Coluna: A purgação das tristezas

O tradicional fórum das terças-feiras ressurge sempre que a ocasião requer. E o revés do Paissandu, domingo, continua a despertar debates acalorados sobre a derrota em si e o próprio estágio do futebol paraense, que fraqueja diante de adversários cada vez mais modestos. “Sou torcedora, infelizmente, desse Bicola fajuto, aliás, desse futebolzinho fajuto paraense mostrado nesses últimos anos de penúria. E, por incrível que pareça, deixarei de ser insistente em esperar melhoras. Acabo de jogar a toalha como fiel. Futebol, sabe-se, ganha-se nas quatro linhas, mas garra e desejo de vencer são fora à parte. Um dia desses, ouvi um jogador dizer que não tinha obrigação de ganhar mas tinha obrigação de lutar pela vitória com todas as forças que tivesse. O que se viu, naquele primeiro gol, quando um negão perder na corrida para um baixinho, e esse mesmo baixinho dominar quase o elenco todo do adversário, é demais para as coronárias…”.
O comentário ácido é da Belinda Sá, que, além do salto alto, dos erros da cartolagem e dos festejos antecipados dos torcedores, faz uma crítica dura e sincera a nós, cronistas. “Para a imprensa que engana os torcedores mais deslumbrados, fazendo-os crer que o time era competente, e depois que perde, descobrem tantas coisas que atrapalharam. Se sabem tanto de técnica e apuro do futebol, por que não mostraram logo as fraquezas, os desníveis? Não. Mas, logo após o final do embate, descortinaram uma enorme relação de falhas que vieram desde muito longe”.
Já o amigo Sérgio Gluck Paul protesta contra certas comparações pós-jogo. “Comparar os 300 mil do Paysandu aos 60 mil do Salgueiro é um erro muito grave. O Salgueiro pode se dar ao risco de ter jogadores recebendo 2 mil ou 4 mil reais, pois, como estão no anonimato total, esses jogadores dificilmente tem contato com o assédio dos empresários que rondam a Curuzu. Imagina o Moiséis recebendo 2 mil reais? Hoje estaria de graça no Santos. Nossos jogadores devem ser protegidos por multas recisórias razoáveis e isso impacta no salário, consequentemente na folha”.
Já o amigo escritor Alfredo Garcia aborda a derrocada dos clubes paraenses e clama contra os adjetivos exagerados dados a alguns ditos talentos do nosso futebol. “Nem Tiago Potiguar, muito menos Fabrício, nem mesmo Sandro Goiano e Moisés, endeusados pela torcida e alçados à condição de semideuses pela crônica esportiva local, merecem ser chamados de craques. São jogadores de razoável para média qualidade técnica, e isso com muita condescendência”.
Bruno Augusto recomenda serenidade para encarar o futuro. “Gostaria de relembrar o que aconteceu com o Givanildo em 2000, quando o Paissandu foi eliminado pelo Remo na fase final da Copa J. Havelange. Apesar da derrota para o rival, Givanildo permaneceu como treinador em 2001 e a base do time foi mantida – e o que aconteceu? Títulos paraense e brasileiro da Série B, depois Copa Norte e Copa dos Campeões”.
 
Em meio aos choramingos pela derrota, a noite terminou com a notícia de que o Paissandu pode ainda reverter a situação no tapetão. A conferir.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 19)

15 comentários em “Coluna: A purgação das tristezas

  1. A Belinda tem total razão ao reclamar da imprensa. Não foram todos, mas a maioria criou um falso ambiente de superioridade. A trajetória vacilante do Paysandu nos últimos jogos ensejava muito mais cuidado do que falsas euforias. No final, todos já tinham na ponta da língua os defeitos, que antes não existiam. Curioso…

    O leitor Alfredo também está corretíssimo ao criticar os falsos craques. Talvez pela carência de bons atletas por aqui, este constituiu-se em mais um dos defeitos de nossa imprensa: fabricar ídolos. O cara chega aqui, faz uma jogada bonita e vira craque. Outros, pelo passado, sem dar um chute, já chegam endeusados. Quem ouve os setoristas no rádio fica encantado – os treinos são maravilhosos. Todo recém contratado arrebenta e se farta de marcar gols. Os jogos, porém, trazem a decepção. Devem ser leões de treino.

    Ao Sérgio: não é de 300 mil a folha bicolor. É de 500 mil, beirando os 600… Também sou a favor de um trabalho a longo prazo e de paciência. Mas com o Charles e esses jogadores não vejo muito o que fazer. Apesar de não ser ideal, o melhor é desfazer esse grupo de triste memória e começar do zero…

    Quanto aos boatos sobre irregularidades, se for lembrar de todos os que pipocam nestes momentos de notícias escassas, faltará espaço no blog. O Pará é a terra do bizu e a fartura deles já é suficiente para colocar o boato da hora e os próximos em descrédito. Se o Salgueiro, após ser bombardeado com falsas denúncias do Alecrim e do CRB escapou ileso, será que seria tão ingênuo agora? Esqueçamos.

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  2. Desabafos coerentes, exceto a que se diz bicolor e que jogou a toalha, falsa até consigo mesma ou é remista, o mais provavél. Quem acompanha o dia a dia do clube não pode jogar na imprensa a responsabilidade de ser enganado quando a capacidade de um time. O Paissandú nps últimos jogos mostrava limitações, time esse que teve seus bons momentos, logo defino que faltou profissionalismo para ganhar a vaga a B. O preparo físico da maioria dos atletas era péssimo e isso refletiu na queda de produção do time. Isso que observei no jogo contra o Salgueiro e razão maior da derrota. LOP e Charles fizeram o que podiam, apenas quanto ao treinador acho que para este jogo errou feio na escalação e substituições. O endeusado Sandro é uma prova que relaxou a ponto de andar em campo, a zaga fica desguarnecida e não levaram em conta que estava desfalcada de um titular absoluto. Deu no que deu.

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  3. Relutei em tecer comentários ao final do jogo e durante o dia de ontem, a dor era mito grande e não queria extrapolar as emoções sendo até injusto com alguns, mas tenho que me manifestar sobre o que aconteceu domingo.

    Sempre li aqui alguns participantes enaltecendo o time do Paysandu e que a classificação aguardava tão somente o final do jogo, porém, pra quem tem o mínimo de noção sobre futebol iria observar que o time de Pernambuco estava um pouco acima do nosso, tanto na reta final da 1ª fase quanto no 1º jogo, onde dominou as ações em boa parte do jogo.

    Vi os melhores momentos dos ultimos jogos do Salgueiro e me impressionou a velocidade e o toque de bola, por isso passei a semana toda acalmando alguns amigos sobre a euforia e o entusiasmo que tomava conta de todos. Aliás, fui ao estádio muito temeroso principalmente por esse oba-oba.

    O Paysandu é eterno e terá mais um ano dificil pela frente, terá que fazer reformulação em torno de 60% do plantel, coisa que não aconteceu em nenhum desses 4 anos, sempre tendo o clube ter que fazer reformulação total. Acho que estamos próximos, basta uma melhor procura por reforços, que pra mim está sendo a principal dificuladade da diretoria. O LOP tem todos os créditos e méritos, mas não conhece de futebol, o que pude perceber qdo disse que o time conseguiria a classificação pq o nosso time era bom.

    O futebol do norte está falido, com apenas 3 clubes na Série C, é preciso rever muita coisa, inclusive financeiramente. Nós desconhecemos o futebol brasileiro atual, o Campeonato Pernambucano do Salgueiro é muito forte, assim como o Cearense do Icasa. Precisamos ter essa noção.

    Ficam: Fávaro, Alax, Paulão, Camilo, Aldivam, Sandro, Alexandre, Potiguar, Lúcio, Bruno Rangel, Marquinhos;

    Aliás Gerson, se sou presidente do Paysandu, na mesma hora iria no vestiário do Salgueiro e faria uma proposta para o Fágner. O cara estraçalhou com a defesa do Paysandu.

    Vamos ter calma e serenidade, só assim os grandes vitoriosos chegam ao sucesso. Agora restanos planejar o próximo ano.

    Vamos subir Papão, versão 2011.

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    1. Marcelo. Meus respeitos mas, manter no plantel, por exemplo, Aldivan, Sandro e outros é exercer a manutenção do erro. Temos aí desde falta de condições técnicas até o famoso problema da idade desses caras. Todos sabemos que Sandro e Tacio (com exemplo) se arrastaram em campo, Em 2011 estarão melhor fisicamente?
      Temos que reduzir a idade média de todas as equipes de futebol no Pará. Nosso clima é muito exigente no aspecto físico. Os atletas idosos somente causam iritação na torcida – visto que não podem correr como os jovens. Não é desânimo ou apatia> É falta de condição física mesmo!!! Não tem jeito, a idade pesa!!! Talvez no Kiev da Ucrânia – com todo respeito – o Sandro (e outros) ainda consiga jogar futebol.
      Vamos renovar!!!! Vamos renovar !!!!

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  4. Definitivamente, quem banca um clube de futebol (direita ou indiretamente) é sua torcida. Seja pagando ingresso, consumindo produtos do clube ou do patrocinador.
    O torcedor é, claramente, um consumidor. Por isso vamos tratar de uma questão mal ou pouco abordada. O Direito à Informação. O Direito à Informação do Consumidor. Nesse caso específico o direito à informação do Torcedor.

    Na imprensa esportiva sabemos das limitações cognitivas dos setoristas dos clubes. Isso, contudo, não é problema (todos as temos variando apenas o grau de cada um). Para compensar esse obstáculo existem as equipes de reportagens nas rádios ou jornais– e os chefes, normalmente com maior preparo intelectual.

    O Direito de Informação do Torcedor deve ser absolutamente respeitado pela mídia esportiva do Pará.
    O torcedor tem o direito de saber:
    1 – Qual o objetivo? / ou seja qual o resultado pretendido? / o que a diretoria de seu clube quer de fato, no final de um ciclo administrativo?
    2 – Qual o objeto? / o produto que se quer?
    3 – Quais os meios que se vai buscar?
    4 – Qual o orçamento que o projeto envolve – os custos da pretensão. E, muito importante, como e onde a direção dos clubes vão obter esses recursos.

    Assim, deve ser divulgado pela mídia qual o cronograma esportivo do ano? Quais as etapas e metas de cada clube.
    O torcedor tem sim o direito de saber como se comporta a Folha de Pagamento do seu Clube / sem necessariamente por nominata. Deve ser sempre informado: a) – qual o maior salário / sem nominata; b) – qual o menor salário / sem nominata.

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  5. Segundo deixou nas entrelinhas da entrevista do Tiago , o que está (ainda) fazendo na Curuzú o DIDI e o Louro que só fazem atrapalhar e agendar carroças para eles ganharem ás comissões destes bondes que eles indicam.PAPÃO ATÉ MORRER!

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  6. Ô das 08:38 hs., Vicente. Em que planeta e estado moras ? Posto essas informações que queres através da imprensa, é utopia. Por acaso acaso achas que divulgarão salário de jogador A ou B ou FOPAG (Folha de Pgto..) é ingenuidade. O torcedor, não só de Payssandú/Remo/Águia se deixa enganar fácilmente com factóides tipo Sócio Torcedor e vai por aí. Indiretamente – colabora para o status quo – embora não seja essa a sua intenção(do torcedor). Estamos vendo, atualmente, na mídia falada, escrita e televisada, alguns casos esporádicos de má gestão de clubes no exterior. No mais, são administrações de cunho voltados para resultados positivos, como em qualquer empresa. E mais, o torcedor recebe em sua residencia o carnê para pagamento de ingresso nos jogos do clube. Se vai assistí-los ou não, é questão pessoal. Ou seja, há seriedade. Funciona o marketing dos clubes diaria e constantemente, com ações voltadas para o torcedor, como bem o citastes em teus comentarios. E já tivemos, com o PSC alguns anos atrás, uma demostração de que funciona quando todos querem (PSC Campeão dos Campeões, brasileiro e na Libertadores). A nota destoante foi o Sr. Tourinho, ao aplicar no clube, no setor financeiro, a famosa Lei de Gerson (sempre levar vantagem em tudo sobre todos). Em 19.10.10, Marabá-PA.

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  7. Ô Vicente das 08:38 hs., a finalidade do meu comentario acima é de só enriquecer o debate. Desculpe se, em algum momento o ofendí. Longe de mim tal intenção. Em 19.10.10, Marabá-PA.

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  8. Penso, Gerson e amigos, que o grande problema nisso tudo, é técnico. Há alguns anos atrás, tínhamos em Remo e Paysandu, grandes técnicos, mas a parte administrativa não fucionava, principalmente na questão “salários em dia”. Hoje, essa parte administrativa, funciona, mas estamos insistindo com técnicos medianos e, sem nenhum conhecimento e, o que é pior, para treinar as duas maiores forças do Futebol do norte.Imaginem.
    – Hoje, se diz, que o único que não tem culpa, é o LOP. Eu penso o contrário, ele é sim, o maior culpado. Sempre falei aqui no blog, que a maior besteira que um dirigente pode fazer, é dar condições de trabalho, a quem não entende do seu próprio trabalho(técnicos). Vc. pode oferecer mundos e fundos ao incompetente e, ele não vai lhe dar o retorno, pura e simplesmente, por ser um Incompetente.
    – Percebam que, nas entrevistas, os jogadores estão espantados, sem saber o que aconteceu. Isso acontece, quando eles estão no comando, sem nenhuma orientação técnica e vinha dando certo. Na hora que “mataram” as jogadas previsíveis que eles estavam acostumados a fazer, ninguem entende o que aconteceu, pois são jogadores, logo, não entendem de tática de jogo e, o que é pior, os que estavam comandando, estavam em campo,logo não tem como enxergar o jogo, igualmente como quem está de fora.
    – Uma coisa é certa, ou se leva Remo e Paysandu a sério e, se convence que esses dois times são muito grandes, principalmente perante um Águia, SR, Salgueiro, Icasa, Vila Aurora,…., ou não conseguiremos levantá-los, tão cedo.
    – Fico Imaginando, se Givanildo Oliveira treinasse Remo ou Paysandu e, quando perdesse um jogo, a imprensa falasse: ” Não foi culpa do técnico”. O Giva é o que menos tem culpa, O jogador é que falhou no lance,… . Essas coisas que a imprensa força o torcedor a acreditar, quando o técnico é local. Penso que, o dia que isso acontecer por aqui, com técnicos renomados, Remo e Paysandu darão o grande salto para se salvarem, pelo menos dentro de campo. É a minha opinião.

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  9. Gerson o Vila aurora foi eliminado pelo Guarany de sobral , pra vc ver como o Vila aurora era fraco tb

    estava vendo o site da Globo e tem um video da festa do Salgueiro chegando no aeroporto , os jogadores sairam até em carro de bombeiro tamanha a alegria de eliminar o campeão dos campeões.

    Confira o video no site http://www.globo.com , mostra tb a linda festa que a torcida Bicolor fez na Curuzu.

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  10. Caro Sérgio Gluck Paul, parabéns pela obsrvação.
    muito bem colocado.
    outra coisa, com o acesso a série B os próximos jogos do Salgueiro vão estar infestados de olheiros. Com esses salários minúsculos e as multas rescisórias que devem ser insignificantes, os bons jogadores vão todos embora e não vão deixar um único centavo para o clube.
    Definitivamente um exemplo que não deve ser seguido pelo papão.

    Outra coisa não acho q o time do salgueiro seja superior ao time do papão. acho q no jogo eles foram superiores, mas no jogo somente.
    O Sandro que tanto fez esse ano pelo papão, e foi peça importantíssima no título do paraense e na campanha da série C, foi extremamente prejudicado pelo horário do jogo. Qualquer pessoa q joga bola sabe o q é jogar com uma lua daquela na cabeça. Resultado: o sandro andava em campo tentando se poupar.
    Outra coisa, sabendo dessa dificuldade a mais, tirar o marquinhos do meio campo e botar o potiguar com características mais de ataque deixou o meio campo completamente sem pegada, pois com apenas um jogador para marcar, no caso o tácio, os jogadores do salgueiro tiveram toda a liberdade do mundo.
    Mais uma coisa, a soberba do charles que achou que era só mandar todo mundo pra cima do salgueiro que a gente resolveria o jogo deixou os zagueiros do papão no mano a mano com o velozes atacantes do salgueiro. bastava diblar um q o cara tava sozinho com o goleiro.
    tudo pq os laterais subiam juntos sem ninguém atráz pra fazer a cobertura. E quem poderia ficar para ajudar na cobertura? o Marquinho.
    Uma situação me chamou muito a atenção: foi quando aquele atacante do Salgueiro recebeu a bola completamente sozinho na entrada da área, lance do terceiro gol. parecia coisa de pelada. e aí eu pensei: cara aonde está o paulão que deixa acontecer uma coisa dessas?
    Fiquei puto com ele mas revi outras vezes a jogada e constatei que o paulão, abandonado na zaga, teve q sair da área para dar o combate no ala direito do salgueiro que recebeu a bola sozinho, haja vista que o aldivan estava desfilando lá pela região do ataque e não ficou ninguém para cobri-lo.

    Moral da história, acho que a gente perdeu pela falta de pegada no meio campo e pelas subidas afoitas ao ataque, sem cobertura na zaga, deixando os atacantes sozinhos com os zagueiros. Assim foram dois gols do salgueiro.

    Mais não vejo essa tragédia toda que se canta aos quatro cantos.
    O papão perdeu um jogo decisivo e nada mais. Não podemos esquecer que os jogadores estão com os salários em dia e temos uma excelente base para o ano que vem.

    É minha humilde opinião

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  11. Tinha tudo pra ser um domingo de alegria e comemorações para a fiel bicolor, mas o que vimos foi um time que já entrou de sapato alto, pensando que camisa ganha jogo, jogador acreditando que é craque, (TIAGO POTIGUAR), não marcava ninguém, e só queria bola no pé. A nossa imprensa se esforça, cobrindo o dia a dia de cada clube, deixando o torcedor atualizado, nos iludindo as vezes, dizendo que nossos times “grandes”, estão no caminho certo, quando na verdade os nossos dirigentes, continuam fazendo as mesmas bobagens dos anos anteriores. Mas o torcedor paraense é um apaixonado por futebol e nunca vai deixar de torcer por seu time de coração, independente de divisão. Força futebol paraense, parabéns imprensa que faz de tudo pra nos sentirmos grande, quando na verdade somos meros torcedores fanáticos pelo Pará.

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