases curtas e diretas. Um grande ser humano, tive a honra de ser seu amigo e colega. Ítalo pertenceu a uma família de bons profissionais do jornalismo. Era irmão de Antonio Gouveia (o Gouveião), que marcou época na Folha do Norte e A Província do Pará, e do diagramador Carlito Gouveia. Era tio do cinegrafista Gouveia Jr., já falecido.

Aos mestres, sem carinho

Por Gerson Nogueira

COLUNA GERSON_19-05-2013Carlos Bianchi fez o Boca Juniors marchar com impecável perícia tática sobre o Corinthians – sem entrar no mérito dos erros do árbitro paraguaio –, disfarçando meticulosamente as inúmeras rachaduras do time. Essa competência força um olhar crítico sobre a herança maldita legada ao futebol do Brasil por três gerações de “professores” da bola.

De maneira geral, o futebol argentino nem serve de parâmetro nesse departamento. Lá, como cá, os técnicos andaram atrapalhando bem mais que ajudando, mas duas figuras se sobrepõem a todos os seus colegas brasileiros. Marcelo Bielsa e Carlos Bianchi. Ambos posicionam-se, por currículo e notório saber, entre os melhores do mundo.

A indigência nacional se consolidou na transformação operada desde o final dos anos 70. Em pouco mais de quatro décadas, a pátria dos craques virou latifúndio dos treinadores. A transição, mais danosa do que se possa imaginar, passou despercebida de início, mas suas consequências são bem visíveis hoje.

Os times são montados de acordo com a conveniência e os caprichos dos comandantes, o que pode ser muito bom quando os técnicos sabem o que fazem. No caso brasileiro, infelizmente, isso não ocorre. A alta rotatividade de comando nos clubes atesta que a categoria – bem paga, apesar dos maus passos – não prima pela excelência.

Felipão, Luxemburgo, Abel, Muricy, Tite e Cuca integram a elite dos técnicos em atividade no país. Responda rápido: algum deles teria chance de ser contratado por um grande ou médio clube europeu? Qualquer torcedor, por mais desligado, sabe que não.

As últimas chances dadas aos nacionais – Felipão no Chelsea e Luxemburgo no Real Madri – resultaram em rotundos fiascos. Desde então, a Europa parece ter compreendido que o Brasil pode ter bons operários da bola, mas só acumula fracassos na formação de comandantes.

Desgraçadamente, o desprestígio no mercado internacional não arranhou o cartaz interno dos técnicos. Aqui eles agem como reis, ditam ordens, dão entrevistas quilométricas, exigem (e recebem) fortunas. Como ditadores, não permitem espaço para o intercâmbio ou a importação de mão-de-obra qualificada. Quando se falou em Pep Guardiola para dirigir o escrete foi um deus-nos-acuda.

Nem clubes citados como referência em gestão, como o Grêmio, escapam à ação deletéria de treinadores arrogantes. O tricolor gaúcho entregou a Luxemburgo seu projeto para a temporada e, depois de cinco meses, amarga o dissabor da eliminação na Libertadores e a perda do certame gaúcho. Mais grave ainda é constatar que, depois de gastar uma pequena fortuna (por baixo, cerca de R$ 80 milhões), não tem um time pronto.

Na mesma proporção em que os técnicos acumulam poder quase absoluto, os times passaram a jogar de maneira ridiculamente igual e monótona. Defesas fortíssimas se sobrepõem aos ataques, com a óbvia preocupação de garantir o emprego dos treinadores. Não por acaso, o futebol nacional só é bem representado na Europa por zagueiros e volantes – Tiago Silva, David Luiz, Daniel Alves, Marcelo, Ramires, Hernanes…

Dane-se a tradição ofensiva do Brasil pentacampeão do mundo. Os técnicos decidiram que não se pode exagerar com essa coisa de ficar atacando a todo instante. Inteligente é fechar os times, marcar muito e deixar a coisa rolar.

Resulta disso aí a pálida Seleção Brasileira atual e o papelão dos clubes na Libertadores. De seis representantes, restam dois. A exceção à mesmice é o Atlético-MG de Cuca, que troca mais de quatro passes e ataca com até seis jogadores. Joga bonito, faz muitos gols e vence. Tão diferente do resto que lembra até um certo Brasil bom de bola.

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Uma final com jeito de amistoso

Mesmo depois da dura lição que o modesto Naviraiense impôs na quarta-feira, não há como não ver a decisão deste domingo como simples amistoso. Um jogo que só tem a finalidade de cumprir tabela. Os quatro gols de diferença favoráveis ao Paissandu afastam qualquer risco de zebra, mesmo que o PFC tivesse a fibra e o denodo do outro Jacaré, afinal abatido pela incompetência de seus gestores.

A notícia sobre a provável permanência do Papão na Copa do Brasil foi o melhor que podia ter acontecido à final do campeonato. Com o fiasco em campo superado pela iminência de vitória no tapetão, o torcedor alviceleste readquiriu a autoestima e deve prestigiar a partida decisiva.

Para que o time deixe a apatia vista na Curuzu no meio da semana é fundamental que Capanema reorganize a marcação e, principalmente, que Eduardo Ramos volte a jogar bola. Sua atuação opaca diante do Jacaré do Cone Sul foi determinante para o mau resultado. Um meia-armador com o seu talento não pode ficar tão indiferente ao confronto.

Claro que as péssimas condições do campo contribuíram para o pífio rendimento dos jogadores mais técnicos, como Ramos, mas não justificam a baixa participação. Que o gramado quase bom do Mangueirão inspire o camisa 10 a reeditar seus grandes momentos no campeonato, justificando a condição de melhor jogador do campeonato.

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Bola na Torre

O programa começa por volta da meia-noite, depois do Pânico na Band, com apresentação de Guilherme Guerreiro. Giuseppe Tommaso, Cláudio Guimarães e este escriba baionense completam a bancada. Em pauta, o Parazão e a Copa do Brasil.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 19)