Empate garante quarta vaga ao Cametá

Cametá e Tuna empataram em 2 a 2, na tarde deste domingo, no estádio Parque do Bacurau. Wilson abriu o marcador logo aos 18 minutos do primeiro tempo. O empate tunante veio aos 19 do segundo tempo, através de Bruno Oliveira, de cabeça. Leandro Cearense desempatou, cobrando pênalti, aos 30 minutos. Dudu, em cobrança de falta, deu números finais ao jogo, empatando para a Tuna aos 38 minutos.

Em Marabá, outro empate: Águia 1 x 1 Castanhal. Fabrício marcou para o Águia aos 30 do primeiro tempo. O Castanhal chegou ao empate com Josa Madureira, aos 28 do segundo tempo.

De virada, Mundico bate Paissandu

O São Raimundo conquistou sua primeira vitória no campeonato, batendo de virada o Paissandu por 3 a 2 na tarde deste domingo, no estádio Barbalhão, em Santarém. Em atuação novamente irregular, vivendo dos lampejos de seu ataque, o Paissandu perdeu a liderança do primeiro turno e enfrenta nas semifinais o time do Independente Tucuruí, na p. As equipes fizeram um confronto equilibrado, de muita marcação no meio-de-campo e tentativas de contra-ataque dos dois lados. O Paissandu começou mais plantado e saía aos poucos, esperando o momento certo para contragolpear. Numa escapada pelo lado esquerdo, o meia Alex Oliveira foi tocado dentro da área. O árbitro marcou o pênalti e Mendes converteu, aos 14 minutos. O São Raimundo sentiu o baque e quase sofreu o segundo gol.

Mas, por volta dos 20 minutos, a equipe de Charles Guerreiro começou a buscar o empate, puxada principalmente por Jardel, melhor homem em campo. Sató caía pela esquerda do ataque e atraía o cerco de Sidny e Alexandre Carioca, abrindo espaços na marcação do Paissandu. Renato Medeiros concentrava a criação e avançava sempre com a bola dominada, levando vantagem sobre os marcadores. De tanto pressionar, o Pantera chegou ao empate, através de Sató aos 31 minutos. Na busca do gol da vitória, o time vacilava na marcação e, aos 46 minutos, em cruzamento para a área Ari escorou de cabeça para Mendes, que só desviou para as redes. Paissandu 2 a 1.

No segundo tempo, a partida foi marcada por muitos tumultos, em função da arbitragem insegura e confusa de Marco Antonio Mendonça, que anulou um gol do São Raimundo no primeiro tempo. O Paissandu entrou recuado, esperando os donos da casa em seu próprio campo. O São Raimundo começou no ataque e, logo aos 5 minutos, em lance iniciado na defesa, Jardel saiu com a bola dominada, tocou para Daniel, que cruzou para o meio da área. O baixinho Sató, entre os zagueiros Ari e Hebert, cabeceou e marcou o gol de empate. Aos 27 minutos, depois de ter levado cartão amarelo por reclamação, Alex Oliveira levou o segundo após falta sobre o goleiro Labilá e acabou expulso.

Entusiasmado com o empate e mais organizado em campo, o São Raimundo partiu para tentar decidir a partida. Aldivan, que havia substituído Renato Medeiros, assumiu a ala esquerda e passou a jogar em tabelinhas com Sató, levando ampla vantagem sobre a zaga do Paissandu. Até que, aos 36, cruzamento da esquerda foi completado para as redes por Leandro Guerreiro, sem defesa para Nei. No fim do jogo, o técnico Sérgio Cosme e jogadores do Paissandu cercaram o trio de arbitragem, reclamando da expulsão de Alex Oliveira e atribuindo a derrota ao juiz. A renda no Barbalhão foi de R$-26.065,00, com 1.791 pagantes. Com despesas de R$ 12.408,81, São Raimundo ficou com R$ 13.656,19. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

Remo vence Independente e assume liderança

Com um gol solitário de Fininho no segundo tempo, o Remo venceu o Independente Tucuruí na tarde deste domingo, no estádio Baenão. O resultado garantiu a equipe na primeira colocação do primeiro turno, credenciando-se com a vantagem nas semifinais contra o Cametá, quarto colocado. O jogo foi muito equilibrado principalmente nos primeiros 45 minutos, quando o Independente levou constante perigo ao gol de Léo Rodrigues, com contra-ataques bem organizados por Marçal e Joãozinho. O Remo sentia muito a ausência de Tiaguinho e Marlon, principalmente. Fininho tentava criar, mas Léo Franco não aparecia bem. No ataque, Adriano Pardal buscava as jogadas pelas pontas, mas não conseguia se entender com Ró. Para o segundo tempo, o técnico Paulo Comelli lançou Max Jari em substituição a Pardal, que saiu contundido e substituiu Léo Franco por Rafael Granja. Elsinho passou a atuar mais como ala e ajudou a tornar o time mais presente no ataque.

Aos 32 minutos, depois de várias tentativas, o Remo chegou ao gol em lance individual de Fininho, que se livrou de um marcador e bateu forte da entrada da área, à meia altura, no canto esquerdo do goleiro Evandro. Nos instantes finais, o Independente pressionou muito, com Joãozinho e Cafu perdendo duas boas oportunidades para empatar. Para um público de 3.454 pagantes (público total de 4.239), a renda foi de R$ 35.985,00. Descontadas as despesas de R$ 17.852,12, o Remo ficou com o líquido de R$ 18.132,88. (Fotos: EVERALDO NASCIMENTO/Bola)

Potiguar abre o verbo e reclama da galera

Esclarecedora entrevista foi concedida por Tiago Potiguar ao caderno Bola, do DIÁRIO, edição deste domingo. Revela insatisfação com as negociações de seu passe sem que soubesse e fala das seguidas contusões. Admite que tem empresário procurando clube para ele no Rio e reclama da torcida. 

Bola – As contusões têm sido constantes nessa sua temporada…

Tiago – É campo pesado. Em 2010, joguei sem machucar, mas agora o trabalho no Suriname foi maior, pouco tempo de recuperação e a recarga de peso é mais complicada. Mas não é nada grave, estou bem para quarta-feira.

Bola – Você acha que a torcida tem cobrado muito da equipe e do Sérgio Cosme?

Tiago – Estou chateado. Perdemos um Re-Pa e a torcida fica criticando, falando palavrão para o nosso jogador. Tem que ter calma, respeito.

Bola – A insatisfação com a diretoria do Paysandu, sobre negociá-lo com o Sport (PE) sem o seu conhecimento, já passou?

Tiago – Fico chateado, sim. Tem pessoas que entraram nesse negócio e não me falaram nada. Quiseram resolver de repente, não falaram que eu ia ganhar, só o clube. Não pensaram em mim, no meu salário. Por outra parte, fico feliz, o trabalho está sendo reconhecido. Se for para sair, que um dia eu retorne com as portas abertas. Dou minha vida pelo Paysandu.

Bola – O que o presidente Luiz Omar Pinheiro te disse sobre isso?

Tiago – Que a proposta era boa, mas que era para me valorizar um pouco mais, que ia aparecer algo e que ele sabia que eu tinha capacidade para isso. Agora tem essa vitrine grande que é a Copa do Brasil. Se eu ficar, vou pensar muito em subir (para a Série B do Brasileiro). Está na hora de essa batalha final acabar faz tempo.

Bola – O Luiz Omar sempre cita como te encontrou em Currais Novos (RN) e fala em gratidão…

Tiago – Me sinto grato. Minha vida mudou. Minhas filhas hoje têm tudo. Eu morava de aluguel, hoje tenho a minha casa, minha filha tem colégio, tudo de bom. Carro ainda não penso em ter, primeiro penso na casa, minha família.

Bola – E o assédio dos empresários?

Tiago – Acontece tudo, fico surpreso. Tenho empresário no Rio, ele me ajuda, procura um time para eu sair do Paysandu, mas sempre falei que quero sair sem deixar mágoa. Se eu sair, vai ser com um pouco de tristeza, mas o mundo da bola é assim. (Foto: TARSO SARRAF/Arquivo Bola)

O adeus de Bené Nunes e Moacyr Scliar

Aos 81 anos, morreu neste domingo o professor, escritor e ensaísta paraense Benedito Nunes, um dos mais importantes intelectuais brasileiros. Ele havia sido internado na noite de sábado, na unidade cardiológica do Hospital da Beneficente Portuguesa. Pouco conhecido fora dos círculos acadêmicos, Nunes deixou uma obra de importância reconhecida nacionalmente. Especializou-se em analisar e esmiuçar o trabalho de escritores renomados, como Clarice Lispector, João Cabral de Melo Neto, Guimarães Rosa e Fernando Pessoa. Sempre se definiu como um autodidata e eternamente curioso quanto à vida. Seu corpo será velado na Igreja de Santo Alexandre a partir das 17h deste domingo. O enterro será na manhã de segunda-feira, após missa de corpo presente. Em 2010, Bené ganhou o Prêmio Machado de Assis, oferecido pela Associação Brasileira de Letras (ABL).

Outra grande perda para a literatura nacional foi a morte, também neste domingo, do escritor Moacy Scliar. Considerado um escritor de pegada universal, Sclyar era gaúcho de nascimento e muitas de suas histórias se desenrolam tendo Porto Alegre (RS) como cenário, embora não fosse regionalista. Tinha 73 anos e morreu devido neste domingo devido à falência múltipla dos órgãos, segundo o Hospital das Clínicas de Porto Alegre. Estava internado desde o dia 17 de janeiro quando sofreu um AVC (acidente vascular cerebral). Entre suas obras mais conhecida, destaque para “Max e os Felinos”.

Jogo pesado no embate CBF-Globo x Clube dos 13

Da Folha de SP

Os meses que antecederam o racha no futebol brasileiro foram marcados por reuniões secretas, suspeitas de que havia telefones grampeados, mudanças de cardápio e ameaças veladas. O diretor-executivo do Clube dos 13, Ataíde Gil Guerreiro, trocou de telefone celular. Estava convencido de que sua linha estava grampeada. Interlocutores do presidente do Corinthians, Andres Sanchez, disseram à Folha que o cartola usou outro número, que não o habitual, para tratar de certos temas. Os dois lados se acusam. Andres e os dirigentes de clubes cariocas, claramente alinhados à Globo, reclamam de favorecimento à Record durante as negociações. “Tudo o que a gente conversava num dia, no outro o pessoal do São Paulo e da Record sabia”, declarou o presidente do Corinthians. O alvo da reclamação é o vice de comunicação e marketing do São Paulo, Julio Casares, que também é diretor de projetos especiais da Record. Gil Guerreiro é conselheiro do São Paulo. “De um lado, eu não vendo direitos de transmissão. E, de outro, eu não compro”, defendeu-se Casares.

Assuntos que eram resolvidos por telefone passaram a ser tratados apenas em encontros pessoais. Até os almoços e jantares entre executivos de emissoras e cartolas mudaram seus endereços em São Paulo. Uma tradicional churrascaria da zona oeste foi abandonada por ser considerada território da Record, assim como restaurantes na região da avenida Paulista foram deixados de lado por serem mando de campo da Globo. Dirigentes também relatam terem ouvido ameaças veladas de uso do jornalismo por parte das emissoras.

Em 2001, foi ao ar um “Globo Repórter” com várias denúncias contra Ricardo Teixeira, à época investigado por duas CPIs. Como retaliação, a CBF marcou um jogo contra a Argentina para às 20h, horário que atrapalhou a grade da Globo. No sábado passado, a Record exibiu reportagem com diversas acusações contra Andres Sanchez. Houve insinuações de que mais matérias desse tipo seriam realizadas. As emissoras negam ter havido qualquer ameaça. Nesta semana, em que o Clube dos 13 lançou o edital que norteia a próxima negociação pelos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro, o Corinthians pediu desfiliação da entidade.

Os quatro grandes clubes cariocas querem negociar com as TVs separadamente, sem a tutela do C13. Há ainda um grupo de indecisos e outros times que lideram a “resistência”, como São Paulo, Atlético-MG e Internacional. Na segunda-feira, mais clubes vão se posicionar sobre o tema. O presidente do Clube dos 13, Fábio Koff, acusa o mandatário da CBF, Ricardo Teixeira, e o chefe da Globo Esportes, Marcelo Campos Pinto, de estarem por trás do levante. Segundo Koff, Globo e CBF não querem uma concorrência transparente. Os acusados afirmaram que vão responder na Justiça às acusações de Koff.

Coluna: Com os pés no chão

Humildade é virtude fundamental, até mesmo no futebol. O diabo é que torcedores, cartolas e imprensa se habituaram a carregar nas tintas, enaltecendo sempre os nossos clubes, em descompasso com a realidade. Depois que o Paissandu passou o maior aperreio para vencer o Penarol amazonense, no meio da semana, surgiram logo críticos mordazes a detonar o time de Sérgio Cosme. E logo em momento glorioso do maltratado futebol local, quando um de seus mais importantes times rompia o tabu de cinco anos sem ganhar umazinha longe de casa.
Chatos de plantão questionam: como o bicampeão paraense foi se atrapalhar com adversário tão peladeiro? Ora, ninguém duvida que o Paissandu é um balaio de problemas, a começar pelo goleiro, sem esquecer os dramas defensivos e a falta de criatividade ali pelo meio. Mas é um baita exagero atirar pedras em Cosme pelo fato de sua equipe quase ter se entalado com espinha de peixe miúdo.
A crítica não é apenas exagerada, mas pretensiosa, por não levar em conta os novos tempos. Sabe-se que qualquer oponente, por mais modesto que seja, cria entraves medonhos para os grandes de Belém. Remo e Paissandu vivem dando topadas em timecos. Vila Aurora, Salgueiro, Palmas e outros menos votados são a prova viva dessa dura realidade.
Por vesguice ou teimosia, o torcedor às vezes age como se o Pará fosse o eldorado da bola. Esquece de fazer a conta simples sobre as legiões de enganadores e ex-jogadores que batem às nossas praias, degradando ainda mais a qualidade do jogo por aqui. Há exceções, claro. Tiago Potiguar veio sem fama e hoje é aclamado. A desgraça é que, para cada Potiguar, chegam dúzias de Petrolinas, Canindés, Nildos e Fábios Baianos.
O fato é que a tal hegemonia nortista se perdeu no tempo, virou lenda. Até os anos 50 e 60, o Pará podia bater no peito como o rei do pedaço, pois pontificava nas batalhas regionais do Brasileiro de Seleções. Quarentinha, Socó, Gilvandro, Chaminha, Natividade, Jambo, Carlos Alberto e outras feras corriam atrás do balão de couro e sabiam o que fazer com ele. Mais que respeitados, Remo e Paissandu eram temidos.
Sou da jovem guarda, mas lembro bem dos testemunhos irrefutáveis de gente como Edyr e Grimoaldo. Eram tempos bacanas e a gente nem sabia. As coisas mudaram e é preciso cair na real. É duro aceitar o fato, mas derrotar o Penarol, genérico daquele que padeceu na Curuzu, merece festejos, sim. Sem constrangimentos.
 
 
Última rodada da fase classificatória pode reservar confrontos emocionantes. A disputa pela última vaga faz do jogo Cametá x Tuna o mais interessante e tenso de todos. Leandro Cearense, um dos três melhores jogadores do campeonato – Rafael Oliveira e Marlon são os outros –, deveria merecer marcação especial, e isso a Lusa sabe fazer bem. Remo e Paissandu entram classificados, mas o primeiro lugar (e a vantagem que confere para a decisão) ainda está em disputa.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 27)