
É de conhecimento até do reino mineral que, quando Tiago Potiguar não joga, o Paissandu perde grande parte de sua força ofensiva. Vira uma espécie de Sansão sem cabeleira. Essa sentença, repetida exaustivamente desde que o arisco meia-atacante chegou de Currais Novos (RN), será outra vez posta em xeque hoje à tarde, na estréia do time na Copa do Brasil contra o Penarol amazonense, em Itacoatiara.
Sem seu principal homem de ligação com o ataque e também mais ativo extrema, Sérgio Cosme terá que recorrer à experiência e bom passe de Sandro para abastecer o ataque, onde Rafael Oliveira fica a esperar a produção dos armadores para pôr seu oportunismo em ação. Isso só ressalta a ausência de Alex Oliveira, novamente afastado por contusão.
No Parazão, contra adversários modestos, nem sempre Rafael e o Paissandu dependeram tanto de Potiguar. Mas é fato que, quando ele se ausentou, as dificuldades foram imensas. Até porque não há outro jogador de ataque com sua velocidade e capacidade de chegar à linha de fundo.
O problema aumenta de tamanho quando se observa que Mendes não assumiu ainda o papel de centroavante, capaz de prender zagueiros para facilitar a vida de Rafael Oliveira e demais jogadores que se aproximam da área. Apesar da promissora estréia contra o Independente, quando fez gol e deu passe para Sandro marcar, Mendes acomodou-se ao papel de atacante recuado. Recua tanto que, por vezes, aparece atrás da linha do meio-de-campo, como se fosse um meia-armador.
No Re-Pa, essa dificuldade de Mendes em acompanhar as ações de ataque e permanecer na área ficaram tão expostas e motivaram a imediata cobrança dos torcedores. Hoje, longe dos olhos dos corneteiros da Curuzu, o centroavante baiano tem nova chance de remissão.
Diante do exposto, mesmo levando em conta as poucas referências sobre o Penarol, arrisco dizer que o Paissandu terá que apostar todas as suas fichas em seu artilheiro. Rafael Oliveira, que anda fazendo até gol espírita, é a principal esperança de Cosme e a única certeza de regularidade numa equipe que quase sempre muda de atitude a cada jogo.
Ao Águia, cujas chances no 1º turno do Parazão são remotas, o confronto com o Brasiliense é de grande risco, mesmo acontecendo em Marabá. Ainda sem render o que João Galvão espera, o time não pode se arriscar a uma eliminação prematura na Copa do Brasil.
Poucas coisas são mais ridículas, e com abordagem mais chata, que essa velha polêmica da Taça das Bolinhas. Por obra e graça de conchavos de bastidores, que abrangem interesses maiores (acordo para transmissão de jogos pela Rede Globo), a CBF decidiu reconhecer o título nacional de 1987 do Flamengo. Os rubro-negros festejam o hexa e o S. Paulo bate o pezinho e não larga o troféu de bolinhas de jeito nenhum. Sei não, lá em Baião isso quer dizer outra coisa, mas é melhor deixar pra lá.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 23)