Papão recorre ao tapetão pela vaga na Copa BR

Copa Brasil PSCXNaviraiense-Mario Quadros (7)

Por Helton Verão, Gabriel Neris e Nyelder Rodrigues (do site Campo Grande News)

Mal terminou a festa das duas classificações históricas e o balde de água fria já está por vir. O Naviraiense deve ser eliminado da Copa do Brasil 2013 por atuar com o jogador Luis Claudio Lima Conceição, o “Bahia”, de forma irregular, na primeira partida contra o Paissandu. O atleta entrou aos 44 minutos da segunda etapa na partida de ida, no último dia 8, no estádio Virotão. Ele substituiu o camisa 10 Buiú, e entrou com a camisa 17. O contrato dele teria expirado um dia antes, no dia 7. Na ocasião, o Paysandu venceu a partida por 1 a 0. Na segunda partida, o atleta foi novamente relacionado, mas não entrou em campo.

A possibilidade do Jacaré do Conesul ser eliminado oficialmente é questão de tempo. O regulamento prevê a perda do dobro de pontos em disputa no caso de escalação irregular de qualquer jogador. A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) já encaminhou o caso ao STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportivo ), a equipe será julgada e provavelmente será confirmado o dobro de pontos ao Paysandu (seis pontos), eliminando assim a equipe sul-mato-grossense.

“A federação (FFMS) já entrou em contato com a gente avisando que o atleta estava irregular. O clima aqui é de velório. Ganhamos no campo duas classificações e corremos o risco de ser eliminados no papel por culpa apenas da gente. Estamos muito tristes”, comenta o técnico Paulo Rezende. De acordo com o treinador, a premiação que a CBF concederia ao clube classificado, cerca de R$ 150 mil ainda não foi repassada ao clube. A previsão era para ela ser repassada ainda nesta semana.

O vice-presidente da FFMS, Marco Tavares, confirma a irregularidade e a provável eliminação. Os dirigentes da equipe de Naviraí não atenderam as ligações do Campo Grande News para se explicar o caso. Por telefone, o prefeito Léo Matos (PV) e atuante no futebol da cidade, afirmou que vai recorrer até as últimas instâncias para segurar a vaga do time. “Futebol se ganha no campo como ganhamos. Mas vão tentar levar essa no tapetão. Não havia irregularidade e vamos recorrer até as últimas instâncias”.

O Paissandu entrou com recurso junto ao STJD reivindicando a eliminação do Naviraiense, alegando que o contrato do atleta teria vencido no dia 7 de maio e ele foi escalado para o jogo que aconteceu no dia 8, sem que o compromisso tenha sido renovado junto à CBF. Agora, o Naviraiense corre o risco de perder a vaga na terceira fase da Copa do Brasil. A diretoria afirma estar tranquila, pois tem em mãos documentos que comprovariam a regularidade do atleta. O STJD ainda não informou a data do julgamento. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

Elenco do Leão se reapresenta

O elenco do Remo se reapresentou na manhã desta quinta-feira, no estádio Evandro Almeida, ao técnico Edmilson Melo, do Sub-20. No total, 27 atletas marcaram presença. Ausentes apenas o zagueiro Carlinho Rech, o atacante Branco, o goleiro Nailson e o volante Tony, que se apresentarão ao clube na próxima semana. A preocupação no clube é com a preparação para o torneio quadrangular Pará-Rio, previsto para os dias 13 e 15 de junho. A novidade foi a presença do veterano Landu, que declarou estar a fim de voltar a defender o clube. A Diretoria de Futebol não confirmou interesse no atacante.

Em entrevista ao DOL, o presidente Sérgio Cabeça confirmou participação do Remo no torneio Pará-Rio, dizendo que a provável ausência do Flamengo não inviabilizará o quadrangular. Informou que o Remo recebeu proposta para um amistoso em Belém com um clube alemão que virá ao Brasil para três partidas. Não disse o nome do clube, mas garantiu que os entendimentos estão adiantados. Cabeça reafirmou também que a contratação de um novo técnico está condicionada à vaga na Série D do Campeonato Brasileiro, que o clube ainda espera obter.

Ditador morre na cadeia. Na Argentina

Por Leonardo Sakamoto

Morreu, nesta quinta (17), de “causas naturais”, o general e ex-ditador Jorge Videla, aos 87 anos, no Centro Penitenciário Marcos Paz, onde cumpria pena de prisão perpétua por cometer crimes de lesa humanidade. Ele comandou o golpe de março de 1976 que derrubou o regime democrático e coordenou a repressão entre 1976 e 1983, quando mais e 30 mil pessoas foram assassinadas por questões políticas, além dos desaparecimento de mais 500 bebês de ativistas. Em 2010, foi condenado a prisão perpétua (depois de ter sido condenado e anistiado anteriormente). Videla chegou a confessar que as mortes foram necessárias.

A Argentina pode ter um milhão de problemas. Mas eles conseguiram lidar com seu passado de uma forma bem melhor do que nós, punindo responsáveis por sua ditadura militar, uma das mais cruéis da América Latina, reformando sua anistia.

Por aqui, as coisas não funcionaram assim.

Por exemplo, o coronel Erasmo Dias morreu, em 2010, aos 85 anos. Na época, muita gente entrou em júbilo orgásmico com a notícia. Entendo a alegria de todos os que, durante a ditadura militar, foram atropelados pelos seus cavalos ou torturados sob sua responsabilidade. Mas não deixo de dar meus pêsames pela nossa incompetência, por não conseguirmos fazer com que esse arauto da retrocesso respondesse por tudo aquilo que fez. De 1974 a 1979, Erasmo ocupou o cargo de secretário de Segurança Pública em São Paulo, garantindo a ordem sob as técnicas persuasivas da Gloriosa. Ficou conhecido pela invasão da PUC-SP em setembro de 1977, ao reprimir um ato pela reorganização da União Nacional dos Estudantes.

Um amigo comentou que a “justiça” finalmente havia chegado para Erasmo através do câncer que o consumiu. Discordo. O sujeito com 85 anos, morando confortavelmente, sem ter que responder pelo passado, passa dessa para a melhor e isso é “justiça”? Não só não tivemos a competência para abrir e limpar publicamente as feridas que ele causou, como a sociedade ainda o elegeu deputado federal, deputado estadual e vereador.

Outra alma ceifada tempos atrás pela mesma “justiça” foi a do Coronel Ubiratan, responsável pela execução de 111 presos na Casa de Detenção do Carandiru, em São Paulo. Não é que a sociedade não conseguiu puni-lo, ela não quis puni-lo. Ele fez o servicinho sujo que muitos paulistanos desejam em seus sonhos mais íntimos, de limpeza social. Morreu em 2006, em um crime não solucionado. Estava a caminho de ser facilmente reeleito como deputado estadual, ironizando o país ao candidatar-se com o número 14.111.

Os dois não são casos únicos. Se listássemos os fazendeiros que assassinaram trabalhadores e lideranças rurais no Brasil e morreram com processos criminais (lentamente) tramitando contra eles, gastaríamos hectares e mais hectares. Quer mais um exemplo? O julgamento de um dos mandantes do assassinato de Dorothy Stang foi novamente cancelado. Todos os que lutam para que os direitos humanos não sejam um monte de palavras bonitas emolduradas em uma declaração sexagenária não se sentem contemplados com o passamento de Erasmo Dias, Ubiratan, ou mesmo de ditadores como Pinochet. Mas podem ficar tranquilos com a ida de Videla.

Não quero fazer Justiça por minhas mãos, não sou lelé da cuca. Quero apenas que a nossa justiça funcione. Ou, no mínimo, que a nossa sociedade consiga saldar as contas com seu passado. Por aqui o governo brasileiro resolveu não mais tentar buscar a revisão da Lei da Anistia. Mais do que punir torturadores, seria uma ótima forma de colocar pontos-finais em muitas das histórias em aberto e fazer com que pessoas tivessem, pela primeira vez em décadas, uma noite de sono inteira. A Presidência da República resolveu investir suas fichas na Comissão da Verdade, criada pelo Congresso Nacional. Garantindo que representantes daquele tempo, como o Coronel Brilhante Ustra, possam continuar reinventando a história como quiserem sem medo de serem punidos.

A Corte Interamericana de Direitos Humanos concluiu que o Brasil é responsável pelo desaparecimento de 62 pessoas entre os anos de 1972 e 1974, durante a Guerrilha do Araguaia. A Corte afirmou que as disposições da Lei de Anistia brasileira, que impedem a investigação e punição de violações contra os direitos humanos, são incompatíveis com a Convenção Americana dos Direitos Humanos. Ou seja, a Lei da Anistia vai contra um documento internacional assinado pelo Brasil e que o país deve respeitar. O tribunal, vinculado à Organização dos Estados Americanos (OEA), concluiu também que o país é responsável pela violação do direito à integridade pessoal de familiares das vítimas, em razão do sofrimento pela falta de investigações efetivas para o esclarecimento dos fatos. Além disso, é responsável pela violação do direito de acesso à informação, estabelecido no artigo 13 da Convenção Americana, pela negativa de dar acesso aos arquivos em poder do Estado com informação sobre esses fatos. E deve, enfim, investigar e punir as mortes por meio da Justiça.

Contudo, o Supremo Tribunal Federal, que vem sendo sensível em decisões sobre a dignidade humana, também deu de ombros.

Uma pesquisa do Datafolha em 2010 apontou que 45% da população era contrária à punição de agentes que torturaram presos políticos durante a ditadura militar contra 40% a favor. Agarro-me desesperadamente à esperança de que o pessoal não entendeu exatamente do que se tratava.

Como já disse aqui, o impacto de não resolvermos o nosso passado se faz sentir no dia-a-dia dos distritos policiais, nas salas de interrogatórios, nas periferias das grandes cidades, nos grotões da zona rural, com o Estado aterrorizando parte da população (normalmente mais pobre) com a anuência da outra parte (quase sempre mais rica). A ponto de ser banalizada em filmes como Tropa de Elite, em que parte de nós torceu para os mocinhos que usavam o mesmo tipo de método dos bandidos no afã de arrancar a “verdade”.

A justificativa é a mesma usada nos anos de chumbo brasileiros ou nas prisões no Iraque e em Guantánamo, em Cuba: estamos em guerra. Ninguém explicou, contudo que essa guerra é contra os valores que nos fazem humanos e que, a cada batalha, vamos deixando um pouco para trás. Esse é o problema de sermos o país do “deixa disso” ou mesmo do “esquece, não vamos criar caso, o que passou, passou” e ainda do “você vai comprar briga por isso? Ninguém gosta de briguentos”.

Enquanto não acertarmos as contas com nossa história, não teremos capacidade de entender qual foi a herança deixada por ela – na qual estamos afundados até o pescoço e que nos define.

Como driblar o risco da crise

Por Gerson Nogueira

bol_sex_170513_11.psPassadas as primeiras horas do “Naviraiaço” na Curuzu, com os naturais destemperos que uma derrota vexatória provoca, sinais de bom senso foram emitidos da diretoria do Paissandu e fazem crer que o projeto formulado para a Série B continuará a ser executado normalmente, sem mudanças de rota. Ao reagir com tranquilidade, sem arroubos demagógicos como no passado, a direção do clube contornou o risco de turbulências internas, próprias de clubes de massa.

Qualquer possibilidade de crise foi serenada a partir do silêncio dos dirigentes. Essa não-reação acalmou espíritos e desestimulou corneteiros. Venho fazendo seguidas referências a gestos e providências da atual diretoria do Paissandu. Entendo como educativas algumas posições e critérios adotados no clube, com boas chances de se espraiar pelo futebol profissional meia-boca que se pratica aqui.

A tentação de arranjar culpados é um dos piores vícios do futebol no Brasil. No Pará, não é diferente. Anteontem, depois da derrota para o Naviraiense, o primeiro nome a ser apedrejado por parte da torcida no estádio e depois nas redes sociais foi o do técnico Lecheva.

Alvo natural, o técnico manteve o tom contido, só escorregando um pouco ao reclamar das condições do gramado – desculpa de 11 entre 10 técnicos que perdem sob chuva. Ainda assim, fez uma avaliação correta da desastrosa jornada bicolor. Apontou, corretamente, as falhas de finalização como ponto determinante da derrota.

Faltou, porém, admitir – como o meia Eduardo Ramos – que o time foi afobado e imaturo ao se lançar ao ataque como se não houvesse amanhã. Havia. Bastava o empate para garantir a classificação. Portanto, pressa era algo que só cabia no time adversário, que precisava vencer por dois gols de diferença. Pois o Paissandu meteu os pés pelas mãos, saiu de sua zona de conforto e permitiu que o Naviraiense alcançasse seu objetivo.

Lecheva, como comandante da nau, tinha o dever de acalmar a equipe, evitando precipitações desnecessárias num confronto que desde o início mostrou-se perigoso. A má atuação de Vânderson, muito citada pelos torcedores, também é algo que pode se colocar parcialmente na conta do treinador.

Billy, pela juventude e fôlego, deveria ser um dos volantes em campo, mas acabou entrando no lugar de Djalma. Em defesa do técnico, porém, há o fato de que uma partida decisiva pede jogadores experientes e Vânderson é um dos mais rodados do elenco. Foi também um dos destaques do acesso à Série B, marcando até gol no jogo contra o Macaé. Como barrar um herói?

Com exceção desses pontos citados, Lecheva não pode ser responsabilizado pelo insucesso. Seus atacantes, Rafael Oliveira principalmente, abusaram de perder gols. Significa que o meio-de-campo, mesmo em noite pouco inspirada do maestro Ramos, produziu jogadas em quantidade suficiente para produzir gols.

A má atuação dos laterais Rodrigo Alvim e Pikachu e a insegurança do goleiro Zé Carlos, exposta dramaticamente nos gols do Naviraiense, principalmente o primeiro, também não podem ser usadas contra o técnico. Na Curuzu, as opções para as laterais são precárias e o antigo goleiro titular, Paulo Rafael, saiu por falhas nos clássicos das semifinais do returno.

Pela atitude madura da diretoria, o Paissandu está conseguindo sair mais ou menos inteiro do desastre na Copa do Brasil. Contabilizam-se prejuízos, mas a vida continua e não há tempo para lamúrias. Domingo, o time precisa confirmar o título estadual para entrar fortalecido na Série B.

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Direto do Facebook:

“A verdade de tudo isso meu caro Gerson Nogueira, é que o Paysandu está carente de um bom lateral esquerdo, pois o Rodrigo Alvim não tem a mínima condição técnica e física de disputar uma Copa do Brasil ou Série B. O Esdras não consegue acertar um passe de 3 metros. E ontem, nosso querido Lecheva inventou, tirando o Djalma para colocar o Billy. Bem, agora é juntar os cacos, reunir o elenco, o Vandick dar aquela escrotiada e se preparar para outra batalha no domingo. E jogar como se precisasse de uma vitória!”

De Bruno Figueiredo, torcedor abespinhado com o vexame do Papão.

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Remistas dispostos a lutar

Setores de oposição do Remo, reunidos ontem, alinhavaram uma série de procedimentos em torno do objetivo de lutar pela “retomada do clube”. Promovido pela Associação dos Sócios do Remo à frente, diversos azulinos participaram do encontro.

O objetivo é acumular forças para defender as eleições diretas no clube. Não existem pré-candidatos, mas pessoas interessadas em ajudar a tirar a agremiação do marasmo administrativo atual. Não é muito, mas já significa um caminho.

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Ilegal, imoral ou engorda

Profissional que deixa cargo estratégico na Federação Paraense de Futebol deveria passar por quarentena antes de assumir funções em clube de futebol. Atitude não é ilegal, mas está longe de ser moralmente aceitável. Por essas e outras é que o futebol passou a ser visto, quase sempre, com desconfiança pelo populacho.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 17 de maio)