Apito amigo faz falta

“Não gostei (da eliminação do Corinthians na Libertadores), porque sou amigo do Andrés Sanchez. Mas quando não tem apito amigo, fica difícil para eles. Na Confederação Sul-Americana, não tem apito amigo para os brasileiros. Enquanto a gente fala, eles hablan. Se tiver que prejudicar um time brasileiro, para eles é tranquilo.”

De Zezé Perrella, presidente do Cruzeiro, analisando a falta que um Sandro Ricci Meira faz.

Geo Araújo é o novo presidente da Aclep

Tenho a alegria de informar que o companheiro Geo Araújo é o novo presidente da Associação dos Cronistas e Locutores Esportivos do Pará (Aclep) em eleição realizada nesta terça-feira, no hotel Sagres. Geo derrotou, por 45 a 40 votos, o candidato à reeleição, jornalista Ferreira da Costa, que presidiu a entidade por três mandatos. A chapa encabeçada por Geo, denominada “Paulo Cecim”, tem como vice-presidente o radialista Nildo Matos, da Rádio Marajoara. A posse está marcada para o próximo dia 27. Na foto, Geo e Nildo ao lado de Edson Matoso, eleito presidente da Assembleia Geral. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

Ganso com um pé fora da Vila?

Notícia desta terça-feira no Diário de São Paulo caiu como uma bomba na Vila Belmiro. O meia paraense Paulo Henrique Ganso, um dos destaques do Santos na última temporada, poderia acertar a sua transferência para Corinthians ou São Paulo. Dono de 45% dos direitos federativos do meia, o Grupo DIS não mantém um bom relacionamento com a diretoria do Santos e estaria tentando tirar Ganso da Vila Belmiro. Além disso, o meia também não estaria contente com o plano de carreira oferecido e disse inúmeras vezes que os dirigentes não o estavam valorizando. Pessoas ligadas ao Grupo DIS conversaram com o presidente do Timão, Andrés Sanchez. A proposta é que o clube do Parque São Jorge pagasse 45% da multa rescisória do meia. Até mesmo o salário de Ganso chegou a ser discutido, mas o mandatário alvinegro preferiu não entrar no negócio, pois admite ter uma boa relação com a diretoria do Peixe. A mesma proposta foi feita ao São Paulo. Vale lembrar que a multa rescisória de Paulo Henrique Ganso para transferências nacionais é de R$ 66,2 milhões e que 45% desse valor equivale a aproximadamente R$ 29,8 milhões. (Da AFI)

Sub-20: Brasil reclama de perseguição no Peru

Da Folha de SP

O Brasil tem o time mais badalado do Sul-Americano sub-20, Neymar é a única grande estrela do torneio e o país é, de longe, quem mais atrai patrocinadores. Apesar de tudo isso, a seleção brasileira tem muito a reclamar da Conmebol, organizadora do torneio que dá duas vagas na Olimpíada-12. Desde que chegou ao Peru, há quase um mês, o Brasil já teve que dividir concentração com rival, fazer viagens indesejadas e ver um de seus atletas ser vítima de racismo. A seleção ainda teve que jogar a primeira fase e a fase final em climas diferentes.

Na noite de domingo, a CBF ganhou outro motivo para reclamar: a arbitragem. O técnico Ney Franco e Neymar reclamaram muito do juiz colombiano Wilmar Roldan, que apitou a derrota por 2 a 1 para a Argentina. “Toda falta nossa era cartão amarelo, enquanto os argentinos bateram pra caramba. O rigor foi só para o nosso lado”, disse Franco. “Já são dois jogos seguidos em que a arbitragem ajuda a Argentina”, afirmou o técnico, em referência à partida anterior em que os argentinos venceram o Chile depois de um pênalti polêmico. Neymar reclamou de ter levado cartão amarelo – o segundo, que o impede de enfrentar o Equador amanhã, em jogo crucial para o time. “É tudo contra o Neymar”, disse, usando a terceira pessoa. “O cara me empurrou, tomei o amarelo. O juiz ajudou os caras”, acusou.

Mas esse é só o mais novo de uma longa lista de problemas enfrentados no Peru. Na cidade de Tacna, onde o Brasil ficou durante a primeira fase, teve que dividir o hotel e o campo de treino com a seleção paraguaia. Precisou também fazer uma desgastante viagem até Moquegua, para enfrentar a Bolívia. Lá, o atacante Diego Maurício sofreu insultos racistas por torcedores locais. A CBF reclamou, e a Conmebol agiu discretamente: com faixas e avisos em alto-falantes, pedia que a torcida não insultasse os atletas. O Brasil tem que lidar ainda com o fato de seus grandes rivais (Uruguai e Argentina) estarem em Arequipa desde o início do torneio, portanto mais adaptados ao frio e à altitude de 2.335 m. A única vantagem do Brasil no Peru é sempre jogar por último em cada rodada do hexagonal final, já sabendo dos resultados dos rivais.

Não sou adepto de teorias de perseguição, mas algo anda estranho ocorrendo nesse Sul-Americano. Contra a Argentina, que tem um time fraquinho, o árbitro só via faltas e indisciplinas por parte dos brasileiros.

Charles Guerreiro é o novo técnico do São Raimundo

Charles Guerreiro é o novo treinador do São Raimundo para a disputa do Campeonato Paraense. Seu nome foi confirmado, na tarde desta terça-feira, no site oficial do clube. Ele substitui o técnico Sebastião Rocha, demitido depois do empate em 3 a 3 com a Tuna e após briga com o diretor André Cavalcanti ainda nos vestiários do estádio Barbalhão. Charles deve chegar hoje à noite a Santarém e será apresentado oficialmente nesta quarta-feira. Charles Natali Mendonça Ayres, mais conhecido como Charles Guerreiro (Belém, 22 de dezembro de 1963), é ex-jogador de futebol revelado no Paissandu e com expressiva passagem pelo Flamengo na década de 1990. Em 2006, Charles iniciou sua carreira de treinador, no comando do Ananindeua, um ano depois, chegou a ser o técnico do Remo. No início de 2008, retornou ao Rio, quando aceitou o desafio de treinar o estreante Cardoso Moreira, no Campeonato Estadual. Em 2010 tornou-se o técnico do Paissandu, onde conquistou o título estadual de 2010 e permaneceu até o Campeonato Brasileiro Série C. Com a eliminação do time para o Salgueiro (PE), na Curuzu, Charles foi demitido.

A frase do dia

“Mesmo após tantos anos, a Holanda ainda é lembrada. O ‘futebol total’ se aplica ao Barcelona, são eles que a representam no século 21. Esse time do Guardiola vai ainda mais longe e revoluciona o futebol”.

De Johan Cruyff, cérebro da seleção holandesa de 1974, a sensacional Laranja Mecânica.

IFFHS: Paissandu entre os 184 melhores da América

O Paissandu voltou a ser relacionado em um dos célebres rankings da Federação Internacional de História e Estatística do Futebol (IFFHS). Desta vez, o bicolor paraense surge em 24º lugar entre os 31 clubes brasileiros listados entre os 184 melhores times da América Latina entre 2000 e 2010. A boa colocação é fruto dos anos de ouro do clube alviceleste, de 2002 a 2005, sob a presidência de Artur Tourinho. Em seus critérios de classificação, a IFFHS considera 14 pontos para cada triunfo em partidas da Taça Libertadores da América e quatro pontos para vitórias no Campeonato Brasileiro da 1ª Divisão. O Papão é o único clube do Norte a figurar na lista divulgada. O time brasileiro que ostenta a melhor colocação, segundo lugar no geral, é o São Paulo. O primeiro lugar é o Boca Juniors, da Argentina.

Opinião do torcedor

Por Antonio Valentim

Como o amigo e seus leitores sabem, por meio dos meus comentários neste espaço democrático, sou adepto da profissionalização – fora das quatro linhas – do futebol paraense. Alguns se perguntarão: “Como profissionalização, o futebol há muito já é profissional?”. Sob certos aspectos sim, é verdade. O atleta de futebol é um trabalhador contratado e remunerado, e o quesito ‘profissionalização’, a nosso ver,  não vai muito além disso e de algumas outras ações burocráticas. Ou seja, somente o lado de lá; do lado de cá, está bem distante.
Acompanho futebol desde os anos 70, e vejo que as ações, a mentalidade reinante, salvo exceções, não evoluiram muito. Naquela época, em que alguns jogadores ficavam no clube por vários anos, a bilheteria ainda sustentava um clube de futebol. As coisas mudaram, o próprio comportamento do torcedor mudou. Naquele tempo não havia estatuto do torcedor, código de defesa do consumidor ou coisas do gênero, e o pobre torcedor se sujeitava a ir a campo, pegar chuva e ainda urina na cabeça. Algumas pessoas, todavia, ainda estão nessa época, pensando igual.
Os resultados em campo, na época, davam a Remo e Paysandu condições de igualdade, para dizer o mínimo, com clubes do Ceará, Pernambuco,Bahia, Goiás, Paraná e Santa Catarina. Nossos times eram respeitados. Com o tempo, a gestão do futebol se tornou bastante profissional, e somente nossos dirigentes não viram, não se profissionalizando junto.
Na década recém-finda, o Paysandu fez bela figura, destacando-se no cenário brasileiro. Porém, como sua diretoria não foi capaz de gerencar profissionalmente todo o sucesso, vê-se agora tudo o que foi conquistado esvair-se através dos dedos como se fosse água nas mãos. O cavalo selado foi montado, porém não se cuidou direito dele e ele … morreu. Do lado remista, o último feito a nível nacional foi a campanha da Copa João Havelange de 2000, sob o comando do técnico Paulo Bonamigo. Depois disso, alguns lampejos, ainda tímidos, a nível local como aquele campeonato 100% em 2004. São as exceções a que me referi antes.
A figura do dirigente torcedor deve acabar. A do abnegado que injeta dinheiro também deve acabar. O primeiro, a reboque do torcedor imediatista, age com muita passionalidade, contratando por atacado, dispensando idem, e assim onerando o clube; isso impede um planejamento efetivo, cujos frutos certamente seriam colhidos no futuro; o segundo acaba se achando o dono do clube, e só ele manda (‘eu pago, eu mando’ – já dizia um ex-presidente de um clube de Belém). As pressões, da parte do torcedor, da parte de uma parcela da mídia – já que esta reverbera a opinião do público -, vão continuar a existir, pois ninguém gosta de ver o seu time perder; o torcedor quer seu time ganhando sempre, de preferência com goleada e não levando nenhum gol. Um dirigente de clube como Remo e Paysandu deve, no entanto, estar preparado para suportar pressões, e agir sempre com a cabeça no seu devido lugar. Deve, para tanto, acercar-se de bons gestores – remunerados, de preferência – de quem deve cobrar os resultados ao longo de um exercício, conforme as metas que se definiram previamente.
Essas figuras, algumas até folclóricas, deviam ter sido extintas nos anos 70 e 80.
Não vejo o futebol paraense – diferente de outras praças – agindo com planejamento, não há investimentos sérios nas categorias de base, tampouco projetos a médio e longo prazos. A cada diretoria que sai, entra a próxima com seus próprios planos e o pouco – ou quase nada – que foi feito é abandonado.
Há pouco tempo a diretoria do Remo tomou, obcessivamente, como bandeira a negociação do estádio Evandro Almeida, sob a forma de permuta por outro, mais moderno, porém mais distante do centro da cidade. A ideia por si era boa, porém a forma como se pretendia fazer era ruim, e o clube acabaria por perder um patrimônio histórico e ficar sem ter onde treinar, pelo menos.
Digo que a ideia não era de todo ruim porque qualquer outra ideia ou projetos só podem ser levadas adiante com dinheiro. E vejam que o Remo, principalmente o Remo, está com um passivo imenso. Só que para ele ainda há solução, e a venda – honesta, transparente, lúcida – de um patrimônio salvará a lavoura e evitará que a vaca vá para o brejo (e olhe que ela está quase lá). E não precisava ser o Baenão, e eu proporia o ginásio Serra Freire.
Ora, anunciando-se no mercado paulista, de maior expressão no país, é bem possível uma negociação a preços próximos do mercado. Tudo isso, claro, com divulgações em jornais, internet, publicações mensais de balanços, como se exige de uma empresa pública.
Ah, um clube não é empresa pública? Sabemos disso, mas clubes como Paysandu e Remo somente são grandes pela simpatia de público que granjearam, pela rivalidade entre ambos, ao longo de quase um centenário.
Quero ainda ver nossos clubes implantando a gestão como se empresas fossem, se gastando menos do que se recebe. Ver ainda o quesito bilheteria ser apenas uma pequena complementação no rol das receitas, privilegiando o associado. Quero ver o associado bancando o clube, que complementaria sua receita eventualmente com a negociação justa de seus craques formados nas divisões de base. Quero ver ainda os clubes explorando devidamente a sua marca…
As ideias estão aí, tanto do lado do Remo como do lado alvi-azul. É o projeto sócio-torcedor, é o famoso CT etc. E cada um de nós tem uma, mas nenhuma vai sair do papel sem o famoso e necessário din-din. Sem ele não se extirpa o câncer das dívidas que asfixiam os nossos clubes, sem ele jamais vai se implantar o verdadeiro profissionalismo de gestão desejado e merecido pelo nosso torcedor, que lamentavelmente ainda verá seus times a tropeçar nos Vila Aurora ou nos Salgueiros da vida. (L.s.N.S.J.C!)