Uma decisão em aberto

REMOXPFC semifinal Parazao2013-Mario Quadros (16)

Por Gerson Nogueira

O Remo venceu, mas deixou a torcida com a pulga atrás da orelha para o segundo jogo, em Paragominas. Nem tanto pelo placar magro, que é característico do time neste campeonato, mas pela falta de inspiração para envolver um adversário retrancado e que cedeu muito espaço no meio-de-campo. A atuação de ontem ratificou o talento de Flávio Araújo para fechar defesas e sua absoluta falta de jeito quando é necessário atacar intensamente.

A presença de dois atacantes, Leandro Cearense e Val Barreto, não garantiu a agressividade esperada. Pelo contrário. Bem vigiados, pouco produziram no primeiro tempo e continuaram mal no segundo. Para complicar ainda mais, Araújo fez a substituição errada. Tirou Barreto quando a saída de Cearense era mais recomendável.

Branco, autor do gol e herói da tarde, deveria ter entrado já no intervalo. Pela movimentação e combatividade, era o jogador talhado para as condições do gramado. Certamente faria com Barreto uma dupla das mais perigosas. Aliás, sempre funcionaram bem nas raras vezes em que foram escalados juntos.

REMOXPFC semifinal Parazao2013-Mario Quadros (15)

O domínio ilusório que o Remo teve no primeiro tempo tem origem no posicionamento dos meios. Capela e Ramon começaram na mesma faixa, pelo lado direito do ataque, mas Ramon se movimentava mais, enquanto Capela se perdia na marcação. Com os atacantes presos e os meias sem alternativas, restavam as jogadas pelos lados, mas Alex Ruan sempre tinha dois jogadores a obstruir passagem. Endy se mantinha recuado e, novamente, errando muitos passes.

Velocidade e aproximação, dois conceitos fundamentais no futebol de hoje e sempre, inexistiram no Remo. Nesse sentido, a ausência de um volante ofensivo como Jonathan comprometeu a ligação. O time até trocava muitos passes, mas sem arriscar infiltrações, tarefa que Jonathan cumpre com grande eficiência.

Aos poucos, o PFC armou-se de coragem e passou a ameaçar. Primeiro com um chute de Rondinelli que passou muito perto. Depois, Aleilson teve a grande oportunidade para abrir o placar, mas tocou rente ao poste esquerdo de Fabiano.

O Remo só entrou na frequência da torcida (mais de 32 mil pessoas presentes ao Mangueirão) a partir da entrada de Galhardo no lugar de Ramon. Alex Ruan postou-se no campo de ataque e esteve muito perto de abrir o marcador, com um disparo rasante, próximo à trave.

REMOXPFC semifinal Parazao2013-Mario Quadros (29)

Mais ousado, Galhardo posicionou-se na intermediária do PFC, caindo pela direita, para cruzar ou entrar na área. Graças a isso, surgiu o gol. Foi de Galhardo o passe preciso para Branco finalizar, em chute cruzado, aos 28 minutos.

A vantagem empolgou a equipe, que avançou mais buscando ampliar, mas expondo-se a contra-ataques fulminantes do PFC. Em duas ocasiões, o empate esteve desenhado, sendo que Fabiano voltou a aparecer com destaque, fazendo defesas arrojadas. No fim das contas, pesando prós e contras e as chances de lado a lado, foi um jogo agradável de assistir e que evidenciou um grande equilíbrio entre os finalistas.

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Arbitragem na berlinda, de novo

A arbitragem de Joelson Nazareno Cardoso podia ter deixado o jogo fluir mais. Talvez preocupado com os lances mais ríspidos, travou muito a partida, marcando faltas desnecessárias. Economizou cartão amarelo no primeiro tempo, apesar de faltas muito duras de Rubran, Nata e Cristóvão. Na etapa final, saiu carimbando a esmo. Pior para o Remo, que perdeu dois volantes (Gerônimo e Nata) para a segunda partida.

No aspecto técnico, equivocou-se na concessão de vantagens. No primeiro tempo, em lance que envolveu Alex Ruan e Capela na entrada da área do PFC, resolveu assinalar falta quando a jogada estava prestes a ser finalizada.

Os dirigentes remistas saíram criticando os critérios de Joelson, atribuindo seu rigor a uma suposta represália pelas declarações do vice Zeca Pirão, ainda no primeiro turno. Bobagem. Os erros têm mais a ver com indecisão e insegurança. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

REMOXPFC semifinal Parazao2013-Mario Quadros (11)

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Glória e decadência de um time

No apogeu do time treinado por Pep Guardiola, pairou sempre uma grande dúvida quanto ao poderio técnico do Barcelona. Conseguia tantas vitórias espetaculares pela força coletiva ou porque tem o melhor jogador do mundo? A pergunta, repetida insistentemente, parece estar sendo respondida agora.

É impressionante a falta que Lionel Messi faz. Sem ele, o Barça fica num beco sem saída. Troca centenas de passes, retém a bola, mas perde praticamente 50% de seu poder de fogo no ataque. Em resumo, vira um time comum.

A incontestável goleada de 7 a 0 (no placar combinado) para o Bayern nas semifinais da Liga dos Campeões atesta essa crônica dependência. Xavi, Iniesta, Villa e os demais jogadores são bons, mas não têm a faísca de genialidade que acompanha o argentino.

Como outra portentosa esquadra de futebol, o Santos de Pelé nos anos 60, o Barcelona atual não pode viver sem seu astro. O Peixe também tinha excelentes coadjuvantes – Pepe, Coutinho, Zito, Mengálvio –, mas só o Rei era capaz de fazer chover. O talento sempre vai fazer a diferença.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 02)

Parazão 2013 – Classificação geral

TIMES PG J V E D GP GC SG AP
Remo 42 20 13 3 4 35 25 10 70.0
Paissandu 41 20 12 5 3 48 24 24 68.3
Paragominas 31 18 9 4 5 30 26 4 57.4
Santa Cruz 17 14 5 2 7 15 21 -6 40.5
São Francisco 15 16 4 3 9 24 34 -10 31.3
Cametá 14 14 3 5 6 16 20 -4 33.3
Tuna 12 16 3 3 10 15 23 -8 25.0
Águia 11 14 2 5 7 17 27 -10 26.2

Parazão 2013 – Classificação do returno

TIMES PG J V E D GP GC SG AP
Paragominas 19 9 6 1 2 17 12 5 70.4
Remo 18 9 6 0 3 14 12 2 66.7
Paissandu 15 9 4 3 2 18 11 7 55.6
Tuna 11 9 3 2 4 14 12 2 40.7
Santa Cruz 10 7 3 1 3 9 12 -3 47.6
Cametá 7 7 1 4 2 10 13 -3 33.3
Águia 5 7 1 2 4 10 15 -5 23.8
São Francisco 4 7 1 1 5 9 14 -5 19.0

Para curar todos os traumas

Por Gerson Nogueira

COLUNA GERSON_01-05O gramado do estádio Jornalista Edgar Proença foi palco de duas tragédias remistas em 2012. Perdeu o título estadual para o Cametá após um apagão de cinco minutos e deixou escapar (para o Mixto) a classificação à terceira fase da Série D. A necessidade de exorcizar esses traumas pode ser um dos obstáculos para o time, hoje à tarde, contra o Paragominas.

É bem verdade que o elenco é outro, pois apenas Jonathan permaneceu, mas as lembranças seguem atormentando o clube e sua torcida. E olha que as condições são favoráveis, afinal o time estará praticamente completo e vive fase ascendente, depois de derrotar duas vezes o rival Paissandu nas semifinais.

Acontece que os dissabores recentes se juntam a várias desventuras dos últimos seis anos, período em que o Remo não conseguiu se impor como protagonista no futebol paraense. Por tudo isso, não é absurdo avaliar que os problemas azulinos começam pela cabeça.

Obrigado a viver sob pressão desde a estreia do campeonato, pela obrigação de garantir vaga na Série D 2013, o time conseguiu chegar à decisão do primeiro turno, mas acabou derrotado nos instantes finais. A recuperação quase milagrosa no returno recolocou a equipe na briga para representar o Pará no Brasileiro.

Por todos os pontos de vista, a síndrome do quase é o maior fantasma no caminho dos azulinos. E isso, de uma forma ou de outra, acaba envolvendo a torcida, sempre supersticiosa e desconfiada. Independentemente disso, a presença nas arquibancadas não diminuiu, garantindo ao Remo um lugar entre os cinco melhores públicos do Brasil nos três primeiros meses da temporada.

Parar passar pelo Paragominas, detentor da melhor campanha do returno e terceiro na classificação geral, o Remo precisará juntar o entusiasmo de seu torcedor com a confiança readquirida pelo time. Não é tarefa impossível diante de um estádio lotado de fanáticos, mas superar o PFC exigirá a mesma determinação vista contra o Paissandu.

Em relação aos dois clássicos há, porém, uma diferença substancial. A estratégia da superação não pode ser mais a única força impulsionadora. Mais do vontade e transpiração, o time precisará envolver o adversário e adotar arrumação tática mais ofensiva, visto que a prioridade é fazer muitos gols. Não bastará vencer. É preciso vencer por boa margem, levando em conta que o jogo de volta será em terreno inimigo e em condições desfavoráveis, pois a vantagem do empate é do adversário.

Para garantir a interação com a torcida, o time terá que atacar sempre, buscar o gol de todas as maneiras. Diante de tamanha necessidade ofensiva, Flávio Araújo não poderá se prender aos princípios da cautela e da contenção. É jogo para dois zagueiros (Henrique e mais um), dois meias ofensivos (Capela e Galhardo ou Ramon), laterais prontos a ajudar o ataque e dois atacantes que se complementem (Val Barreto e Leandro Cearense).

Como Jonathan está fora, o meio-de-campo deve ter uma pegada mais voltada para a transição rápida. De posse da bola, o Remo não pode sair estabanado, mas também não deve perder tempo com passes laterais. A ordem é verticalizar o jogo e explorar a velocidade. Contra um oponente que deve se fechar, a única arma possível é o cerco à área, mas com soluções rápidas, que superem a marcação.

Mesmo que tudo isso seja cumprido em campo, o duelo será difícil. De um lado, o PFC na tática da espera. Charles montou um time que se comporta bem como visitante e sabe sair em contra-ataques. O Remo, por seu turno, precisará jogar tudo nesta primeira partida. Sabe que a volta, dependendo do placar de hoje, pode virar uma guerra.

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O canto de adeus de Havelange

João Havelange seguiu os passos de seus amigos, sócios e cúmplices Ricardo Teixeira e Nicolas Leóz. Como cabe a cartolas de seu naipe, saiu à francesa, na calada da noite. Deixou o pomposo cargo de presidente honorário da Fifa no último dia 18, pressionado por um turbilhão de denúncias sobre subornos, favorecimento e contratos fraudulentos. Teria lucrado uma fortuna, agenciando esquemas diversos, desde os tempos da notória ISL.

Um crepúsculo vergonhoso para um dirigente que, entre os anos 70 e 90, foi um dos homens mais poderosos do mundo. Comandou a Fifa com mão de ferro, beneficiando amigos e sufocando adversários. Enfileirou-se a ditadores de diferentes colorações ideológicas. Foi extremamente simpático com Pinochet e Videla, garantindo a Copa do Mundo de 1978 na Argentina ensanguentada pela repressão militar.

Em relação ao Pará, Havelange também causou danos. Apesar de homenageado com um título de cidadania, que jamais veio receber, não contou duas vezes antes de agir com denodo pela exclusão de Belém da lista de cidades sedes da Copa do Mundo de 2014. Não é especulação ou boato. Ele próprio jactou-se de sua interferência, em entrevista concedida no ano passado, afirmando que lutou pessoalmente pelas candidaturas de Cuiabá e Manaus. Pelo histórico, tal luta não deve ter sido gratuita.

Já vai tarde.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 01)

Olha a Rádio Clube aí, genteeee!!

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O blog do jornalista Anderson Cheni informou, nesta terça-feira, quais são as emissoras de rádio do Brasil que adquiriram os direitos de transmissão para a Copa das Confederações, que acontece em junho, e para a Copa do Mundo de 2014. A entidade disponibilizou em seu Canal de Mídia a relação completa das emissoras de rádio e televisão que compraram da GloboSat (TV Globo) os direitos de transmissão das competições. Algumas emissoras ainda estão negociando a obtenção dos direitos da Copa do Mundo, uma vez que não há mais tempo para comprar a Copa das Confederações.

Ao todo, 21 emissoras brasileiras já adquiriram a licença para fazer a cobertura. Além da TV Globo (dona dos direitos de imagens do torneio), apenas a Band exibirá a competição em canal aberto. Os valores cobrados para as emissoras de rádio assustaram o mercado. A cobertura dos torneios envolve, por exemplo, uma divisão da cota de patrocínio vendida pelas emissoras, além do valor fixo exigido, que gira em torno de US$ 850 mil (cerca de R$ 1,5 milhão) – quase o triplo do valor cobrado na Copa do Mundo da África do Sul, realizada em 2010. Dentre as emissoras de rádio, a Rádio Clube do Pará é a única da Região Norte com licenciamento para transmitir os jogos da Copa – como, aliás, acontece há tempos.

Confira a lista:

TV Globo Radio Globo S.A. (Rádio Globo Rede)
Rádio Gaúcha S/A
Radio Excelsior S.A. (CBN)
Rádio EBC- Empresa Brasil de Comunicao (Rádio Nacional-RJ)
Rádio Cultura de Miracema
Radio Jovem Pan
Rádio e Televisão Bandeirantes Ltda.
Radio Brasil Sul (Londrina-PR)
Fundação Santo Antonio
TV e Radio Jornal do Commércio (Recife-PE)
Radio Itatiaia (Belo Horizonte-MG)
Rádio Paiquerê (Londrina-PR)
Radio Olinda Pernambuco
Radio Transamérica de São Paulo
Radio TUPI S.A. (Rio de Janeiro)
Radio Metropolitana FM (Bahia)
Rádio Verdes Mares (Ceará)
Radio Liberdade de Caruaru
Radio Clube do Pará 
Radio Jornal de Sergipe
Radio Clube de Goiana S/A