Um feliz Círio para todos nós

Acima das pequenas e grandes pelejas diárias, das rivalidades e malquerenças, este escriba baionense deseja a todos os amigos parceiros de blog um Círio de paz e alegria, baseado no princípio cristão de que somos todos irmãos. Viva a padroeira Nossa Senhora de Nazaré!

(Foto: Tarso Sarraf/DIÁRIO)

Papão empata e fica a um passo da Série B

Não foi uma grande atuação, mas o resultado foi excelente para o Paissandu. Ao empatar em 1 a 1 com o Salgueiro (PE), na tarde deste sábado, no estádio Cornélio de Barros, a equipe paraense ficou a um empate de 0 a 0 para retornar à Série B do Campeonato Brasileiro. O jogo de volta será no próximo dia 17 (domingo), às 9h, no estádio da Curuzu. No primeiro tempo, o time da casa foi superior, distribuindo bem as jogadas e levando a melhor na disputa de meio-de-campo, conduzido pelo habilidoso meia Cléberson. Encolhido em seu campo, o Paissandu pouco arriscava e errava muito na marcação.

Com boas defesas, Alexandre Fávaro começava a despontar como melhor da equipe no jogo. Aos 37 minutos, numa escapada de Bruno Rangel, surgiu a maior chance do Paissandu no primeiro tempo. O centroavante disparou em direção ao gol e acertou o travessão. Apenas seis minutos depois, Fávaro foi driblado na área e cometeu pênalti. Beá converteu a penalidade e pôs o Salgueiro em vantagem. A zaga do Paissandu reclamou impedimento, mas o árbitro validou o lance.

No intervalo, o técnico Charles Guerreiro trocou Marquinhos por Lúcio. Com isso, Tiago Potiguar, que era muito bem marcado, caiu para o meio-campo e o veterano Lúcio passou a formar dupla de ataque com Bruno Rangel. De início, a mudança não alterou a situação. O Salgueiro continuava a dar as cartas, ameaçando sempre. Antes dos 15 minutos, o dono da casa teve duas boas oportunidades, através de Cléberson e Fagner. Fávaro salvou o Paissandu com excelentes defesas. Depois de substituir Bosco por Cláudio Allax, o Paissandu começou a reagir em campo. 

O time pernambucano dava sinais de cansaço e o craque do time, Cléberson, teve que ser substituído. Com isso, Tiago Potiguar passou a fazer jogadas com Lúcio e Aldivan, aproveitando os espaços que se abriam na meia-cancha. Aos 27 minutos, em brilhante arrancada de Potiguar, Lúcio foi lançado na área e bateu cruzado para empatar a partida. O Salgueiro entrou em desespero, insistindo em cruzamentos para a área. O Paissandu tocava a bola e chegou a ter chance de chegar ao segundo gol. No final, o empate foi bastante comemorado pelos paraenses, certos de uma grande apresentação na Curuzu.

Receberam cartões amarelos: Marquinhos, Fávaro, Leandro Camilo, Sandro Goiano e Tácio, pelo Paissandu; Edu Chiquita, Pio e Lúcio, pelo Salgueiro. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola-DIÁRIO)

John Lennon, 70 anos neste sábado

Da Rolling Stone

Há 30 anos a figura daquele músico britânico, com seus inseparáveis óculos de sol de armação redonda, não circula por aí. Ele se foi cedo demais para outro lugar. Mas a efeméride deste 9 de outubro não rodeia a despedida, mas a chegada dele ao mundo, que completaria 70 anos em 2010. John Lennon é o beatle favorito de muitos fãs do quarteto de Liverpool. Dono de composições inspiradoras e inesquecíveis, tem seus pés marcados no cimento da música como um dos maiores nomes de todos os tempos. Contudo, não bastava só sua perpetuação como um grande artista. O mundo nas décadas de 60 e 70 não andava nada bem e era preciso atentar as pessoas sobre a necessidade de dar uma chance à paz – sim, a referência ao clássico “Give Peace a Chance” é clichê, porém inevitável. Sua mensagem e seu papel como ativista ficaram tão registrados na história quanto os hits que escreveu tanto em carreira solo, quanto em parceria a Paul McCartney, seu ex-companheiro de banda. Não se espante ao ver o rosto de Lennon em todos os lugares neste dia. Não se espante ao ouvir o nome de John Lennon por muitos e muitos anos.

Nascido em Liverpool no dia 9 de outubro de 1940, John Winston Lennon gamou para valer em música em 1956, ao ouvir “Heartbreak Hotel”, clássico de Elvis Presley. No ano seguinte, segundo Mark Lewisohn, um dos maiores conhecedores da trajetória dos Beatles, Lennon ganhou uma guitarra de sua tia Mimi e então decidiu formar a banda Quarry Men, composta inicialmente por ele e seu amigo Pete Shotton. O grupo contava com demais colegas de escola e John ficava a cargo da guitarra e do vocal. O encontro entre ele e Paul McCartney aconteceu em julho de 1957, enquanto o Quarry Men se apresentava na igreja de St Peter’s Parish, em Woolton. James Paul McCartney, que tinha então 15 anos de idade, observava o grupo durante a apresentação e, após o show, fez amizade com o vocalista. Começava ali uma das maiores parcerias que o rock já teve. George Harrison entrou na banda em 1958 e Ringo só assumiu as baquetas no ano de 1962, no lugar de Pete Best, quando o Quarry Men já há muito tempo não mais se chamavam assim, mas Beatles.

A trajetória de sucesso da banda britânica é conhecida até pela aquela pessoa menos informada em termos musicais. O quarteto bateu recordes e mais recordes relacionados a vendas de discos, números de fãs ao redor do globo, entre outros fatos. Por onde passavam, aglomerados de pessoas iam atrás. E, claro, não é bobagem alguma dizer que a vida de John Lennon era praticamente inseparável a do grupo – não só no que diz respeito a ele, como também aos demais integrantes. Era possivelmente a banda mais conhecida do mundo – e comentários a respeito até causaram alvoroço (como o famoso episódio em que Lennon diz, durante entrevista em 1966, que os Beatles eram mais populares que Jesus Cristo). O fim dos Beatles em 1970 arrancou lágrimas de muitos fãs, que desde então passaram a aguardar um anúncio de retorno. Tal fato não aconteceu, mas seus integrantes, daquele momento em diante ex-integrantes, seguiram em carreiras solo satisfatórias.

Logo no ano de 1970, Lennon lançou o disco de estúdio John Lennon/Plastic Ono Band, junto à sua esposa, Yoko Ono. Entre as faixas, estão “Working Class Hero” e “Power to the People”, que marcam o engajamento na fase solo de sua carreira. Na sequência veio Imagine, em 1971, álbum cuja tracklist apresenta aquele que se tornaria o maior hino de John Lennon, “Imagine” – sustentada pela positiva visão de um possível mundo em que não houvesse injustiças e no qual a paz predominasse. Mais do que somente ter uma letra bonita, “Imagine” consegue se manter atual quase quatro décadas após seu lançamento. Durante os anos 70, o ex-beatle seguiu trabalhando e lançando discos. Hits de amor, hits de engajamento. Lennon criou faixas que são sucessos até hoje, como “Jealous Guy”, “How Do You Sleep?”, “How?”, “Mind Games”, “Stand by Me”, “(Just Like) Starting Over” e “Watching the Wheels”.

Mark Chapman, um “fã”, matou o cantor a tiros em outubro de 1980, em frente ao edifício Dakota, em Manhattan, onde o músico morava. O assassino ainda paga pelo que fez atrás das grades e desde que cumpriu pena mínima, tenta a cada dois anos obter liberdade condicional (a primeira aconteceu em 2000 e as demais em 2002, 2004, 2006 e 2008). No dia 7 de setembro, o sexto pedido de liberdade condicional lhe foi negado.

Um manifesto alvinegro

Por Arnaldo Bloch

Torcedores do Botafogo que se acham “verdadeiros” quiseram roer meu fígado por causa das ideias que expus no “Redação SporTV” da última segunda-feira. Faço parte daquela turma de não especialistas que os programadores convidam para dar um olhar informal (ou desinformado, conforme o caso) sobre o mundo das bolas. Acusaram-me de “não ser torcedor”. Disseram que “não precisam de mim”. E, como não podia deixar de ser, coroaram a argumentação me chamando de filho da puta. A ira destes meus irmãos levou-me a sistematizar o que dissera na TV no pequeno manifesto que segue abaixo, com jeitão de autoa-
juda, apesar de meus esforços em contrário. Tenho certeza de que encontrarei mais compreensão que ódio, uma vez que a torcida do Botafogo é composta, em sua maioria, por quem sabe enxergar a vida além do preto e do branco.

SER BOTAFOGO — Não sou Botafogo “para vencer”. Gosto de vencer. Prefiro a vitória à derrota. Mas sou Botafogo porque sou Botafogo. Pela estrela, pelo preto e branco misturado ao colorido da multidão, às estampas das moças, ao cabelo da ruiva, ao azul, ao Brasil.

ATÉ O FIM — Se o Botafogo for campeão, fico feliz da vida. Mas não ambiciono ver o Botafogo sagrar-se pentacampeão brasileiro antes de eu morrer. Isso é pouquíssimo provável. Por ora, fico feliz se formos à Libertadores. Mas se o Botafogo deixar de existir, amarei sua flâmula e so-
nharei com seus símbolos até a última noite.

PORRADA — Esclarecendo, só de passagem: isso não vale só para o Botafogo, mas para a
maioria dos times e, portanto, a maioria dos torcedores, em conjunto. Transitoriamente, no plano da História, este ou aquele time, nesta ou naquela cidade, terão uma “hegemonia” de títulos, de conquistas, de torcida. Para o torcedor deste time, a derrota em campo tende a equivaler a uma derrota pessoal. O time passa a ter uma dívida com o indivíduo. Não no sentido moral, de melhorar para retribuir o apoio, mas no sentido emocional, de recuperar sua autoestima perdida. Perder, então, passa a ser uma questão pessoal entre o torcedor e o jogador, ou entre o torcedor e o torcedor, inclusive os do mesmo time. Num caso ou no outro, a porrada come.
AO GLORIOSO, A GLÓRIA — Sou o torcedor que sou. Mal sei as escalações de cor e enciclopédia pra mim é a “Britannica”. Nos anos 70, amei várias formações alvinegras que não ganharam título. Wendell era meu ídolo. Marinho Chagas, um semideus. Ouvi no radinho o João Saldanha soltar seus esgares ébrios quando Tuca e Puruca formaram o ataque. Faço parte de um povo que sabe o que é a privação. A vida é assim. E as glórias que são do Glorioso ninguém tira, bastantes, muitas, poucas, uma, ali no firmamento.

Carta a um jovem escriba

Por André Forastieri

Se você trabalha com comunicação, precisa saber escrever. Mas muita gente sofre para escrever. Eu escrevo profissionalmente desde 1988. Tenho uns truques para compartilhar com você. Em 2008, eu me rendi e comecei um blog para palpitar todo dia sobre cultura, tecnologia e comunicação. Também o fiz para expor as glórias e vergonhas destas duas décadas. Me rendi ao blog porque quase só leio online.

Observei que muitos blogs brasileiros são prolixos e ensimesmados. Muita opinião e pouca posição. Jornalistas profissionais têm outros problemas. O pior é cozinhar o press release. Tudo isso tem remédio. A primeira vez que escrevi sobre escrever foi em 1995, numa coluna do Folhateen. Uma resposta a mil consultas sobre como virar crítico musical. Está no meu blog. De lá para cá, escrevi várias vezes sobre o assunto. Quase sempre para consumo interno. Eu envelheço, mas meus colegas sempre têm uns 25 anos. Eles batizaram de “Escolinha do Professor Forasta”. O foco é jornalismo, mas serve para outras coisas. Reescrevi minha aulinha há um mês. Este é o primeiro remix.

COMO ESCREVER BEM

Escrever bem é defender uma posição original, com argumentos irrefutáveis, de maneira sedutora e clara. Vamos chamá-la de “tese”. Isso pode ser feito em uma frase ou mil. Em uma é melhor. Se o texto não tem posição, não defende uma tese. E se não tem algum componente de provocação, não defende uma tese original. Aí pode ser o que você quiser – poesia, prosa, “conteúdo” -, mas não é jornalismo. Adaptando a Wikipédia, a tese é uma tomada de posição por parte do autor. Ele apresenta sua posição e, em seguida, argumentos que provem que ela está correta. A tese deve ter tema único e bem delimitado, rigor de argumentação e apresentação de provas, profundidade de ideias, avanço da compreensão da área abordada e originalidade.

A ESTRUTURA

O texto jornalístico ideal tem 1500 caracteres. Ele deve defender uma única tese. O texto longo é, na verdade, uma grande tese, construída por miniteses de 1500 caracteres. É muito difícil de fazer e pouca gente tem paciência para ler. Pense dez vezes antes de fazer. Se você realmente precisar fazer algo maior que 1500 caracteres, transforme tudo o que passar disso em listas, subretrancas, bullets, boxes, infográficos etc. O título da matéria deve ser um resumo da tese, expressada da maneira que mais atrairá leitores. O primeiro parágrafo do texto (também conhecido como “lead”) explicita a ideia central do texto e, portanto, é um resumo do texto completo. O efeito final no leitor deve ser o de que ele escorregou pelo texto – foi paquerado pelo título, seduzido pelo lead e, quando viu, já estava no clímax. Uma estrutura muito eficiente: tese no lead, seguida de quatro parágrafos apresentando provas da tese em ordem crescente de força da prova. O último repete a tese e apresenta a prova definitiva de que ela é correta.

O TEXTO

As frases devem ser curtas e diretas. Não use vírgulas. Não use jargões e termos técnicos. Escreva em português que sua mãe possa entender. Não use metáforas, bordões, clichês. Se usar siglas, na primeira vez que mencioná-las, explique o que ela significa e o que ela é em texto entre parênteses. Abra um parágrafo a cada 400 caracteres. Use muitos subtítulos. Quando você achar que o texto está bom, conte o número de caracteres. Corte 30%. Depois disso, volte para a primeira linha e desça cortando todas as vírgulas que conseguir. Uma por parágrafo é o máximo desejável.

O ESTILO

Não procure ter um estilo. Estilo é uma mistura de todo mundo que você admira com o que você não consegue deixar de ser. Vai sedimentando com a idade. Preocupe-se em defender sua tese com clareza e eficiência. Escreva rápido até o final. Revise depois. Desligue o corretor automático, mas verifique as grafias. Você pode usar palavras que não usaria normalmente numa conversa com sua mãe – uma vez por texto. Aprenda inglês. Leia Gore Vidal pelos ensaios, The Economist pela clareza, e Seth Godin se sua praia é marketing. Mas estude os jornalistas brasileiros que sabem escrever em português. Não interessa o que ele está falando, interessa como. Paulo Francis é imbatível. Na minha geração, Álvaro Pereira Júnior. A formuleta acima funciona. Use e pare de sofrer. Você também pode ignorá-la e escrever bem. Só precisa ser muito inteligente e experiente e talentoso.

Finalmente: se você não se diverte quando escreve, o leitor percebe. Vá trabalhar com alguma coisa que te dê prazer!

Na Idade Média

Por Cynara Menezes – da Carta Capital

Sem qualquer relação com o problema que leva milhares de mulheres à morte  todos os anos, o debate sobre o aborto virou uma arma dos conservadores

Em 3 de outubro, um domingo, os brasileiros acordaram cedo, votaram, decidiram democraticamente pelo segundo turno das eleições presidenciais e foram para a cama no século XXI. Mas acordaram no dia seguinte em plena Idade Média, com a religião e o aborto no centro do debate político. Como a eleição termina no dia 31, em pleno Halloween,nas redes sociais a candidata do PT, Dilma Rousseff, passou a ser tratada por seguidores de José Serra, do PSDB, como uma bruxa a quem será preciso queimar. O clima inquisitorial, patrocinado não só por evangélicos, como chegou a se  publicar, mas também por alas conservadoras da Igreja Católica, é estimulado pelos tucanos e democratas, que pretendem focar a campanha no tema.

Quando o Brasil foi dormir naquela noite, o aborto era uma questão séria de saúde pública. Realizado clandestinamente, é o responsável por 15% das mortes maternas no País, a quarta causa de óbito de mulheres durante a gestação. São realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) mais de 180 mil curetagens por ano, grande parte delas causada por abortos malsucedidos. De acordo com uma pesquisa feita pela Universidade de Brasília, mesmo proibido por lei, uma em cada cinco brasileiras com menos de 40 anos expeliu do corpo um feto por vontade própria.

Ao acordar na segunda-feira 4, o brasileiro deparou-se com a notícia de que esse grave problema havia se transformado num trunfo para tentar mudar o resultado das eleições, nas mãos de religiosos e políticos conservadores. Uma trama foi urdida nos subterrâneos do catolicismo mais arcaico para prejudicar a candidata Dilma Rousseff, retroalimentada pelos adversários eleitorais. A própria mulher do candidato José Serra, Mônica, chegou a dizer a um evangélico no Rio de Janeiro, em meados de setembro, que a petista “gosta de matar criancinhas”. Impossibilitados de atingir as classes mais baixas com algum halo de programa de governo, democratas e tucanos apelam para o aborto e para a religião em busca dos votos da classe C.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 617 de Carta Capital, já nas bancas.