Mês: setembro 2010
Coluna: Potiguar será o próximo
Ainda há dirigente que duvida da força produtiva das divisões de base e prefira fazer dinheiro com venda de estádio, mas o Paissandu – quase sem querer – acaba de sacramentar o melhor negócio de sua história. Receberá R$ 600 mil pela cessão dos direitos federativos do atacante Moisés ao investidor Kiavash “Kia” Joorabchian, que andou envolvido com o Corinthians há alguns anos e opera forte banca de negócios a partir da Inglaterra. Além disso, o clube terá 20% de participação em qualquer negociação internacional envolvendo o jogador.
O homem-chave por trás da venda parcial dos direitos de Moisés foi um técnico: Dorival Júnior. Com relações estreitas com Kia, aconselhou o empresário a fechar negócio com o Paissandu para que o atacante desembarcasse na Vila Belmiro em tempo recorde. Assim foi feito.
Informação passada por uma testemunha das negociações indica que Dorival foi taxativo: queria, para o lugar de Robinho, o camisa 9 paraense. Com isso, conseguiu atravessar um acordo quase firmado entre o presidente do Paissandu, Luiz Omar Pinheiro, e a direção do Internacional (RS).
A Kia, Dorival prometeu deixar Moisés em condições de ser repassado ao futebol europeu no prazo de dois anos. O plano é valorizar o jogador no Brasil ao longo de 2011 e transferi-lo em 2012 para o futebol inglês (preferencialmente o Chelsea). O anglo-iraniano chegou há 10 anos e montou praça, com fama de descobridor de jóias raras. Ao cuidar dos interesses dos argentinos Tevez e Mascherano, quebrou resistências e abriu caminho para engatar transações com os grandes clubes europeus.
O acerto agradou tanto a Kia, que considerou baixo o valor desembolsado por Moisés, que tratou de engatilhar a aquisição dos direitos federativos de Tiago Potiguar, embora a direção do Paissandu ainda não confirme o entendimento, temerosa talvez da reação da torcida em plena campanha para voltar à Série B. Apesar disso, o acordo pelo baixinho de Currais Novos pode ser selado ainda neste mês. Outro que deve seguir em breve o mesmo caminho, também através de agentes de Kia, é o lateral-direito Cláudio Allax, que atualmente amarga a reserva no Paissandu, mas foi bem recomendado ao investidor e deve tomar o rumo do Leste Europeu.
E pensar que Moisés chegou a ser cedido, como descartável, a clubes menores do futebol paraense e esteve até bem perto de ser dispensado. Ganhou uma sobrevida com a chegada de Luís Carlos Barbieri e, depois, com Charles Guerreiro. Como a maioria dos garotos da base, chegou ao Paissandu de graça, que gastou pouquíssimo com ele. Fico a imaginar, diante de casos assim, o que seria do nosso futebol se fosse tratado com um mínimo de profissionalismo e seriedade.
A fim de desviar o foco do polêmico negócio do Baenão, Amaro Klautau propõe a mudança no estatuto do Remo para que os sócios elejam o próximo presidente. O projeto existe há mais de um ano e só agora, no meio da maior crise do clube, ele achou de desencavar a idéia.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 16)
Capa do Bola, edição de quinta-feira, 16
Corinthians bate Flu e volta à liderança
Bota leva surra no Serra Dourada
Rock na madrugada – Audioslave, Like A Stone
Pensata: A embriaguez no futebol
Por Sócrates
Sejamos dionisíacos, e deixemos que nossos afetos sejam excitados e intensificados. Durante a copa africana, por sinal, Cruyff clamava justamente por isso, criticando a “antiarte” que levamos aos campos
Muitas vezes nos surpreendemos com atuações medíocres de determinados jogadores, os quais, como sabemos, jogam muito mais do que naquele instante ou fase. A percepção das causas do fato passa necessariamente pelo estado anímico desse indivíduo, quando chamado a desfilar suas qualidades em campo.
Ou, por outro lado, nos encantamos com a destreza, a beleza, a criatividade e a alegria do talento de determinados atletas que em alguns momentos parecem deuses. Também aqui a sensibilidade, a liberdade, a independência, a clareza e a leveza são decorrentes do estado emocional em que ele se encontra.
Como dizia Nietzsche: “Para que exista arte, para que exista algum fazer e contemplar estético, é imprescindível uma condição fisiológica: a embriaguez. A embriaguez precisa inicialmente ter intensificado a excitabilidade da máquina inteira. Antes disso não se chega a arte alguma. Todos os tipos de embriaguez, por mais distintamente condicionados, têm força para tanto: sobretudo a embriaguez sexual, a mais antiga e mais originária forma de embriaguez. Da mesma maneira, a embriaguez que segue todos os grandes apetites, todos os afetos intensos; a embriaguez da festa, da competição, da façanha, da vitória, todo movimento extremo; a embriaguez da crueldade; a embriaguez na destruição; a embriaguez influenciada por narcóticos; por fim, a embriaguez da vontade, a embriaguez de uma vontade acumulada e intumescida. O essencial da embriaguez é o sentimento de plenitude e intensificação da força. É a partir desse sentimento que damos às coisas, que forçamos que tomem de nós, as violentamos – esse processo é chamado de idealização. A idealização não consiste, como geralmente se acredita, em tirar ou subtrair o que é pequeno, secundário. O decisivo, antes, é um colossal transbordar dos traços principais, de modo que os demais desaparecem”.
Todos os rituais respeitados por quase todos os atletas – e cada um deles possui um ritual exclusivo que se manifesta nos instantes que antecedem uma partida, além daqueles que são originários da mobilização coletiva – têm como objetivo básico a busca da embriaguez plena.
O tipo de embriaguez que buscam depende do caráter e da personalidade de cada indivíduo, e de tudo aquilo que ele está vivendo em determinado momento. E nem sempre essas particularidades permitem que ele encontre a embriaguez necessária para o pleno desempenho ou a entrega ao que se propõe a fazer. Daí a diversidade do tipo e da essência da arte que consegue extrair de seu ser ou da não arte que deixa de se esconder de seu autor e transparece mesmo contra a vontade do mesmo.
E aí voltamos ao filósofo: “Só na embriaguez enriquecemos todas as coisas com a nossa própria plenitude: o que se vê, o que se quer, é visto intumescido, apinhado, enérgico, sobrecarregado de força. O homem que se encontra nesse estado transforma as coisas até que reflitam o seu poder – até que sejam reflexos de sua perfeição. Esse ter de transformar em perfeição é arte. Mesmo tudo aquilo que ele não é se torna, apesar disso, um deleite consigo mesmo; na arte, o homem goza a si próprio como perfeição”. E é nesse estado de embriaguez que se baseia o futebol brasileiro. É o que encanta todos os amantes do futebol chamado de arte. É o que nos faz diferentes de todo o resto da humanidade no quesito futebol. Nenhuma cultura consegue chegar perto daquilo que podemos mostrar dentro de um campo de futebol.
Sejamos dionisíacos; deixemos que nossos sistemas de afetos sejam excitados e intensificados. Isto é, descarreguemos tudo o que é expressivo de uma só vez; liberemos a força de representar, imitar, transfigurar e transformar, bem como nossa teatralidade. É para o que clamava Cruyff, durante o mundial da África do Sul, nos chamando a atenção para o que estávamos escondendo, camuflando, omitindo. E isso só ocorreu porque ali se buscava a “antiarte”. Aquela que é exatamente o estado contrário do que somos instintivamente – de modo que fizemos com que todas as coisas se tornassem pobres, rarefeitas, esgotadas. De fato, a história é rica de agentes da “antiarte”, esfomeados que são da vida: são os que, necessariamente, precisam se apossar das coisas, consumi-las, deixá-las mais magras, secas e mortas.
Na TV, apenas o jogo do Águia
O jogo entre Rio Branco x Paissandu, domingo, não será transmitido pela TV Cultura. Emissora estatal optou por exibir a decisão da segunda vaga do grupo A, entre Águia x Fortaleza, direto do Zinho Oliveira, em Marabá.
Giba critica o Remo e diz que faria tudo de novo
Não é mistério para ninguém que o Remo está mergulhado numa crise sem precedentes. Fora de campo, convive com as suspeitas que cercam a confusa venda do estádio Evandro Almeida. No futebol, o time foi eliminado do Brasileiro da Série D pelo modesto Vila Aurora (MT). Nesta quarta-feira, os dirigentes abriram o processo de rescisões amigáveis com os jogadores. Ao mesmo tempo, o técnico Giba apareceu no clube para se despedir. Antes, falou com os jornalistas e disse que todos os atletas do elenco tiveram chances iguais no time titular. Garantiu, ainda, que repetiria todo o trabalho feito.
De quebra, comentou que seu longo jejum de títulos deve-se ao fato de que, nos últimos tempos, optou por dirigir times em situações ruins. “O Remo está como um carro atolado. Metade empurra pra frente, e outra metade para trás. Não vejo que os jogadores falharam. Pelo que conheço de futebol, esse é o pior momento da história do Remo”, avaliou, sem admitir as muitas falhas cometidas durante a campanha na Série D. (Com informações do Bola e da Rádio Clube)
Tribuna do torcedor (49)
Por Marcos Moraes (marcomoraes6@yahoo.com.br)
Bom dia Gerson, como os demais remistas da cidade fica a indignação pelo momento do Remo na atual gestão desse senhor cujo nome não é digno de ser falado. Mais ainda: acreditamos que ele nem remista é. Não sei qual o destino do Baenão, símbolo maior da entidade centenária do Pará. Então fica aqui meu pedido ao amigo para que divulgue esse ato de protesto que queremos fazer ao redor do nosso glorioso Baenão. Por meio de sua coluna convoco a toda torcida remista a fazermos um ato de amor pelo estádio com uma corrente humana de torcedores em frente ao Baenão. Convidamos associados, conselheiros e beneméritos que estão contra essa loucura doentia do presidente de vender de qualquer maneira o nosso patrimônio. De um local hipervalorizado em pleno centro de Belém para uma arena a ser contruída em terrenos de cemitérios ou lixões? Não queremos isso. Queremos dirigentes com ideias que possam não só pagar essas dívidas de outra forma mas, também, fazer do Baenão um local onde os adversários venham sentir a verdadeira força do torcedor do Remo. Ainda há tempo de interromper esse saque ao patrimônio do clube. Movimento Fora Klautau, Fica Baenão!



