Todos perdem

Por Marcos Coimbra

O sentimento do “ninguém me representa” se disseminou e não preserva nenhum quadro ou grupo político. O resultado mais relevante das últimas pesquisas de opinião é a forte piora da imagem do sistema político. Despencou a avaliação das instituições e dos atores políticos. Quem comemorou aquelas feitas logo após o início dos protestos e manifestações por acreditar que seus adversários é que pagariam, se enganou. Todos perderam.

Ainda em junho, os mais felizes eram os antilulopetistas. Depois de sofrer durante anos com pesquisas favoráveis ao governo, acharam ter chegado a hora da desforra. Quando começaram a ser divulgados números que revelavam a queda na popularidade de Dilma, soltaram foguetes. E quando ficou claro que, em consequência, ela perdia intenções de voto, pareceu que suas preces haviam sido atendidas. Foi até engraçado ouvir o que disseram os porta-vozes da oposição e ler o que escreveram os colunistas mais afoitos. Estavam esfuziantes.

Hoje o tom é menos comemorativo. Fora os comentaristas da ultradireita, até os patrões da indústria da comunicação mostram preocupação. As lideranças oposicionistas sérias não dão um pio. Seria um grave equívoco dizer “Benfeito!”, como se essa queda generalizada fosse o justo preço que “os políticos” estariam pagando por seus erros. Como se o Executivo, Legislativo e Judiciário merecessem ser mal avaliados. Como se a presidenta da República, os governadores, os prefeitos, os senadores, os deputados, os vereadores e os magistrados fossem todos (ou praticamente todos, o que dá no mesmo) incapazes, corruptos e mal-intencionados.

Erro igual seria acreditar que alguns são poupados. O sentimento do “Ninguém me representa!” não preserva quem quer que seja. Aqueles que não caíram hoje cairão amanhã, a menos que essa desconfiança difusa e despropositada seja corrigida. O paradoxo de situações como a que vivemos neste momento é que, para se defender, cada personagem do sistema político é levado a acusar os outros. Conhecedor de sua pequena credibilidade, tenta derrubar os demais. E acaba por contribuir para o descrédito geral.

No futuro, todos morrem.

Em recente pesquisa do instituto Vox Populi, perguntamos contra quem foram os protestos de junho. Para 72%, contra o governo Dilma Rousseff. Para 69%, contra o governador do estado do entrevistado (a pesquisa foi feita em todos, à exceção de Roraima). Para 58%, contra o prefeito de sua cidade (as entrevistas foram aplicadas em 179 municípios, a maioria de cidades médias e pequenas, onde não houve manifestações). Para 77%, contra os senadores e deputados. E 65% acreditam que o PT foi o alvo. Um pouco menos, 52%, afirmaram ser contra o PSDB.

Se incluíssemos aqueles que acham terem sido os protestos ao menos em parte contra esses alvos, chegamos perto de quase consensos. Ao se analisar o conjunto de pesquisas disponíveis, vê-se que esse clima de opinião afeta as percepções do presente e atinge as expectativas. Tudo ficou pior. Os cidadãos estão menos satisfeitos com o Brasil, menos confiantes de que estejamos na direção correta. Passaram a ver com mais pessimismo o futuro. Aumentou a proporção daqueles que não acreditam que sua vida vai melhorar.

Os candidatos “políticos” perderam. Só os que são (ou posam de) apolíticos cresceram do início de junho para cá. A avaliação positiva de Dilma, Aécio Neves e Eduardo Campos como candidatos diminuiu. Quem mais sofreu foi, naturalmente, a presidenta, pois era quem mais tinha por onde cair e é a figura emblemática do sistema político. Em sua companhia minguaram Aécio e Campos. Enquanto isso, Marina Silva e Joaquim Barbosa subiram. Ou seja, estão bem apenas as candidaturas da incerteza.

A isso chegamos depois de um ano de incessante bombardeio contra o governo e o sistema político. É difícil lembrar um período comparável, seja em termos da intensidade, seja da extensão do desgaste a que foram submetidos. A articulação entre as lideranças da oposição civil, dos partidos oposicionistas e da indústria de comunicação, com suas redes de tevê e rádio, seus veículos na internet, seus jornais e revistas, nunca havia sido tão ativa.

Seu alvo era o governo e a intenção de impedir a reeleição de Dilma. Julgavam-se capazes de precisão cirúrgica, de atingir apenas o inimigo. As pesquisas mostram que erraram. Terminaram por atingir muito mais que o lulopetismo.

No fim das contas, perdemos todos.

Bio de Luizinho das Arábias é lançada no Rio

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Foi lançada, no Rio de Janeiro, a biografia do ex-jogador Luizinho das Arábias, que defendeu Paissandu (1987/88) e Remo (1989), e morreu em Belém. A autoria é de Jackson Sala, escritor carioca que teve a ideia de homenagear o saudoso atacante. O lançamento do livro “Sai o Rei, entra Luizinho” aconteceu na última terça-feira (6) via internet. Na capa, o jogador aparece com a camisa do Botafogo, onde viveu um de seus melhores momentos na carreira. O prefácio é de Washington Rodrigues. Para obter notícias a respeito, basta clicar no link (Rio de Janeiro) http://www.cnt.com.br/ ?id_channel=8# . Luciano Corrêa, paraense (e bicolor) radicado no Rio, é quem dá a dica, pedindo que o livro seja divulgado junto aos torcedores de Papão e Leão, clubes que Luizinho defendeu com grande talento e profissionalismo. É só entrar no site www.jacksonsala.com.

Torcedor do Papão denuncia ação de cambistas

Transcrevo carta enviada por Ival Rabêlo Junior, denunciando a venda de ingressos oficiais a preços reduzidos por cambistas durante o jogo Paissandu x Joinville, na última sexta-feira:

“Prezados Gerson Nogueira, Guilherme Guerreiro e demais profissionais dessa maravilhosa emissora,

Bom dia
Ao cumprimentá-los, informo que eu e minha esposa nos tornamos sócios bicolores por acreditarmos na atual gestão do Paysandu, que apesar do momento difícil nas quatros linhas, vem promovendo grandes avanços no clube. Mas, o fato que narro a seguir nos preocupou no último jogo contra o Joinville.
Um colega ao chegar em cima da hora do jogo, viu cambistas oferecendo ingressos da cadeira a R$ 25,00 e R$ 30,00.  Ele duvidou porque o preço era R$ 60,00 e negociou com o cambista. Disse que compraria três ingressos, mas só pagaria se os dois filhos entrassem. Disse para os filhos irem na frente. Os ingressos passaram sem problemas na catraca, logo eram oficiais.
DenúnciaEle me contou a história quando entrou no estádio e pedi que ele me desse os ingressos para que eu pudesse fazer essa denúncia preservando o nome dele.
O que chama a atenção nos ingressos (ver anexo) é que vem a inscrição CADEIRA Cat. CREDENCIAL  Preço R$ 0,00.
Pergunto: 
Quem fornece esses ingressos para os cambistas?
Para onde vai esse dinheiro?
Em nome da moralização do nosso futebol peço a divulgação desse fato, embora saiba que problemas envolvendo cambistas não sejam novidades, mas diante de uma gestão que se propõe como séria, penso que vale a pena denunciar.
Coloco-me à disposição para quaisquer esclarecimentos.
Atenciosamente,
.Pesquisador do Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre Formação de Professores e Relações Étnico-Raciais (GERA/UFPA)
.Técnico em Assuntos Educacionais da Universidade da Amazônia (UNAMA)
.Especialista em Educação da Secretária de Estado de Educação (SEDUC)”

Por um sopro de esperança

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Por Gerson Nogueira

Pode-se dizer, sem exagerar nas tintas, que o Remo renasce das cinzas através dos meninos do sub-20. De repente, o ano que se encaminhava para um final melancólico, sem expectativas maiores, ganhou outras nuances pelos pés da garotada. A Copa Norte caiu do céu para o deserto de ideias e de ânimo que dominava o estádio Evandro Almeida.

bol_dom_110813_23.psDe onde menos se esperava veio um sopro de esperança, com o convite para que o clube participasse do torneio regional. Em outros tempos, caso a equipe profissional estivesse em atividade, a torcida nem tomaria conhecimento da competição. Como não há calendário oficial, todas as atenções se concentram na Copinha.

Consciente dessa oportunidade única de resgate da autoestima, o torcedor abraçou a causa. Tem comparecido a todos os jogos, estabelecendo média acima de 3 mil pessoas (pagando bônus de R$ 5,00). Na sexta-feira, um verdadeiro fenômeno: um público entusiasmado, enfrentando o calor e o desconforto de um horário anti-futebol.

A comovente adesão da torcida contagiou a diretoria, que não mediu esforços para transformar a Copa Norte no principal evento da nova gestão. Os diretores recentemente empossados têm se esmerado em corresponder à confiança do torcedor. Sabem que dependem do crédito da massa para executar um bom trabalho.

Tanto sucesso extracampo deixou em alguns momentos o futebol dos garotos em segundo plano. O Remo não tem, obviamente, um timaço. Mostra alguns bons jogadores, muitos já conhecidos, como Jaime, Ian, Gabriel e Alex Juan. Outros são mais rodados, como Jader. E alguns novos de futuro, como Guilherme, Tsunami, Nadson e Rodrigão.

A mobilização não visa unicamente conquistar a Copa Norte. É mais que isso. Se o time eventualmente não vencer a decisão deste domingo, o envolvimento coletivo já terá valido a pena, como prova de que o esforço de reconstrução é válido. E talvez o Remo estivesse precisando exatamente desta oportunidade para redescobrir valores que andavam esquecidos. Valorizar suas próprias crias, por exemplo. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

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Novos horizontes para o Papão

Foi a primeira vitória de Arturzinho no comando técnico, e o jogo valeu exatamente por isso. O Paissandu voltou a ter um comportamento tumultuado, sem esquema definido e errando em excesso. Até o meio-de-campo, setor que era o mais arrumado do time, continua instável. A bola queima nos pés dos armadores e raramente chega ao endereço certo.

De qualquer maneira, o Papão de sexta-feira foi bem mais determinado e consciente de seus limites. Arriscou pouco, como sempre, mas foi preciso quando as chances de gol apareceram. Nem mesmo a ausência de cobertura eficiente na defesa foi suficiente para

É preciso reconhecer, porém, que o primeiro tempo foi admirável na medida em que o time se entregou ao compromisso de vencer. De qualquer maneira. Todas as peças funcionavam bem, até mesmo o improvisado Djalma na lateral-direita. Vontade e comprometimento eram evidentes. Virtudes que compensaram a falta de técnica.

Na etapa final, o Papão foi inteiramente envolvido pelo adversário, que só não teve melhor sorte porque também abusou dos passes errados e da má pontaria. Arturzinho teve a felicidade de obter um resultado positivo, apesar das mudanças operadas no time.

Foi um resultado excelente, que pode – dependendo da combinação de outros resultados – até tirar o time da zona do rebaixamento. Alguns pontos precisam ser destacados, como a dedicação de Djalma e o renascimento de Héliton. Vale dizer também que o posicionamento de Diego Barbosa como armador clássico no segundo tempo foi uma boa descoberta.

O triunfo suado e sofrido não obscurece as fragilidades que o time carrega desde o começo da competição. Alguns dos problemas são sistêmicos, e só terão solução quando atacados de maneira ampla. É o caso do crônico defeito na segunda bola, que o Papão perde sempre, sobrecarregando a marcação e abrindo possibilidades para o adversário. Além disso, existem situações pontuais, como nas laterais e cabeça-de-área, que dependem de resoluções práticas – e urgentes.

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Lembrança e gratidão

A coluna de hoje é dedicada aos meus velhos José Dias e Juca Nogueira. O segundo já não se encontra aqui, mas o primeiro continua firme e forte, a guiar meus passos com seu exemplo de vida, pautado na dedicação ao trabalho e à família. Obrigado a ambos, por tudo.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 11)

Águia sem mudanças contra Luverdense

Para tentar se reabilitar no campeonato, o Águia enfrenta neste domingo o Luverdense (MT), em Marabá, pela nona rodada da Série C. A equipe não deve sofrer grandes mudanças em relação aos últimos jogos. Para enfrentar um dos melhores times do grupo, o técnico João Galvão deve apenas escalar Neno na lateral-direita em substituição a Ceará, lesionado. Flamel, Carlinhos, Fábio e Diogo também apresentaram pequenas lesões, mas devem atuar. Outro problema é o número de jogadores “pendurados” com dois cartões amarelos: cinco no total. Ceará, Bernardo, Analdo, Junior Timbó e Danilo Galvão. “Ninguém vai tirar o pé. Se por acaso perdermos algum atleta por cartão, temos um grupo onde todos tem condições de ser titular”, garante Galvão.

Brasileiro Série B – Classificação geral

PG J V E D GP GC SG
Palmeiras 34 14 11 1 2 30 10 20 81.0
Chapecoense 29 12 9 2 1 29 12 17 80.6
Sport 24 14 8 0 6 26 23 3 57.1
Paraná 23 14 6 5 3 19 10 9 54.8
Boa Esporte 23 14 6 5 3 14 14 0 54.8
Figueirense 22 14 7 1 6 28 24 4 52.4
América-MG 22 13 6 4 3 25 19 6 56.4
Joinville 21 14 6 3 5 26 18 8 50.0
Bragantino 19 14 5 4 5 15 13 2 45.2
10º Avaí 19 14 5 4 5 19 20 -1 45.2
11º Ceará 17 14 4 5 5 17 18 -1 40.5
12º ASA-AL 16 14 5 1 8 15 24 -9 38.1
13º Atlético-GO 16 14 5 1 8 10 19 -9 38.1
14º Icasa 16 14 5 1 8 17 28 -11 38.1
15º São Caetano 16 14 4 4 6 17 17 0 38.1
16º Oeste 16 14 4 4 6 13 20 -7 38.1
17º Paissandu 15 14 4 3 7 16 22 -6 35.7
18º Guaratinguetá 14 13 4 2 7 17 22 -5 35.9
19º América-RN 14 14 3 5 6 14 22 -8 33.3
20º ABC 8 14 1 5 8 9 21 -12 19.0

Aos pais e aos filhos

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“Poema enjoadinho”

(De Vinícius de Moraes)

Filhos… Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete…
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos? Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los…
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem xampu
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!

vinicius-de-moraes